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O ESTADO NÃO GOSTA DE NOVIDADES QUE NÃO CONTROLE - O conflito entre a ADSE e os hospitais privados levanta uma situação curiosa. O Estado quer preços e condições especiais quando usa serviços privados. Mas porventura o Estado cobra menos impostos ou oferece vantagens a quem lhe faz descontos? Na realidade não é isso que se passa: o Estado paga atrasado, para além dos prazos convencionados, altera regras a seu bel prazer, não faz descontos em impostos, aumenta-os quando lhe apetece, muitas vezes cobra abusivamente e põe a máquina fiscal a executar dívidas, a empatar o funcionamento dos tribunais e a contestar as suas decisões de forma sistemática quando é reconhecida razão a privados. O Estado quer que todos sejam cumpridores mas ele próprio não cumpre e não dá o exemplo. Este é um dos principais problemas com que a sociedade portuguesa se debate, a herança do poder absoluto do Estado. Durante todas as décadas que levamos de democracia os partidos do arco do poder e os sindicatos que nele se movimentam acomodaram-se a isto mesmo, fomentaram a situação. E agora todos estão incomodados com aquilo a que chamam movimentos inorgânicos - leiam-se fora do controlo do Estado - quer sejam sindicatos, quer sejam novas organizações políticas. A exercício da cidadania fora dos cânones estabelecidos tornou-se uma heresia. É o retrato de um regime decadente.

 

SEMANADA - Mais de metade dos portugueses com idades entre os 24 e os 75 anos têm pelo menos uma doença crónica; os trabalhadores precários atingiram o valor mais alto desde 2011;  os bancos emprestaram quase 10 mil milhões de euros para a compra de casa em 2018,  27 milhões por dia, um aumento de 19% no crédito à habitação; no crédito ao consumo, em dezembro, foram emprestados 396 milhões de euros, o que compara com os 382 milhões de euros concedidos um mês antes; no total, em 2018, as novas operações de crédito ao consumo ascenderam a 4.660 milhões de euros, mais 10,3% do que em 2017; os portugueses pedem oito milhões de euros de crédito por dia para compra de carro; as dívidas com cartões de crédito atingiram 3,25 mil milhões de euros e há 137 mil devedores em incumprimento;  o número de apostadores em jogos online já ultrapassou o milhão; mais de dois terços dos autarcas portugueses são favoráveis à regionalização a curto prazo; o conselho de administração da Assembleia da República deu parecer negativo a uma proposta de estudos para avaliar a descentralização; João Cravinho, presidente da Comissão Independente para a Descentralização afirmou estar a ponderar a sua demissão; António Costa afirmou que só pretende debater a regionalização na próxima legislatura; o Governo deixou de fixar metas ambientais para veículos do Estado.

 

ARCO DA VELHA - O Parlamento vai passar a ter um Comité de Ética que avaliará a conduta dos deputados mas os partidos são contra a aplicação de multas aos infractores.

 

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A ARTE DE ENSINAR  - Agostinho da Silva é uma das figuras maiores do pensamento português do século XX, bem mais interessante que muitos outros condecorados que por aí andam, carregados de presunção e enfado. Agostinho da Silva era um pensador e um divulgador, alguém que tinha enraizada a noção da importância da transmissão do saber, da divulgação popular do conhecimento. Doutorado na Universidade do Porto em 1929, com apenas 23 anos, vai depois estudar na Sorbonne e regressa para leccionar no ensino secundário em Aveiro. Entre meados dos anos 30 e início dos anos 40 a sua actividade de divulgação é enorme, publicando numerosos ensaios e artigos. “Páginas Esquecidas”, a colectânea agora publicada pela Quetzal a partir de uma selecção de textos de Agostinho da Silva, feita por Helenas Briosa e Mota, permite descobrir essa parte da sua obra. Estes textos são os que deram a conhecer Agostinho da Silva aos portugueses naquela época e que o levaram a ser preso em 1943 pela polícia política - na altura ainda a PVDE. Desgostado com o que se passava em Portugal partiu para o Brasil, onde leccionou, ecreveu e trabalhou até ao seu regresso em 1969, já com Marcelo Caetano no poder e por influência de Adriano Moreira.. Muitos dos textos aqui incluídos foram publicados pela Seara Nova, outros em edição de autor, muitos em pequenos fascículos. Na época realizou conferências e publicou duas centenas de títulos sobre a história da cultura portuguesa, filosofia, literatura e divulgação cultural, nomeadamente nos Cadernos Para A Mocidade, Cadernos de Informação Cultural, e Introdução Aos Grandes Autores. É um formidável legado, como sublinhou Helena Briosa e Mota na introdução à recolha de textos agora publicada. Aqui estão meia centena dos seus textos mais marcantes dessas páginas esquecidas, desde as palestras radiofónicas sobre a História do Mundo, à apresentação da obra de nomes como Van Gogh, Goya ou Cervantes, passando pelo notável “O Sábio Confúcio” e a série dedicada aos construtores do mundo novo e aos clássicos da História.

 

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ADORO IMPRENSA - Sou um apaixonado leitor de imprensa, quer de jornais quer de revistas e gosto de seguir o que se publica. A edição mais recente da revista Time tem por título de capa “The Art Of Optimism” e apresenta 34 pessoas que são relevantes e inspiracionais, na sociedade norte-americana, mostrando o que estão a fazer. A edição é cuidada e permite-nos ter de forma sintética um retrato daquilo que tantas vezes passa despercebido. O conceito editorial foi dirigido por Ava Duvernay, uma realizadora e argumentista norte-americana. Coube-lhe seleccionar os 34 optimistas das mais diversas áreas - actores, músicos, fotógrafos, empreendedores, de diversas gerações. A revista está nos quiosques de todo o mundo e foi a minha companhia no fim de semana passado. É uma prova do que a imprensa pode fazer, criando memória futura ao mesmo tempo que reflecte sobre o presente. Entretanto, a propósito, um estudo divulgado esta semana pela Marktest mostra que em Portugal a imprensa continua a ter um importante papel como fonte de informação para segmentos relevantes da população.  De acordo com a Marktest a audiência média de imprensa no segundo semestre de 2018 foi de 51.3%, que corresponde à percentagem de portugueses que leu ou folheou a última edição de um qualquer título de imprensa analisado. Os jornais registaram 2,6 milhões de leitores neste período enquanto as revistas contaram com 3,3 milhões de leitores. Mas o mais significativo é que as pessoas entre 35 e 44 anos, quadros médios e superiores e os indivíduos das classes mais elevadas são quem tem mais afinidade com este meio, apresentando índices de audiência média de imprensa superiores ao universo.

 

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A BATERIA NO CENTRO DO TRIO  - Este disco é de um baterista, com bons pergaminhos ainda por cima - Bill Stewart. Mas o primeiro som que se ouve é o do saxofone de Walter Smith III, que é o segundo elemento do trio completado pelo baixista Larry Grenadier. Stewart é considerado um dos grandes bateristas contemporâneos e este novo álbum “Band Menu” é bom exemplo das suas capacidades. O diálogo que estabelece constantemente com o saxofone e o baixo é entusiasmante. Nalguns momentos parece que há uma voz que impõe um ritmo mas nunca se esquece da melodia. A forma como toca nos pratos da bateria é de uma enorme elegância. Neste  “Band Menu” há sete temas originais do próprio Bill Stewart, outro de Smith e uma versão de um de Bill Evans (“Re:Person I Knew”, com um notável desempenho do saxofone de Smith). Há uma construção comum, que parte da soma dos três instrumentos, cuja presença se intensifica sem nunca se atropelarem, sempre com a bateria de Stewart a ocupar um lugar central, a coordenar todo o trabalho do trio. Bill Stewart é um daqueles bateristas que desenvolveu um estilo muito próprio e reconhecível, com uma enorme sensibilidade graças a um movimento rápido mas contido das mãos. “Think Before You Think”, a faixa final do álbum, é um exemplo da musicalidade e improvisação que se consegue quando três talentos se juntam no jazz. Disponível no Spotify.

 

ENTRE A EMPADA E A MISTA - Empadas há muitas - mas empadas de vitela exemplares há poucas. Esta semana tive o prazer de descobrir um exemplar dessa espécie em vias de extinção. O recheio de vitela estava perfeito de consistência e tempero, a massa folhada obedecia a todas as regras, era fresca, leve e estaladiça. Trouxe-me à memória sabores antigos. Sabia mesmo a carne de vitela, suculenta, não era uma coisa compacta e sensaborona. A descoberta ocorreu na Fermenta, em pleno Bairro de S. Miguel, Alvalade, no início da  Rua António Ferreira. A Fermenta é um café com fabrico próprio que, além das empadas e de uns bons croquetes apresenta uns croissants muito atraentes, importados da histórica Padaria Ribeiro, do Porto nas suas diversas variantes - com destaque para os amanteigados. Além disso dispõe diariamente de pão da Gleba, nas variedades trigo alentejano, trigo barbela e centeio, além das edições especiais. Aceitam encomendas. Além disso as torradas e tostas mistas da Fermenta são feitas em pão da Gleba - e acreditem que uma tosta mista assim preparada ganha toda uma outra dimensão. No local também está disponível A Tarte e biscoitos da mesma Padaria Ribeiro. O café é italiano, Vergnano, o chá é Ahmad e a cerveja é a artesanal Musa. Telefone 938840236.  

 

DIXIT - “Para Rui Rio, o papel histórico da direita portuguesa reduz-se a isto: permitir ao PS governar sem precisar dos votos do PCP e do BE” - Rui Ramos

 

BACK TO BASICS - “Quando era novo, queria ser mais velho; agora que sou mais velho não tenho tanta certeza disso” - Tom Waits

 

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GREVE & CONSEQUÊNCIA - Em que estação do ano estamos? Se disserem Inverno enganam-se redondamente. A estação do ano em que estamos é o primeiro trimestre pré-eleitoral. Temos ao todo três pela frente, portanto imaginem o que aí vem a seguir. Todas as semanas são publicadas notícias airosas sobre as boas intenções do Governo para com os funcionários do Estado - desde a antecipação das reformas até  aumentos garantidos em 2020, convenientemente anunciados para depois das eleições legislativas. Diversos ministros compram resmas de maquilhagem que aplicam indiscriminadamente para tapar os diversos buracos e para tentarem melhorar o visual. Pelo meio de tanta promessa, há, no entanto, um contratempo. O PCP quer negociar com as armas que tem à mão - que como se sabe têm o seu expoente nas greves que vão sendo realizadas e anunciadas. O que aconteceu de mais curioso nestes últimos dias foi a coincidência entre o incrementar do ciclo grevista por sindicatos do universo CGTP e o surgimento de notícias sobre actos de gestão suspeitos em autarquias dirigidas pelo PCP. Este é um dado novo - não a ocorrência de moscambilhas, mas o seu anúncio público, a sua divulgação, metódica, precisa, a conta gotas, a deixar alastrar suspeitas. É uma espécie de aviso: se continuarem a encravar o futuro da geringonça, alguém põe a boca no trombone sobre o que foi acontecendo ao longo dos tempos e que esteve guardado para os malfeitores de direita não se aproveitarem. Cabe aos guardiões do poder da esquerda gerirem o ritmo das revelações. E se bem conhecemos a espécie hão-de estar cheios de sumarenta investigação. Caíu o manto diáfano da fantasia que garantia que no universo do PCP não há nada de reprovável. Aos poucos a verdade vai vindo ao de cima. Aposto que ainda surgirá com maior intensidade se as greves continuarem a aumentar. São estes os efeitos colaterais das greves. Há um odor a podridão no ar. Por todo o lado.

SEMANADA - Entre 2000 e 2018 Portugal foi ultrapassado pela Estónia, Lituânia, Eslováquia, Eslovénia, República Checa e Malta, em termos de rendimento por habitante, face à média europeia; segundo o Forum para a Competitividade, Portugal baixou de um rendimento de 84% da média europeia, em 2000, para apenas 74% em 2018; os imigrantes em Portugal que mais regressam ao país de origem são os brasileiros; a Câmara de Braga viu as suas contas penhoradas por uma dívida de 3,8 milhões de euros à Soares da Costa, relativa à construção do Estádio concebido por Souto de Moura para o Europeu 2004; o custo previsto do estádio era de 65 milhões de euros e o custo final foi de 180 milhões; a PSP e a GNR detectaram mais de um milhão de condutores em excesso de velocidade ao longo de 2018; um poema falsamente atribuído a Sophia de Mello Breyner tornou-se viral nas redes sociais e foi inclusivamente traduzido em várias línguas; o Facebook fez 15 anos; mais de 10% dos dentistas portugueses exercem no estrangeiro e afirmam não querer voltar; em dois dias da greve dos enfermeiros ficaram por realizar 645 cirurgias; a média de idades dos carros em circulação nas estradas portuguesas é de 21,6 anos; no ano passado o INEM registou 20 mil chamadas falsas que accionaram 7500 viaturas de urgência do serviço; um saco com seis granadas de mão foi encontrado na Rotunda dos Combatentes em Tábua; num ano o Estado apoiou 18 orfãos de violência doméstica; 85% dos casos reportados de violência doméstica não resultam em acusação; o secretário de Estado da Energia afirmou que o Governo “não tem planos para proibir o diesel” dias depois do Ministro do Ambiente se ter pronunciado pelo fim dos carros a gasóleo; Portugal apresentou, em 2017, a menor percentagem de crianças até aos 16 anos em bom ou muito bom estado de saúde (90,2%) da União Europeia,

 

O REI DO DESCARAMENTO - É oficial: votem em Costa que ele promete dar aumentos a toda a função pública em 2020 se continuar Governo após as legislativas  deste ano.

 

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O AMOR EM 366 POEMAS - Vasco Graça Moura era, além de tudo o resto, um coleccionador de poemas. E um grande tradutor. E ele próprio um poeta. Em 2003 atirou-se à tarefa de organizar uma antologia de poemas e escolheu 366 sobre o tema do amor  - o número foi estabelecido tendo em conta os anos bissextos. Na introdução Vasco Graça Moura escreveu que partiu “do princípio de que, sempre ou quase sempre, cada poema de amor seduz por si e vale por si e em si, sem prejuízo das inúmeras relações que, como texto literário, ele possa estabelecer com outros textos, com outras áreas da criação artística e com a nossa própria experiência humana”. Para este colectânea, agora reeditada pela Quetzal, Vasco Graça Moura seleccionou poetas portugueses, poetas brasileiros e uma série de poemas de autores de diversas nacionalidades que ele próprio traduziu para português. “366 Poemas Que Falam de Amor” é o título desta colectânea que em cerca de 560 páginas nos transporta ao universo da escrita sobre a paixão. “Amor não há feito”, destaca Vasco Graça Moura, citando Alexandre O’Neil. “Quem não me deu amor, não me deu nada” - escreveu Ruy Cinatti em “Linha de Rumo”, um dos poemas seleccionados por Vasco Graça Moura. E, já que o dia dos namorados está ao virar da esquina, deliciem-se com a possibilidade de oferecer estes “366 Poemas Que Falam de Amor”.

 

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DAVID LYNCH EM REVISTA - A “Zoetrope-All Story” é uma revista criada por Francis Ford Coppola para promover narrativas que possam aproximar-se da ideia de argumentos para filmes. A revista, que se publica quatro vezes por ano desde 1997, é frequentemente entregue pelos editores na mão de um nome de alguma forma ligado ao cinema. A edição mais recente, marcada como Inverno 18/19, foi colocada nas mãos e na imaginação de David Lynch. A frase que escolheu como nota introdutória diz tudo: “ Não sou já tão rápido como costumava ser, mas não desisto”. A Zoetrope All Story ganhou o National Magazine Award for Fiction em 2018, apresenta-se como uma publicação que só existe em papel e propõe ser o veículo para bons contadores de histórias e designers gráficos inesperados. Lynch cumpre nesta edição os dois papéis. A escolha de fotografias e ilustrações é perturbante, a maioria dos textos aguça o apetite para o que se poderia filmar a partir deles e. depois, há uma secção recorrente, de recuperação de textos antigos que desta vez é dedicada a “The Discipline of DE”, de William S. Burroughs, com nota introdutória de Gus Van Sant. A sério que se lembram de algo mais inesperado que isto? Pode ser encomendada na Amazon.

 

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AS NOVAS AVENTURAS DE JAMES BLAKE - Ao quarto disco James Blake mostra uma nova faceta - menos negra, mais optimista, de certa forma mais próxima. Continua confessional - afinal é esta a imagem de marca das suas canções. “Assume Form” é uma longa carta de amor de Blake a Jameela Jamil, a sua namorada, uma DJ conhecida na rádio britânica, argumentista e até actriz que tem tido uma carreira meteórica. Com este “Assume Form” Blake desvenda as suas relações, as suas emoções, a forma como vê o sexo, até  se aventura por uma perspectiva um pouco cínica da ideia de romance. A faixa final , “Lullaby For My Insomniac” é talvez a que melhor retrata este novo Blake, quando canta “I’ll stay up too/I’d rather see everything/As a blur tomorrow/If you do.” Já na faixa inicial ele tinha-se afirmado “I will be touchable/I will be reachable”. Do ponto de vista musical o disco mostra um compositor cada vez mais depurado, em muitos momentos a ficar perto do gospel, criando ambientes sonoros envolventes. Blake, que para além dos seus discos é um produtor musical de créditos firmados. assegurou colaborações de nomes como Travis Scott e de Metro Boonin, um dos mais reconhecidos nomes do hip hop. Outra curiosidade é a participação de Rosalia, a espanhola que está a trazer o flamenco para a primeira linha da pop, e a quem Blake presta o seu reconhecimento e manifesta o seu claro apoio. Resumo: “Assume Form” é talvez o melhor disco de Blake e um salto em relação à sua produção anterior. CD Universal, disponível no Spotify.

 

UMA BELA PROVA NO RESTELO - Esta semana, em duas ocasiões, fui tapear à noite - quer dizer, petiscar. Nada de jantar a sério, dois dedos de conversa entre amigos enquanto se trinca qualquer coisa. Vou começar pelo que correu mal - péssimo mesmo. No Bar de Tapas do El Corte Inglés nada esteve verdadeiramente bem e o serviço esteve verdadeiramente mal. É local a riscar - tenho saudades do 5Jotas que existia no topo do grande armazém e que era o contrário disto. Agora passemos ao que correu bem. Muito bem mesmo - uma descoberta. Trata-se da Enoteca Prova, no Restelo. Petiscos primorosamente preparados na hora, um serviço atento e simpático, a saber aconselhar, sempre disponível. para além da muito boa qualidade da matéria prima destacou-se a confecção de tudo o que se petiscou - do torricado às favinhas, passando por uma tábua de enchidos e queijos. Tudo acima da média. O local dispõe de uma ampla selecção de vinhos a preços honestíssimos e de uma zona de produtos diversos - bolachas, biscoitos, compotas, queijos, enchidos. Enquanto às tapas do  El Corte não voltarei, aos petiscos da Enoteca Prova regressarei sempre que possível. Fica na Rua Duarte Pacheco Pereira nº9-E, no Restelo, perto do célebre Careca. O telefone é o 215819080 e vale a pena marcar que os lugares não são muitos.

DIXIT - “Quando pela rua contacto os portugueses não peço o cadastro criminal, o cadastro fiscal, nem o cadastro moral” - Marcelo Rebelo de Sousa, em nota da presidência sobre a visita ao Bairro da Jamaica.

 

BACK TO BASICS - “Experiência é o nome que as pessoas dão aos seus erros” - Oscar Wilde.

 





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publicado às 12:45

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MASCARADA - Este ano temos três eleições: as eleições para o Parlamento Europeu, as regionais dos Açores e Madeira e depois as legislativas nacionais. Para falar claro, isto vai andar num virote. Para além das actividades eleitorais clássicas este ano vamos assistir a uma nova forma de campanha: a proliferação de greves, que pretende moldar a forma como evoluirá o Governo e que é a forma de pré-campanha do PCP. Os sindicatos - já ouvi várias pessoas actualmente envolvidas em negociações laborais dizerem - têm instruções para fazerem greve e para multiplicaram e visibilidade das suas formas de luta. O PCP quer mostrar o peso que tem e não vai perder a oportunidade para fazer valer as suas tropas, procurando afirmar o contraste com o Bloco na contagem de espingardas da coligação. Neste conjunto de eleições há muitas coisas em jogo: a medição da sensibilidade e participação dos eleitores face a uma europa cada vez mais polémica e afastada dos cidadãos; a manutenção dos equilíbrios políticos nos Açores e Madeira; e, mais que tudo o resto, a evolução do PSD, a capacidade de resiliência eleitoral do PCP, as potencialidades dos novos partidos, nomeadamente da Aliança e da Iniciativa Liberal - os outdoors desta última são dos melhores que têm aparecido na propaganda política portuguesa. Vamos ver como isto corre num país onde todas as semanas há novos escândalos que envolvem políticos. Serão as eleições capazes de dar uma varridela no sistema? Ou o sistema vai continuar a viver de um jogo de máscaras?

 

SEMANADA - Em Portugal morreram 19 pessoas nos últimos três meses a tentar aquecer a casa; os entertainers da “Quadratura do Círculo” mudaram-se da SIC Notícias para a TVI24, o programa vai passar a chamar-se “A Circulatura do Quadrado” e Marcelo Rebelo de Sousa será o primeiro convidado; Marcelo Rebelo de Sousa anunciou que se irá recandidatar;  Portugal é o segundo país da Europa onde o trabalho precário mais subiu; as detenções por violência no desporto dispararam 34% nas duas últimas temporadas; 13 ex-governantes foram gestores da Caixa Geral de Depósitos entre 2000 e 2015 com Santos Ferreira e Faria de Oliveira a terem liderado o banco no período mais crítico, entre 2007 e 2012; Armando Vara recebeu um bónus de 167 mil euros referente ao período em que foram concedidos parte dos créditos de risco que levaram a perdas da Caixa; entre 2008 e 2017, o Estado gastou 16,7 mil milhões de euros com ajudas à banca e há mais 5,5 mil milhões em risco que podem levar o total para 23,3 mil milhões; a Comissão Parlamentar para a transparência está a trabalhar há três anos sem ter ainda divulgado conclusões; Portugal caíu um lugar no indíce da percepção da Corrupção; setenta por cento dos pagamentos realizados em Portugal são feitos em dinheiro; os portugueses consomem por ano 12,3 litros de álcool per capita; Portugal vai exportar carne de cerca de dez mil porcos por semana para a China, com um volume estimado de 100 milhões de euros por ano; o número de efectivos das Forças Armadas caíu 28% na última década e meia e mais de metade dos soldados deixa a tropa antes do fim do tempo previsto.

 

ARCO DA VELHA - O Tribunal de Arouca estava com o alarme avariado há um ano e foi assaltado, tendo os ladrões levado o dinheiro que estava num cofre.

 

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POLITIQUICES - A falta de honradez política, a corrupção, o compadrio - tudo coisas que abundam neste cantinho, são geralmente boa matéria para falar da verdade sob o manto diáfano da ficção. Até a RTP1 se lançou nesta  senda com uma série estreada há dias - “Teorias da Conspiração”. Se se conseguisse perceber o que os actores dizem a coisa podia ser simpática, mas assim só posso apreciar a beleza plástica da fotografia. A série - vamos ver como corre - estreou no momento em que a Operação Marquês entra em nova fase e em que os indícios de que algo não está bem por aquelas bandas se avolumam. Ao mesmo tempo  a editora Guerra & Paz lançou um muito educativo “A Deslumbrada Vida de João Novilho”, um romance passado no imaginário município de Rio Novo de Mil Nomes, onde o autarca João Novilho é um catálogo de muito a que temos assistido em matéria de pouca-vergonhice na actividade partidária e dos múltiplos expedientes que se utilizam com o objectivo único de assumir e abusar do poder, nem que seja transitoriamente. Cito aqui um excerto do livro, numa exemplar fala de Novilho: “Eu sou da ética, sim senhor. E sabes porquê? Porque sou capaz de defender com fundamentação um ponto de vista e o seu contrário. E ética é isso mesmo: uma retórica, a criação de uma sensação que está bem seja lá o que fôr.” Onde é que eu já vi isto?

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AGENDA PLÁSTICA - A partir deste sábado na Galeria 111 (Campo Grande 133) pode ver uma exposição colectiva que assinala mais um aniversário daquele espaço, que já ultrapassou o meio século de existência. Nesta colectiva estão obras de artistas como Costa Martins, João Vieira, Paula Rego, Vieira da Silva, Júlio Pomar, António Palolo, Ana Vidigal, Lourdes Castro, Manuel Batista, Miguel Teles da Gama ou Menez, entre muitos outros. Na Galeria Filomena Soares (Rua da Manutenção 80) vale a pena ir ver “Sexo, Escondidas E Uma Parede”, de Rodrigo Oliveira (na imagem uma aguarela que faz parte da instalação). Na Módulo (Calçada dos Mestres 34 ) ainda pode ver até sábado a exposição de novos trabalhos de Marco Moreira. No Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva (Praça das Amoreiras 16)  está até 17 de Março “Da História das Imagens”, de Manuel Casimiro. Com curadoria de Isabel Lopes Gomes, a exposição reúne cerca de 100 obras em torno da imagem fotográfica, que o artista tem vindo a desenvolver desde os anos 70.

 

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OUVIR - Há dias encontrei um dos autores do saudoso programa radiofónico “Praça de Espanha”, Carlos Oliveira Santos, a passear entre robôs numa exposição no MAAT. Palavra puxa palavra e falámos de Rosalia - exactamente porque a conversa caíu logo na música espanhola. Rosalia, meus amigos, é um caso sério. Muito sério mesmo. Rosalía Vila Tobella , assim se chama a voz, tem 25 anos, nasceu na Catalunha e tem por missão explicar ao mundo os encantos do flamenco numa visão contemporânea. Aqui há uns tempos li uma teoria que explicava que no início deste século uma série de novos produtores de música pegaram nas tradições folk de vários países, aplicaram as novas técnicas de produção e mistura e criaram um género baseado no tradicional, mas com sonoridades que evocam pontualmente as pistas de dança, com um acentuar do baixo e percussões eléctricas. Rosalia pode incluir-se nesta área, doseando com cuidado a acústica do flamenco com a electrónica. “El Mal Querer”, o seu segundo disco, é exemplo disso mesmo - combina o flamenco com sonoridades dos rhythm and blues tudo sobre narrativas contemporâneas - onze canções sobre o amor e os desamores, cada uma escrita como se fosse um capítulo diferente do romance com títulos como “Malamente”, “De Aquí No Sales”, “Reniego”, “Maldicion” e, a finalizar, um poderoso “A Ningún Hombre”. Não por acaso certamente Rosalia é uma das vozes convidadas por James Blake no seu novo álbum. “El Mal Querer” está disponível no Spotify.

 

PROVAR - Durante bastante tempo ouvir falar em brócolos provocava-me arrepios. Nem sei mesmo se alguma vez cheguei a prová-los ou se me limitava a dizer que não queria, como os meninos pequenos. Seja como fôr, aqui há uns anos, sem eu perceber bem como, os brócolos entraram na lista de ingredientes vulgares na minha vida. Fui fazendo testes e não precisei de testar muito para perceber que brócolos frescos do mercado são melhores que brócolos ensonsos do supermercado. Depois percebi que a flor do brócolo e delicada e não deve ser cozida demais sob pena de perder toda a graça. Aprendi a preferi-los al dente, para manterem sabor e consistência. Uns tempos depois  passei a usar só a parte florida, tirando os caules - e aí descobri um mundo novo - cozer levemente a parte da cabeça do brócolo, separar as suas flores e misturar com arroz carolino ou, o melhor de tudo, com uma boa massa. A descoberta deste cocktail nasceu quando provei um dos petiscos do Chef Marcello Di Salvatore, do Bella Ciao (Rua de S. Julião 74). Trata-se de um prato de orecchiette com as flores de  bróculos bem separadas, envolvidas num molho de anchovas e queijo grana padrano. Se os brócolos já se tinham tornado comestíveis, nesse dia tornaram-se apetecíveis. E assim passei a gostar de brócolos.

 

DIXIT - “É indelével a sensação de que algo na Justiça não está a correr bem e de que se preparam grandes acções. Ou reviravoltas. Não se esconde a ideia de que a Justiça pode ser fonte de surpresas a breve prazo. É uma questão inescapável: estará em curso um movimento de revisão dos grandes processos pendentes?”  - António Barreto

 

BACK TO BASICS - “Começar é a parte mais importante de qualquer trabalho”  - Platão

 

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publicado às 12:45


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