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DOCUMENTÁRIOS & SERVIÇO PÚBLICO DE TELEVISÃO - Esta semana um acontecimento infeliz, a morte do pintor Júlio Pomar, trouxe-me ao pensamento a responsabilidade do serviço público ser o garante da preservação da memória de figuras importantes da cultura portuguesa. Tive a sorte de, durante uns anos, em diversas circunstâncias, estar ligado à produção de documentários precisamente sobre Júlio Pomar, mas também sobre Agustina-Bessa Luís, Luiz Pacheco, João Vieira, Paula Rêgo, Luís Serpa, Isabel de Castro, Bénard da Costa, David Mourão Ferreira, Amália Rodrigues, Carlos Paredes, Helena Almeida ou Fernanda Botelho, entre outros. A ideia era filmar e preservar documentários com uma forte componente biográfica, na maior parte dos casos baseados em depoimentos dos próprios, para que ficasse registado o que cada autor tinha para dizer. Este trabalho, que é frequente em muitas estações de televisão por esse mundo fora, aqui é raro e inconstante. Felizmente esta semana  a RTP estreou também um documentário sobre Eduardo Lourenço - uma raridade no meio do que tem sido a programação do canal. Se não fôr o serviço público de televisão a fazer documentários sobre estes temas, ninguém o fará. Há um dever, na matriz do serviço público, de fazer produção audiovisual que possa ser reexibida no futuro e que salvaguarde aquilo que Portugal tem de melhor. Gerir os arquivos audiovisuais não é só preservar imagens antigas, digitalizá-las e disponibilizá-las. É também alimentar esses arquivos com novos conteúdos prontos a exibir. Os custos deste tipo de produção são migalhas, comparado com muito do que é transmitido nos canais da RTP e que se esgota no minuto em que é exibido. Dirigir uma estação de televisão e vigiar o cumprimento do contrato de concessão do serviço público, penso eu, passa por aqui. (A imagem escolhida para esta página é do documentário “O Risco”, de António José de Almeida, filmado em 2005 para a 2: e que mostra Júlio Pomar a desenhar o seu próprio auto-retrato).

 

SEMANADA - A penetração do e-commerce em Portugal é de apenas 36% e na Europa Portugal está no fim da lista, apenas com a Letónia em pior situação nesta área; só 8% das PME estão preparadas para as novas regras de protecção de dados; apesar de dia 25 de Maio entrar em vigor o regulamento geral de protecção de dados europeu, a legislação portuguesa não ficará pronta nessa data; o Governo isentou os organismos públicos do cumprimento do regulamento durante um período alargado;  a dívida pública atingiu em Março 126,4% do Produto Interno Bruto (PIB), acima do valor de Dezembro de 2017; todos os dias são identificados mais 42 menores em risco; no próximo ano lectivo o 3º período vai ter apenas 30 dias de aulas; no ano passado houve condutores que se puseram em fuga em mais de mil acidentes rodoviários; o regulador do sector da saúde tem 58 pessoas para fiscalizar 27 mil entidades; Mark Zuckerberg desculpou-se 15 vezes numa década, três delas este ano - recordou um deputado no Parlamento Europeu durante a audição do criador do Facebook; numa entrevista a propósito da eutanásia Paula Teixeira da Cruz afirmou:  “defendo que a vida compreende inevitavelmente a morte. Assim sendo, todos nós temos o direito de dispor da forma como queremos terminá-la”.

 

ARCO DA VELHA - O Presidente da Câmara de Castelo Branco contratou duas vezes, por ajuste directo, uma empresa em que o seu pai, o sogro e até o tio da mulher são accionistas - e apesar de ter assinado ele próprio os contratos afirmou não se ter apercebido que tinha familiares envolvidos.

 

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FOLHEAR - Jean Tirole foi galardoado com o Prémio Nobel da Economia em 2014 e a sua obra “Economia do Bem Comum” foi agora editada em Portugal. É um livro de leitura acessível e por vezes até entusiasmante, destinado a um público alargado, sobre  assuntos que afectam o nosso quotidiano. Logo no prefácio Jean Tirole escreve: “ A procura do bem comum toma por critério o nosso bem-estar, do outro lado do véu da ignorância. Não conjectura soluções e não tem outro marcador que não seja o do bem-estar colectivo. Admite a utilização privada para o bem-estar da pessoa, mas não o abuso dessa situação à custa dos outros”. O livro divide-se em cinco grandes áreas: “Economia e Sociedade”, “O trabalho do investigador em Economia”, “O quadro institucional da Economia”, “Os grandes desafios macroeconómicos” e “O desafio industrial”. Ao todo há dezassete capítulos espalhados por estas cinco áreas e a boa coisa deste livro é que, como o próprio autor sublinha no prefácio,  estão escritos por forma a poderem ser lidos independentemente uns dos outros para cada leitor poder escolher os temas que lhe interessam mais. Mas Tirole aconselha a que, mesmo assim, o capítulo sobre a finança seja lido antes do capítulo sobre a crise de 2008. Questões como o desafio climático, o combate ao desemprego, a encruzilhada da Europa ou o que deve ser um Estado moderno são alguns dos temas base. A parte mais atraente, e talvez actual, é a que aborda o novo desafio industrial, passando por assuntos como a alteração da cadeia de valor pelo digital, os desafios sociais da economia digital ou ainda a inovação e a propriedade intelectual ou as novas formas de emprego do século XXI. Fascinante.

 

Omar Victor Diop - Aminata, 2013 - Courtesy galeri

VER - Se gosta de arte africana contemporânea até 25 de Agosto pode é incontornável uma passagem pelo Palácio Cadaval, em Évora, para a primeira edição do Festival Évora África, que reúne artistas contemporâneos, músicos e performers com África como ponto comum de origem. Ponto alto é a exposição “African Passions” com destaque para obras de Omar Victor Diop (na imagem), Filipe Branquinho, Malick Sidibé, Houston Maludi, Mauro Pinto ou Amadou Sanogo, entre outros. A curadoria é de André Magnin e Philippe Boutté. Magnin, que tem a sua própria galeria em Paris, vocacionada para a arte africana, já esteve ligado a exposições no Centro Pompidou, no Museu Guggenheim de Bilbao, na Tate Modern e no Smithsonian. Além da exposição central que estará durante todo o Festival Évora África, decorrerá ainda um programa de música dirigido por Alain Weber e Alcides Nascimento com nomes como a orquestra Ballaké Sissoko, Johnny Cooltrane, Irmãos Makossa, Celeste Mariposa, Congo Stars Of Vibration, Sara Tavares, Bubacar Djabaté e a Companhia Xindiro, entre outros. O Évora África sucede ao ciclo de oito anos de “Os Orientais”, também realizado no Palácio Cadaval. O Festival é dirigido por Alexandra de Cadaval, que tem estado envolvida numa série de iniciativas relacionadas com a arte africana e em particular com Moçambique. Estão ainda previstos workshops de música e dança, palestras e conferências com foco na arte, cultura e herança africanas. Mais informações em evorafrica.pt .

 

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OUVIR - O saxofone é um instrumento musical com  capacidade de exprimir emoções e ritmos ao mesmo tempo. Uma entrada de saxofone como a de “Naked Walk”, a faixa de abertura do novo álbum de Dave McMurray, é um momento arrebatador. Sim, é certo que estou mesmo entusiasmado com “Music Is Life”, o apropriado nome deste sétimo álbum de McMurray, o primeiro para a Blue Note, dirigida por Don Was com quem o saxofonista trabalha há muitos anos nos mais diversos projectos. Oriundo de Detroit,  McMurray tocou com nomes como os Rolling Stones, Bob Dylan, or Herbie Hancock, entre muitos outros. Nasceu no jazz, tocou rock, funk, soul e voltou ao jazz com uma sonoridade forte. Este novo disco tem uma série de originais de McMurray mas também inesperadas e boas versões dos White Stripes (“Seven Nation Army”), dos Parliament-Funkadelic (“Atomic Dog”) e até “Que Je T’Aime”, um dos históricos temas popularizados por Johnny Halliday, com quem McMurray tocou em numerosas digressões. Entre os originais destaque para a faixa título “Music Is Life”, para  “Paris Rain” e para a última faixa do disco, o poderoso “Detroit Theme”. CD Blue Note, distribuição Universal.

 

PROVAR -  Desde que me ofereceram uma caçarola Le Creuset no Natal passado as minhas experiências culinária têm ganho novos horizontes. A mais recente aventura combinou lulas cortadas aos bocados e gambas de bom tamanho com ervilhas, cenouras e cogumelos frescos, tudo num lento estufado. É uma excelente receita primaveril. Primeiro salteia-se gengibre cortado em lâminas finas num pouco de azeite, a seguir entram as lulas e temperam-se com sal e piri-piri moído. Tapa-se durante uns minutos e depois adicionam-se as cenouras cortadas grosseiramente. Tapa-se mais um pouco e a seguir entram os cogumelos e as ervilhas. Passados uns dez minutos, e depois de rectificado o sal, entram as gambas. Com mais uns cinco minutos deve ficar tudo pronto. A água largada pelos legumes no estufado é suficiente para que nada fique seco, o facto de a caçarola estar tapada durante todo o processo garante que o sabor se mantém -  é importante usar o lume brando. Para acompanhar escolhi o magnífico Quinta do Monte d’Oiro Lybra 2017 branco, um vinho com certificação biológica, fresco e vibrante, que casa bem com este saboroso estufado.

 

DIXIT - “Eu acho que uma tela ou um papel é sempre uma arena onde se vai passar um desafio” - Júlio Pomar

 

GOSTO - Francisco Assis, deputado do PS, afirmou que a “geringonça” foi um expediente político para superar uma derrota eleitoral.

 

NÃO GOSTO - Há mais de 70 mil doentes sem vaga nos cuidados paliativos.

 

BACK TO BASICS - “No futebol tudo se complica por causa do adversário” - Jean Paul Sartre.

 

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publicado às 13:15

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DESCALABRO -  A rotina portuguesa é esta: não há semana em que não surja um escândalo - seja de corrupção entre os políticos, seja em clubes de futebol. Chegámos a um ponto em que tudo parece ser permitido, em que existe um sentimento de impunidade que faz uma mistura explosiva quando aparece combinado com irresponsabilidade, como tem sido o caso. Os acontecimentos desta semana no Sporting, outros de semanas anteriores no Benfica, mostram isto mesmo. Tudo se passa como se os clubes de futebol tivessem deixado de ter direcções e passassem a ser governados por claques descontroladas.  Clubes que deviam ser uma referência inspiradora de bons comportamentos desportivos passaram a exemplo do que não pode acontecer. O que se passou no Sporting é, a esse nível, particularmente grave - trata-se de agressões a jogadores em duas ocasiões: dia 13, nas garagens do estádio, depois da chegada da Madeira, e dia 15, nas instalações da Academia, em Alcochete. Nos dois casos as agressões realizaram-se em instalações do Sporting, perante a ausência ou indiferença da segurança que aí devia existir - e que devia ser investigada por ter permitido o que se passou. Vale a pena ler estas duas citações - a primeira é de Bruno de Carvalho:  “Foi chato mas amanhã é um novo dia e temos que perceber que o crime faz parte do dia-a-dia”; e a segunda foi proferida pelo Presidente da República : “São acontecimentos graves que não podemos normalizar ou banalizar sob pena de permitirmos escaladas que são más para o desporto português e para a sociedade portuguesa no seu todo”. O desporto profissional, que devia ser uma motivação e um exemplo de fair-play, transformou-se em Portugal num vale tudo governado por arrivistas que se julgam acima da lei. Isto já não é desporto.

 

SEMANADA - Para fazer aumentar o número de alunos universitários no interior do país, o Governo vai cortar 1100 vagas em cursos superiores em Lisboa e Porto no próximo ano lectivo; menos de metade dos meios aéreos de combate a incêndios estão activos no início da fase de alerta, que começou dia 15; a carga fiscal em Portugal atingiu no ano passado o valor mais elevado desde 1995, cifrando-se em 34,7% do PIB; no primeiro trimestre o PIB português cresceu abaixo do previsto, numa travagem superior às estimativas oficiais; o decreto-lei de execução orçamental para 2018, foi publicado quarta-feira com dois meses e meio de atraso face ao prazo imposto por lei; as baixas médicas aumentaram 32% em quatro anos; há mais de 136 mil jovens e crianças sem médico de família atribuído; em 2017 os portugueses realizaram operações de multibanco - levantamentos e pagamentos - a uma média de 1,5 mil milhões de euros por dia, mais 118,3 milhões por dia que em 2016;  registam-se 992 novos registos por dia para apostas online; os processos em papel nos tribunais têm um custo de 20 milhões de euros por ano, dos quais 18 milhões são em despesas de correio; nos novos programas de ensino de História a adesão à CEE e a herança muçulmana quase desaparecem da disciplina de História.

 

ARCO DA VELHA - A associação Capazes recebeu 73 mil euros de fundos europeus para organizar cinco conferências com a duração total de sete horas e meia, num processo que decorreu ao longo de dois anos e que requereu dois funcionários a tempo inteiro.

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FOLHEAR - Manuel S. Fonseca, o editor da Guerra & Paz, iniciou uma colecção baseada em antologias de textos de Fernando Pessoa e seus heterónimos, textos que se organizam em torno de um tema. Primeiro fez “Absinto, Ópio, Tabaco e Outros Fumos”,  agora pegou nas ideias de viagem sugeridas por Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Fernando Pessoa ou Bernardo Soares e deu-lhe o título “Tenho Medo de Partir”. No fundo este livro retoma, em edição revista e acrescentada, o “Livro de Viagem”, publicado pela Guerra e Paz no final de 2009.  Esta colectânea começa pelo poema de Álvaro de Campos “Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir”, prossegue pela mão de Alberto Caeiro em “Para além da curva da estrada”, recorda com Ricardo Reis “Azuis os montes que estão longe param”, prossegue, pela mão do próprio Pessoa “No comboio descendente”, e com Bernardo Soares perde-se no “Devaneio entre Cascais e Lisboa”. No posfácio Manuel S. Fonseca classifica Álvaro de Campos como o viajante dramático, Alberto Caeiro como o viajante do lugar onde está, Ricardo Reis como o viajante imóvel, Bernardo Soares como o viajante nauseado e Fernando Pessoa como o viajante de si mesmo. Como dizia Bernardo Soares: “As viagens são os viajantes. O que vemos, não é o que vemos, senão o que somos.”

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VER - E à terceira, foi de vez. Esta é a melhor edição da ARCO Lisboa, quer pelas obras expostas, quer pela diversidade e importância dos artistas expostos, portugueses e estrangeiros, quer ainda pela ampliação do espaço consagrado a projectos individuais de artistas ou a área dedicada a novas galerias - o Opening, este ano com 12 galerias, seis nacionais e seis de fora. Ao todo estão 72 galeristas de 14 países, cerca de mil obras, e ainda um espaço dedicado a editores e livrarias que trabalham com livros de arte. A Feira de Arte Contemporânea de Lisboa pode ser visitada até Domingo (sexta e sábado das 14 às 21h00 e domingo das 12 às 18h00). Organizada pela IFEMA, que criou a original ARCO Madrid, a edição lisboeta tem um núcleo importante de galerias espanholas, além de novidades como a Krizinger (de Viena) ou a Greengrassi de Londres. Além da presença na ARCO os galeristas lisboetas desenvolvem várias iniciativas nas suas próprias galerias e a organização incentivou uma série de programas paralelos aos quais os coleccionadores e críticos de arte estrangeiros convidados são estimulados a ir. O edifício da Cordoaria, integralmente ocupado pela ARCO, conta ainda com a novidade de uma colaboração com a Trienal de Arquitectura, que através do atelier JQTS criou no pátio central do edifício um pavilhão temporário que aloja o restaurante da feira. Outra novidade este ano  é a primeira edição da JustLX, promovida pela ArtFairs, que em Madrid organiza há nove anos uma mostra alternativa à ARCO. A JustLX está no Museu da Carris, perto da Cordoaria, acolhe 43 galerias, 15 das quais portuguesas e decorre também até domingo.

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OUVIR - Nels Cline  ganhou fama como guitarrista dos Wilco, um grupo rock de Chicago que ganhou notoriedade na segunda metade dos anos 90 e na primeira década deste século. A revista Rolling Stone considerou Cline como um dos melhores guitarristas de sempre. Há uns anos começou projectos a solo mais centrados na área do jazz . primeiro o álbum “Room”, feito em parceria com o também guitarrista Julian Lage e, a seguir, a sua estreia na editora  Blue Note com o duplo-álbum “Lovers”, onde contou com uma orquestra. Agora, de novo na Blue Note, apresenta “Currents, Constellation”, com um quarteto a que deu o nome Nels Cline 4. Depois da aventura orquestral retoma a colaboração com Julian Lage e foi buscar uma secção rítmica composta pelo baixista Scott Colley e pelo baterista Tom Rainey, que acrescentam considerável energia ao diálogo, rico, entre as duas guitarras eléctricas. Se o som de guitarra eléctrica muito bem tocada vos entusiasma, este é o disco que vale a pena conhecer. Todas as composições são de Cline, à excepção de “Temporarily”, um original de Carla Bley e por sinal uma das demonstrações mais claras do trabalho deste quarteto. Há um tema que vem do álbum “Room”, “Amenette”, há uma clara homenagem a Ralph Towner em “As Close As That” e para mim o tema mais fascinante é “River Mouth”. CD Blue Note, distribuição Universal.

 

PROVAR - Ver programas sobre comida, à noite, tem efeitos terríveis. Comecei a ver a série “Ugly Delicious” na Netflix e logo no primeiro episódio aparece a pizza napolitana. O resultado óbvio disto foi que no dia a seguir fui à procura de uma pizza à hora de almoço e o local escolhido foi um restaurante recentemente aberto na Duque de Ávila, o Pátio Antico. O nome ecoava-me na memória e depressa descobri porquê: o chef Rosario Corsa é quem, há uns anos, abriu e dirigiu o restaurante de nome idêntico em Paço de Arcos onde tive vários bons momentos. Com a casa original em obras, resolveu abrir este espaço em Lisboa. Fiz três incursões até agora e todas honraram as memórias passadas. A pizza napolitana que escolhi, na senda dos desejos inspirados pela televisão, estava como se deseja na consistência da massa (fofa nos bordos, fina no centro, bem assada) e na qualidade e equilíbrio dos ingredientes. Nas outras vezes provei os pratos do dia - fettucine com pesto e burrata, umas almôndegas com recheio de mozarela e presunto, acompanhadas por raviolis de ricotta e espinafres com um toque de trufa e um spaghetti puttanesca fiel à ideia original. As massas, frescas, preparadas diariamente, vêm cozinhadas no ponto. A lista de vinhos não é extensa mas tem  propostas equilibradas e o Lambrusco da casa é uma boa escolha - há também vinhos italianos e portugueses a copo. Da lista faz parte nas entradas um bom misto de enchidos e queijos italianos, há risottos de polvo e camarão, de espargos e cogumelos e um extraordinário de caranguejo e courgette, além de diversos spaghetti (nomeadamente com tartufo negro), pizzas e propostas de carne. Serviço muito simpático. Avenida Duque de Ávila 169D, telefone 213 530 290.

 

DIXIT - "Sócrates como primeiro-ministro não se interessou pelo combate à corrupção" - João Cravinho, ex-Ministro e ex-deputado do PS.

 

GOSTO - A Gulbenkian anunciou ir apoiar com 150.000 euros projectos de investigação jornalística.

 

NÃO GOSTO - O trabalho da RTP e das equipas de produção externa que contratou foi brilhante mas o Festival da Eurovisão continua a ser uma pinderiquice musical.

 

BACK TO BASICS - “O Amor é a expressão maior da vontade de viver” - Tom Wolfe.

 

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A INJUSTIÇA - O Presidente da República tomou esta semana uma forte posição denunciando a lentidão da Justiça: “Se renunciarmos a uma Justiça em tempo, renunciamos ao Estado de direito”. Marcelo falava sobretudo dos crimes de corrupção e de colarinho branco, nas relações entre a economia e a política. Mas a lentidão na justiça, que atinge toda a sociedade, tem um lado ainda mais perverso quando envolve os direitos dos cidadãos face ao abuso de autoridade do Estado. O tempo que demora a resolver um processo entre um cidadão e o Estado é incompatível, por vezes, com o tempo de vida das pessoas. Todos sabemos o que se passa em matéria da justiça tributária, em que as decisões se arrastam anos, por vezes décadas, com evidente prejuízo para cidadãos que, por força de ausência de decisão, ficam manietados de direitos. Existe portanto um outro lado da lentidão do funcionamento dos tribunais, muito cruel, que tem a ver com a defesa dos direitos dos cidadãos que se consideram perseguidos ou injustiçados pelo Estado. O pior dos atrasos da Justiça é aquele que destrói e mina o dia-a-dia dos cidadãos anónimos. É também nesses que é preciso pensar quando se fala da necessidade de uma reforma profunda da Justiça. Em Portugal vive-se uma situação em que o Estado, directamente pelos seus organismos administrativos, ou através dos Tribunais, paralisa a sociedade, destrói empresas e prejudica a economia. Neste contexto, a Ministra da Justiça, Francisca Van Dunen veio dizer, em resposta ao Presidente,  que "na generalidade, a resposta da justiça é positiva". É uma afirmação intolerável de uma governante, uma ofensa aos cidadãos e um insulto à inteligência dos portugueses. A lentidão da justiça é uma das mais sólidas bases do abuso de poder do Estado sobre os cidadãos.

 

SEMANADA - A maioria das Câmaras Municipais não tem planos de acção contra tragédias, em particular incêndios florestais; ao contrário do previsto o Governo  não penalizou as câmaras sem planos anti fogos; desde 2006 que Portugal não tem em Maio tão poucos aviões contratados e disponíveis para combate a incêndios; o Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro (GIPS), um grupo especial de ataque a fogos que foi anunciado por António Costa como a sua aposta, não tem ainda luvas, fatos, telemóveis, computadores, carros e camas de campanha para as suas brigadas; o respectivo comandante admite que será difícil este GIPS estar preparado e operacional na data definida, 1 de Junho; o presidente do INEM denunciou  que em 2017 um "número significativo" de turnos e vários meios de emergência não foram assegurados porque os trabalhadores tiveram de combater incêndios ao abrigo da lei; aumentaram as tensões entre a Autoridade Nacional da Protecção Civil e a Liga dos Bombeiros Portugueses, o que motivou a demissão do comandante da Protecção Civil; a nova Lei Orgânica da Protecção Civil continua atrasada por responsabilidade do Governo; as estruturas de gestão e o comando operacional da protecção civil já mudaram várias vezes no decurso do último ano; Marcelo Rebelo de Sousa avisou que tirará consequências se voltar a ocorrer nova tragédia nos incêndios.

 

ARCO DA VELHA - Nos últimos dias, para parte do PS, José Sócrates passou de vítima a ser considerado um carrasco que fez dos outros vítimas e entretanto apoiantes seus estão a organizar um  almoço de confraternização e desagravo que decorrerá uma semana antes do Congresso do PS.

 

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FOLHEAR - Paulo Nozolino foi o autor bem escolhido para o segundo volume de Ph., a colecção dedicada à fotografia criada pela Imprensa Nacional. Nozolino é o fotógrafo português com maior visibilidade internacional e com uma carreira feita entre várias áreas da fotografia, incluindo imprensa e a publicidade, e em diversos países. Na introdução ao livro Sérgio Mah escreve que para Nozolino “a fotografia é assumida como um meio privilegiado de exprimir e organizar a sua visão inquieta e dramática do mundo” e evoca uma frase de Nozolino: “A fotografia permitiu-me viajar e ver a diferença entre o possível e o impossível. Podia guardar sem possuir, lembrar-me sem preocupação de esquecer, sobreviver em vez de viver. Sobretudo saber que tudo tem uma história, cada história duas versões, cada versão o seu passado”. São mais de oito dezenas de imagens, desde aquela que Paulo Nozolino considera a sua primeira fotografia, feita em 1972 na Acrópole, até à mais recente, de 2013, feita em Berlim. No percurso, que no livro não é apresentado por ordem cronológica mas por opção do autor, Paulo Nozolino mostra-nos as suas histórias de dezenas de cidades e lugares, de países em vários continentes, sempre a preto e branco, com uma dimensão do equilíbrio entre intensas tonalidades e a utilização da luz que são a sua imagem de marca. Em tempos Nozolino definiu assim a sua prática fotográfica: “Eu não estou aqui para mudar o mundo mas para ver como é que ele evolui”. A colecção Ph. tem curadoria de Cláudio Garrudo.

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VER - A exposição da semana, e uma das mais marcantes que vi nos últimos tempos, é “Nowhere Fast”, que reúne três obras de Teresa Gonçalves Lobo e  uma escultura de Thomas Mendonça que é também uma fonte de sensações olfactivas do perfumista Sven Pritzkoleit. A curadoria é de Miguel Matos, fundador da revista “Umbigo”. Os três desenhos de grandes dimensões, a pastel e carvão sobre papel, de Teresa Gonçalves Lobo (na imagem) são peças intensas, a negro e vermelho, com um traço forte e incisivo bem marcado no papel, obras com um lado orgânico e visceral, que criam um ambiente especial na Ermida - até 20 de Junho (Travessa do Marta Pinto 21). Outras sugestões: "O que pode ser a arte? 50 anos de Maio de 68" é o título da exposição com curadoria de Nuno Crespo e Hugo Dinis, reunindo obras de Júlio Pomar e de Ana Vidigal, Carla Filipe, João Louro, Jorge Queiroz, Ramiro Guerreiro e Tomás da Cunha Ferreira - até 29 de setembro, no Atelier-Museu Júlio Pomar (Rua do Vale 7). Na Galeria Quadrado Azul (Rua Reinaldo Ferreira 20A, até 23 de Junho, uma evocação das obras dos anos 70 de Zulmiro de Carvalho, Ângelo de Sousa e José de Guimarães. Ângela Ferreira apresenta “Diamantes, Obelisco e Outros” na Galeria João Esteves de Oliveira até 15 de Junho (Rua Ivens 38). “For us a book is a small building” é o título da exposição que Fernanda Fragateiro apresenta na Galeria Baginski (Rua Capitão leitão 51) até 15 de Julho.

 

 

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OUVIR - O que são os Thirdstory? Um trio vocal. Ponto. São as vozes dos seus três membros, Elliott Skinner, Ben Lusher and Richard Saunders, que constituem a diferença em relação à paisagem musical contemporânea. Algures entre a pop e o folk , Thirdstory vale mais pelas harmonias das vozes que pela execução instrumental ou a composição musical. É, a nível vocal, um caso raro na música que se faz hoje em dia. Musicalmente são deste tempo, os seus ritmos são actuais, mas sozinhos passariam quase despercebidos se não fossem as vozes. Nascidos em Nova Iorque em 2014, com um EP editado em 2016, o seu álbum de estreia saíu já este ano e chama-se “Cold Heart”. Foi editado na prestigiada e histórica etiqueta de jazz Verve. Destaques para “Hit The Ceiling” e para “G Train”, que tem a colaboração de Pusha T e a correspondente influência de hip hop - os Thirdstory não são estranhos a este território, integraram a banda de digressão de Chance The Rapper. Outros bons temas deste disco de estreia: “On And On”, “Still In Love”, “Over (When We Say Goodbye)” e sobretudo “I’m Coming ‘Round”, que é o melhor de todos os exemplos da capacidade e versatilidade das vozes deste trio. Malay, um premiado com os Grammy, assina a discreta mas eficaz produção musical.

 

PROVAR - Houve um tempo, não distante, em que a maioria dos vinhos da casta Alvarinho estagiava apenas em cubas de inox. Poucos produtores se atreviam a colocar o vinho em contacto com a madeira. Aos poucos foram feitas experiências, por exemplo com uma primeiras fase de fermentação em barricas e finalização feita em inox. Daí evoluíu-se para a fermentação e estágio em barrica - e desse método nasceram alguns dos melhores vinhos brancos portugueses. É este precisamente o método que João Portugal Ramos seguiu para a sua colheita de Alvarinho feita em 2015. O resultado é um branco da casta Alvarinho, cultivada na região de Monção e Melgaço, em solos de origem granítica. A fermentação decorreu a temperatura controlada de 16º C, durante duas a três semanas, sendo que 10% do mosto fermentou em barricas novas de carvalho francês. O resultado é este Alvarinho Reserva de 2015, um vinho verde elegante, com aroma cítrico e floral que termina com um longo final de boca. O carácter fresco e exuberante da casta Alvarinho mostra-se envolto pelo toque da madeira, embora muito ligeiro, contribuindo para a personalidade inesperada deste vinho.Graduação de 13,5º.

 

DIXIT - “O mais provável é que o PS esteja a caminho do fim. Não por causa da adesão ao mercado nem pelo seu entusiasmo com a frente de esquerda. Mas sim por causa da corrupção, que o PS nunca condenou claramente, sobretudo a sua e a dos seus amigos” - António Barreto

 

GOSTO - Das palavras claras do Presidente da República sobre o combate à corrupção, sobre as demoras da justiça e sobre as condições de combate aos incêndios florestais.

 

NÃO GOSTO - O socorro urgente do INEM em zonas rurais demora o dobro do tempo do que nas zonas urbanas.

 

BACK TO BASICS -  “Dois homens espreitam pela janela; um vê lama, o outro olha para as estrelas” - Oscar Wilde.

 

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publicado às 13:15

O TINDER CHEGOU À GOVERNAÇÃO

por falcao, em 04.05.18

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O TINDER - Na semana passada dei com esta imagem que aqui se reproduz - um bar londrino afirma-se como o verdadeiro Tinder 3D, que proporciona prováveis acasalamentos ao vivo, em vez de ocorrerem no espaço virtual do digital. Quando vi esta divertida ideia do Tinder 3D lembrei-me de como António Costa se pode considerar o exímio Tinder a três dimensões da política portuguesa. Ao ler o que se vai sabendo sobre a moção que Costa apresentará ao seu Congresso, com uma paisagem de eventuais acordos e coligações no mínimo nebulosa, confirmei a minha ideia. António Costa posiciona-se como uma app que promove acasalamentos políticos, disponível para várias combinações. Neste contexto não deixa de ser curioso que as vésperas do Congresso do PS seja o momento escolhido para criar uma linha de demarcação, até aqui inédita em território socialista, em relação aos casos de Manuel Pinho e de  José Sócrates. Evoco mais uma vez o Tinder e imagino Costa a varrer Pinho e Sócrates para o lado esquerdo do ecrã, enquanto guarda no lado direito Rui Rio, Mariana Mortágua e Jerónimo de Sousa, a ver qual será melhor par no futuro. A favor de António Costa está o apadrinhamento de Marcelo Rebelo de Sousa e a conjuntura favorável que tem produzido resultados. Resta saber o que acontecerá no futuro - ou seja como as vontade e desejos poderão mudar quando os ventos soprarem noutras direcções. Para já Costa é, coisa inédita, o pretendente desejado por quase todo o espectro partidário português. Um campeão do Tinder.

 

SEMANADA - Arons de Carvalho, fundador do PS e mandatário nacional da terceira candidatura de António Costa a Secretário Geral do PS defendeu na semana passada que o seu partido não deve comentar os casos de Manuel Pinho e José Sócrates; logo a seguir Carlos César, o líder parlamentar e presidente do PS veio assumir que o partido sente vergonha das suspeitas de corrupção que recaem sobre Manuel Pinho e  do caso que envolve José Sócrates; um dia depois o deputado João Galamba diz que o PS se sente incomodado com os casos Sócrates e Pinho; o requerimento do PSD para ouvir o ex-ministro da Economia Manuel Pinho no Parlamento foi aprovado com o voto favorável de todas as bancadas, à excepção do BE, que se absteve; o advogado de Manuel Pinho, Ricardo Sá Fernandes, aconselhou o seu constituinte a não responder às eventuais questões dos deputados sobre a sua ligação ao universo Espírito Santo; ainda existem mais de cem milhões de euros em notas antigas de escudo nas mãos de particulares; as greves previstas para o mês de maio no sector da saúde podem afectar 18 mil cirurgias; montar sistemas de videovigilância vai deixar de ter controlo prévio; a Comissão Nacional de Protecção de Dados está “muitíssimo deficitária” de meios humanos para cumprir as suas funções de fiscalização; segundo um estudo da Marktest, desde o início do século, o número de publicações periódicas editadas no Continente baixou 28%.

 

ARCO DA VELHA - O Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, dificultou a divulgação de informação relevante sobre os incêndios de Pedrogão, nomeadamente de uma auditoria interna da Protecção Civil que afirma terem sido apagados ou destruídos documentos sobre o referido incêndio.

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 FOLHEAR - As disputas brejeiras entre Lisboa e Porto são coisas conhecidas. Futebóis à parte a rivalidade trava-se através de múltiplos duelos: por exemplo a francesinha contra o pastel de Belém, a ginjinha contra o Vinho do Porto, Serralves e o CCB, nos filmes entre A Canção de Lisboa ou Aniki-Bobó, nas festas entre Santo António ou São João. Originalmente editado há uma dezena de anos, “Porto Vs Lisboa” é um livro escrito a quatro mãos por António Eça de Queiroz pelo lado portista e António Costa Santos pelo lado lisboeta. Agora que na política a valsa se dança com o sulista António Costa e o nortenho Rui Rio, a reedição do livro torna-se particularmente oportuna. As secções do livro têm nomes sugestivos como “Bicas e Cimbalinos” e em  “Bebidas e Petiscos”, além do que já acima se escreveu, surgem os pipis de Lisboa e as tripas à moda do Porto, enquanto nas noites surge o Bairro Alto a sul e da Ribeira a norte. Mas há também partes sérias, como as histórias de Zé do Telhado e Diogo Alves, do Terramoto de 1755 e do desastre da Ponte das Barcas. No final fica um conjunto de textos bem humorados onde se reconhecem as diferenças entre as duas cidades e se mostram as suas tradições, os seus locais de eleição e também aquilo que em cada cidade mais vale a pena conhecer, ver, provar. “Porto Vs. Lisboa”, edição Guerra & Paz.

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VER - O destaque desta semana vai para a fotografia de reportagem mostrada na exposição do World Press Photo, que anualmente selecciona o  melhor do fotojornalismo que se faz em todo o mundo. Este ano a exposição mudou de sítio e foi para o lado oriental da cidade, para o Hub Criativo do Beato e até 20 de Maio pode ser vista de quinta a domingo das 10 às 19h00, com entrada livre. A fotografia vencedora, que aqui mostramos, é do venezuelano  Ronaldo Schemidt e mostra uma imagem dos confrontos que se repetem no seu país. Ao todo são centenas de imagens que fixam momentos decisivos da nossa história recente. Outros destaques: até 17 de Junho, a fotógrafa e exploradora Lorie Karnath apresenta no Centro Cultural de Cascais fotografias de viagens que realizou a Myanmar - “BURMA, Moments in Time”; na Galeria Carlos Carvalho, em Lisboa, Daniel Blaufuks apresenta “Houve um tempo em que estávamos todos vivos" com obras em fotografia e video; em, Coimbra, no Centro de Artes Visuais, José Luis Neto apresenta “Pure Emulsion”. Finalmente a 13ª edição de British Bar, uma iniciativa de Pedro Cabrita Reis, apresenta nas três montras do estabelecimento que dão para o Cais do Sodré, obras de Jorge Pinheiro, Rui Chafes e Patrícia Garrido. A terminar destaque para o Mapa das Artes, uma edição gratuita e bilingue, disponível em papel e em formato digital (www.mapadasartes.pt), e que apresenta mais de uma centena de espaços de arte contemporânea da cidade de Lisboa, entre eles 59 galerias, e 17 museus e fundações.

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OUVIR - Betty Lavette tem uma carreira longa, iniciada em 1962 - exactamente o ano em que Bob Dylan gravou o seu álbum de estreia. Dylan está prestes a fazer 77 anos, Betty Lavette tem 72. Este ano ela lembrou-se de pegar em 12 canções de Dylan, em parte originalmente gravadas pelo autor entre 1979 e 1989, muitas delas pouco conhecidas, e com arranjos bem diferentes dos originais. O disco tem o nome da faixa de abertura”Things Have Changed” que saíu no CD “Modern Times”, de 2006, mas foi gravada em 1999 e editada como single em 2000 para a banda sonora do filme “Wonder Boys”. Nessa faixa de abertura Betty Lavette diz logo ao que vai, com uma voz poderosa. Os arranjos, surpreendentes, vêm assinados por Steve Jordan, que tem parte activa em todo o disco como produtor. Há um convidado que merece destaque, Keith Richards, e que toca a sua guitarra em dois temas do disco -  “It Ain’t Me Babe” e sobretudo em “Political World”. Betty Lavette e Steve Jordan deram uma grande volta a estas canções e bastará ouvir a sua versão de “The Times They Are A Changin’” para se perceber que a soul entrou desabridamente por estas canções. CD Verve, distribuído pela Universal Music.

 

PROVAR - Como gosto de descobrir novos restaurantes um dia destes fui experimentar o Zagaia, mesmo no centro de Setúbal. O local combina um balcão de sushi, com o facto de se apresentar como marisqueira (caso raro nesssa cidade) e também por ir além do habitual peixe assado na grelha. No comando da cozinha está Luís Barradas e a opção foi trabalhar com produtos frescos comprados diariamente no Mercado do Livramento, que fica perto do restaurante. Ali se pode almoçar e jantar, mas também petiscar ao fim da tarde ou a qualquer outra hora. Para além de peixe muito fresco (que no entanto se serve também assado na grelha, com cuidado e sem exageros de calor), a lista propõe um arroz de marisco sem casca, choco à antiga panado com farinha de milho e umas afamadas pataniscas de raia seca. Na parte oriental são apresentadas uma inesperadas gyosas de camarão e nos petiscos há um prego de atum em bolo do caco. Nas entradas destaque para o cuidado posto na confecção de umas ameijôas à Bulhão Pato. O serviço é verdadeiramente acima da média, a casa é luminosa, ampla e bem decorada, espraia-se por duas salas e a garrafeira dispõe de uma oferta baseada em vinhos da região e em algumas propostas novas e curiosas de diversos produtores, sobretudo na área dos vinhos brancos e verdes. O Zagaia, nome de arma de arremesso, fica na Avenida Luísa Todi 510, Setúbal e responde pelos telefones 265404111 e 937172255.

 

DIXIT - “Os cinco maiores partidos na Assembleia da República representam hoje menos 800 mil votos que há vinte anos. Há 800 mil pessoas que deixaram de votar nestes cinco partidos e essas 800 mil pessoas já não voltam a votar nestes partidos” - Nuno Garoupa.

 

GOSTO - A taxa de desemprego recuou para os níveis de há 14 anos e está nos 7,4%.

 

NÃO GOSTO - Em 2017, em Portugal, registaram-se mais 23 432 óbitos que nascimentos.

 

BACK TO BASICS - “A censura é o reflexo da falta de confiança na sociedade por parte de quem a governa” - Potter Stewart

 



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