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O ANO DE TODOS OS PERIGOS -  Quando a geringonça chegou ao poder proclamou alto e bom som que vinha acabar com a degradação da coisa pública. Mas este Governo, erguido em nome da defesa do Estado “contra os malefícios do liberalismo”, foi o que acabou por esvaziar o Estado de capacidade para dar resposta às necessidades dos cidadãos. É terrível vermos como passados três anos se constata que a lógica implacável da combinação da incompetência com a nova austeridade encapotada - a das cativações - atirou para o lixo a defesa dos serviços públicos: a educação, a saúde, a justiça, a segurança, os transportes e os equipamentos públicos degradaram-se continuamente; a coordenação entre serviços do Estado piorou, o desprestígio dos deputados e do Parlamento cresceu; o número de paralisações e greves com incidência na economia e no funcionamento de serviços essenciais aumentou; afinal, a geringonça fez o contrário do que prometia. Esta última semana do ano ficou marcada pela mensagem de natal de António Costa - um autêntico manifesto eleitoral, repleto de promessas em todas as áreas, garantindo um futuro radioso se nele votarem, escamoteando qualquer referência a problemas recentes. António Costa joga na maioria absoluta - e  na mesma semana o líder da CGTP anuncia que em 2019 “vamos ter um ano quentinho” de conflitos laborais. É engraçado como surgem ao mesmo tempo promessas desencontradas: António Costa promete novas auroras radiosas e o arauto do seu principal parceiro de geringonça promete um amanhã cheio de greves. E, para finalizar 2018, o Presidente da República deu um sinal vermelho ao Governo no caso dos professores. Este novo ano eleitoral promete ser o ano de todos os perigos.

 

SEMANADA - Uma operação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras identificou 255 cidadãos estrangeiros em situação de exploração laboral, dos quais 26 eram vítimas de tráfico de seres humanos; segundo a segurança social o emprego cresceu à custa do trabalho precário; a greve na CP levou a que fossem suprimidos mais de 420 comboios no Natal;  em 2017 o número de pensões da Segurança Social voltou a cair ligeiramente  mantendo-se abaixo dos 3 milhões, um número que já não é superado desde 2013; nos últimos dois anos ocorreram mais de 700 acidentes devido à presença de animais soltos nas estradas; o número de alunos portugueses do secundário a escolher aprender o mandarim como língua estrangeira desce há dois anos consecutivos; o total de alunos no ensino superior privado subiu nos últimos quatro anos; em Portugal o número de pessoas que faz compras online cresceu 10% em 2018, totalizando agora 3,9 milhões; o novo recorde do Multibanco foi atingido às 12h00 de dia 24, tendo sido registadas 281 movimentos por segundo nas caixas automáticas e nos terminais de pagamento; Lisboa esteve três dias sem recolha de lixo no período de Natal, caso único nas capitais europeias.

 

PENSAMENTOS OCIOSOS - Se há limites temporais para uma série de cargos, porque não há limite para o número de mandatos nos sindicatos de professores e Função Pública e estão lá os mesmos há anos sem fim?

 

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O LABORATÓRIO DA FOTOGRAFIA  - Entre 1982 e 1994 funcionou na Rua Rodrigo da Fonseca a mais importante galeria dedicada à fotografia que existiu em Lisboa - chamava-se “Ether, Vale Tudo Menos Tirar Olhos” e foi criada por iniciativa de António Sena da Silva, figura controversa mas incontornável quando se fala de fotografia em Portugal. Começou por recuperar a memória do histórico livro “Lisboa, Cidade Triste e Alegre”, de Costa Martins e Vitor Palla, inaugurando a exposição “Lisboa e Tejo e Tudo” a 15 de Abril de 1982, com algumas imagens inéditas. Ao longo da sua existência a Ether mostrou no seu espaço ou em exposições que promoveu noutros locais, como Serralves e  Europália 91, nomes como Gérard Castello-Lopes, Paulo Nozolino, Daniel Blaufuks, António Pedro Ferreira, Carlos Calvet, Helena Almeida, José Loureiro, Augusto Alves da Silva, Carlos Afonso Dias ou Mariano Piçarra, entre outros. A Ether era formalmente uma associação sem fins lucrativos e nela participaram, com António Sena da Silva, Alfredo Pinto, António Júlio Aroeira, Leonor Colaço, Luís Afonso, Madalena Lello e José Soudo, na altura quase todos estudantes. Um novo livro “Ether: Um Laboratório de Fotografia e História”, de Susana Lourenço Marques, recorda e enquadra a época e recupera a história da galeria. É uma obra fundamental para perceber como nesses anos muito se modificou na forma de ver a fotografia em Portugal - e nisso, como este livro bem recorda - a Ether teve um papel fundamental.

 

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EMBAIXADA JAPONESA - Neste tempo de omnipresença da China na nossa paisagem económica, cultural e mediática sabe bem ver e retomar a relação com o país com quem, a Oriente, primeiro criámos laços - o Japão. Até final de Março do próximo ano está no Palácio da Ajuda, na Galeria do Rei D. Luís, a evocação dessa relação na exposição “Uma História de Assombro. Portugal-Japão Séculos XVI-XX”, comissariada por Alexandra Curvelo e Ana Fernandes Pinto. Entre  biombos, lacas, cartografia, manuscritos originais e armaduras,  peças de colecionadores particulares, de instituições públicas e privadas, portuguesas e japonesas, várias expostas pela primeira vez ao público, é narrada a história do encontro e reencontro entre Portugal e o Japão ao longo de cinco séculos. Uma história de aproximações, contendas, tratados, arte e diplomacia; de influências na arte, língua, culinária, religião e na história militar. É a segunda vez que o Japão tem honras no Palácio da Ajuda: há pouco mais de 150 anos,o rei D. Luís, recebeu na Sala do Trono os representantes do governo do Japão, que faziam um périplo pela Europa, passando pelos países com quem tinha reatado relações diplomáticas, no caso de Portugal interrompidas então há mais de 200 anos. Os portugueses, recorde-se, foram os primeiros europeus a chegarem ao Japão.

 

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O ALMANAQUE DO JAZZ - O nome de Norman Granz é capaz de não dizer grande coisa para a maior parte dos apreciadores de jazz. No entanto ele teve uma influência decisiva no desenvolvimento deste género musical e na carreira de muitos músicos e cantores. Entre meados da década de 40 do século passado e o início dos anos 60 esteve ligado a editoras como a Verve, a Clef ou a Pablo. Nascido em Los Angeles, fez a tropa durante a II Grande Guerra no departamento do exército americano responsável por organizar espectáculos para os militares. Quando a guerra terminou aproveitou os contactos e a experiência ganhas para organizar noites de jazz em clubes e, sobretudo para arriscar um grande concerto no auditório da Los Angeles Philharmonic, dando início à série Jazz At The Philharmonic com um grupo de músicos que foi variando ao longo dos tempos e que tocaram um pouco por todos os Estados Unidos. Foi com Granz que começou a carreira de nomes como Louis Armstrong, Nat “King” Cole, Ella Fitzgerald, Count Basie,, Stan Getz, Dizzy Gillespie, Billie Holiday, Anita O'Day, Charlie Parker, Oscar Peterson, Bud Powell, Buddy Rich, Ben Webster e Lester Young, entre outros. A Verve decidu agora homenagear Granz e editou uma colectânea de quatro CD’s, que se foca no período entre 1942 e 1960. São 44 temas, três horas e meia de música. O primeiro CD, de 1942 a 48, consiste sobretudo de gravações ao vivo; o segundo recolhe registos de 1949 a 1954, com destaque para o nascimento do trio de Oscar Peterson; o terceiro disco (1954 1 957) põe em confronto as vozes de Billie Holiday com a de Ella Fitzgerald e o quarto disco, de 1957 a 1960, explora o melhor do catálogo Verve desses anos. Este é um almanaque de uma idade de ouro do jazz.

 

RESTAURANTES HABITUAIS -  Bem feitas as contas não deve haver mais de uma dezena de restaurantes onde vou com frequência e prazer - e incluo todos os géneros e todas as gamas de preços. A uns vou porque sei que quero determinado prato que ali garantidamente é bom, a outros vou porque gosto de ser surpreendido com alguma novidade. Em todos gosto de escolher e não me agrada que escolham por mim - por isso abomino a mania dos menus de degustação. Há dias em que me apetece só umas entradas bem servidas, que as boas casas aceitam fazer como prato principal - por exemplo os ovos mexidos com túberas do Salsa & Coentros (onde também me delicio com as empadas e o arroz de lebre). No domínio do petisco tradicional poucas coisas batem os pastéis de bacalhau, pequenos, ricos de peixe, fritos no ponto, acompanhados por arroz de pimentos do Apuradinho. Nos dias mais carnívoros o meio bife do lombo grelhado no carvão, mal passado, só com batatas bem fritas, da Cervejaria Valbom é um paliativo revigorante. E se quero bons filetes de peixe galo o Polícia é sítio a ir, assim como para uma posta de garoupa bem grelhada o Manuel Caçador, ao Areeiro, é recomendável. Em matéria de croquetes ninguém bate o balcão do Gambrinus, o mesmo se podendo dizer da sanduíche de carne assada em pão de centeio. Já se quero um bacalhau fresco escalfado, lá vou à Bica do Sapato. Em matéria de pastas italianas a recomendação vai para o Bella Ciao, na Rua de S. Julião, e noutro registo italiano, para o clássico Casanostra. Em todos estes sítios claro que há outros pratos de que gosto - desde as iscas de leitão ao cozido ou à lampreia. Falta-me na lista um sítio com uma sanduíche variada e verdadeiramente espectacular - que continua a ser das coisas mais difíceis de encontrar em Lisboa.

 

DIXIT - “O último trimestre de 2018 fez avultar a sensação de corrida contra o tempo, em busca de metas antes ainda do período eleitoral, que se prolongará praticamente por todo o ano de 2019” - Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República.

 

BOLSA DE VALORES - “100 Years, 100 Artworks : A History Of Modern And Contemporary Art”, de Agnes Berecz,  pré-encomenda na Amazon UK por 28 Libras mais portes. O livro mostra um obra de arte por ano ao longo dos últimos 100 anos, desde 1919.

 

BACK TO BASICS - “Somos aquilo que decidirmos ser” - Ralph Waldo Emerson

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O ESTADO FALHOU  - Esta é a frase que sintetiza o ano que passou. Por mais que António Costa insista em clamar que só tem êxitos, a realidade mostra o contrário sobre o funcionamento do Estado: falhas nos comboios e em outros transportes, na protecção civil, na coordenação de serviços públicos, nos hospitais, em escolas, na justiça, na segurança, no Parlamento, nos disparates dos novos ministros da saúde e da cultura, nos numerosos casos de cativações que impedem serviços aos cidadãos que os pagaram nos impostos, impostos desviados para folhas salariais em vez de serem aplicados a garantir meios para que mortes sejam evitadas. António Costa vai entrar em 2019 em plena campanha eleitoral para as duas eleições (europeias e legislativas) do próximo ano sem querer  ouvir falar de Tancos e de Borba - dois exemplos do que vai muito mal no Estado a todos os níveis. O líder do PS encontrou uma caixa cheia de guloseimas quando chegou a S. Bento. Tem vindo a dar cabo delas e a deixar apenas os seus invólucros espalhados por onde passa. Da sua governação pode dizer-se que gastou onde não devia e poupou onde não podia.

 

SEMANADA - Em 2016 Portugal ocupava o 14º lugar europeu no PIB per capita, passou a 15º lugar em 2017 e a 16º em 2018; o Banco de Portugal reviu em baixa a previsão do crescimento do PIB este ano; no mês de Outubro os bancos concederam 640 milhões em empréstimos ao consumo; mais de metade do crédito ao consumo já é contratado diretamente nas lojas onde se fazem as compras;  Marcelo Rebelo de Sousa admitiu que no caso das operações de busca ao helicóptero do INEM “o Estado falhou”; Nuno Sá, deputado do PS, apagou a página do Facebook onde existiam videos e fotografias da sua campanha eleitoral em Famalicão, no dia 12 de Junho de 2017, a mesma data em que foi dado como presente no Parlamento; este ano já se registaram 173 greves na função pública; o turismo já representa 7,5% da economia e em 2019 deverão abrir 69 novos hotéis em Portugal; Lisboa duplicou a taxa turística para dois euros por noite, mesmo para residentes da cidade que precisem de pernoitar num hotel da capital; o diretor de material circulante da CP foi exonerado depois de ter discordado de uma decisão da administração da empresa que , na sua opinião, podia pôr em causa a segurança dos passageiros; o Presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público acusou o poder político de querer impedir o combate à corrupção.

 

SÓ PARA RECORDAR - Este ano Pacheco Pereira esteve do lado de Rui Rio na eleição para líder do PSD e do lado da Presidente do Conselho de Administração de Serralves no caso da interferência na exposição de Robert Mapplethorpe.

 

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LER AS BARRAGENS  - Em 2006 a EDP deu início ao projecto Arte e Arquitectura nas Barragens, um iniciativa que até agora envolveu o trabalho de José Rodrigues, Álvaro Siza Vieira, Eduardo Souto Moura, Graça Morais, João Louro, José Pedro Croft, Pedro Calapez, Pedro Cabrita Reis, Rui Chafes e Vihls. “Sobre A Paisagem - Arte nas Barragens Portuguesas” é o livro-álbum agora publicado pela editora AMAG e pela EDP e que recolhe  o trabalho fotográfico que André Cepeda foi fazendo sobre a relação entre as barragens, as obras dos artistas e a paisagem. No texto de introdução António Mexia sublinha a importância da intervenção artística nas barragens num país “onde os projectos de arte pública são escassos” e sublinha que “as regiões envolvidas ficam dotadas de um conjunto de artistas conceituados, visitáveis por todos” - no caso nas barragens da Venda Nova, Caniçada, Picote II, Bemposta, Baixo Sabor, Foz Tua e Alqueva. Aurora Carapinha aborda a necessidade da paisagem num texto acompanhado por fotografias de Duarte Belo. Isabel Lucas escreve sobre “A Paisagem É O Grande Acontecimento” onde, pelo meio de conversas com os vários artistas que realizaram obras nas barragens aborda questões como o que distingue a criação para o que é arte pública e para as galerias e como pode uma obra de arte viver numa dimensão tão grande como é a de uma barragem. Já perto do final surge um ensaio de Francesco Careri sobre a obra de Robert Smithson, um artista norte-americano que foi pioneiro na criação de ligações entre a arte e a paisagem e um texto contextualizador dos coordenadores da obra, Nuno Crespo e Luísa Salvador. O livro termina com um portfolio de André Cepeda onde ele próprio faz a interpretação das obras e da sua localização, para além da simples evocação documental.

 

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O ESTADO DA ARTE  - Colocar uma instituição no mapa demora tempo, colocá-la à beira do precipício é coisa rápida: este é o retrato do que aconteceu a Serralves este ano. De Museu de referência pela originalidade das propostas apresentadas foi capturado pelo síndrome de treinador de bancada que percorreu a Administração da Fundação e que a levou a querer mandar e interferir na programação artística. João Ribas, Director Artístico, foi ultrapassado pela Presidente do Conselho de Administração, Ana Pinho. O Director Artístico saíu, e como na cultura o crime compensa cada vez mais, Ana Pinho foi reconduzida atendendo aos serviços prestados na destruição da reputação de Serralves. Este foi talvez o caso mais mediático do ano na área das exposições. No pólo oposto, pelo bom trabalho desenvolvido, destaca-se a actividade da Gulbenkian, nomeadamente a forma como a sua Directora, Penelope Curtis, tem vindo a trabalhar a colecção da instituição, explorando-a e cruzando-a de forma imaginativa - como sucedeu com a exposição “Pós-Pop - Fora do Lugar Comum” (na imagem) e, mais recentemente, “Arte e Arquitectura entre Lisboa e Bagdade” que relembra a exposição levada ao Iraque em 1966 e que incluía nomes como Nuno de Siqueira, Artur Bual, Luís Demée, João Vieira Ângelo de Sousa, José Escada, René Bertholo e Júlio Pomar, entre outros, naquele que foi o núcleo inicial da Colecção desenvolvida pela Fundação Gulbenkian. Finalmente, no MAAT, destaque para apresentação, no Porto primeiro e em Lisboa depois, da colecção Cabrita Reis - “Germinal - O Núcleo Cabrita Reis na Colecção de Arte Fundação EDP”, que pode ainda ser vista até dia 31.

 

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TEMPOS MODERNOS - Há uns anos os discos gravados ao vivo eram editados um tempo depois das digressões em que  tinham sido gravados. Este ano Springsteen deu o sinal da mudança, na realidade um sinal dos tempos: o seu “Springsteen On Broadway”  foi lançado na mesma semana em que a temporada na Broadway terminou e praticamente em simultâneo no Spotify e na Netflix - na Netflix foi disponibilizado cinco horas depois de terminada a derradeira actuação na Broadway. O resultado é um registo de cerca de duas horas e meia  com 35 das suas mais conhecidas canções. Mas não é só um registo de canções - todas em versão acústica, Springsteen sozinho no palco com a sua guitarra e às vezes ao piano, intercalando entre as canções a história da sua vida - desde as primeiras memórias, às lições de guitarra, passando pela cidade onde cresceu (My Hometown), o dia-a-dia familiar, os músicos com quem tocou, as suas primeiras actuações e, claro, o momento em que se tornou um nome incontornável da música popular e do rock há quatro décadas. “I am here to provide a proof of life” - diz ele logo no início das actuações que fez durante 236 dias, ao longo do último ano, até ao sábado passado, no pequeno teatro Walter Kerr, da Broadway com uma lotação de apenas 960 lugares, permanentemente esgotados.  Graças à Netflix é possível ver além do que se ouve no Spotify - um concerto íntimo, uma actuação forte e emotiva. Toda a actuação estava escrita como um argumento, que Springsteen repetiu noite após noite e se isto pode parecer o caminho para a rotina, desenganem-se: não só na interpretação das canções, mas também na forma como contou a sua vida, the Boss mostrou uma capacidade de ligação com o público como acontece nas peças de teatro da Broadway que se repetem noite após noite, na mesma encenação. Os grandes actores vencem a rotina. Além de músico, Springsteen provou ser um actor a representar o seu próprio papel, com uma enorme simplicidade mas também convicção: “That’s how good I am” - dizia ele todas as noites. Esta forma de fazer e registar a música é o acontecimento editorial do ano.

 

INTRAGÁVEIS -  Na restauração lisboeta há uma espécie de triângulo das Bermudas onde desaparece o bom senso e a arte da culinária. As pontas do triângulo são o Princípe Real, o Largo da Misericórdia e o Largo de Camões. Aqui se concentram os restaurantes surgidos da caça ao turista -  pouco cuidado na cozinha, serviço displicente, desprezo pelos clientes nacionais e preços abusivos para a qualidade geral final. Basta passear nesta zona e noutra sua concorrente, na Baixa, na Rua Augusta e suas perpendiculares, para perceber que se perdeu a arte do petisco e cresceu a arte do engano. A maioria destes novos restaurantes importa-se mais com a comunicação do que com a qualidade e o serviço. Muitas das boas tascas que existiam nestas zonas foram sendo substituídas por manjedouras repetitivas e, nos casos em que o nome do local não mudou, tudo o resto foi modificado. Hoje em dia trabalha-se mais para o conceito e o cenário do que para a substância - muitos dos novos restaurantes surgidos nos últimos meses mostram isso e mesmo algumas das boas referências na restauração moderna lisboeta que fez uma época dão sinais de quebra de qualidade. Eu por mim dedico-me sobretudo a procurar boas descobertas em cozinhas étnicas que vão surgindo e em localizar e guardar quem pratica a boa arte da cozinha portuguesa. A propósito recomendo que sigam o blogue “O Homem Que Comia Tudo”, de Ricardo Dias Felner, onde se dão sugestões de confiança nestas áreas.

 

DIXIT - “O Natal, para mim, começa por ser um cuidado com os outros” - Gisela João, fadista.

 

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BOLSA DE VALORES - Em 2018 várias novas galerias de artes plásticas destacaram-se e a Balcony (Rua Coronel Bento Roma 12 A) foi uma delas. Aqui está uma obra de Tiago Alexandre, Spread #16, que integrou a  sua exposição ”Words Don’t Come Easy” e que está à venda por  3.750 euros (IVA não incluido). A técnica é barra de óleo sobre papel e mede 220 x 150 cm.

 

BACK TO BASICS - “Para o Pai Natal conseguir sempre saber onde estás, se te portas bem ou mal, se estás acordado ou a dormir, deve ser de certeza dos serviços de informação” - David Letterman

 

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PELA BOCA MORRE O PEIXE - Em Portugal não temos manifestações de multidões vestidas com coletes amarelos e não é por falta de razões: estamos num país onde qualquer dia em vez de comboios voltaremos a ter  carroças, onde em vez de cacilheiros se utilizarão jangadas, um país onde médicos do maior hospital pediátrico se demitem por falta de condições, onde o um porto marítimo fulcral para a economia continua a suicidar-se, onde as greves em serviços essenciais começam a ser mesmo preocupantes. Temos, no entanto, um sistema perfeito de vasos comunicantes bem exemplificado no Orçamento de Estado que acabou de ser aprovado pela frente de esquerda: aumentam-se os gastos do Estado com os seus funcionários, graças ao dinheiro extra que vem da carga fiscal directa e indirecta. A sociedade portuguesa está a criar um funil onde a boca é larga para cobrar mas o tubo de saída é estreito: o que fica de fora do funil são os serviços que o Estado devia assegurar e que são a razão de ser dos impostos. Por aqui continua tudo trocado: os recursos gastam-se para ganhar sossego político em vez de ser para suprir necessidades da população, na Assembleia deputados vigarizam o livro de presenças e votações, no Ministério das Finanças um quadro superior protegido por Centeno está sob suspeita de fechar os olhos a irregularidades. Noutros tempos dir-se-ia que pela boca morre o peixe. Mas começa a ser perigoso usar provérbios destes graças a uns cómicos que acham que falar assim pode ser ofensivo para os animaizinhos e consideram que o tema deve ser debatido no Parlamento. Depois queixam-se que a Assembleia da República tem má imagem.

 

SEMANADA - Até ao final deste ano há 47 pré-avisos de greves em 11 áreas da administração pública, desde a justiça aos hospitais, passando pela inspeção das pescas; a  percentagem de cesarianas realizadas nos hospitais privados é mais do dobro da realizada no Serviço Nacional de Saúde; entre 1 de novembro de 2017 e 31 de Outubro de 2018 o Ministério Público instaurou 3423 inquéritos relativos a crimes de corrupção e crimes conexos; em Outubro, segundo a Marktest, o site noticioso com maior alcance foi o do Correio da Manhã, com cerca de 2,5 milhões de visitantes; segundo o Conselho das Finanças Públicas os gastos das famílias portuguesas com a saúde estão acima da média da OCDE; 1684 euros é o valor que em média cada português gastou em cuidados de saúde em 2017; segundo o Ministério do Ambiente nos últimos dois anos apenas foi retirado amianto em 90 dos 1400 edifícios públicos que estão no plano de remoção daquela substância potencialmente cancerígena; em duas semanas de greve dos enfermeiros prevê-se o adiamento de cerca de  4500 cirurgias; Maria Begonha continua candidata à liderança da Juventude Socialista apesar de ter prestado declarações falsas sobre o seu currículo e da polémica em torno dos contratos que celebrou com autarquias do PS no valor de cerca de 140 mil euros

 

ARCO DA VELHA - O Inspector Geral das Finanças, que integra o Conselho de Prevenção da Corrupção, é suspeito num processo em que se investigam corrupção, peculato e abuso de poder.

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A POESIA IMPRESSA - Eugénia de Vasconcelllos começou a publicar poesia em 2005, com “A Casa da Compaixão” e desde então tem publicado ensaios como ”Cultura Light” ou  “ Camas Politicamente Incorrectas da Sexualidade Contemporânea”, contos como “Do Banco Ao Negro” e poesia como “O Quotidiano a Secar em Verso” - que João Mário Silva descreveu como «um meteorito que cruzou o céu da poesia portuguesa»”. Está traduzida em catalão, alemão, sérvio e romeno. Nascida no final dos anos 60, em Faro, Eugénia Vasconcellos elege como poetas favoritos Camões, Walt Whitman e Herberto Hélder . O seu novo livro, “Sete Degraus Sempre A Descer”, percorre etapas do amor, da descoberta à desilusão, do encontro à despedida, entre dúvidas e desejos. Como Eugénia de Vasconcellos escreve logo no primeiro poema do seu novo livro, “A poesia não é coisa das páginas dos livros -/ não se faz na tipografia./ Ainda que seja nas páginas dos livros que/se fixa depois de a tipografia lhe dar um corpo de papel -/ é sempre de amor que se faz um corpo,/ é por amor que um corpo se dá./A poesia é da vida. É de quem tem.”

 

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O PARADOXO CONTEMPORÂNEO - A Galeria Cristina Guerra Contemporary Art exibe, até 4 de Janeiro, uma exposição que reúne 42 obras de arte contemporânea de artistas portugueses e estrangeiros - de Julião Sarmento a John Baldessari, passando por Horácio Frutuoso, Vasco Araújo ou Joseph Kosuth, Ed Ruscha ou Matt Mullican, entre muitos outros. As obras têm proveniências diversas, nomeadamente de colecções particulares e do acervo da própria Galeria e foram agrupadas por Alexandre Melo sob o título “1000 imagens-  uma imagem vale mais que mil palavras”. Existe um ponto comum entre muitas das obras que é a utilização da palavra escrita, seja de forma isolada, seja numa frase. No texto que acompanha a exposição Alexandre Melo sublinha que “a presença das palavras no contexto criativo das artes plásticas é marcante nas vanguardas históricas do início do século XX” para depois esclarecer que o critério de curadoria da exposição foi apresentar “uma grande diversidade de obras realizadas por autores que, cada um segundo a sua sensibilidade e no âmbito da sua linha de pesquisa, deram um lugar de destaque às palavras, e assim nos dão, a nós próprios, a possibilidade de pensar e decidir qual o valor e a atenção que queremos, ou não, continuar a conceder às palavras”. Esta reflexão está enquadrada numa época em que as imagens se banalizaram e a sua utilização se globalizou e multiplicou - e por isso este confronto das palavras com a imagem se torna interessante. Mas, ao mesmo tempo, a montagem da exposição evidencia um paradoxo que por vezes se torna repetitivo na arte contemporânea - e que passa por viver de uma teoria e da sua sublimação,  mais do que de uma emoção ou de um acto de comunicação. Evidenciar este paradoxo é a marca destas “1000 imagens”.

 

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UMA ESTRELA NO FADO - Carminho está  a fazer um dos mais interessantes percursos artísticos entre as fadistas da sua geração e mistura o fado que conviveu com ela toda a vida (a mãe é a fadista Teresa Siquiera) com outros géneros musicais e nomeadmente a música brasileira. Sinal disso é ter já gravado nos seus quatro discos anteriores duetos com Chico Buarque, Milton Nascimento, Marisa Monte e Nana Caymmi. O seu quarto disco é aliás inteiramente dedicado à obra de Tom Jobim e é, também, uma prova da versatilidade da sua interpretação. “Maria”, agora editado, é o seu quinto álbum e marca um regresso ao território musical de origem - o Fado. Carminho envolveu-se mais do que é costume na produção e escreveu várias das canções que interpreta naquele que parece ser o disco mais pessoal da sua carreira . A concepção dos arranjos e a escolha de instrumentos (desde a tradicional guitarra de fado à guitarra eléctrica) mostra que a ousadia de Carminho não se manifesta só na sua forma de cantar, mas também na abordagem musical que concretiza. A guitarra portuguesa esteve a cargo de Bernardo Couto, José Manuel Neto e Luis Guerreiro, a viola de fado é de Flávio César Cardoso, no baixo acústico esteve José Marino de Freitas, no piano João Paulo Esteves da Silva e na guitarra eléctrica Filipe Cunha Monteiro  - aliás Carminho também toca guitarra eléctrica no tema “Estrela”, por sinal um dos melhores do disco. É muito interessante o contraste que Carminho consegue criar entre as suas composições originais (nomeadamente “Mulher Vento”” e “Estrela”), a interpretação de clássicos (como “O Começo”, de Pedro Homem de mello e Acácio Gomes), tradicionais (como “Sete Saias” de Artur Ribeiro) ou a abordagem a “As Rosas” (de Joana Espadinha). CD Warner.

 

SABORES LIBANESES -  A zona do Princípe Real levanta-me a maior reserva em termos de restaurantes. Não tenho tido boas experiências, sobretudo no atendimento que parece penalizar quem não é turista. Mas recentemente tive uma boa surpresa num novo espaço que nasceu num local onde antes existia um desses restaurantes o, no caso o Prego da Peixaria. O Sumaya - Mesa Libanesa tem um acolhimento simpático, um serviço atencioso e os empregados sabem explicar o que é cada prato deixando os clientes decidirem por si. Há combinados que juntam várias especialidades ou pode seguir-se o menu e ir pedindo. A comida libanesa apela à partilha de petiscos (mezze), portanto a ideia é pedir várias coisas e ir partilhando e saltando de uma para outra. Veja na lista os mezze frios e quentes, pegue no pão achatado que lhe colocam na mesa e vá fazendo experiências. Numa recente visita a escolha recaíu sobre Labneh (iogurte  com tomilho, azeitonas e hortelã), Baba Ghanouj (uma pasta  de beringela com tahini, limão e romã ),  Fatayer (empadas de espinafre com limão e azeite) e Makanek  (salsichas caseiras cozinhadas num molho de romã com pinhões). Há vinhos libaneses, mas também portugueses e, na circunstância, optou-se por um Catarina a copo. A sobremesa vai variando todos os dias mas na altura veio um  Mohalabie, uma espécie de panna cotta libanesa que leva pistácios aos pedaços e fez um bom contraste de sabores com o resto da refeição.  Sumaya - Mesa Libanesa - 213470351, reservas@sumaya.pt, Rua da Escola Politécnica 140

 

DIXIT - “Não podemos ir além do limite, sob pena de que PSD e CDS se fiquem a rir de nós e digam que tinham razão” - António Costa, no Parlamento, sobre o Orçamento de Estado para 2019.

 

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BOLSA DE VALORES -  Claudia Fischer expõe na Galeria Belo-Galsterer (Rua Castilho, 71, RC, Esq ) a obra Spatien #8, 2018, impressão sobre papel, edição 1/3 emoldurada, com a dimensão 26x73 cm, por 750 euros (IVA de arte incluído).

BACK TO BASICS - “Nunca devemos interromper o inimigo quando ele está a fazer um erro” - Napoleão Bonaparte

 

 

 

 

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O ADUBO POPULISTA - Afinal porque cresce o populismo? O aumento do peso político do populismo está na proporção directa das revelações sobre corrupção, da ineficácia da justiça, da forma de funcionamento dos partidos  institucionais, do funcionamento dos parlamentos, do comportamento de muitos políticos. O populismo que assume proporções preocupantes é o resultado directo da falência dos partidos mais presentes no poder, das jogadas de bastidores e entendimentos à revelia dos resultados eleitorais, dos arranjinhos e distribuições de benesses. O adubo que fomenta o populismo está no apodrecimento do sistema. O retrato do futuro próximo um pouco por toda a Europa é dado pelo que se passou na Andaluzia: o descrédito no regime leva a deslocações surpreendentes de voto - analisando os resultados constata-se que foi do eleitorado do PSOE que saíram maioritariamente os votos que deram entrada aos populistas de direita. Não precisamos só que surjam novos partidos, precisamos fundamentalmente que exista uma nova ética política e uma outra agilidade da justiça. No caso português precisamos de um sistema eleitoral que possibilite a entrada de novos participantes, precisamos de uma varridela nos partidos antigos que acabe com os escândalos que se têm passado na Assembleia da República e que andavam bem escondidinhos da vista de todos. Deixaram alastrar a vigarice, não se queixem do resultado. O mundo já não é feito de dogmas. Os partidos e quem os dirige não se podem julgar donos da verdade depois de terem sido apanhados tantas vezes a mentirem.

 

SEMANADA - Mais de 57 milhões de seringas e mais de 30 milhões de preservativos foram distribuídos nos últimos 25 anos em Portugal; o Ministro do Ambiente preconiza uma redução de entre 25 a 50% da população de bovinos como uma das medidas para reduzir as emissões poluentes de gases para a atmosfera; quase metade das instituições portuguesas de solidariedade social têm prejuízos graves; a não actualização dos escalões do IRS no Orçamento de Estado vai causar um aumento  deste imposto em 2019; os futuros pensionistas só vão receber 74% do salário que tinham à data do início da reforma, indica um relatório da OCDE; Guarda, Portalegre e Bragança são os distritos com menor número de nascimentos e Lisboa, Porto e Braga são os que registam natalidade mais elevada; mais de 150 mil crianças e jovens não têm médico de família; o Tribunal de Contas criticou as regras da Assembleia da República e diz ser impossível fiscalizar se os pagamentos feitos aos deputados são devidos; o Presidente da Assembleia da República,  Ferro Rodrigues, admitiu ao fim de algumas semanas ter havido irregularidades e  “registo de presenças falsas” de deputados em sessões plenárias do Parlamento.

 

DISTRACÇÕES ESTATAIS - O Estado português  perdeu o rasto a cinco jovens romenos que tinha à sua guarda, depois de os seus pais, que obrigavam os dois rapazes e três raparigas a mendigar, terem sido presos.

 

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ESCRITOS TURÍSTICOS - Não é inédito: uma publicação periódica vai melhorando depois do primeiro número, afinando detalhes e estabelecendo a sua própria identidade. No caso de “Electra”, a revista editada pela Fundação EDP e dirigida por José Manuel dos Santos, identidade ideológica é coisa que não falta. Mas nos primeiros dois números houve alguma indefinição de temas, alinhamento e problemas gráficos. Neste terceiro número há um salto qualitativo - quer a nível da diversidade de conteúdos, do alinhamento editorial, quer a nível gráfico e da edição fotográfica. O tema central desta edição é o turismo nos tempos actuais e o geógrafo Álvaro Domingues, em “Turismo On Fire”, aborda a evolução dos tempos, desde a viagem elitista à viagem democratizada pelo turismo massificado. Jean-Didier Urbain aponta que o turista actual é um viajante maltratado e considera que o turismo no nosso tempo não deve ser desclassificado, mas sim encarado como uma verdadeira experiência de viagem, tese criticada por Thierry Parquot, que defende ser urgente interromper o movimento crescente do turismo mundial, negando que o passeio turístico tenha agora alguma coisa a ver com o conceito de viagem. O arquitecto Pedro Levi Bismark tem uma certeira observação sobre os efeitos do turismo nas cidades contemporâneas e o economista Álvaro Matias faz uma análise dos negócios gerados pelo turismo, que classifica como uma exportação fácil. Turismo à parte destaque para um livro de horas de Pedro Cabrita Reis, sob a forma de fac-simile de nove páginas da sua caligrafia e desenhos, a tinta da china sobre papel, que exemplificam alguns dos seus registos diários. Finalmente uma menção ainda para o texto de Rui Chafes sobre as esculturas de Manuel Rosa, artista que, ao fim de vários anos, resolveu de expôr de novo as suas obras.

 

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VIAGENS FOTOGRÁFICAS - Há uma fotografia que mostra a realidade e outra que alimenta a ilusão. Cláudio Garrudo, que tem vindo a experimentar diversas abordagens à imagem fotográfica (numa sua recente exposição utilizou cianótipos), encarou  agora o mar e utilizou uma técnica de duplas exposições que cria uma dimensão muito especial nas imagens e uma ilusão quer de cores, quer de perspectiva. A exposição leva o nome de “Trinus” (na imagem) e está na Galeria das Salgadeiras (Rua da Atalaia 12) até dia 19 de Janeiro. A exposição, nove fotografias e um video, resulta de uma viagem que Cláudio Garrudo fez a bordo de um carregueiro, que zarpou de Lisboa. “Viagem”, um poema de Miguel Torga, foi o ponto de partida para esta expedição. Bem diferente é uma exposição no Arquivo Municipal Fotográfico, centrada no espólio de Helena Côrrea de Barros e que é uma viagem à sua família e amigos, mas também uma mostra de trabalhos que ela apresentou a salões fotográficos, comuns nos anos 50 e 60. A exposição, “Fotografia, A Minha Viagem Preferida”, que fica patente até 23 de Fevereiro, foi organizada de forma exemplar por Luís Pavão e Paula Figueiredo Cunca, mostrando um lado da realidade do Portugal dos anos 50 e 60 que separa a visão familiar e festiva feira a cores, em Kodachrome, da prática artística de Helena Côrrea de Barros, a preto e branco, feita para os salões de fotografia de então. Na Rua da Palma 246.

 

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EDIÇÃO ESPECIAL  - Em Janeiro deste ano foi editado “Nação Valente”, o primeiro disco de originais de Sérgio Godinho dos últimos sete anos -  um álbum com nove originais e uma versão de “Delicado”, um tema de Márcia, intensamente interpretado por Godinho.  Na altura escrevi aqui que este era o melhor disco do autor neste século e destaquei o tema “Grão da Mesma Mó”, um poderoso manifesto com letra de Godinho e música de David Fonseca. Na mesma altura sublinhei que “outro ponto alto é “Maria Pais, 21 Anos”, onde as palavras de Godinho se cruzam mais uma vez com as ideias musicais de José Mário Branco naquela que é certamente a mais elaborada e emocional composição deste disco, não por acaso uma espécie de retrato de uma geração para a qual ambos os autores olham com um agudo espírito de observação”. Agora “Nação Valente” teve uma edição especial, com um CD extra gravado ao vivo nos Coliseus de Lisboa e do Porto e que inclui algumas das canções de Nação Valente tocadas ao vivo com arranjos diferentes da gravação de estúdio, mas também interpretações novas de temas clássicos de Sérgio Godinho, entre os quais  destaco “Balada da Rita”, com a participação de David Fonseca e o magnífico “Às Vezes O Amor” com a participação de Márcia. CD Duplo Universal Music.

 

UM CLÁSSICO LISBOETA  - O Petite Folie é um restaurante com uma história longa - no início dos anos 80 abriu inspirado pela cozinha gaulesa, por iniciativa de uma francesa que vivia em Lisboa e que queria aumentar a então reduzida oferta gastronómica do seu país em Lisboa. Passados uns anos decidiu sair  e o restaurante passou para as mãos de Almerindo Gonçalves, um minhoto com uma longa carreira na hotelaria e na restauração e que saíu do então prestigiado Clube de Empresários para abrir uma casa só sua em 1988 . Manteve o nome francês mas trouxe a comida portuguesa, sobretudo alguns pratos da sua região de Monção - como a lampreia na época em que é devida. Com uma decoração clássica e muito bem conservada onde a madeira predomina, tem um serviço único, um cruzamento de profissionalismo e gentileza. Um dos seus pratos mais apreciados - e estamos na altura ideal do ano para ele - é a perdiz à Convento de Alcântara e outro muito apreciado é um folhado de lebre com castanhas. No peixe destaca-se a garoupa grelhada com molho de alcaparras e os supremos de cherne com molho de champagne. Se quiser uma coisa mais simples tem sempre o entrecôte à Café de Paris. Nos doces o leite creme queimado tem boa fama. O Senhor Almerindo Gonçalves sabe receber como poucos e nas mesas o Sr. Artur garante uma atenção rara nos dias que correm. Garrafeira a preços sensatos, vinho a copo bem escolhido. Fechado ao Sábado e, ao Domingo, ao jantar. Petite Folie, Av. António Augusto de Aguiar 74-cv, telefone  213 141 948.

 

DIXIT - “Neste tempo de guerras civis nas redes sociais, em que o Facebook e Google lêem por nós, é bom ler e escrever (...) É do confronto de ideias que nasce a liberdade, a democracia política, económica, social e cultural” - Fernando Sobral, no derradeiro “Pulo do Gato”.

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BOLSA DE VALORES - Na Galeria das Salgadeiras (Rua da Atalaia 12), além das fotografias da exposição “Trinus”, de Cláudio Garrudo (que estão à venda por 1100 euros) está disponível uma edição especial do catálogo, limitada e numerada, em caixa de madeira, com uma prova assinada de uma das imagens, por 185 euros.

 

BACK TO BASICS - "O telescópio faz encolher o universo,  o microscópio aumenta-o"- G.K. Chesterton

 





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