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AS MÀSCARAS E OS DISFARCES

por falcao, em 26.07.19

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PROMESSAS & DISFARCES - Ainda a campanha eleitoral mal começou e já se percebe que estes políticos que se servem de nós através do voto transformaram a política numa actividade pouco recomendável. Na semana passada surgiram muitos anúncios de obras, uma ideia recorrente dos anos eleitorais. Num balanço rápido e não exaustivo recordo-me de nos últimos dias ter ouvido prometer uma nova ponte sobre o Tejo, uma milionária linha circular de metro, uma nova “Expo” na zona ocidental da cidade e mais algumas coisas avulsas que, contas por alto, se atiram para centenas de milhões de euros em obras. Face a esta fartura de recursos só posso ficar espantado que não se encontre algum dinheiro para investir numa política de médio prazo de gestão florestal, que os meios aéreos continuam a faltar, que o ordenamento das zonas do interior, mais vulneráveis aos fogos, continue eternamente adiado. O que se passa nesta matéria é um retrato da política tal como ela é praticada - todos os anos se garante que se aprende com os erros cometidos e no ano seguinte lá estão os mesmos erros, as mesmas incúrias, as mesmas faltas. Há quem se preocupe muito - e com razão - com as fake news das redes sociais. Mas vejo muita pouca gente, em todo o espectro político, a preocupar-se com o mais recorrente problema da sociedade portuguesa: a realidade escondida, o disfarce usado para evitar que se vejam as coisas como elas de facto são. Nestes quatro anos de tirocínio a geringonça tirou um mestrado em camuflar a realidade. O pior aldrabão não é o que mente - é o que esconde, deturpa e disfarça.

 

SEMANADA - Os gastos do estado em assessoria jurídica quase duplicaram no primeiro semestre; no início da semana, em apenas dois dias, duplicou a área ardida desde o início do ano; o Primeiro Ministro tentou passar as culpas dos problemas no combate aos incêndios para os presidentes das Câmaras; quando estes incêndios começaram havia helicópteros de combate aos incêndios parados por falta de autorização da Agência Nacional da Aviação Civil; o transporte de um bombeiro ferido em estado grave para Lisboa demorou mais de quatro horas por uma série de falhas do INEM e de articulação com a Protecção Civil; durante a actual legislatura apenas dois deputados não tiveram faltas registadas no Parlamento; em contrapartida os deputados no seu conjunto faltaram em média 24 vezes ao plenário da Assembleia ao longo dos 4 anos da legislatura; a Protecção Civil  deve meio milhão de euros aos bombeiros relativos ao combustível utilizado nas deslocações para o combate a fogos; segundo o Ministério Público, no caso das armas roubadas em Tancos, o ex-Ministro da Defesa, Azeredo Lopes, exerceu o poder de “forma perversa, bem sabendo que estava a beneficiar e proteger criminosos”.

 

ARCO DA VELHA - “Com tantas sondagens pergunto se ainda vale a pena fazer eleições” - a pergunta foi feita por Rui Rio e é esclarecedora sobre o seu entendimento do funcionamento da comunicação na sociedade.

 

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NAVALHA & NERVOS - Na Rua da Esperança há uma livraria/galeria chamada Tinta Nos Nervos. A exposição que lá está até 30 de Agosto chama-se “Fio da Navalha” e inclui vídeos de William Kentridge, desenhos de Pedro Proença, desenhos e pequenas instalações de Ema Gaspar e fotografia manipulada digitalmente de José Cardoso. A representação de William Kentridge é assegurada por uma selecção dos seus flipbook films, pela projecção de “Second Hand Reading”, uma obra de 2013 com música de Neo Muyanga e de “Tango For The Page Turning”, com música de Philip Miller. Pedro Proença exibe uma série de 14 desenhos a que chamou “O Exílio dos Contos” (na imagem), que funcionam como pedaços isolados de uma banda desenhada do quotidiano. São desenhos cáusticos, onde o humor faz parte do sentido de observação e com o traço inconfundível de Proença. Cada um vale bem os 900 euros, o preço pelo qual estão à venda. Por ocasião desta exposição a Tinta Nos Nervos editou também um livro com desenhos de 2010 de Pedro Proença, “Tomai E Comei”, que tem por subtítulo “Os Teólogos Compra Carne no Talho Errado”, uma espécie de banda desenhada num registo fantástico que o autor fez para o seu filho e que é uma pequena delícia.  Se além da exposição derem uma vista de olhos nas prateleiras da livraria verão o muito que na área do desenho e da banda desenhada a Tinta Nos Nervos tem para oferecer. E ao fundo existe ainda uma pequena cafetaria com esplanada. Tinta Nos Nervos - Rua da Esperança 39, a Santos.

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O DISCO - “Com Que Voz”, de Amália Rodrigues, por muitos considerado como o melhor disco português de sempre, conjugando coerência artística, elevação poética e requinte musical - como faz notar Frederico Santiago, que se tem dedicado a recuperar o arquivo de gravações de Amália, Acabado de gravar em Janeiro de 1969, “Com Que Voz” só foi editado em Março de 1970. Trata-se do primeiro disco de Amália em que todos os fados foram compostos por Alain Oulman, para acompanhar poetas como, entre outros, David Mourão ferreira, Cecília Meireles, Alexandre O’Neill, Ary dos Santos e Luís de Camões - cujo “Com Que Voz” dá aliás título ao álbum. A capa foi concebida pelo atelier Conceição e Silva e as fotografias eram de Nuno Calvet. O LP original tinha 12 temas, incluindo “Havemos de Ir A Viana”, “Gaivota”, “Formiga Bossa Nova” ou “Naufrágio”, entre outros. Neste disco estão incluídos mais nove registos, gravados na época, alguns deles inéditos. O disco foi gravado em pouco tempo, com Fontes Rocha e Carlos Gonçalves na guitarra e Pedro Leal e Fernando Alvim na viola. O trabalho de Fontes Rocha com Alain Oulman foi discreto, mas marcante, nas introduções e finais dos temas, como refere Nuno Vieira de Almeida no texto que escreveu para esta edição. E Nuno Vieira de Almeida finda o texto descrevendo “Com Que Voz” como um “disco perfeito” cujos doze números musicais são “verdadeiras preciosidades” que evidenciam “uma unidade vocal e de tratamento poético invejáveis para qualquer músico”. CD Valentim de Carvalho.

 

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UMA INVESTIGAÇÃO POLICIAL - Um facto curioso sobre Martin Amis, um dos mais afamados escritores britânicos contemporâneos, é que até meio da adolescência apenas lia banda desenhada. O seu pai, Kingsley Amis, trabalhou com os serviços secretos ingleses e nessa qualidade esteve em Portugal no tempo da guerra - daí resultando o romance “I Like It Here”. Martin estudou literatura inglesa em Oxford e começou a escrever bem cedo - o seu primeiro romance, “ The Rachel Papers” foi publicado em 1973, tinha ele 24 anos. Mas foi mais tarde que ganhou notoriedade e fama com “Money” (1984) e “London Fields” (1989), ambos centrados na emergente forma de vida de jovens profissionais com êxito na sociedade britânica daquela época. “The Night Train” é bem diferente - foi publicado em 1997, já tinha sido editado há uns anos em Portugal e a Quetzal reeditou-o agora numa nova e boa tradução de Telma Costa. “O Comboio da Noite” é um “thriller” que tem como protagonista Mike Hoolihan, uma mulher polícia de uma cidade americana, que investiga a morte de Jennifer Rockwell, filha do seu antigo chefe, Tom Rockwell. Tudo aponta para um suicídio, Jennifer Rockwell, uma astrofísica bem sucedida e respeitada, não tinha aparentemente razão para tirar a sua própria vida. A detective Hoollihan, uma alcoólica em recuperação, envolve-se no caso e descobre uma série de factos que a levam a mudar de opinião, ou pelo menos a ter muitas dúvidas. perturbada com o que descobriu sobre os últimos dias da vida de Jennifer, a detective entra num bar onde volta a beber… Aqui está um belo policial para este verão.

COMO PARTILHAR UM MOLHO? - Fui cheio de esperança ao restaurante Attla, sobre o qual li e ouvi numerosos elogios. Saí um bocado desiludido. Não comi mal e reconheço que a maior parte do que comi tinha uma preparação cuidada. O problema é que o próprio restaurante incentiva a que os pratos sejam partilhados e na maioria dos casos a partilha é difícil e frustrante. As doses são pequenas, o que até se pode compreender, e partilhá-las é uma tarefa complicada na maior parte dos casos, até porque os molhos são parte essencial da maioria das propostas da carta e os pratos sem esses molhos perdem muito da sua personalidade e interesse. E partilhar molhos é coisa complicada… Por outro lado o próprio empratamento dos pratos a partilhar torna a tarefa ainda mais difícil. Talvez se forem só duas pessoas a coisa se torne mais simples, mas numa mesa de meia dúzia de pessoas a partilha é impossível. Teria ficado bem mais satisfeito se me dessem a possibilidade de me atirar a doses inteiras, e um pouco mais generosas, de algumas das coisas boas como o camarão de ova azul, com leite de amêndoa, bisque e noodle de batata ou a massa de azeite glaceada com cacau, sapateira, sour cream e flor de chagas ou ainda os  cogumelos cantharellus com barigoulle de carapau, trigo sarraceno, nori e espuma de batata. Já a couve flor glaceada com vinagre de sabugueiro, satay de espinafres e azedas foi uma desilusão. Desigual esteve a sobremesa, chocolate do Equador, bolacha de alfarroba e avelã, acompanhado de gelado de eucalipto. A bolacha de alfarroba era insípida e o gelado dominava os outros sabores. A lista de vinhos é curta mas esse não é o maior problema deste restaurante - que terá de decidir se quer privilegiar as provas difíceis ou uma refeição com os sabores e experiências que propõe mas mais tradicional no serviço. O Attla fica em Alcântara, na rua Gilberto Rola 65, está aberto de terça a sábado ao jantar e com reservas através das aplicações habituais ou do telefone 211 510 555.

 

DIXIT -  “O nacionalismo e o populismo extremista - que dantes eram fenómenos marginais na política europeia - tornaram-se agora problemas centrais. Parece-me que a Europa está num estado de espírito semelhante ao dos anos 30” - Graydon Carter, na apresentação da nova publicação online Air Mail.

BACK TO BASICS - “Em última análise ou queremos ser recordados pelo que nos aconteceu ou queremos ser recordados pelo que fizémos” - Randy K. Milholland.



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A CÂMARA DA IMOBILIDADE - O actual executivo autárquico de Lisboa gaba-se de ter implementado políticas de mobilidade que favorecem os residentes da cidade. Ao longo do mandato de António Costa, e depois de Fernando Medina, tenho colocado as maiores reservas a estas afirmações - que têm apenas em consideração políticas parcelares e não um retrato geral da comodidade dos residentes lisboetas. Não vou entrar nas polémicas sobre bicicletas, trotinetas e outras soluções apregoadas como milagrosas e que em muitos casos aprofundam a insegurança - a começar pela dos peões. Nem menciono a insuficiência dos transportes públicos na cidade. Na minha opinião o vereador da mobilidade, Miguel Gaspar, é na realidade vereador da imobilidade. A Câmara Municipal de Lisboa toma medidas contraditórias a que ele dá cobertura - de um lado deseja menos carros na cidade e dificulta a circulação automóvel nalgumas vias (como sucedeu na Avenida da República e nos seus cruzamentos) e por outro toma medidas que visam transformar algumas artérias em vias rápidas. O caso mais recente é o do anúncio por Miguel Gaspar, na sequência das alterações previstas para a Praça de Espanha, de obras na Rua de Campolide que visam apenas criar uma entrada mais fácil daquele lado da cidade, contribuindo para uma circulação ainda mais difícil na Avenida Miguel Torga e na circulação naquela zona eminentemente residencial, em desrespeito total pelos seus moradores. Há poucos anos foram ali implementadas soluções de trânsito, sobretudo no cimo da Miguel Torga e no cruzamento da Marquês da Fronteira, que tornaram a circulação local um inferno para quem lá vive. A medida agora anunciada, conjugada com as malfeitorias anteriores, vai piorar tudo ainda mais. O que ali se está a passar e a preparar é o espelho da política de um executivo camarário mais interessado em obras de fachada e decorativas do que em tornar mais confortável a cidade para quem a vive no dia-a-dia e aqui paga as suas contribuições e impostos. Lisboa está cada vez mais a tornar-se numa cidade feita para quem não a habita e a situação tem culpados claros: Fernando Medina, Manuel Salgado e Miguel Gaspar estão à cabeça da lista de responsáveis pela destruição de uma cidade vivida. Preferiram fazer uma cidade visitada, preferiram favorecer a especulação imobiliária, preferiram penalizar os lisboetas, essa espécie em vias de extinção.

 

SEMANADA - Nos primeiros seis meses do ano a Polícia Judiciária fez seis operações contra a corrupção que visaram 14 autarcas; os bancos emprestaram 900 milhões de euros a grandes clientes sem quaisquer garantias; cerca de 80% das perdas associadas aos maiores devedores da CGD tiveram origem em créditos produzidos em mandatos de Carlos Santos Ferreira como Presidente do Conselho de Administração do banco, equipa de gestão que incluía Maldonado Gonelha a Armando Vara - indica o relatório preliminar da Comissão Parlamentar que investigou a instituição; o número de movimentos de aviões entre a meia noite e as seis chega a duplicar o máximo legalmente permitido; está prevista a abertura de 65 novos hotéis este ano em todo o país - dos quais 22 em Lisboa e 15 no Porto; já existem mais veículos de plataformas electrónicas do que táxis em Lisboa, Porto e Faro; o mais recente relatório da Autoridade para as Condições do Trabalho às empresas detectou aumento de 60% nos salários em atraso; o número de atingidos por doenças sexualmente transmissíveis aumentou 33% em 2018  e verificou-se também um aumento significativo entre pessoas com mais de 65 anos; a taxa de emprego dos cidadãos estrangeiros em território nacional ultrapassa os 73%, está a subir desde a crise e ultrapassa a média europeia; o sistema de ensino teve 40 reformas em 30 anos, das quais 18 desde o início deste século; há 700 mil portugueses sem médico de medicina geral e familiar. 

 

ARCO DA VELHA - A nova Lei das Beatas prevê que restaurantes e similares se possam candidatar a receber apoios financeiros se colocarem cinzeiros junto à entrada…

 

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JOALHARIA, ARQUITECTURA E FOTOGRAFIA  - O destaque desta semana vai para a exposição de joalharia contemporânea portuguesa que abriu na Gulbenkian e que é o prato forte da iniciativa “Convidados de Verão” da Fundação. Cristina Filipe, curadora da exposição, procurou estabelecer relações entre joias contemporâneas e obras do Museu Gulbenkian. A mostra segue a linha cronológica da exposição permanente da Coleção Moderna, apresentando joias realizadas entre 1958 e 2018 por artistas representados na Coleção como Jorge Vieira, José Aurélio, Maria José Oliveira, Vítor Pomar ou Pedro Cabrita Reis. São também criadas ligações entre peças da Coleção Moderna e obras de joalharia e estão presentes artistas como Alberto Gordillo, Kukas, Tereza Seabra ou Alexandra de Serpa Pimentel, entre outros, que iniciaram uma mudança na joalharia em Portugal desde a década de 1960, paralela à que se verificou nas artes plásticas e que demarcou a joalharia do campo das artes decorativas e aplicadas. No MAAT. desde a semana passada e até 2 de Setembro, pode ser vista a exposição “Form And Light”, que através da fotografia de Yigal Gawze, documenta a arquitectura Bauhaus erigida em Tel Aviv entre 1930 e 1940 e que foi uma espécie de laboratório onde os arquitetos, formados em vários países europeus, discutiam e criavam nas margens do Mediterrâneo um “modernismo modificado”. A fotografia dessa arquitectura, feita por Yigal Gawze evoca  a fotografia de vanguarda dos anos 30. Finalmente, e para continuar na fotografia, a Galeria das Salgadeiras (Rua da Atalaia 12) apresenta a exposição Ater, com trabalhos de Cláudio Garrudo, Augusto Brázio, Daniela Krtsch, João Dias, Jordi Burch, Maria Capelo, Rui Horta Pereira e Rui Soares Costa.

 

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GUITAR ROCK - O guitarrista Jack White é uma das mais fascinantes personagens do rock contemporâneo. O seu percurso inclui os White Stripes, uma longa carreira a solo, colaborações com nomes como Neil Young e projectos paralelos como The Dead Weather e  The Raconteurs, uma banda de existência incerta nascida em 2006 e que há 11 anos não editava nenhum disco. O silêncio foi agora quebrado com “Help Us Stranger”, gravado em Nashville mas marcado por Detroit, a cidade onde Jack White e Brendan Benson, os dois mentores do grupo, cresceram e começaram a tocar em bandas de garagem. Jack e Brendan são acompanhados nos Raconteurs por Jack Lawrence no baixo e Patrick Keeler na bateria. Este quarteto atirou-se a este disco como se se preparasse para uma batalha e o resultado é uma espécie de manifesto a dizer que o rock está vivo e se recomenda: quando White e Benson cantam “I’m here right now/I’m not dead yet” está dado o mote. O álbum tem baladas envolventes e duras como “Somedays (I don’t feel like trying)”, temas impactantes como a faixa de entrada “Bored And Razed” onde a guitarra de White estabelece a ordem num diálogo com a voz e a bateria, em contraste com a tranquilidade de Benson em “Only Child”, as harmonias de um quase pop “Sunday Driver” , a evocação dos blues em “Now That You’re Gone”, a energia contagiante de “Don’t Bother Me”, o dramatismo da ruptura cantada em “Now That You’re Gone” ou a inesperada versão de um tema de Donovan, “Hey Gip”. Entre a prova de vida do rock e um exercício de nostalgia este “Help Us Stranger” mostra a versatilidade de White e Benson

 

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JOGOS ANALÓGICOS - Se procura um livro para levar na bagagem de férias considere  “Os Jogos Da Minha Infância”. Trata-se um manual abreviado de jogos tradicionais que dispensam electricidade, computador ou telemóvel e que podem ser jogados em qualquer lado, uns dentro de casa, outros na rua. Desde o clássico pião, à apanhada e cabra cega, passando pelo macaquinho chinês, a barra do lenço, o elástico, a carica, berlindes ou o jogo do mata, o livro percorre mais de cinquenta jogos, cada um com um descritivo e instruções sintéticas. Nos casos em que se requer uma tabela de pontuação há modelos e as ilustrações proporcionam a visualização dos principais movimentos possíveis em cada jogo. O livro resulta de uma recolha da equipa editorial da editora Guerra e Paz em  torno de jogos tradicionais - pedrinhas e arte na esquadria para a macaca; destreza motriz e agilidade para o jogo do elástico; saltos dignos de um campeão olímpico no Mamã, dá licença?; cultura geral para o intemporal stop, pontaria e mestria para o berlinde, também apelidado de «guelas». Para além de jogos para jogar ao ar livre, o livro, “Os Jogos da Minha Infância” inclui também jogos para fazer em casa, da sueca ao jogo do galo ou à batalha naval. 

 

IDEIAS ORIENTAIS - De repente nos supermercados surgiram legumes a que não estamos habituados e com origens diversas - do Oriente vêm as couves pak choy e as berinjelas roxas chinesas, longas e finas; e do norte da Europa vêm os pepinos holandeses. Todos são diferentes, no paladar e na textura, de outros legumes das mesmas famílias, mas mais comuns em Portugal. O pepino holandês, por exemplo, é mais suave, menos acre que o pepino vulgar. A berinjela roxa é menos azeda e pela sua dimensão e textura, mais fácil de saltear. A couve pak choy fica bem cozida ao vapor ou levemente salteada - cozinha rápido. Estes três legumes não chegam cá vindos das suas paragens originais - curiosamente vêm todos do sul de Espanha, uma zona que parece ter-se especializado no cultivo destas espécies. Os seus sabores são mais suaves, as possibilidades de preparação que se vão descobrindo graças a pesquisas na internet abrem imensas possibilidades. O pepino, cortado em fatias muito finas, fica bem temperado com vinagre de arroz, lima, um pouco de saké, sal e sementes de sésamo - o resultado pode ser usado como aperitivo ou numa salada muito fresca. A couve pak choy funciona bem salteada e polvilhada com sementes de sésamo. Dá um belo acompanhamento. E as berinjelas roxas, salteadas e temperadas com molho de soja, ficam bem misturadas com peixe desfiado e camarões. 

 

DIXIT - “Uma visão positiva é aquilo que nos faz continuar, apesar das contrariedades que surgem ao longo da vida; a única desvantagem é que essa visão positiva dificulta-nos que vejamos as coisas más” - Andrea Camilleri

 

BACK TO BASICS - “A razão tem sempre um ar horrível quando não joga a nosso favor” - Halifax



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E COSTA RI PORQUÊ? Como se viu há dias no Parlamento começou a época das promessas e da deturpação da realidade. Um António Costa sorridente veio garantir que nesta legislatura correu tudo bem, que vivemos quatro anos de grande felicidade e progresso - tudo, claro, graças à geringonça. O êxito foi tal que António Costa e os seus ministros vão correr o país numa digressão intitulada “Cumprimos!”. Mas, terão cumprido o quê? A generalidade dos serviços públicos essenciais degradou-se. O investimento público congelou, os transportes não dão resposta à procura, reformas estruturais não se fizeram, os contratos a termo aumentaram, o trabalho pouco qualificado cresceu. A austeridade agora chama-se cativações. As greves na saúde, na educação e nos transportes voltaram - e estrearam-se na justiça. Os casos de promiscuidade na colocação no aparelho de Estado de familiares de responsáveis governamentais aumentou para além de tudo o que se conhecia. O desrespeito pelos cidadãos atingiu níveis inéditos: um governante culpou as pessoas por fazerem fila para serem atendidos por serviços públicos. Quem trabalha para o Estado foi favorecido em relação a quem trabalha no sector privado. A carga fiscal aumentou para o maior valor de sempre e a Autoridade Tributária continuou a destratar os contribuintes e a exorbitar os seus poderes. A corrupção na classe política tornou-se endémica. Os incêndios de 2017 e o roubo de armamento em Tancos são episódios tristes, inacreditavelmente ainda sem responsabilidade apurada. No Parlamento, no debate sobre o Estado da Nação, o Primeiro Ministro teceu loas à sua governação e aos seus aliados na geringonça, prometeu repetir acordos e teve uma frase memorável - “para a geringonça sobreviver tudo foi suportável”. 

 

SEMANADA - Os portugueses gastam 16 milhões de euros por dia nos jogos da Santa Casa e jogos online; as raspadinhas representam mais de metade do volume de apostas dos Jogos da Santa Casa - 8,5 milhões de euros por dia; por falta de vagas no serviço de psiquiatria do Hospital Universitário de Coimbra há doentes com indicação de internamento compulsivo que ficam além do tempo limite no serviço de urgências; nesta legislatura o Governo não deu resposta a 2049 perguntas de deputados; uma empresa especializada em desinfestações diz que os tratamentos para eliminar percevejos aumentaram 475% em quatro anos e atribui o crescimento da sua actividade ao número de turistas; 1,3 milhões de pessoas têm salários até mil euros e destas cerca de 680 mil ganham entre 600 e 750 euros mensais; Portugal está entre os dez países da União Europeia que perderam habitantes em 2018 e tem a quarta taxa de natalidade mais baixa da região; em 2018, apenas 29 dos 308 concelhos portugueses registaram um maior número de nascimentos do que de óbitos; segundo a Marktest, entre Março e Maio deste ano 51.6% dos portugueses leu ou folheou a última edição de um título de imprensa, num total de 4 419 mil indivíduos; um relatório da WWF revela que em Portugal ardem, em média todos os anos, quase 140 mil hectares, em mais de 2200 incêndios, o dobro do número de fogos dos outros países do Mediterrâneo, assim como a maior área ardida.

 

ARCO DA VELHA - Hugo Pires, deputado do PS e coordenador do Grupo de Trabalho de Habitação, Reabilitação Urbana e Política de Cidades no Parlamento, é sócio de uma imobiliária que está a promover o despejo de uma livraria/galeria em Braga num imóvel que a sua empresa quer mudar para alojamento local.

 

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ROTEIRO - Até 17 de Novembro a Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais exibe “Looking In/ Olhar Para Dentro”, uma exposição que reúne 60 anos de produção de obra gráfica de Paula Rego, exibindo cerca de duas centenas de peças, entre desenhos preparatórios para a execução das gravuras, chapas de cobre e trabalhos mais recentes e menos conhecidos (na imagem).  A curadoria é de Catarina Alfaro,  e a exposição inclui doações da artista, que decidiu completar a coleção da sua obra gráfica pertencente à Câmara Municipal de Cascais, à Fundação D. Luís I e à Casa das Histórias Paula Rego.  Em Lisboa, no Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva está patente até 27 de Outubro a exposição “Brincar Diante de Deus, Arte e Liturgia”, com obras de Matisse, Vieira da Silva e Lourdes Castro, feitas para locais de culto religioso. Ainda em Lisboa, na Rua Castilho 5 e até 6 de Setembro, no Espaço M, pode ser vista a exposição “Construir o Nada Perfeito – Tributo a Cruzeiro Seixas”, uma iniciativa do Colectivo Multimédia Perve, em parceria com a Associação Mutualista Montepio e que está inserida no ciclo de celebração dos 70 anos sobre a 1ª exposição do anti-grupo surrealista português “Os Surrealistas”, fundado por Cruzeiro Seixas e Mário Cesariny, recordando a exposição que, em 1949, teve lugar na sala de projeções da Pathé Baby, junto à Sé de Lisboa. Em Coimbra, organizadas pelo Centro de Artes Visuais no Pátio da Inquisição, duas novas exposições de fotografia, de Tomás Maia e de Carlos Vidal; em Ponta Delgada, nos Açores, na Galeria Fonseca Macedo, Olivier Nottellet expõe Emotional Rescue. 

 

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MACHINE MUSIC - A voz e guitarra dos Radiohead, Thom Yorke, tem um novo álbum a solo, “Anima” - praticamente 50 minutos de nove canções baseadas num pano de fundo de sons electrónicos, onde questões ambientais estão na primeira linha - e com o próprio Yorke a proclamar “I Can’t breathe”, um síntese das suas várias ansiedades pessoais e sociais. A saída do disco é acompanhada da distribuição, pela Netflix, de um mini-documentário com 15 minutos de duração, assegurado por um fiel fã dos Radiohead, Paul Thomas Anderson, que inclui três das canções do álbum e onde surge a actriz italiana Dajana Roncione. O filme apresenta três canções unidas como se fossem uma só - “Not the News,” “Traffic,” and “Dawn Chorus”. Musicalmente “Anima” vai no mesmo sentido da banda sonora que Yorke fez para “Suspiria”, de Luca Guadagnino. Tal como aconteceu nos seus dois anteriores projectos a solo, o álbum está baseado num lote de canções marcantes, como por exemplo “I Am A Very Rude Person”, onde a linha de baixo contrasta com a voz de Yorke num registo vocal quase místico, num contraste com “Runawayaway”, uma enérgica despedida com guitarras, que praticamente estavam ausentes desde o início deste “Anima”, essencialmente construído em torno de sintetizadores. E embora na maior parte das canções as situações concretas estejam distantes, em “The Axe”  Yorke canta “Goddamned machinery, why don’t you speak to me?/One day I am gonna take an axe to you”, um alerta que aqueles que consideram que a evolução tecnológica está a ir na direcção errada poderão subscrever.

 

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UM POLICIAL GELADO - Cada vez gosto mais de livros policiais, e confesso que nos últimos anos desenvolvi especial apreço por autores nórdicos. Christoffer Petersen é o pseudónimo de um escritor dinamarquês que decidiu em 2006 ir viver para a Gronelândia e ali se dedicou, durante sete anos, a estudar a tradição e a cultura da região, que considera uma das mais fascinantes em termos mundiais. A Gronelândia é uma região autónoma da Dinamarca, ocupa a maior ilha do mundo e tem uma população de cerca de 60 mil pessoas que vivem num clima ártico e são maioritariamente descendentes de esquimós. Foi na Gronelândia que Christoffer Petersen começou a escrever policiais, como o fascinante “Um Inverno, Sete Sepulturas”, lançado em 2018 e que a Quetzal agora editou. A história é assim resumida: “ Na remota comunidade ártica de Inussuk, no final de cada verão, são cavadas sete sepulturas antes que o solo congele. À medida que o inverno se aproxima, a questão que se coloca é se serão em número suficiente”. Este livro introduz a figura de David Maratse, um polícia prematuramente reformado que um dia, durante a pesca, encontra a filha desaparecida da primeira-ministra. Maratse torna-se o principal suspeito e para provar a sua inocência assume-se como o investigador do homicídio mais célebre da Gronelândia. Para além da trama policial o livro cativa pelas descrições da Gronelândia, da sua cultura e tradições - de tal forma que se fica com vontade de descobrir esta região.

 

AS COMIDAS DA MONOCLE - Ao longo do ano a revista “Monocle” vai fazendo edições especiais sobre vários temas - o futuro, destinos de viagens e, agora, um guia de locais onde se pode comer e beber bem - o “food and hospitality annual”. Nesta nova edição Portugal surge algumas vezes. “A Matter Of Taste” fala sobre os locais do Algarve que, na opinião da correspondente da revista em Portugal, Trish Lorenz, merecem ser conhecidos. E quais são os destaques? O restaurante A Venda, na parte antiga de Faro, o olival de Monterosa, as ostras de Moinho dos Ilhéus, o restaurante Noélia de Cabanas de Tavira (que já conheceu melhores dias, diga-se…), o hotel rural Companhia das Culturas em Castro Marim, o café DaRosa em Silves pela sua doçaria, e as vinhas do Morgado do Quintão. Logo a seguir aparece um artigo dedicado a petiscos portugueses, com receitas de pastéis de bacalhau, peixinhos da horta, favas com chouriço, salada de polvo, bolo do caco com manteiga de alho e bolas de berlim com creme (portuguese doughnuts, chamam-lhe…). Esta edição traz ainda a lista dos 50 restaurantes de todo o mundo que a Monocle recomenda - a primeira referência a Portugal surge na posição 42 com o “Rancho Português”, do Rio de Janeiro. Em 40º lugar surge o Kampo, do Funchal e a terminar, em 31º está o lisboeta Gambrinus. Há ainda um roteiro por diversas cidades e em Lisboa as recomendações vão para o pequeno almoço da La Boulangerie, o almoço da Sea Me Peixaria Moderna, o café da tarde para o Hello Kristof,o jantar para o Café Lisboa e o copo de fim de noite para o Park Bar.

 

DIXIT - “Nos dois anos seguintes, o Governo substituíu os Ministros que defendeu, os altos funcionários que protegeu e os encarregados da Protecção Civil que nomeou (...) Não analisou as falhas do Governo, nem as da administração pública. Parece não haver lições a retirar. Nem erros a evitar.” - António Barreto, sobre os incêndios de 2017.

 

BACK TO BASICS - “Não debato política, pois os eleitos fazem o que querem depois da posse” - João Gilberto

 

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DOIS PARTIDOS SEM IDEIAS -  Há mais de 120 anos um dos grandes escritores portugueses do século XIX traçava um retrato do país que tem estranhas semelhanças em relação ao que se passa hoje. É certo que somos menos resignados, mas continuamos macambúzios, burros de carga de impostos, feixes de misérias na cativada degradação dos serviços públicos. Passava o ano de 1896, Guerra Junqueiro escrevia em “A Pátria” e analisava a paisagem partidária. Se pensarmos que podemos considerar os dois partidos que o escritor referia os actuais PS e o PSD o retrato ainda fica mais certeiro. É impressionante como o texto, nas suas linhas gerais, mantém actualidade.  Ora leiam: “Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta. (...) Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira a falsificação, da violência ao roubo, donde provem que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.  Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar.“ 

 

SEMANADA - Das 375 empresas afectadas pelos incêndios de 2017 na região centro, cerca de uma centena ainda não receberam qualquer valor dos apoios prometidos pelo Estado; foram constituídos 44 arguidos na investigação à atribuição de subsídios para a reconstrução ou reabilitação das casas afetadas pelo incêndio de Pedrógão Grande; a dívida pública portuguesa atingiu em Maio o valor mais alto de sempre, 252,5 mil milhões de euros, mais 200 milhões que em Abril; devido à falta de operadores as chamadas para o INEM chegam a demorar oito minutos a serem atendidas, quando a recomendação é de sete segundos; desde 2000 os partos em hospitais privados passaram de 5,7% para quase 15% do total; há 20 concelhos sem centros de saúde, mas só 12 não têm lojas da grande distribuição; o número de cirurgias em atraso duplicou nos últimos quatro anos; quatro das maternidades que estão em risco fazem um quinto das urgências do país; num inquérito realizado na região de Lisboa 35% das pessoas declararam não pertencer a uma religião e 13,1% afirmaram ser crentes mas sem religião; em 2018 a carga fiscal foi de 35,4% do PIB, a mais elevada desde 1995; a falta de guardas deixa a A1 sem patrulhas da GNR; em seis meses morreram 224 pessoas na estrada, um aumento em relação a igual período do ano passado; Marcelo Rebelo de Sousa foi aos bastidores do concerto de Rod Stewart para fazer uma selfie com o músico; Pedro Silva Pereira, braço direito de Sócrates, foi eleito vice-presidente do Parlamento Europeu numa candidatura que contou com o apoio de António Costa.

 

CONFUSÕES DO ESTADO - O novo Inspector-Geral da Defesa Nacional é membro da Comissão Política do PS. A Defesa Nacional é auditada por um dirigente partidário...

 

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ROTEIRO DE ARTES  - No Museu Nacional de Arte Antiga a “Obra Convidada” em exposição actualmente é o conjunto dos quatro desenhos preparatórios para o São Jerónimo de Durer, pertencentes à Galeria Albertina, de Viena. Ali  se confrontam com a obra final, aqui reproduzida, e que faz parte da colecção do MNAA. São Jerónimo é um pequeno painel a óleo pintado por Albrecht Dürer em 1521, durante a sua viagem à Flandres e Países Baixos , e então oferecido ao secretário da feitoria portuguesa, Rui Fernandes de Almada, com quem manteve relações de amizade. Pela primeira vez, mostram-se entre nós estes quatro desenhos preparatórios, notáveis na técnica utilizada por Durer para o estudo da figura humana. Esta exposição está na sala 50 do piso 1 do Museu até 11 de Agosto. Outras sugestões: na Nanogaleria! (Rua do Centro Cultural 11), Ana Vidigal apresenta Quebra Gesso;  no Espaço Cultural Mercês está a  a exposição coletiva "estoutro" ,  a propósito do Dia Mundial do Refugiado com obras de 12 artistas, entre os quais Bárbara Bulhão, Beatriz Coelho, Joana Galego, Nádia Duvall e Tiago Mourão; na Giefarte está Red As Scarlet, White As Snow de Manuel Caldeira; na fotografia, e até 19 de Julho, na MUTE (Rua Cecílio de Sousa 20), Rudolfo Gil e Rafael Raposo Pires apresentam “Outubro” e “Espaço/ Marca”, um conjunto de imagens com o título genérico de “Grau de Semelhança” que abordam a maneira de ver espaços; para terminar o destaque da semana vai para os novos trabalhos de Daniel Blaufuks. Não há cópias sem originais e vice-versa - no tempo das imagens digitais, o que é a cópia e o que é o original e qual o papel e lugar de cada um deles? - é daqui que parte a nova exposição de Daniel Blaufuks, “Cópia Original”, na Galeria Vera Cortês (Rua João Saraiva 16-1º, até 14 de Setembro.

 

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O NOVO POP - De certa forma o jazz vocal é o novo pop da geração Y, ou millenials, como lhes quiserem chamar - aqueles que nasceram nos anos 80 e 90. Jamie Cullum, pianista e cantor britânico faz parte da nova geração de jazz vocal que vale a pena ouvir. O seu novo álbum, o primeiro em cinco anos, “Taller”, é um bom exemplo do cruzamento com pop e blues, com passagens pelo funk - através de uma série de dez canções, ecléticas do ponto de vista musical, todas compostas pelo próprio Collum e que são uma espécie de carta de amor dirigida à sua mulher, a modelo e escritora Sophie Dahl - com destaque para aquilo que na pop se chamariam dois hinos:  “For The Love” e “Endings And Beginnings”. No disco, com arranjos orquestrais e vocais por vezes surpreendentes, participam um quarteto de cordas, a London Symphony Orchestra, um côro e o grupo de músicos que normalmente colabora com Jamie Cullum, com destaque para Troy Miller, que aliás é co-produtor e fez os arranjos e misturas.

 

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MANUAL SNOB - W. M. Thackeray nasceu em 1811, em Calcutá, e estudou em Cambridge. Fez carreira no jornalismo, antes de se tornar o reconhecido autor de “As Aventuras de Barry Lyndon”, transposto para o cinema por Stanley Kubrick e de “A Feira das Vaidades”. “O Livro dos Snobs”, agora publicado entre nós, é uma das suas obras marcantes e tem origem numa coluna que escreveu para a revista britânica Punch entre 1846 e 1847, na coluna «The Snobs of England, by one of themselves». Quase dois séculos depois, a crítica social, política e comportamental de Thackeray continua com uma actualidade impressionante, que pode encontrar paralelos evidentes com o que se passa nos meandros dos poderes. Este é um livro de humor devastador onde ninguém é poupado, dos mais poderosos monarcas às anfitriãs de banquetes, dos clérigos emproados aos turistas britânicos. Partindo da Inglaterra vitoriana, nem Portugal escapa, muito snobemente representado, de passagem, pela caricatura de Fernando II, marido de D. Maria II, nas suas peripécias de caça. Thackeray faz um retrato pormenorizado de cada tipo de snob, traçando-lhes o jeito e o estilo com uma fina ironia. Segundo as palavras de W. M. Thackeray, um snob pode estar em qualquer parte. E depois de ler este livro começamos a ver o que se passa à nossa volta com um novo olhar...

 

A CASSATA CREMOSA - Se não fossem as amígdalas e os gelados, que na convalescença da sua extracção constituíram a minha alimentação, provavelmente não tinha desenvolvido um gosto especial  pela cassata italiana. Nem sempre é fácil encontrar em Lisboa uma boa cassata, quer à fatia, quer cremosa. Devo aliás dizer que a descoberta da cassata cremosa se deve a uma nova casa de gelados italiana que abriu em Lisboa, no Princípe Real. Trata-se da Casa Nivà- Gelateria Tradizionale, que tem lojas em Turim (de onde é originária), em Cannes e, agora também em Lisboa, na Rua da Escola Politécnica 41. Os gelados Nivà são uma história de família, que começou em 1988, na região de Turim, utilizando apenas produtos naturais e técnicas artesanais. Os gelados são feitos diariamente e podem ser consumidos na loja em cone ou copo ou vendidos em embalagens para serem levadas para casa. A Nivà usa apenas produtos locais e de época e o método de elaboração respeita a tradição italiana. Na circunstância, além da descoberta da cassata cremosa, ela foi combinada com um gelado de pistácio, numa bela harmonia de sabores. O melhor é passarem na loja e fazerem umas experiências - provar a textura cremosa da Nivà é uma experiência que vale a pena ter.

 

DIXIT - “Preciso muitas vezes de legendas para entender Rui Rio” - Sonia Sapage

 

BACK TO BASICS - “A fúria do inferno não é nada comparada com a de um burocrata desprezado” - Milton Friedman.

 



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