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por falcao, em 19.01.05
OPOSIÇÃO

É quase sempre mais fácil estar na oposição do que estar no Governo quando se trata de eleições antecipadas como na conjuntura actual - cá para mim isto foi aliás tema que pesou na decisão da dissolução. Mas, adiante: a única coisa que dificulta a vida à oposição é que não basta ser-se do contra; convém que se apresentem alternativas. E se olharmos para a paisagem nacional é fácil notar como existe uma grande falta de apresentação de propostas diferentes exequíveis.

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publicado às 17:45

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por falcao, em 18.01.05
Sobre os Partidos

No seu documento «Portugal: afrontar os desafios, assegurar o futuro», a Sedes traça um quadro do sistema político-partidário que é bem certeiro, como se pode ver neste excerto:

Existe hoje uma descrença generalizada no sistema e nos seus principais agentes, que não têm conseguido, apesar da alternância democrática, produzir as soluções que assegurem o desenvolvimento equilibrado e sustentado do País. Portugal começa a apresentar sinais evidentes de ingovernabilidade, que é necessário atalhar.



Por um lado, a agenda política é cada vez mais condicionada pela agenda mediática que, na ausência de referenciais deontológicos geralmente reconhecidos e institucionalmente assegurados, se tem deixado subordinar aos critérios da trivialidade e do espectáculo de massas.



A acção política tende assim a sucumbir frequentemente ao populismo e ao imediatismo, com sacrifício dos resultados mais duradouros.



Além disso, a prática mediática tem sido muito marcada por um enviesamento negativista (explorando e ampliando os aspectos negativos da realidade e da acção) e pela tendência de, sob esse enviesamento, referendar continuamente a acção política, fazendo caminhar o regime, de uma democracia representativa, de mandato político, para uma democracia populista, de base emocional.



Por outro lado, os partidos têm deixado deteriorar a qualidade da representação política da sociedade. Demasiado emaranhados em teias de interesses, a que acabam por ficar sujeitos pelas enormes exigências financeiras que a disputa eleitoral hoje impõe, têm subalternizado o debate doutrinário e a acção norteada por princípios, e desenvolvido mecanismos de selecção mediocrizantes.



Tem sido, aliás, manifesta a incapacidade dos partidos para se renovarem e para atraírem ao seu seio, ou mobilizarem para a actividade política, melhores quadros e melhores valores intelectuais.A sua vida tende a ser dominada por nomenclaturas perdurantes, que, pelo poder que exercem na nomeação de deputados, tem capturado a representação política e constituído um factor de rarefacção e de sério empobrecimento dessa mesma representação. Ao mesmo tempo que torna o próprio poder democrático mais facilmente permeável pelos interesses estabelecidos e contribui para o desinteresse da população na sua representação política e para o estreitamento da base eleitoral.



O documento pode ser lido na íntegra aqui, no Diário de Notícias.

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publicado às 13:54

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por falcao, em 18.01.05
INGOVERNÁVEL?

Um estudo da SEDES hoje divulgado alerta para os perigos da ingovernabilidade do país. Alguém devia ter dado os relatórios preliminares ao Presidente da República. Sempre se podia ter poupado algum tempo. E, talvez, o Dr. Sampaio percebesse que o problema não estava nesta maioria. Vai ser giro ver como se vai sair desta - até porque do lado do Engenheiro Sócrates as coisas também não parecem muitop famosas.

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publicado às 09:53

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por falcao, em 17.01.05
SONDAGEM

Existe um blog imperdível , o Margens de Erro. Ali aprende-se sobre sondagens, podem comparar-se várias e até se pode ver o resultado da média das sondagens mais recentes. O seu autor, Pedro Magalhães, docente na Universidade Católica é o autor de um interessante estudo sobre a evolução das sondagens pré-leitorais em Portugal, cuja leitura se recomenda vivamente link.pdf.

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publicado às 13:01

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por falcao, em 17.01.05
DESINTERESSE

O «Público» de hoje publica uma sondagem com um resultado aterrador: 76% dos portugueses acham que os políticos só estão interessados nos votos das pessoas e 75% acha que bem lá no fundo os partidos são todos iguais. 50% declaram-se pouico ou nada interessados na política.

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publicado às 11:58

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por falcao, em 17.01.05
HIPOCRISIAS



De repente toda a gente quer ser reformista. De repente toda a gente quer mascarar-se: o país está subitamente cheio de Brancas de Neve, sem defeitos, nem pecados. Até o Presidente da República defende agora que deve haver uma maioria estável – presume-se das suas acções recentes que a entende preferível com um único partido a formar Governo.

Em relação às próximas eleições as propostas dos partidos vão sendo atiradas para cima da mesa, de forma avulsa, como meros instrumentos de propaganda. Avolumam-se os sinais de que haja candidatos que não querem entrar em debates, preferindo estarem sózinhos em cima do palco.

Isto da fuga ao debate deve ser vírus contagioso – começou por atacar a Ministra da Educação, mas rapidamente alastra pelo espectro político. Os debates são necessários – na sua essência uma campanha eleitoral é um confronto de ideias e isso só se consegue com os adversários frente-a-frente, olhos nos olhos..

Não querer debates e ao mesmo tempo alimentar polémicas com assuntos menores, fomentar declarações e a actuação de porta-vozes, são formas de utilizar a informação e os media, não são formas de proporcionar informação, esclarecimento, troca de ideias – enfim, aquilo que devia caracterizar as bases de escolha do eleitorado.

Há muito que discutir, há muito que debater – a começar pelas reformas que todos dizem querer até chegar a hora da verdade. Há meios e condições para fazer reformas. O que falta é a vontade, fora dos períodos eleitorais. Esta é a maior hipocrisia que vivemos.

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publicado às 11:55

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por falcao, em 17.01.05
MISTÉRIO – Folheio os jornais todos os dias, vejo os noticiários, e sinto que está a fazer falta alguma coisa. Olho para todo o lado, ouço de todo o lado e mais se adensa a noção de que falta mesmo alguma coisa. E cada dia que passa mais me convenço que a maior das faltas na política portuguesa é puro e simples bom-senso.



VÍRUS – A política portuguesa parece contaminada por um vírus, que se espalhou por todos os partidos. É como se um «hacker» tivesse entrado no disco rígido e começasse a provocar problemas nos diversos ficheiros, provocando respostas automáticas não desejadas, interferindo com o funcionamento. O vírus tem-se espalhado rapidamente pela rêde do poder e chegou até ao «mainframe», o tal que está guardado em Belém. Nestas condições teme-se que o problema obrigue a mudanças sérias no sistema, com introdução de novos servidores e de novos sistemas de protecção. A operação de formatação de disco prevista para dia 20 de Fevereiro arrisca-se a não conseguir resolver os problemas existentes se a arquitectura da rêde e o seu funcionamento não forem repensados.



POPULISMO – Há seis meses atrás uma série de editoriais inflamados erguiam-se contra os perigos de populismo e de demagogia que atribuíam a Santana Lopes. Estranho imenso o silêncio de tanta mente que estava inquieta nessa época quando as demonstrações de populismo e de demagogia começam a ser moeda corrente no outro lado do espectro político. O rei vai nu e já ninguém se importa com isso?



PROGRAMAS – A cerca de um mês das eleições ainda não são conhecidos os programas eleitorais dos principais contendores. Mas a cerca de um mês das eleições abundam já as promessas. Promessas e mais promessas, mas o que importa é saber como elas vão ser concretizadas quando se sabe que à partida não pode haver mais dinheiro e que, antes pelo contrário, tem que se apertar ainda mais o cinto. Eu sei que não é simpático dizer-se que há que cortar ainda mais. Mas quem disser o contrário, mente. Não há dinheiro. O País gasta mais do que aquilo que produz. As reformas têm que ser profundas, não basta uma maquilhagem ligeira.



ELEGER – Eleger é votar, votar é escolher um entre vários. Para se poder votar tem que se conhecer o que cada um propõe. Para se decidir, ajuda saber como funcionam as ideias em confronto. Não basta comunicar o que se quer fazer, a estratégia que cada um propõe. É importante o debate entre pares : é nisso que a democracia se baseia – nos Parlamentos os deputados debatem uns com os outros, no processo que leva à escolha dos Parlamentos, por maioria da razão, o mesmo deve acontecer entre os candidatos a futuros deputados e governantes



BACK TO BASICS – Em tempo de guerra convém que se limpem algumas armas, senão encravam e é pior, começam a disparar para o lado; ou para trás.



COMIDINHA – No centro de Lisboa um bar restaurante com ar muito cosmopolita. Chama-se Luca e parece ser coisa a seguir com atenção. Boa música ambiente, bom ponto de partida na ementa, de inspiração vagamente italiana, mas muito cosmopolita. Voltarei ao assunto. Rua de Santa Marta 35, telef. 213150212.



SUGESTÃO –.A editorial Gótica lançou um livro que vale a pena descobrir: «Lisboa antes do Terramoto de 1755», que faz uso das reproduções das vistas de Lisboa, existentes em azulejos da época, provenientes do palácio dos Condes de Tentúgal, que está hoje no Museu Nacional do Azulejo. A obra é organizada por Paulo Henriques, Director do Museu, e utiliza também uma antologia de textos sobre Lisboa, do século XV ao século XVII, muito bem escolhidos. Atravesse o Tejo e ponha-se na outra margem, no alto da parte velha de Almada, e veja as diferenças. Vai ver que vale a pena.



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publicado às 11:53

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por falcao, em 16.01.05
PALPITE

Tenho a impressão que esta vai ser a semana de todas as promessas: lá para dia 20 devem surgir os guias de promessas, que é como quem diz os programas eleitorais. E lá para o fim de semana inevitavelmente a rapaziada da política nbão deve deixar de largar umas fugas de informação para os semanários...

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publicado às 13:49

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por falcao, em 15.01.05
INTERESSE

O pessoal desiludiu-se com a política. Está descrente. Olha para o panorama e não vê grandes diferenças entre uns e outros. Ao fim destes anos todos já se vai percebendo que os partidos não podem ser encarados como clubes de futebol. Os partidos vão mudando, afastam-se dos cidadãos, afastam-se da sua missão, são representantes de grupos de interesses, vão evoluindo para pequenos círculos fechados. Os partidos não podem pedir a fidelidade dos eleitores. Têm é que se mostrar capazes de resolver os problemas, coerentes e, acima de tudo, têm que demonstrar seriedade. Ora a resolução de problemas, a coerência e a seiredade política são exactamente as grandes lacunas do sistema partidário português.

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publicado às 16:57

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por falcao, em 14.01.05
COMEÇOU...

Ainda a procissão vai no adro e um «Semanário» conhecido por ser altifalante de intrigas diversas já anuncia a criação de facções partidárias no PSD para a disputa interna de poder logo a seguir às eleições. Que alguém se lembre de escrever estas coisas é como o outro. Agora que jornais assim sejam presença constante em gabinetes e sedes partidárias é que mostra o estado da nação: uma newsletter de intriga sobrevive apenas porque as fontes querem todas andar a ver o que as outras dizem. Irra...

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publicado às 10:48



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