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INCOMPATIBILIDADES

por falcao, em 12.04.08

E se o Bloco pedisse para verificar que ambientalistas, pagos por grandes empresas para afzerem grandes estudos, estão permanentemente a pressionar, enquanto militantes ambientalistas, para que mais e mais estudos e avaliações sejam executados por consultores da especialidade?


 

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publicado às 11:17

O EFEITO MARCELO

por falcao, em 12.04.08

(publicado no diário «Meia Hora» de Quarta-Feira)


Nota: depois deste texto estar escrito e publicado, novos desenvolvimentos no sector PSD, basicamente em torno das preocupações expressas por Ângelo Correia, reforçam o clima de desconfiança em relação a Luis Filipe Menezes.



Nos últimos dias uma série de figuras, com prestígio e peso político, começaram a sugerir que talvez conviesse considerar a hipótese de Marcelo Rebelo de Sousa se decidir a ir tomar conta do PSD. Para além do mito sebastianista que varre ciclicamente a sociedade portuguesa, esta questão merece alguma atenção.


Na realidade a desilusão com a incapacidade de liderança de Menezes, o desapontamento com a sua actuação política tacticista, volátil, ziguezagueante e inconsequente, atingem sectores cada vez mais vastos daquilo a que designarei por área de influência natural do PSD. Estes sectores olham para o futuro, percebem o afastamento do PSD da realidade e vêem o espectro de um partido único em regime democrático, com o PS a continuar a ganhar eleições, a reboque do poder que Sócrates impõe, e toda a oposição destroçada, excepção feita ao PCP.


Para a oposição interna do PSD a questão é a de saber quando precipitar a mudança de Menezes, sendo que a maioria, entre comodismo, conveniência e algum receio, se inclinam para deixar o actual líder ser derrotado nas sucessivas etapas do próximo ciclo eleitoral, para depois ser afastado sem apelo nem agravo, daqui a uns dois anos. Isto parece muito certinho, mas arrisca-se, à velocidade a que a situação se degrada, a deixar o PSD num estado de anemia profunda e reduzida expressão e peso políticos. Daqui a dois anos, por este caminho, o PSD está moribundo. Provavelmente nessa altura fará mais sentido criar um novo partido que reanimar um tão degradado.


Por isso, para o PSD, talvez valesse a pena que, se Marcelo se decidir a avançar, o faça antes do calendário eleitoral, sabendo de antemão que irá ter uma vida difícil. Eu acho que, quanto mais cedo começar a mudança e começarem a ser mandados sinais claros para a sociedade de que as coisas vão mudar, melhor.


Há uns meses atrás dificilmente diria isto: que venha Marcelo, que regresse à política activa, que se rodei de uma boa equipa e que mostre que também ele pode ter aprendido com os erros que cometeu no passado: menos intriga palaciana, menos atitudes de analista, mais atitudes de líder político. Se isso acontecer, a vida democrática em Portugal poderá melhorar, poderá haver mais debate e alternativa credível.


Na realidade uma reforma do PSD no sentido de recuperar as elites terá efeitos para além das suas margens partidárias – provavelmente terá repercussão entre o PP e sectores liberais não organizados. Será que Marcelo e os seus apoiantes conseguem avançar? 

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publicado às 11:15

APITOS, NOMEAÇÕES E PRAZERES

por falcao, em 08.04.08

(Publicado no Jornal de Negócios de 3 de Abril)


 


VARRIDELA – Há quem diga que os últimos desenvolvimentos do Apito Dourado desprestigiam e põem em causa a imagem do Futebol. Eu acho é que põem em causa o mundo do velho futebol, das negociatas e das influências de poder, dos não olham a meios para atingir objectivos, de dirigentes mais preocupados com o poder e vantagens pessoais do que com o desporto. Era bom que isto fosse o princípio de uma varridela de mudança de mentalidades, métodos e funcionamento. De cima a baixo, a começar pela Federação, a passar pela forma como a Selecção é dirigida e a terminar nas SAD’s dos clubes. 


SIMPATIA - Nas últimas semanas o Ministério da Cultura anunciou duas nomeações interessantes: Pedro Mexia para subdirector da Cinemateca e Jorge Barreto Xavier para Director-Geral das Artes. São boas escolhas, inesperadas q.b., com aquele toque de alargamento do espectro de apoio que às vezes os políticos gostam de usar quando chegam a um cargo novo. Só espero que este Ministro se decida a falar um pouco das políticas e prioridades que pretende implementar, e não se reduza a escolhas, sempre importantes, de pessoas para dirigir áreas sensíveis do seu Ministério. É que boas pessoas sem políticas definidas não fazem milagres, e, a avaliar por duas citações da semana passada na imprensa, a única linha política defendida publicamente pelo Ministro nas suas conversas sobre o tema é a de insistir em «fazer omoletas sem ovos». O problema é que essa tem sido a linha política deste Governo na Cultura e o resultado está à vista. Se não mudar a mentalidade do Primeiro Ministro sobre este assunto e se este Ministro não conseguir ter peso político para influenciar as decisões orçamentais, então não poderá fazer muito mais que nomeações simpáticas. 


BOM – Serralves continua a ser um exemplo de bom funcionamento na área das instituições culturais. Sábado passado casa cheia para o final da exposição de Robert Rauschenberg, que levou mais de 120.000 visitantes a descobrir um dos mais provocadores e marcantes artistas contemporâneos, numa mostra que permanentemente colocava questões.  À noite, no Auditório, um dos nomes de referência da dança contemporânea norte americana, a companhia de Trisha Brown. Em paralelo pode continuar a ser vista uma exposição de Alexandre Pomar, mostrando uma faceta pouco conhecida do artista e uma autêntica revelação, a de um português radicado há décadas em Paris, Alvess, que apresenta uma obra de uma diversidade e originalidade muito curiosas – ambas até 20 de Abril. 


REVELADOR – Aqui vai mais uma prova de como o mundo da comunicação está a mudar rapidamente. Em meados de Março, Barack Obama fez um discurso, em Filadélfia, acerca do relacionamento entre diferentes raças. Transmitido pela televisão, esse discurso teve, em directo, quatro milhões de espectadores. No espaço de uma semana o vídeo do mesmo discurso, no You Tube, registou 3,8 milhões de visionamentos, praticamente a mesma audiência da TV. Nestas eleições o You Tube é o local onde surgem as imagens que moldam a campanha, não só dos candidatos, mas também de acontecimentos que eles referem nos seus discursos ou até os seus spots publicitários. Mas o pior aconteceu a Hillary Clinton, quando uma das pessoas utilizadas na sua campanha, com base em imagens de arquivo, apareceu no You Tube a apoiar Obama e a criticar a forma de actuar da senadora. Por cá, já se sabe, o You Tube foi o responsável por, de repente, toda a gente ter percebido que alguma coisa vai muito mal dentro das escolas. 


PARABÉNS – As Produções Fictícias, fundadas por Nuno Artur Silva, fizeram quinze anos e provaram como é possível trabalhar de forma continuada na área da escrita para televisão, do humor e, mais recentemente, na publicidade. Mas a maior prova do sucesso da incubadora de talentos em que as Produções Fictícias se tornou veio no dia a seguir, quando um dos produtos lá nascidos, os Gato Fedorento, fizeram um simultâneo nos três canais comerciais de sinal aberto para lançamento do novo serviço de televisão por assinatura da PT, o Meo. É a melhor prenda que as Produções Fictícias podiam ter. E uma ideia brilhante da PT. 


OUVIR – O CD de estreia do grupo Rita Red Shoes é verdadeiramennte surpreendente no panorama das edições nacionais. Canções pop deliciosas, arranjos imaginativos, ritmos constantes e, claro, a voz de Rita, limpída, modulada, envolvente e, acima de tudo, interpretativa e sensível. Temos pois cantora, autora de canções, criadora de conceito, co-produtora, música sobretudo - é que Rita tornou-se conhecida como a pianista da banda de David Fonseca e vocalista do tema «Dream On Girl», mas antes disso foi baterista num grupo de teatro em 1996 e depois baixista dos Rebel Red Dog. «Golden Era», o seu disco de estreia, é uma compilação de experiências, muito cuidado do ponto de vista musical e de conceito visual. Uma obra bem pop que pode ser vista em www.myspace.com/ritaredshoes. CD IPlay-Valentim de Carvalho. 


PETISCAR – Gosto de petiscar nos bares dos hotéis, geralmente trazem boas surpresas. Esta semana experimentei, pela primeira vez, um petisco chamado prego do lombo em bolo de caco, o delicioso pão redondo e achatado, de massa muito leve, originário da Madeira e dos Açores. A coisa passou-se no Poivron Rouge, o bar do Tiara-Park Atlantic (ex-Meridien), no Porto. A carne era deliciosa, a mistura com o paladar invulgar do bolo do caco resulta mesmo bem, fica um prego verdadeiramente inesperado. A grande vantagem dos bares dos hotéis reside, regra geral, na qualidade do serviço e no conforto das instalações. E o preço não é muito diferente de outros bares. Este Poivron Rouge convence: Avenida da Boavista 1446, Porto. 


BACK TO BASICS – Somos aquilo que repetidamente fazemos, Aristóteles. 

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publicado às 15:47

TURBO VEREADOR

por falcao, em 08.04.08

(publicado no diário «Meia Hora» de 2 de Abril)


 


José Sá Fernandes foi eleito vereador na Câmara Municipal de Lisboa pelo Bloco de Esquerda sob o slogan «O Zé Faz Falta». Como se viu logo no dia seguinte às eleições, na realidade ele faz falta essencialmente ao PS e a António Costa, que sem ele não teriam a maioria que lhes permite desprezar o consenso e esquecer a importância do diálogo com as outras forças políticas.


O que se passou na semana passada com a questão da instalação de turbinas eólicas é bem sintomático do estado das coisas: como existe maioria, a coisa faz-se, a bem ou a mal, se necessário fôr, sem discutir. José Sá Fernandes junto com os votos do PS garante a viabilidade da instalação das turbinas.


A peregrina ideia da instalação de um conjunto de turbinas eólicas no meio da cidade partiu do vereador José Sá Fernandes e permite evidenciar de forma clara as contradições em que ele se deixa cair e a falta de coerência da sua actuação.


Vamos buscar um exemplo que mostra bem como as coisas são: aqui há uns anos, o então Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, João Soares, quis construir um elevador que partia da zona do Martim Moniz até ao nível do Castelo De S. Jorge. O elevador tinha uma utilidade incontestável - acesso de visitantes ao Castelo, possibilidade de captar novos moradores para a zona e assim promover a reabilitação urbana do local, ao mesmo tempo fomentar a viabilidade de actividades económicas na área do turismo e restauração numa zona histórica de Lisboa. Acontece no entanto que o elevador era feio e teria um impacto visual considerável naquela colina de Lisboa. Estas razões, estéticas, patrimoniais, ditaram um movimento de contestação à iniciativa onde José Sá Fernandes esteve pessoalmente empenhado, fazendo até uma das suas mediáticas intervenções para impossibilitar que as obras se iniciassem no local de onde o elevador vertical nasceria.


Agora, uns anos depois, é o mesmo José Sá Fernandes que aparece a defender a instalação de meia–dúzia de turbinas eólicas, cujo impacto visual é bem maior do que o do elevador que ele impediu.


Em nome de uma acção de propaganda das indústrias ligadas ao muito politicamente correcto ambientalismo, José Sá Fernandes deitou às urtigas as suas preocupações com a poluição visual de Lisboa. Nada que espante. Quando a linha política é feita de oportunidades mediáticas tudo se explica. Só não se percebe é porque é que o Zé faz falta a Lisboa. Só se for para a estragar ainda mais.


 

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publicado às 15:44

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