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OS TEMPOS ESTÃO A MUDAR - Há 50 anos um grupo de estudantes da Universidade de Coimbra interrompeu uma sessão oficial com a presença do então chefe do Estado, Américo Tomaz, ergueu cartazes de protesto e criou um dos momentos mais simbólicos da resistência à ditadura por parte das Associações de Estudantes. Exactamente 50 anos depois um grupo de jovens activistas ambientais interrompeu  uma sessão oficial do PS, quando António Costa falava, para protestar contra a construção do aeroporto do Montijo e mostrar cartazes onde denunciavam o que entendem ser os perigos que esse aeroporto acarreta. Há uma fina ironia nisto - a cerimónia onde António Costa discursava assinalava o 46º aniversário do PS e homenageava Alberto Martins, hoje deputado socialista, e que foi o estudante que em Coimbra em 1969 pretendeu interromper Américo Tomaz. As situações são obviamente diversas mas é impossível não reflectir sobre a forma como os protestos evoluem: Os jovens de há 50 anos lutavam pela liberdade e contra a guerra colonial, os de hoje estão mais preocupados em salvar o planeta e defender o ambiente. Nos dois casos desafiam o poder e as convenções estabelecidas. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades e o 25 de Abril aconteceu há 45 anos. Quem tem a idade que os estudantes de Coimbra tinham em 1969 não havia sequer nascido em 1974. Cresceram noutro mundo, felizmente com outros direitos, outros meios e com outras ambições. Viver do passado, em política, é terrível e foi isso que se passou com António Costa e o PS esta semana. Foram confrontados com uma nova realidade, a de quatro jovens activistas ambientalistas que irromperam pelo palco, pretendendo falar ao microfone onde o Secretário Geral do PS discursava e  empunhando um cartaz onde se lia “mais aviões só a brincar”. Nas fotografias publicadas na imprensa é visível o nervosismo na cara de António Costa enquanto a sua segurança empurrava os jovens para fora do palco. Costa não esperava passar pelo que Américo Tomaz passou há 50 anos. The Times They Are A Changin’, não é?

 

SEMANADA - Em Portugal são sinalizadas todos os anos 6500 crianças em risco, a maior parte por negligência e maus tratos psicológicos; no final do ano passado existiam 48 mil processos pendentes nos tribunais fiscais; o Ministério Público identificou quatro dezenas de plágios na tese de doutoramento do Presidente da Câmara de Torres Vedras; o Bispo do Porto anunciou que não quer na sua dicocese a criação de uma Comissão sobre abusos sexuais no seio da Igreja; o orçamento global das campanhas eleitorais dos partidos políticos para as eleições europeias de Maio é de quase cinco milhões de euros, mais meio milhão que nas eleições anteriores; desde o início do ano o país exportou em média cerca de mil automóveis por dia e por comparação com o mesmo período em 2018 a produção de veículos aumentou 30,6% e só a Autoeuropa, alcançou as 71.452 unidades; em Portugal há cerca de seis mil filiais de empresas estrangeiras o que representa 0,73% do universo empresarial, percentagem que era a sexta mais baixa entre todos os 28 países da União Europeia e abaixo da média da UE, que atingia 1,2%; o preço das casas subiu 17% em Portugal no ano passado e o valor médio por metro quadrado chegou aos 1849 euros, uma valorização que se regista há cinco anos consecutivos e o preço mais elevado regista-se na região de Lisboa com 2.637 euros por metro quadrado; o Governo está a preparar alteração de regras para subir o IMI; 60% dos docentes de insituições privadas de ensino superior recebem a recibos verdes; em 2018 realizaram-se mais mil casamentos que em 2017, num total de 34.637.

 

ARCO DA PREPOTÊNCIA -  Há seis meses entrou em vigor uma medida que obriga a Autoridade Tributária a reanalisar, até finais deste ano, todos os processos que correm nos tribunais fiscais e que aguardam por decisão final - mas as Finanças não dão informações sobre a aplicação desta medida.

 

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LEITURA AOS QUADRADINHOS - Apresentado como uma novela gráfica (ou seja uma história aos quadradinhos), “Sabrina”, de Nick Drnaso, editado originalmente em Maio de 2018, conseguiu a proeza de ser finalista do Booker Prize - uma novidade para um livro de banda desenhada. Drnaso, um autor norte-americano, estreou-se em 2016 com “Beverly”. É ele que escreve e desenha as suas histórias e esta, já editada em Portugal, desenrola-se ao longo de 200 páginas, de uma forma quase cinematográfica. Muitas páginas fazem lembrar os storyboards que muitos realizadores usam para prepararem as filmagens. Drnaso nasceu em 1989 e “Sabrina” é um retrato dos tempos presentes. Trata-se da história do assassinato de uma mulher, Sabrina, das teorias de conspiração que começam a surgir em torno do crime e da forma como as falsas narrativas (no fundo fake news), impactam a vida de familiares e amigos da vítima. Na história cruzam-se videos espalhados na internet, informações distorcidas e até rumores de que afinal podia não ter acontecido nada e seria tudo uma invenção. Drnaso levou cerca de três anos desde que iniciou Sabrina até o completar e nalguns momentos é impossível não recordar “The Blair Witch Project”, o filme em forma de pseudo-documentário lançado em 1999 e que explorava medos e rumores em torno de crimes não esclarecidos. Mas “Sabrina” tem vida própria e é de facto um livro de tipo novo, uma história de banda desenhada fora da lógica dos heróis da Marvel e que reflecte sobre as tensões e angústia que convivem, neste tempo, com a tecnologia.

 

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O MUNDO EM MARVILA - Até 18 de Maio a Galeria Underdogs (Rua Fernando Palha, Armazém 56, em Marvila) apresenta a exposição colectiva “From The World”, Made In Lisboa. Estão patentes obras, em diferentes suportes e formatos, de artistas internacionais que expuseram na galeria Underdogs desde a sua abertura, em 2013. André Saraiva, Anthony Lister, Clemens Behr, Cyrcle, Ernest Zacharevic, Felipe Pantone, Finok, Okuda San Miguel, Olivier Kosta-Théfaine, PichiAvo, Shepard Fairey e WK Interact são os artistas que criaram obras expressamente para esta exposição.

 

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UM DIÁLOGO DE CORDAS - Um dos mais interessantes diálogos entre instrumentos que se pode  ouvir é entre uma guitarra eléctrica e um contrabaixo. É isso exactamente que Bill Frisell e Thomas Morgan nos mostram em  Epistrophy, um disco gravado ao vivo no Village Vanguard de Nova Iorque em 2016 e agora editado pela ECM (já disponível no Spotify) . São nove temas que mostram a cumplicidade entre os dois músicos, que já tinham tentado o mesmo diálogo em “Small Town”, editado em 2017. Na selecção de canções Frisell foi buscar temas da época do seu trabalho com o Trio de Paul Motian, mas também um tema de um filme de James Bond, composto por John Barry, “You Only Live Twice” ou um excerto de “Save The Last Dance For Me”, um original dos Drifters de 1960 que teve dezenas de interpretações. O nome do disco, “Epistrophy” vem de um tema de Thelonius Monk, aqui reinterpretado. A faixa de abertura é também um tema bem conhecido, “All In Fun”, de Jerome Kern, assim como o tema final é o clássico “In The Wee Small Hours of The Morning”, popularizado por Frank Sinatra em meados dos anos 50. O virtuosismo de Frisell e o seu entendimento com Thomas Morgan são um permanente desafio para que possamos descobrir pormenores escondidos mesmo nas canções mais conhecidas, aqui despidas de voz e reduzidas ao diálogo entre as cordas da guitarra e do baixo.

 

COMER COM OS OLHOS - Que se pode comer com os olhos é coisa sabida; que se pode ficar com água na boca a ver televisão é dado adquirido com a profusão de programas sobre comida; que uma série policial de televisão pode conjugar isto tudo é que é brilhante. Verdade seja dita que os livros que inspiraram a série já eram um desafio à imaginação gustativa - estou a  falar da série de romances de Andrea Camilleri protagonizados pelo inspector Montalbano e interpretados por Luca Zingaretti. A RTP2 tem vindo a emitir ao sábado e domingo, ao fim da tarde, a longa série de filmes que a RAI produziu com base nessas investigações e aventuras. Uma das coisas fascinantes é a forma como Montalbano se delicia com os petiscos que a sua empregada, Adelina, lhe deixa preparados. Um dos que mais me faz salivar - e que mais o delicia a ele - é pasta ‘ncasciata, um prato simples, preparado primeiro ao lume e depois no forno e que inclui, azeite, cebola, pancetta aos cubos, tomate pelado, um pouco de puré de tomate, e um copo de vinho tinto, tudo cozinhado gradualmente. Ao fim de uns 10 -15 minutos passa-se tudo para um tabuleiro de ir ao forno. À parte coze-se massa (penne), bem al dente , escorre-se, e junta-se ao cozinhado que já está no tabuleiro. Depois mistura-se uma beringela crua salgada e escorrida cortada aos cubos, queijo caciocavallo também aos cubos, sal e pimenta a gosto e, por fim, queijo parmigianno regianno ralado por cima. Vai ao forno 15 minutos a gratinar e deixa-se arrefecer um pouco antes de servir. Experimentem.

 

DIXIT - “A esquerda adora greves para usar politicamente contra a direita no poder, mas detesta-as quando ela própria está no poder” -  Luciano Amaral

 

BACK TO BASICS - “Só existem dois dias no ano em que não se pode fazer nada pela vida: ontem e amanhã” - Dalai Lama

 




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publicado às 13:00

O QUE SE PASSOU NESTES QUATRO ANOS?

por falcao, em 18.04.19

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MEMÓRIAS DE UM CIDADÃO - De que me lembro nesta legislatura? Do roubo ainda não esclarecido das armas em Tancos; do regabofe das falsas presenças no plenário da Assembleia da República; da abundância de nomeações familiares cruzadas no círculo do poder; do triste quadro de amnésia que assola quem vai depôr a comissões parlamentares, mesmo de altos responsáveis públicos, como um ex-Governador do Banco de Portugal; de convenientes alianças parlamentares para privilegiar uma classe profissional, a dos advogados; e de mais algumas coisas que estão espalhadas pelo país político - corruptelas locais, atrasos sistemáticos, cativações fantásticas que afectam serviços públicos, falta de reforma na justiça, atraso cada vez maior nos tribunais e um fisco que não olha a meios e quer devassar a seu bel prazer a vida dos cidadãos, um Estado que obriga as pessoas e empresas a cuidados na utilização de dados privados mas que se isenta a ele próprio dessa obrigação. A legislatura é isto; o desgoverno é este. O país está desregulado, o Estado é um complicómetro.

 

SEMANADA - Os monumentos, museus e palácios sob tutela da Direção-Geral do Património Cultural registaram uma queda de 7,8% no número de visitantes, ou seja, perderam quase 400 mil pessoas em 2018; em 2018 foram detidos 113 homens e quatro mulheres por abuso sexual de crianças; há 12 concelhos sem balcões dos correios e da CGD; uma em cada cinco cirurgias no Serviço Nacional de Saúde é feita fora do prazo obrigatório; metade das empresas do PSI 20 tem ex-governantes na administração; em 2018 regularizaram-se cinco vezes mais trabalhadores imigrantes em Portugal, a maioria brasileiros; em cinco anos a Polícia Judiciária Militar abriu 36 inquéritos a furto de armas e munições que resultaram em apenas cinco acusações; em 2018 as viagens dos portugueses aumentaram 10%; a facturação do sector hoteleiro cresceu 4,4% em Fevereiro, em relação ao mesmo período do ano passado; mais de um quinto do desemprego afecta pessoas com curso superior; a taxa de crescimento da economia portuguesa acumulada ao longo desta legislatura deverá ficar cerca de 17% abaixo da previsão de um grupo de economistas que prepararam as promessas eleitorais do PS em 2015, entre os quais Mário Centeno; a despesa com investimento público também foi sempre inferior à meta traçada pelo PS na campanha eleitoral.

 

ARCO DA VELHA - Numa aldeia ribatejana com cerca de mil habitantes cerca de duas centenas receberam em dois dias 200 multas da PSP por excesso de velocidade numa zona onde o limite é de 50 kms/hora.

 

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MARIA MADALENA PENITENTE - Até dia 28 ainda poderá ver no Museu Nacional de Arte Antiga este Ticiano, uma das várias versões que ele pintou de Madalena Penitente. Este que está exposto, é uma tela do Hermitage de São Petersburgo, considerada de todas a melhor – pela expressão trágica da santa e do ambiente que a envolve. Quinta-feira dia 18 é Dia Internacional dos Monumentos e Sítios e a entrada no MNAA é gratuita. Domingo de Páscoa o Museu está fechado mas ainda terá toda a próxima semana, de terça a Domingo, entre as 10 e as 18,  até esta obra ser devolvida ao Hermitage.

 

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UMA QUESTÃO DE GRAMÁTICA - Não sou isento de pecados mas pontapés na gramática irritam-me bastante. Às vezes olho para legendas de filmes ou informações escritas na parte inferior dos ecrãs de televisão durante os noticiários que me causam arrepios - e não são de prazer. É um pouco paradoxal que numa época onde tantas vezes as conversas são escritas - por mensagens, emails, WhatsApp - se escreva cada vez pior. O desaparecimento, na generalidade dos jornais, de revisores e copy-desks, veio piorar as coisas e creio que o ensino de português também tem culpas no cartório. O problema não vem só do ensino básico e secundário - nos últimos anos em que estive em redacções de jornais onde recebia estagiários de cursos de comunicação constatei que o seu domínio do português era muitas vezes fraco e interroguei-me como se pode ensinar alguém a comunicar sem explicar que o domínio da língua é essencial para essa actividade? Vem tudo isto a propósito de um livro agora editado pela Guerra & Paz na colecção Livros Correio da Manhã: “Gramática para Todos - o português na ponta da língua”. O seu autor é Marco Neves, professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova. Tem obra publicada nesta área: “ Doze Segredos da Língua Portuguesa”, “ A Incrível História Secreta da Língua Portuguesa” ou “Dicionário de Erros Falsos e Mitos do Português”, para só falar de algumas. Neste novo livro escreve-se sobre as regras do português, com capítulos de nomes sugestivos como “peças para construir palavras”, “os parafusos da gramática”,  um desafiante “como criar palavras novas” ou “como escrever frases inesquecíveis”. Há conselhos sobre como criar um texto, um repertório de dúvidas e armadilhas, uma viagem pela pontuação e os sinais e acentos. para só citar alguns casos. Este livro devia estar em cima de todas as mesas de trabalho. Poupar-se-iam muitas asneiras.

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FADOS & FADO - Hoje recomendo uma heresia - um disco de Fado onde surge uma guitarra eléctrica. O disco chama-se “Um Fado Ao Contrário” e o seu autor é Pedro Moutinho, trata-se do seu sexto álbum de originais e o título vem da primeira faixa. O tema “Um Fado Ao Contrário” foi composto por Amália Muge para uma letra de Maria do Rosário Pedreira,  que é provavelmente quem melhor escreve para Fado hoje em dia. Amélia Muge também assina a letra  de dois temas – “Não Sei se a Tristeza É Triste” (um fado com música de Filipe Raposo) e “Ruas do Tempo” (com base no tradicional Fado José Marques do Amaral) - e assina a música e letra da balada “Uma Pena que Me Coube” e de um fado que evoca milongas e mornas, “Aquele Bar”. Manuela de Freitas fez parceria com o compositor (e guitarrista) Pedro de Castro, no alegre “Graça da Graça” e foi também a autora da letra de “Chego Tarde, Canto o Fado”, sobre uma rapsódia de fados da lendária dupla de irmãos Ramos – o guitarrista Casimiro e o viola Miguel, conhecidos como “Os Pinoia”. Há clássicos como, “Foi Um Bem Conhecer-te” e “Maldição”. E há uma versão da  “Tragédia da Rua das Gáveas” um original de Vitorino Salomé do álbum “Leitaria Garrett”. “Força do Mar” , o terceiro tema do álbum, é um original de Márcia, uma balada envolvente, arranjada para piano e guitarra eléctrica. A produção foi de Filipe Raposo, que tocou piano e os outros músicos são Quiné Teles (percussão), André Santos (guitarra eléctrica), Pedro Soares (viola), Daniel Pinto (baixo acústico) e Ângelo Freire (guitarra portuguesa).

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RELATO DE UM PRAZER - Aqui há uns anos tive uma má experiência na Mercantina, que então tinha aberto há pouco tempo em Alvalade - quer no atendimento, quer na qualidade das pizzas que eram postas nos píncaros pela respectiva propaganda. Anos mais tarde um querido amigo combinou lá um almoço e outro um jantar - o serviço estava melhor mas a pizza continuou sem me entusiasmar. Nunca mais lá pus os pés. Há pouco tempo dei pela abertura, perto do Saldanha, do Bistro 37, dos mesmos proprietários e sob a insígnia Mercantina. Com uma localização privilegiada, na esquina da Miguel Bombarda com a Avenida da República, o local dá nas vistas. Ao almoço, das duas vezes que lá fui, fiquei com a sensação de que  tinha chegado uma espécie de ladies night em plena luz do dia de senhoras já amadurecidas, que relatavam preocupações conjugais e evitavam excessos para não perderem o efeito dos ginásios de onde tinham saído pouco antes. Constatei que preferiam saladas a pastas ou qualquer vestígio de hidrato de carbono. A excepção era uma rapariga alourada e farta,  vestida executivamente, mas a arregaçar a manga para mostrar uma tatuagem nova à amiga. A meio da conversa tatuada veio a única pizza que vi servida a uma mulher e que dela motivou um comentário esclarecedor: “ai que grande”. Mas adiante, voltemos ao restaurante, confortável aliás, sobretudo na zona mais interior (embora tenha por resolver o problema habitual da reverbação do som - não percebo porque é que os arquitectos não têm mais cuidado com isto). O serviço foi bom e desta vez fugi às pizzas e dediquei-me, com êxito,  a outras experiências. Confesso que tinha ido à procura de arancini - este era de salsicha italiana em vinho tinto, envolvido no risotto panado, com compota de tomate a acompanhar. Excedeu as minhas expectativas. Noutra ocasião comprovei que o carpaccio de carne era honesto, acompanhado de rúcula, lascas de parmesão e - raridade local - alcaparras fritas e pesto. Passei nas saladas (há três e uma de espadarte marinado em citrinos chamou-me a atenção, mas a avaliar pelas mesas à volta a salada caesar era a que tinha mais saída na clientela feminina). E passei também nos risottos, embora um com amêijoas, camarões e calamares me despertasse a atenção. Das pastas só tenho a dar elogios - quer de uns bons ravioli de massa bicolor de camarão e trufa com crumble de avelã - a massa fresca saborosa e cozinhada no ponto, os aromas da trufa bem presentes e o camarão também em boa forma, a avelã curiosa. Noutro dia provei o spaghetti alla carbonara, feito como deve ser, sem natas, com gema de ovo, bacon abundante e crocante. Na mesa havia uma boa focaccia, com manteigas temperadas. O vinho a copo era uma boa escolha - Venâncio da Costa Lima, um pequeno produtor de Azeitão que sabe o que faz. Se tivesse comido um doce optaria pelo crumble de maçã e canela com gelado de baunilha e se tivesse uma certa companhia de certeza que vinha para a mesa o abacaxi marinado com limoncello e especiarias. Fiz as pazes com a Mercantina. Avenida da República 37, telefone 919 134 014.

 

DIXIT - «Marido, mulher ou filha de ministro não têm os mesmos direitos (....) É errada a ideia de que “lá por ser filho ou mulher de ministro não pode ser prejudicado”. Se “prejudicado” quer dizer não nomeado ou não ter subsídio, pode. E deve.» - António Barreto

 

BACK TO BASICS - Tacto é a habilidade de descrever os outros da forma como eles próprios se vêem - Abraham Lincoln.

 







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E COMO VOTAR? - Quando olho para o mês de Maio e penso nas eleições europeias assalta-me uma dose de enjoo. É uma indisposição forte. Custa-me perceber a utilidade do Parlamento Europeu no contexto de uma União Europeia que é o retrato da desunião política, económica e social. Olho para o que se passou desde a anterior eleição e sinceramente não me lembro de uma grande causa que tenha sido assunto de decisão séria, eficaz e consequente nessa Assembleia. Se houvesse alguém que propusesse uma reforma profunda do processo de decisão e do exercício do poder entre a Comissão Europeia, o Conselho Europeu e o Parlamento Europeu ainda poderia pensar em participar. Assim como está, não me apetece votar. Não vejo na cúpula da UE nada que me tranquilize, olho para o que têm feito e só vejo indefinições e hesitações. Não gosto de nenhum dos cabeças de lista apresentados pelos partidos portugueses, não vejo histórico na acção de nenhum deles com benefícios para Portugal e os portugueses. Acredito pouco na União Europeia, no alcance e eficácia de políticas comuns e, além dos subsídios que distribui à periferia para compensar as benesses institucionais dos grandes países do centro, não vejo nenhuma estratégia que tenha o mínimo de consistência. E, a nível interno,  não me apetece entrar no jogo do referendar ou não referendar o que quer que seja de política doméstica neste sufrágio. Não vou votar a pensar no passe social nem nas cativações. Para isso fico a ler algum livro de História, onde certamente aprenderei mais e darei por melhor empregue o meu tempo.

 

SEMANADA - A Associação Nacional de Contabilistas acusou o Estado de querer tomar posse das bases de dados de contabilidade de empresas e particulares devido a um decreto-lei publicado à margem do Parlamento; o  FMI prevê desaceleração de 1,7% do crescimento da economia portuguesa e indica que 14 economias do euro crescerão acima de Portugal, destacando-se a Eslováquia, Irlanda e Malta, com ritmos entre 3,7% e 5%, respetivamente; segundo o Instituto Nacional de Estatística a actual legislatura da geringonça foi a que teve pior nível de investimento público em  duas décadas; segundo o Sales Index, da Marktest, metade do poder de compra do Continente está em 6% da sua área e em apenas cinco concelhos estão concentrados 21.65% do total do poder de compra do Continente, sendo que Lisboa é responsável por 9.6% do poder de compra total; em Fevereiro as exportações aumentaram 4,6% e as importações 12,8% face a igual período do ano passado; no final de 2017, o governo anunciou a criação de 278 camas nos hospitais de Lisboa e Vale do Tejo até ao final de 2018, mas afinal de contas o saldo foi negativo - perdeu 96 camas; segundo a Inspecção Geral da Saúde há hospitais públicos que falham regras de segurança no internamento de crianças e adultos; os Portugueses deitam 200 mil toneladas de roupa para o lixo todos os anos o que representa cerca de 4% do total de resíduos produzidos em Portugal; em Lisboa há quatro mil pessoas quem vivem em casas sem instalação de banho ou duche;  o ministro das Finanças afirmou ao Financial Times que não houve grandes mudanças face às políticas do anterior Governo em termos de austeridade; 25,6% dos deputados acumulam a função parlamentar com cargos no sector privado.

 

JUSTIÇA VIMARENENSE - O Tribunal da Relação de Guimarães baixou de quatro para três anos de prisão efetiva a pena de um ex-GNR que agrediu a mulher à bofetada e ao pontapé durante 12 anos de vida conjugal e um agente da PSP de Guimarães que mandou despir e apalpou uma menor numa revista ilegal foi condenado a pena suspensa e continua no activo.

 

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UM GUIA PARA TOMAR DECISÕES - Em Portugal correr risco nos negócios é quase considerado um defeito, assim como é pecado falhar. Mas o pior de tudo, graças à atávica inveja nacional, é ter sucesso. A coisa estende-se a praticamente todas as áreas de actividade - desde a indústria aos serviços, passando pela política ou o pensamento, não esquecendo a criatividade e a cultura. Quem tem sucesso é muitas vezes penalizado por isso. Bruno Bobone é um empresário que tem ideias, arrisca e tem sucesso nos negócios. Decidiu colocar em livro a sua experiência, enriquecendo-a com reflexões sobre o que vê à sua volta e assim nasceu “do medo ao sucesso”, agora editado. O primeiro capítulo do livro chama-se “Portugal Está Viciado no Medo” e dá o mote ao que se segue, num cruzamento constante de relatos de experiências e reflexões pessoais com evocações da História de Portugal e do Mundo. O medo, diz Bruno Bobone, é um mecanismo de sobrevivência que pode ter duas respostas: ”a fuga apresenta-se como a melhor solução nalguns casos, enquanto o confronto será  a resposta mais apropriada noutros”. Do medo passa-se ao risco, apresentado como uma virtude: “O risco, o fazer coisas novas, o entrar em terrenos proibidos, cria valor. Uma comunidade que não aprecie o risco assumido por quem empreende uma aventura não irá longe” - escreve, para depois sublinhar: “Portugal sempre me impressionou, da pior forma, pelo nível de flagelação que impõe a quem falha (...) uma sociedade extraordinariamente crítica do empreendedor que, tendo arriscado, não tem sucesso, brinca com o fogo”. Ao longo da obra Bruno Bobone reflecte e dá indicadores sobre capital de risco, produtividade, formas de gestão, cálculo de remunerações e forma de encarar os recursos humanos de uma empresa. E, por fim, fala de uma das suas grandes paixões, a economia dos mares - “o mar é o recurso que maior potencial tem para a criação de riqueza”.

 

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OLHARES MÚLTIPLOS- A partir deste fim de semana, em Évora, na Fundação Eugénio de Almeida, está patente uma exposição que reúne obras de mais de 180 artistas plásticos de diversas áreas e épocas. Trata-se de Studiolo XXI, com curadoria de Fátima Lambert e que ficará patente até 29 de Setembro. Durante estes cinco meses podem ser vistas obras de nomes como, entre muitos outros, Ana Vidigal, Palolo, João Louro, Carlos Correia, Fernando Calhau, Graça Pereira Coutinho, Helena Almeida, Pedro Calapez, Jorge Martins, José Pedro Croft, Lourdes Castro, Pedro Proença, Ana Pérez Quiroga, Adriana Molder, Beatriz Horta Correia, Bettina Vaz Guimarães e Cristina Ataíde (que apresenta uma intervenção sobre a paisagem e vários desenhos, entre eles este que aqui se reproduz, “Eclipse 1#22”, uma aguarela sobre papel). Outras sugestões: nos Açores, na Galeria Fonseca Macedo, José Loureiro expõe “Máquina Nova de Alcatroar” e no Museu Nacional de Arte Antiga, até 28 de Abril, a obra convidada é “Maria Madalena Penitente”, um Ticiano que foi cedido temporariamente pelo Hermitage de São Petersburgo. Na Galeria Ratton pode ver uma série de painéis de azulejo desenhados por Lourdes Castro entre 1992 e 1998 (Rua da Academia das Ciências 2C). Destaque ainda para a nova exposição de Isabel Sabino, “Ela”, na Sociedade Nacional de Belas Artes.

 

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MÚSICA SEM DATA - Digo desde já que o disco que hoje recomendo é fortemente penalizado pela faixa de abertura. Ela é tão surpreendente e perfeita que dificilmente pode ser comparada com as outras sete do álbum. Ainda por cima é a que dá o título ao álbum e é a única que não é composta pelo intérprete, o pianista italiano de jazz Giovanni Guidi que juntou o quinteto responsável por este disco. Pior ainda: na referida faixa de abertura em vez do quinteto o que aparece é um trio com Guidi no piano, Thomas Morgan no baixo e João Lobo na bateria (um português que estudou na escola do Hot Clube e que está a fazer uma carreira internacional). Trata-se da interpretação de uma das mais célebres canções de Léo Ferré - “Avec Le Temps”, aqui surpreendentemente executada. O tema seguinte, “15th of August” apresenta já o quinteto completo, com a entrada em cena de Francesco Bearzatti no saxofone tenor e e Roberto Cecchetto na guitarra. Talvez o melhor exemplo do trabalho conjunto do quinteto sejam os temas “No Taxi” e “Postludium and a Kiss”, este último com um exemplar trabalho do saxofonista.”Caino” evidencia a versatilidade do baixo de Morgan e do piano de Guidi, enquanto a guitarra de Cecchetto brilha em “Ti Stimo”. A faixa final, “Tomasz” (onde é bem patente a técnica de João Lobo) é uma homenagem à memória de Tomasz Stanko, um dos nomes de referência da editora ECM, que agora lançou este “Avec Le Temps” do quinteto de Giovanni Guidi.

 

DEIXAR AMADURECER - Queijo que é queijo tem de ser bem curado. Comer um queijo que se baba é comer um creme, não é bem a mesma coisa do que prová-lo bem maduro, com os sabores cheios e equilibrados. Abrir um buraco num queijo da Serra da Estrela e tirar uma colher da pasta é um infanticídio queijeiro. É estragar algo antes de estar pronto a comer - por isso é que há por aí muita falsificação que abusa desta mania da pasta mole para colocar mistelas no mercado que não têm nada a ver com o genuíno queijo da serra. O problema é que como a procura do queijo mal curado de pasta mole é grande torna-se difícil conseguir comprar serra maduro, daquele de cortar à faca sem se babar - que é o melhor deles todos. A epidemia da pasta mole também já invadiu os territórios do queijo de Serpa, mas aí tem havido felizmente resistência e bom senso dos queijeiros. Deixar amadurecer um queijo de ovelha dá trabalho, é preciso tratar dele ao longo de meses, deixá-lo respirar, ir virando, mantendo-o vivo e deixando-o atingir o seu esplendor. E nós temos bons queijos curados - desde logo nos Açores, mas também em Nisa, ou em Castelo Branco ou o queijo amarelo da Beira Baixa. Mas para mim o melhor continua a ser o Serpa, bem curado, tão duro que só se parte às lascas.

 

DIXIT - “Uma coisa é certa - o populismo passou das margens para o centro do sistema político” - Nuno Severiano Teixeira

 

BACK TO BASICS - “A Democracia é um mecanismo que possibilita que não sejamos governados melhor do que merecemos” - George Bernard Shaw

 





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Deve existir um problema no edifício da Assembleia da República: diversas mentes brilhantes, ou pelo menos tidas como tal, quando lá se deslocam para uma Comissão Parlamentar de Inquérito, têm ataques súbitos de falta de memória. O que se passou nos últimos dias com o depoimento de responsáveis do Banco de Portugal, nomeadamente de Vitor Constâncio, é um triste exemplo desta aflitiva mas muito conveniente amnésia. Em contraste, um antigo  revisor oficial de contas da CGD recordou-se de muita coisa, disse que oportunamente detectou problemas e alertou para eles e afirmou que governos e o Banco de Portugal nada fizeram na sequência da denúncia desses problemas - o que aliás coincide com as versões do “não me lembro de nada disso”. Também Eduardo Paz Ferreira, ex presidente do Conselho Fiscal e da Comissão de Auditoria da CGD, disse que fez avisos nos sucessivos relatórios que enviou ao Governo e ao Banco de Portugal. Aquilo a que assistimos nas Comissões Parlamentares é uma sucessão de instantâneos de um país desregulado, onde as instituições que são supostas vigiar situações concretas assobiam para o ar ao mínimo sinal de problema, optando por deixar correr em nome das conveniências políticas. Estas audições parlamentares são, também, uma imagem do que tem sido a degradação do sistema político, que premeia a irresponsabilidade e protege a submissão aos poderes. Nada disto espanta quando olhamos à nossa volta e vemos deputados do PS e PSD a negociarem um arranjinho que lhes permite estar com um pé no Parlamento e outro em escritórios de advogados, muitos deles frequentes fornecedores de serviços ao Estado ou seus oponentes nos tribunais. Em S.Bento a imagem que se reflecte nos espelhos é a da decadência política. Um triste espectáculo.

 

SEMANADA - Há 692 mil pedidos de indicação de médico de família por resolver;  quase 2,2 milhões de doentes que foram às urgências nos hospitais públicos no ano passado foram considerados pouco ou nada urgentes, o que significa 40% do total das urgências registadas; o combate às infecções hospitalares podia evitar mais de 800 mortes por ano; mais de um terço do país está em seca severa; Portugal é o segundo país da União Europeia onde a população mais come fruta diariamente, ocupando também o quarto lugar no que toca ao consumo diário de legumes, acima da média comunitária; em Portugal vivem 4268 pessoas com cem anos ou mais; diversos autarcas da região de Castelo Branco, ligados ao PS, inventaram uma ONG que não tem qualquer actividade, e obtiveram subsídios de 350 mil euros; o fisco pediu ao hacker Rui Pinto dados sobre o agente desportivo Jorge Mendes; a Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas denunciou existirem turmas sem professores desde o primeiro período; um relatório do Conselho da Europa afirma que em Portugal são aplicadas penas mais longas que noutros países e que nas prisões portuguesas ocorrem mais mortes; a linha SOS Criança recebe mais de mil chamadas por ano; em Lisboa, no ano passado, foram comprados 1592 imóveis por compradores estrangeiros de 80 países; a ASAE tem um inspector para cada 10.324 alojamentos locais.

 

ARCO DA VELHA - Joaquim de Sousa, um professor da Madeira, que transformou uma das piores escolas do país, em Curral das Freiras, numa das melhores, foi alvo de um processo disciplinar, a seguir foi despromovido e ficou sem salário durante seis meses num processo kafkiano com contornos políticos.

 

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A PROPÓSITO DO DESTINO  - A nova edição da revista “Egoísta”, publicada em Março, tem por tema o destino e a forma como ele se cruza com o Fado - se calhar como o Fado se tornou Destino. A evocação de Amália cruza-se com esta relação com o destino por exemplo nos retratos que Augusto Brázio fez a novos intérpretes do fado, no texto que Aldina Duarte escreveu “quem diz fado diz vida” ou para as belíssimas ilustrações de Miguel San Payo que acompanham a publicação de “A Fadista”, uma letra escrita por Ana Moura. Um dos  pontos altos desta edição é um portfolio de Daniel Blaufuks intitulado “de destino em destino” - fotografias acompanhadas por pequenos textos manuscritos pelo autor, frases que são mais que legendas, formando uma narrativa que acompanha as imagens. Se outra razão não houvesse, este conjunto de fotografias bastava para guardar esta edição. Mas há mais: as fotografias de Cláudio Garrudo que evocam uma sua recente exposição na Galeria das Salgadeiras, “Trinus”, uma história ilustrada e ficcionada por Pedro Proença, “Chamavam-lhe Wittgenstein, Gertrude Wittgeinstein”, a propósito da sua recente exposição “O Riso dos Outros” na Fundação Eugénio de Almeida” e mais um portfolio fotográfico, de Helena Gonçalves, “Raiz” são boas razões para descobrir mais esta edição da “Egoísta”.

 

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O ENSAIO FOTOGRÁFICO - Mário Cruz é um fotojornalista da agência Lusa, já duas vezes nomeado para o World Press Photo - em 2016 ganhou na categoria temas contemporâneos com a reportagem “Talibes, Modern Day Slaves” e este ano volta a estar nomeado na categoria Ambiente com um trabalho sobre a poluição extrema do Rio Pasig, nas Filipinas. Para além do dia-a-dia de cobertura de actualidade da agência, Mário Cruz realiza projectos pessoais, ensaios fotográficos de onde saíu o seu trabalho anteriormente premiado e este “Living Among What’s Left Behind”. As fotografias deste projecto deram origem a um livro e a uma exposição que está patente a partir deste sábado no Palácio Anjos, em Algés. Ao todo, estarão expostas 40 imagens “que retratam o perigoso caminho que a humanidade enfrenta, quando descura os direitos fundamentais e abandona a preservação do meio ambiente”. A fotografia distinguida pelo World Press Photo mostra uma criança que recolhe materiais recicláveis, para obter algum tipo de rendimento que lhe permita ajudar a família, deitada num colchão rodeado por lixo que flutua no rio Pasig, que já foi declarado biologicamente morto na década de 1990. O livro “Living Among What’s Left Behind”  contém 70 fotografias, umas a preto e branco e outras a cores, que retratam a realidade que Mário Cruz encontrou em Manila. Nesta edição, da iniciativa do próprio autor, a capa foi produzida através do processamento de 160 kg de resíduos industriais e desperdícios de uso doméstico. Cada capa é criada individualmante e à mão, resultando em exemplares com capas únicas, que simbolizam a abundância de lixo que deixamos para trás. A exposição estará patente até 26 de Maio de 2019 (erça a sexta das 10h às 18h, sábados e domingos das 12h às 18h, encerra segundas e feriados, entrada gratuita). Permanecendo na fotografia, o Arquivo Municipal de Fotografia de Lisboa (Rua da Palma 246) apresenta 96 imagens de Jorge Guerra, todas realizadas na cidade, entre o final de 1966 e o início de 1967, num registo de “street photography” que constitui um documento sobre aquela época.

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SONORIDADES HISTÓRICAS  - Quem quiser ficar com uma discoteca básica que lhe permita descobrir alguns dos melhores discos de jazz de sempre tem agora à sua disposição a uma série “3 Essential Albuns”, que reúne gravações históricas dos catálogos da Verve e Impulse. Estão já disponíveis oito caixas com três CD’s cada uma, com álbuns essenciais de alguns dos nomes mais importantes da história do jazz e a preços especiais. Da caixa do pianista Keith Jarrett fazem parte os álbuns “Treasure Island”, “Death and the Flower” e “Fort Yawuth”. A caixa do saxofonista John Coltrane inclui os álbuns “Coltrane Time”, “Blue Train” e “John Coltrane - The Paris Concert”. A caixa de Chet Baker conta com os discos “Stan meets Chet”, “You Can’t Go Home” e “Baby Breeze”. De Duke Ellington são reunidos os discos “Play the Blues Back to Back”, “Live at the Whitney” e “Soul Call”. De Charlie Parker são reunidos os discos “Charlie Parker Jam Session”, “South of the Border” e “With Strings: The Master Takes”. De Michel Petrucciani são reunidos os discos “Michel Petrucciani”, “Notes’N’ Notes” e “Oracle Destiny”. Na caixa de Herbie Hancock estão os discos “Maiden Voyage”, “Speak Like a Child” e “Empyrean Isles”. Wayne Shorter está representado com os discos “JuJu”, “Speak No Evil” e “The All Seeing Eye”. Ao todo 24 álbuns incontornáveis. Como diria o outro, “a splendid time is guaranteed for all”.

 

VENTO DE LESTE - No local onde em tempos existiu um apreciado restaurante de cozinha alentejana, no Beato, abriu agora um restaurante de inspiração oriental. Chama-se Tarara e à sua frente tem João Duarte, que passou pelas cozinhas  do Eleven, do Arola, do Midori e  Bica do Sapato . A sua aposta é baseada na cozinha asiática, com algumas incursões sul-americanas por vezes com toques de cozinha portuguesa. A decoração é simples mas confortável, o serviço é atencioso e a casa tem dupla personalidade : à hora de almoço propõe um menu fixo com entrada, prato, sobremesa e uma bebida a 12 euros numa proposta imbatível de qualidade-preço e ao jantar funciona com um menu normal, excepto às quartas , noite dedicada ao sushi. O menu de almoço inclui um couvert sazonal (no caso pepino cortado em finíssimas fatias e  bem temperado e uma sopa miso) e depois as escolhas como gyosas de frango, um yakitori de corvina com batata doce assada e molho algarvia e um gelado de sésamo a rematar. Há sempre propostas vegetarianas. Às quartas-feiras à noite o menu muda de figura e quem reina é o sushi, feito à frente do cliente, ao balcão – há combinados (a partir dos 17,50€) mas também peças à carta, dos rolos hosomaki, uramakis ao peixe fresco fatiado, gunkans e temakis. Da carta fixa fazem parte entradas como Miso à Bulhão Pato, tacos de atum picante, porco preto ou caranguejo e ceviches de peixe branco ou de polvo e marisco por exemplo. O Tarara fica na Rua do Grilo 98, junto à Igreja de São Bartolomeu do Beato, telefone 218680041.

 

DIXIT - “A maior frustração que tenho na minha vida política é nunca ter sido secretário de Estado dos Transportes” - António Costa na sessão de propaganda dos novos passes sociais.

 

BACK TO BASICS - “Qualquer moção a propôr um adiamento é sempre oportuna” - Robert Heilein

 

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