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por falcao, em 14.02.05
SERÁ SÓ UMA DIFERENÇA DE ESTILOS?

Hoje em dia é politicamente correcto dizer-se que se vai votar incomodado ou, até mesmo, dizer-se que não se sabe em quem votar. Criou-se ao longo dos últimos meses uma estrutura mental de funcionamento que estigmatiza o que seria «incorrecto» e «correcto» em matéria política. O Governo, e em especial Santana Lopes, estão no topo de tudo o que é politicamente incorrecto.
Eu não tenho nenhum incómodo em votar. Não tenho medo de ser politicamente incorrecto. Tenho gosto em ter opinião. Posso desconfiar de algumas coisas na forma, posso discordar da táctica, mas entre os resultados práticos dos Governos PS e o dos Governos PSD, prefiro os últimos. Não voto sempre da mesma forma e às vezes até nem voto. Mas desta vez sei que voto e porque voto no PSD. Não prescindo do meu direito de preferir reformas dificeis a curativos passageiros.Nestas eleições não estamos só a votar em diferenças de estilos.
Olho para o que se passa à minha volta e vejo o Partido Socialista a pedir um cheque em branco, com endosso firmado por António Guterres. Não me parece nem que António Guterres fique bem no papel de D. Sebastião, nem que a generalidade das pessoas o considere «O Desejado». A verdade é esta: há três anos Guterres achou-se incapaz de continuar a ser Primeiro-Ministro e desconfio muito quando ele é agora apresentado como o principal argumento da mudança na forma de governar o país. Por acaso até acho que ele é um bocado politicamente correcto demais, tão correcto que até chateia. Citando um frase muito em voga, Guterres fala, fala, e não diz nada. Não vejo razão para achar que ele esteja diferente.

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publicado às 10:13

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por falcao, em 14.02.05
ARCO – Uma das coisas que torna uma cidade num pólo de atracção tem a ver com a capacidade de criar eventos culturais que por si só sejam motivo de deslocação. As novas peregrinações às grandes cidades da Europa têm cada vez mais a ver com momentos e equipamentos ligados à cultura e às artes. Desde há uns anos Madrid marca as agendas em Fevereiro com a sua feira de Arte Contemporânea. Este ano a ARCO expõe 6000 obras de arte, com preços de 75 euros até dois milhões de euros (uma escultura com elementos em movimento do norte-americano Alexander Calder). Mas também há peças de Botero ou aguarelas de Picasso por 300.000 euros. Uma iniciativa destas exige investimento a longo prazo mas garante retorno e notoriedade. Todas as grandes cidades europeias têm estratégias de divulgação internacional que passam pela arte e cultura porque sabem que são os dois pretextos para as peregrinações contemporâneas, para os viajantes e amantes de cidades. A arte e a cultura são cada vez mais um meio de promover o desenvolvimento – as cidades que já o perceberam viram-se para fora; as outras, fecham-se para dentro. Por isso a notícia de que o projecto de Frank Gehry em Lisboa vai avançar é tão importante para Lisboa.

BANCA – Depois da operação «Own Art», criada no Reino Unido em associação entre o HFC Bank e o Arts Council, aqui ao lado, em Espanha, a La Caixa estabeleceu um convénio de colaboração com o Grémio das Galerias de Arte da Catalunha para facilitar o financiamento da aquisição de obras de arte, nomeadamente de novos criadores. Recorda-se que o projecto Own Art concede empréstimos imediatos entre 100 a 2000 libras, amortizáveis no prazo de um ano, Os empréstimos exigem o mínimo de formalidades, são concedidos nas galerias aderentes, e não têm juros nem despesas administrativas – suportadas pelo Arts Council com uma percentagem de 4% sobre o total dos financiamentos concedidos pelo banco. Nenhum dos nossos estimáveis bancos e respeitáveis instituições se deixa tentar? Façam as contas: se um esquema destes criar um movimento de um milhão de euros por mês (400 peças de valor médio de 2 500 euros), o mercado movimentará 12 milhões de euros por ano e o Estado, se o esquema fôr igual ao britânico, irá investir apenas 480.000 euros na dinamização do trabalho de artistas plásticos contemporâneos, de galeristas, da circulação de obras de arte, no fomento do gosto. E as nossas casas ficarão certamente muito mais bonitas. Visitem www.artscouncil.org.uk .

OPINIÃO – Há jornalistas que fazem a cobertura da campanha eleitoral e que em vez de relatarem o que vêem, opinam o que sentem, qualificam o que transmitem. É em algumas estações de televisão, e em relação a todos os partidos, verdade seja dita, que isso se torna mais sensível. Uma graçola aqui, um acintezito ali, um comentário maldoso acolá, assim os papalvos julgam abrilhantar uma peça, deixando de lado o relato da informação e abraçando a mistura com a opinião. O problema não é cada um ter simpatias políticas, é misturar o trabalho de reportagem com propaganda das suas próprias convicções, ou de contra-informação, quando não lhes agrada o candidato que estão a seguir. E o pior de tudo é quando tentam fazer humor e têm jeito para tudo menos para isso.

CAMPANHA – Quanto mais a campanha eleitoral destaca o acessório e despreza o essencial, mais o sistema se desacredita face aos eleitores. Nos últimos meses passou a analisar-se a qualidade da embalagem e não o que ela contém, há uma preocupação maior com a forma do que com o conteúdo. Muita gente põe as aparências acima de tudo. É apenas uma forma mais de hipocrisia, mesmo que aparente ser politicamente correcta.

BACK TO BASICS – Os estudos pós-eleitorais norte-americanos revelam que o facto de a campanha de Kerry ter sido assumidamente pela negativa e anti-Bush foi uma das causas do seu mau resultado.

PERGUNTA DA SEMANA – Guterres não se tinha ido embora há três anos?

SUGESTÃO – O único sítio do espectro radiofónico onde se consegue ir descobrindo com regulararidade a música nova de qualidade que se vai produzindo é a Radar, uma estação FM da região de Lisboa sintonizável em 97.8. E as noites são imperdíveis com êxitos dos anos 80 e 90.

COMIDINHA – Mais uma ideia para quem gosta de cozinha indiana, o Shalymar Garden, no Mercado de S. Bento, frente à Assembleia da República, Rua Nova da Piedade 99. O sítio tem graça, a comida é muito bem elaborada, os preços condizem com a elaboração. Tel. 213902613.

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publicado às 10:12

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por falcao, em 07.02.05
PROGRESSO – A Intel apresentou no recente festival de cinema de Sundance um novo sistema de distribuição de filmes. Citando a imprensa que acompanhou o acontecimento, a estreia de «Rize» conseguiu mostrar um filme sem utilizar película ou video, ou qualquer máquina com mecanismos móveis. Na verdade esta foi a primeira vez que um filme foi exibido num grande ecrã com recurso à sua transmissão à distância por um novo sistema de transmissão de dados desenvolvido pela Intel, o Wi Max. A estreia deu-se numa estância de ski no alto de uma montanha de 3000 metros coberta de neve, em Park City, no Utah. O filme, «Rize» um documentário sobre dança contemporânea realizado por David la Chapelle e filmado em video de alta definição, estava a ser emitido a 1200 quilómetros de distância e depois foi descodificado graças a um vulgar PC Media Center da HP e exibido com um projector digital de alta resolução. O novo sistema da Intel é cerca de 20 vezes mia rápido que as actuais ligações de banda larga e a qualidade da imagem e do som foram elogiados por todos os espectadores. Esta nova tecnologia pode significar uma revolução na forma de distribuição de filmes, que actualmente custa cerca de 1500 mil milhões de dólares por ano em cópias de película, seu transporte, armazenamento e destruição.



ANÉIS – Uma das boas supresas do Festival de Sundance foi o documentário «Ringers: Lord Of The Fans», que traça a influência do livro «O Senhor dos Anéis» na cultura popular desde que foi editado em 1954. A obra de Tolkien foi rapidamente adoptada por artistas pop como os Led Zeppelin, mas influenciou também escritores, artistas plásticos a até filmes e séries como «Star Wars» A sua influência na cultura pop foi perfeitamente transversal, desde os hippies dos anos 60 até realizadores de filmes contemporâneos.



RECORD – «Os Sopranos» tornaram-se na série de televisão mais cara de sempre ao ser vendida para uma das maiores redes de cabo dos Estados Unidos por 2,5 milhões de dólares por episódio. A rede A&E, que tem mais que o triplo de assinantes da HBO (o canal que originalmente produziu e exibiu «Os Sopranos») comprou os 65 episódios já produzidos e adquiriu a opção de exibição da próxima série, a sexta, que está actualmente em filmagens (e que terá entre 10 a 13 novos episódios e que será exibida no final do ano na 2:) . O record anterior pertencia a «Sex In The City», com um valor próximo de um milhão de dólares por episódio.



NOSTALGIA -A avaliar pelos cartazes anunciados para os festivais deste Verão entrou-se no triunfo da rádio Nostalgia. De Iggy Pop aos Manfred Mann há de tudo o que seja recordações dos anos 60, 70, 80 e 90. Num tempo em que faltam genuínos novos talentos, o normal é que as pessoas se comecem a voltar para o revivalismo. A política de contratações e de edições das grandes discográficas levou ao vazio. Dentro em pouco só restam as memórias. E, felizmente, o trabalho das pequenas editoras independentes, as únicas que arriscam na procura de novos talentos.



ESTRANHO – A campanha eleitoral oscila entre o dramatismo em torno de assuntos acessórios e o silêncio profundo e universal à volta dos grandes temas. No meio de uma campanha onde o lema comum é o «choque», não há-de ser por acaso que um grupo de notáveis apele a um «sobressalto cívico» . O que se passa à nossa volta, citando Churchill, é um enigma envolto num mistério. Aos eleitores pede-se que votem sem saberem bem em quê e quase tudo se resume ao pedido de um cheque em branco.



BACK TO BASICS – Quem nunca pecou que atire a primeira pedra.



PERGUNTA DA SEMANA – Isto é uma campanha eleitoral?



SUGESTÃO – A exposição «A Fotografia na Colecção Berardo», Museu de Arte Moderna, Sintra, de terça a Domingo entre as 10 e as 18 horas. Preço de entrada – 3 euros

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publicado às 16:36

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