Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



REGULADOR, CENSOR OU APENAS BUROCRATA?

por falcao, em 27.12.19

6B771D93-A61C-4711-A619-CA372369C1D6.JPG

ERC AGRIDE RTP - Na semana passada foi dada mais uma machadada no Serviço Público Audiovisual por um órgão essencialmente emanado do Parlamento - a Entidade Reguladora da Comunicação, um organismo que tem tido uma vida aberrante, criado há relativamente pouco tempo sob a batuta desse génio que é Azeredo Lopes (sim, o de Tancos…), mas que é essencialmente um monstro burocrático incapaz de acompanhar o evoluir dos tempos e daquilo que se propõe regular. Tenho guardados na memória episódios da falta de conhecimento da realidade de que a ERC regularmente dá mostras, nomeadamente na área online. Para mal dos nossos pecados cabe à ERC representar o Estado na tutela da RTP, é perante a ERC que os cargos dirigentes na área da programação e da informação da estação de serviço público têm que responder e é por ela que têm de ser aprovados antes de iniciarem funções. Como se viu num caso recente, a luz verde da ERC não impediu a interferência da anterior Direcção de Informação na tentativa de condicionar um programa e de gerir a sua emissão de acordo com um calendário da sua conveniência política. Um dos proeminentes dirigentes da ERC, Alberto Arons de Carvalho, veio mesmo afirmar publicamente não discordar das opções feitas pela anterior Direcção de Informação sobre o caso “Sexta Às Nove”. Este senhor foi em tempos Secretário de Estado, com a tutela da RTP, num dos períodos mais graves de má gestão e manipulação sistemática daquela estação, e não se regista uma decisão sua que impedisse o caos que lá se instalou. Voltemos ao tema: José Fragoso, jornalista e experiente homem de televisão, tem sido o Director de Programas da RTP e tem conseguido, no meio do furacão que em 2019 alterou o panorama das televisões em Portugal, manter a estação pública estável, continuando linhas de programação relevantes, dinamizando documentários, criando novas apostas e proporcionando até um crescimento da relevância do serviço público. A proposta da Administração da RTP em lhe dar a possibilidade de acumular a Direcção de Programas com a Direcção de Informação é uma aposta estratégica, na linha do que acontece nas melhores estações mundiais de serviço público onde há um Director Geral que coordena ambas as áreas. Qualquer pessoa que siga e se interesse pela missão contemporânea do Serviço Público Audiovisual conhece as boas práticas do sector, aquelas que têm dado provas, que têm alcançado resultados, que têm desenvolvido a estratégia de produção de conteúdos. A RTP não tem, na sua estrutura e estatutos, consignada a figura de Director-Geral, embora ela tenha existido implicitamente, de forma mais ou menos disfarçada, em muitos casos anteriores. Desta vez, respeitando os estatutos, a nomeação foi clara e fazia sentido. Sempre defendi que na RTP devia existir um Director-Geral com capacidade para harmonizar as áreas da Informação e Programação, que muitas vezes evidencia uma esquizofrenia que se manifesta graças à solução actual - além das numerosas guerras internas improdutivas que fomenta.  A estrutura que a ERC defende é uma herança da forma de organização dos jornais do início do século passado, adoptada como modelo para todos os media e que depois foi progressivamente sendo abandonada, em que se defendia uma certa predominância da Informação sobre a Programação, em vez de existir complementaridade. Ora era exactamente esta complementaridade, hoje em dia evidente em muitas estações públicas europeias de referência, que a RTP poderia ter, e que esta Administração procurava agora formalizar de forma transparente. Ao recusar a solução por temer a concentração e “os riscos que tal situação comporta”, a ERC veio revelar como é retrógrada, como não compreende o que deve ser hoje em dia um Serviço Público Audiovisual e como é avessa a qualquer tentativa de mudança e inovação. Não é pelo caminho que a ERC preconiza que se pode desenvolver um Serviço Público Audiovisual forte. Os senhores deputados e os senhores governantes que sustentam a ERC são coniventes com isto. Ou seja, prestam um péssimo serviço ao Serviço Público Audiovisual. 

 

SEMANADA - A ADSE tem por validar 650 mil facturas apresentadas por beneficiários para reembolso e o número deverá crescer no primeiro trimestre de 2020; nas duas primeiras décadas deste século Portugal perdeu 8767 escolas; ao contrário do que foi prometido pelo Governo a Autoridade Tributária não está a aceitar as correcções das declarações de IRS de quem recebeu pensões em atraso; cada árbitro ganha 1480 euros por jogo da Primeira Liga; no Orçamento de Estado apresentado por Centeno faltam dados sobre quanto o Governo tem para gastos imprevistos; a Ordem dos Engenheiros afirmou, sobre o impacto do mau tempo na zona de Coimbra, que houve incúria do Estado e desinvestimento na manutenção; segundo o seu Presidente do Conselho de Administração, a agência de notícias Lusa, por ter visto o seu financiamento limitado pelo Governo, vai sacrificar drasticamente o investimento em tecnologia em 2020 “num exercício orçamental de altíssimo risco” sobre o qual a ERC mantém religioso silêncio; no terceiro trimestre do ano o preço das casas em Portugal subiu 10,3%; o Bispo do Porto afirmou que “o Estado não é pessoa fiável”; nos últimos cinco anos a Inspecção do Ambiente só conseguiu cobrar 24% das multas; um terço dos projectos apresentados por empresas, e aprovados, no âmbito do Programa Portugal 2020 estão por executar; cada português produz em média 508 kgs de lixo por ano; o Exército perdeu metade dos efectivos em quase duas décadas; o quartel da GNR em Tavira está há um ano sem água quente.

 

ARCO DA VELHA - NO PSD, que é teoricamente o maior partido da oposição, menos de metade dos seus militantes tem direito a voto nas eleições directas para escolha de quem irá dirigir o partido e só cerca de 30 mil poderão votar. Esta democracia está cada vez menos representativa.

image (8).png

FOTOGRAFIA  - Este ano, no Porto, surgiu uma galeria integralmente dedicada à fotografia. O Espaço SP620 (na imagem) foi criado por Pablo Berástegui que tem bastante experiência na área, nomeadamente como um dos responsáveis da Photo España. Além de galeria promove edições especiais e promove um projecto pedagógico que organiza visitas guiadas às exposições da Galeria para grupos de jovens. Durante os próximos quatro anos vai dedicar-se exclusivamente à fotografia documental, tendo por base um ciclo designado Salut Au Monde!, evocando o título de um poema célebre de Walt Whitman. Até 11 de Janeiro pode ser vista a exposição “Out Of The Way”, de Elena Anosova, com imagens realizadas nos territórios do extremo norte da Rússia, onde ainda vive a família paterna de Anosova rodeada por uma natureza intacta e uns modos de vida não muito diferentes daqueles dos antepassados que colonizaram a região da Sibéria há três séculos. A Galeria quer basear a sua actividade num grupo de apoiantes que mediante uma contribuição anual têm direito a tiragens das imagens das exposições realizadas. É um desafio para todos os que gostam de fotografia.  Espaço SP620, Rua Santos Pousada, 620. Mais informações em https://www.salutaumonde.info/ . Outras sugestões: ainda no Porto, no edifício da Alfândega pode ver  "Henri Cartier-Bresson: Retratos", uma exposição que reúne 121 trabalhos do fotógrafo francês realizados ao longo de 70 anos.  Em Évora, numa mostra preparada e encenada para ser vista ao ar livre, no Largo Conde Vila Flor, estão expostas 38 fotografias de Sebastião Salgado, a preto e branco, que integram o seu mais recente livro, “Genesis”. 

unnamed.jpg

SONS DA EMOÇÃO - Os budistas tibetanos acreditam que quando alguém morre a sua consciência vagueia num estado intermédio a que chamam bardo durante sete semanas antes de transitarem para uma nova vida. Tradicionalmente os monges budistas, para auxiliarem os familiares de quem passa por esta prova, lêem em voz alta o The Bardo Thodol, ou seja, o Livro Tibetano dos Mortos, durante os 49 dias do processo. Tenzin Choegyal é um dos mais importantes músicos tibetanos e há cerca de 15 anos trabalha  em diversos projectos inspirados pelo The Bardo Thodol, o último dos quais é “Songs From The Bardo”, feito em colaboração com Laurie Anderson e Jess Paris Smith, a filha de Anderson e de Fred ”Sonic Youth” Smith. Anderson assume o papel de guia nesta gravação, lendo passagens do Livro Tibetano dos Mortos traduzidas para inglês por Choegyal, acompanhadas por música imaginada por Jess Paris. No disco as canções e recitações sucedem-se sem separações evidentes, num ambiente fortemente emotivo e inspirador, musicalmente poderoso, em que o trabalho do violoncelista Rubin Kodheli merece especial referência. Disponível no Spotify.

 

PROVAR - Cada vez mais gosto de restaurantes despretensiosos onde o único conceito é prestar bom serviço e apresentar comida bem confeccionada. Por estes dias descobri o Clotilde, no Estoril, próximo do Casino, junto ao Centro de Congressos.  A sala é confortável, com a cozinha à vista, e existe também uma esplanada coberta. O serviço é atencioso e eficaz, a lista de vinhos é curta mas bem escolhida e a preços honestos e, no final, a conta é decente. Nas entradas provaram-se com agrado os peixinhos da horta e uma perdiz de escabeche muito boa. Umas trouxas de enchidos ficaram aquém das expectativas, mas havia uma opção elogiada numa mesa perto que podia ter sido um boa escolha - ostras à unidade ou à dose de seis. Nos pratos de substância tudo continuou a correr bem, com particular destaque para umas lulas guisadas com ameijoas, no ponto e muito saborosas. Na mesa mereceram elogios uns filetes de peixe galo que podem vir com arroz de tomate ou salada;  e dois amigos estrangeiros residentes aventuraram-se com êxito, ele nuns filetes de polvo com arroz de feijão enquanto uma californiana de gema elogiou a bochecha de porco preto com migas de espargos - destacou o tempero da tenra carne e o sabor das migas de espargos, que quis saber como se faziam. O Clotilde fica na Avenida Clotilde, Edifício Centro de Congressos do Estoril, telefone 214 663 084.

 

DIXIT -  “Os políticos adoram o caos. Não pensam noutra coisa. Dá-lhes autoridade e dá-lhes poder. Dá-lhes proeminência. Ficam com a ideia de que podem resolver as coisas por nós”- John Le Carré

 

BACK TO BASICS -  “Fazer reportagem é uma escola de vida: o que aprendemos baseia-se em erros que cometemos” - Cristina Garcia Rodero, fotojornalista.

 

www.facebook.com/mfalcao

instagram: mfalcao

twitter: @mfalcao





Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:00

REGABOFE PARLAMENTAR

por falcao, em 20.12.19

IMG_5772.jpg

VERGONHA - Não tenho a menor simpatia por André Ventura. Mas também tenho muito pouca simpatia pelo comportamento de vários deputados no Parlamento, pela forma como alguns deles todos os dias atacam a democracia que dizem defender, perante a complacência - por vezes cumplicidade - dos dirigentes dos respectivos partidos. Não falo só dos casos de acumulação da função de deputado com actividades que deviam ser incompatíveis, nem tão pouco dos casos de tráfico de influências ou de conflito de interesses.  Também já nem falo dos arranjinhos de viagens, das assinaturas falsas de presença, das moradas fictícias para receberem subsídio de deslocação. O que na semana passada verdadeiramente me causou perplexidade foi a prescrição de multas a partidos políticos, que aconteceu graças a uma revisão da lei feita no Parlamento com a participação de deputados que eram visados no caso. A história tem requintes de malvadez e o facto é que prescreveram multas de centenas de milhares de euros aplicadas a partidos parlamentares por faltas cometidas nas suas contas relativas a 2009 e 2010. Pior ainda, sabe-se agora que o mesmo pode acontecer em relação às contas das finanças partidárias até 2014, que correm o risco de também ficarem no lixo e não serem cobradas. E porquê - a nova lei de financiamento, feita em Janeiro de 2018, é a causa que  levou à prescrição de processos de contra-ordenação de partidos e seus responsáveis financeiros. Curiosidade mórbida - alguns desses responsáveis financeiros das máquinas partidárias eram deputados que lideraram a muito conveniente revisão da lei que, em Janeiro de 2018, abriu caminho para atirar com as multas para o lixo. Na realidade estes deputados encontraram forma de contornar um sistema de controlo e verificação de irrregularidades e ilegalidades na actuação dos partidos, para que eles depois não sejam sancionadas. Se isto não é vergonhoso, o que será vergonha no parlamento português?.

 

SEMANADA - O orçamento para 2020 prevê um aumento da receita fiscal de 1275,4 milhões de euros, as receitas com IRS crescem mais de 400 milhões de euros e o Governo prevê um aumento da receita do IVA graças ao aumento do consumo; no mês de Outubro o crédito ao consumo atingiu o valor recorde de 726,8 milhões de euros; as queixas dos consumidores portugueses relativamente à Black Friday subiram 51% face ao ano passado; o descontentamento pelo atraso na entrega de encomendas aumentou 61%;  em 2018 os museus tiveram um aumento de 13,5% no aumento de visitantes, que atingiram os 19,5 milhões, quase metade dos quais foram estrangeiros; em 2018 registaram-se menos 5,3 % de espectadores nas salas de cinema nacionais; já os espectáculos de música registaram um aumento de 9,5% de espectadores; as exportações de bens culturais em 2018 representaram 167,6 milhões de euros (menos 6,9% do que no ano anterior) e as importações registaram 399,1 milhões, o que resultou num saldo negativo de 231,5 milhões; em 2018 a despesa das câmaras municipais em actividades culturais e criativas atingiu os 469,8 milhões de euros, um aumento de 4,4 % face a 2017; a linha de crédito para os municípios fazerem trabalho de limpeza de terrenos florestais desce de 50 milhões para cinco no próximo ano; no próximo ano está previsto um aumento de custos de nove milhões de euros nos gabinetes ministeriais deste Governo; em 2018 cerca de 80 mil portugueses deixaram o país.

 

ARCO DA VELHA - O Governo não executou este ano mais de 755 milhões de euros de investimento público que estavam programados em 2019 e no Orçamento de 2020 está assumido que 590 milhões nunca serão descativados.

IMG_5840.jpg

MEMÓRIAS & JOGATINAS - Depois de terem percorrido três décadas da vida lisboeta (LX 60, LX 70 e LX 80), Joana Stichini Vilela e Pedro Fernandes dedicam-se agora a mostrar outro lado de Lisboa em “LxJoga” que tem a particularidade de contar histórias meio esquecidas da cidade, juntando-as com jogos de papel, colocados no livro ao lado de episódios que com ele se relacionam. Aqui poderão ver como nasceram as avenidas novas ou o que significava o Salão Ideal, como era a festa permanente do Bristol Club ou as tentações hollywoodescas do cinema português de meados do século passado. Há capítulos imperdíveis como o dos 16 cromos lisboetas, do Repórter X a Guida Gorda, passando pelo Senhor do Adeus ou Madame Calado. Registam-se figuras que ajudaram a mudar a cidade, como Duarte Pacheco.  Momentos marcantes como o início da Moda Lisboa, a Expo 98 ou a inauguração da Fundação Calouste Gulbenkian aparecem bem relatados e ilustrados. O “LxJoga” combina a história com o ar lúdico dos jogos que se vão espalhando ao longo das páginas, com as respectivas soluções no final da obra, como manda a tradição.

 

IMG_5841.jpg

FUTUROLOGIA - Embora nem toda a gente tenha consciência do assunto, na realidade a maioria das pessoas ganharia em ter um almanaque perto de si ao longo de todo o ano. Nem estou a falar do velho Borda d’Água, estou mais a pensar em pequenos livros que se editam nesta altura do ano e que são guias para o futuro próximo. Um bom exemplo de uma destas bem úteis publicações é o “grande Almanaque Português, editado pela Guerra & Paz. Tem um belíssimo grafismo e inclui extensa informação sobre feriados nacionais e municipais, festas e feiras por todo o país, os dias dos santos, romarias e procissões, rezas e benzeduras, astronomia, marés e metereologia além de um rol imenso de curiosidades, como por exemplo várias boas receitas culinárias. Está ordenado por meses e por assuntos. No início do livro os editores sublinham que “um almanaque é um acto de celebração do passado e de confiança no futuro”. Reza a tradição que o primeiro almanaque português nasceu no final do século XV, em 1496, uma obra de Abrão Zacuto intitulada Almanach Perpetuum. Nos tempos presentes este da Guerra & Paz oferece-nos muito boa informação útil para irmos balizando o 2020 que está à espreita.

 

image (7).png

A MÚSICA DE UMBERTO ECO - “La Misteriosa Musica Della Regina Loana” é uma novela de Umberto Eco que deu o título e serviu de inspiração ao novo trabalho da dupla Gianluigi Trovesi no clarinete e Gianni Coscia no acordeão, um disco agora editado pela ECM e já disponível no Spotify. Umberto Eco era um admirador confesso da dupla e neste trabalho Trovesi e Coscia recuperam uma série de temas que o escritor referiu no seu livro. Aqui estão 19 temas, entre os quais referências cinematográficas como “As Time Goes By” (de Casablanca) ou “Bel Ami” (do filme com o mesmo nome), clássicos como “Moonlight Serenade” de Glenn Miller, “Basin Street Blues” de Louis Armstrong ou temas dos próprios Trovesi e Coscia como “Gragnola”, a sua homenagem à Toscana. O disco abre com “Interludio”, uma composição em que o próprio Umberto Eco e Gianni Coscia colaboraram há anos. Prova de criatividade e capacidade de invenção este disco é uma das belíssimas surpresas da editora ECM neste final de ano.


APERITIVO ITALIANO - Sou um guloso por arancini, essa delícia italiana que tem origem na Sicília, Trata-se de uma bola de arroz que pode ter vários recheios e que no final é passada por farinha e frita. Antes de o ter provado deliciava-me com as descrições da iguaria feitas por Andrea Camilleri nos livros que relatavam as investigações do inspector Montalbano, claramente os policiais que conheço que mais abrem o apetite. Quando os provei percebi o porquê dos elogios de Montalbano ao petisco. Se em Itália, e sobretudo na Sicília, é frequente encontrá-los como aperitivos de fim da tarde em bares, em Portugal não é muito fácil dar com eles. Um bom amigo indicou-me - e posteriormente levou-me - ao L’Ape - Boteco Italiano, onde me deliciei com arancini de vários tamanhos e recheios, todos eles de superior qualidade. O L’Ape é um bar italiano feito para petiscar, conversar, beberricar. Há spritz de Aperol e de Campari, vinhos italianos e, em dias de sorte, os tais arancini. A casa é pequena, tem uma sala junto ao bar e um reservado interior com apenas uma mesa. Combina a função de aperitivo com a de galeria de arte, mostrando obras de artistas jovens. O menu do dia inclui uma bebida e uma tábua de queijos, enchidos e outros petiscos (incluindo por vezes arancini) e custa nove euros por pessoa. Além da tábua há outras possibilidades, bruschettas, saladas, piadine e panini diversos por exemplo, A selecção de vinhos italianos e alguns portugueses é boa embora não seja muito extensa e tem bons preços. Se um dia destes lhe apetecer experimentar um sabor de Itália ao fim da tarde este é o sítio certo para ir. Marco e Sergio lideram as operações, o ambiente é alegre, o serviço muito simpático. Para saberem quando há arancini sigam a página do restaurante no Facebook ou no instagram. Fica na Rua da Senhora da Glória 116A, à Graça.


DIXIT - “Uma política para a cultura deveria ser uma política de públicos e uma política de instituições (bibliotecas, museus, arquivos, patrimónios...) não uma política de clientelas, de autores e de criações, em suma, de subsídios” - Alexandre Pomar

 

BACK TO BASICS - “A maior parte das conversas não passa de monólogos proclamados na presença de testemunhas” - Margaret Millar

 





Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:00

FF9BB0CD-D9D7-4479-8E90-98FA3F3A138F.JPG

A GRANDE ILUSÃO - António Costa começou esta semana a usar a fantasia de Pai Natal. Colocou as barbas brancas e a fatiota vermelha a meio da discussão do Orçamento de Estado. Prometeu mais dinheiro em alguns sectores, nomeadamente na saúde, e colocou Centeno em lume brando, a fazer o papel de perú natalício no forno. Desde o IVA da electricidade ao financiamento da saúde, passando por aumentos da função pública ou a contratação de mil jovens licenciados para serviços do Estado, apareceu um pouco de tudo nesta semana. Com um Orçamento de Estado que promete um excedente orçamental e com estes aumentos de despesa é certo que o dinheiro há-de vir de algum lado - e nas últimas semanas foram também abundantes as referências a novas taxas. A única certeza que tenho é a de que no fim do dia a carga fiscal, directa ou indirecta, vai aumentar. O Estado, como a situação na saúde demonstra, não sabe poupar, sabe cortar e destruir. E depois, quando já está tudo a arder, despeja dinheiro que vai buscar aos bolsos dos contribuintes. Certamente que se recordam que a poucos dias das eleições António Costa garantia não haver problema algum na saúde. Esta semana revelou os números de parte do problema, um problema criado pela austeridade encapotada que marcou a sua primeira legislatura. Agora vem com estas promessas, que profissionais do sector dizem serem ainda insuficientes. Diminuir o peso do Estado é estabelecer prioridades - em sectores como a saúde, a educação, a justiça e a segurança e fazer reformas que permitam que estas áreas funcionem. Vir nesta altura falar de criar mais Estado numa regionalização encapotada é a prova de que tudo isto é um engano. A António Costa não interessa fazer reformas estruturais, o que ele sabe fazer é criar ilusões.  

 

SEMANADA - As emissões poluentes provenientes de navios nos portos portugueses superam as dos carros nas oito maiores cidades portuguesas; o custo das iluminações de natal em todo o país ultrapassa os sete milhões de euros, mais dois milhões que no ano passado - só em Lisboa são 800 mil euros;  o uso de dados móveis em 'roaming' na União Europeia (UE) decuplicou no primeiro semestre de 2019 face a 2017, ano em que as taxas de utilização dentro do bloco europeu foram abolidas; os preços das comunicações em Portugal são 20% mais elevados do que a média da União Europeia, e os da internet são 31% mais caros; há dois anos, a ADSE demorava, em média, um mês e uma semana a pagar aos beneficiários mas desde então, o prazo aumentou quase dois meses; em Outubro os bancos emprestaram mais de 30 milhões de euros por dia em crédito à habitação; em Albufeira há 7361 alojamentos locais; até Setembro o Estado gastou quase 300 milhões de euros em horas extra nos hospitais do SNS; segundo a Marktest, as redes sociais tiveram um crescimento rápido em Portugal, passando de 17.1% de utilizadores em 2008 para 63.6% em 2019, com a maior parte dos acessos feitos por telemóvel; entre os utilizadores portugueses, o Facebook ainda domina mas perde influência, com o Instagram a posicionar-se como rede em ascensão e muito relevante sobretudo entre os mais jovens; entre Janeiro e Setembro os crimes com facas aumentaram 10,4%; nos últimos dois anos abriram quase 300 supermercados em Portugal.

 

ARCO DA VELHA - Dois meses depois das eleições o partido Livre decidiu fazer um manual de conduta para a sua deputada, com nove regras, para ela se saber comportar politicamente. 

 

A

image (6).png

ARTES URBANAS -  Pedro Casqueiro (na imagem) faz parte de uma geração de artistas plásticos portugueses que começou a expôr nos anos 80 do século passado e que desde então vem trabalhando a pintura de forma cada vez mais depurada. Desde a semana passada e até final de janeiro mostra uma dezena de trabalhos inéditos na exposição “Pinturas Rupestres” na Galeria Miguel Nabinho (Rua Tenente Ferreira Durão 18-B). Outros destaques: até Sábado 14 pode visitar “Nas barbas do Pai Natal” , uma exposição de cerâmica, escultura, pintura e joalharia que mostra linguagens diferentes com pontos comuns, obras de Beatriz Horta Correia, Graça Pereira Coutinho, Laura Ayerza de Castilho e Susana Piteira, na loja Manuel Castilho Antiguidades, Rua D. Pedro V 85. Em mais uma exposição que procura cruzar a obra de Júlio Pomar com a de outros artistas o Atelier-Museu (rua do Vale, 7) exibe a mostra “Antes do Início e Depois do Fim: Júlio Pomar e Hugo Canoilas”, com trabalhos de Hugo Canoilas e curadoria de Sara Antónia Matos.  Na Biblioteca Nacional pode ver “Volta Ao Mundo”, uma exposição sobre a obra gráfica de José de Guimarães uma seleção representativa da sua gravura produzida desde os anos 60 até final de 2018. Finalmente até 11 de Janeiro, “O Narcisismo das Pequenas Diferenças”, da fotógrafa Pauliana Valente Pimentel, põe jovens de várias classes sociais da ilha de São Miguel nas paredes do Arquivo Municipal de Lisboa.

 

image (5).png

O PRINCÍPE - Em 1992 Prince lançou “1999” um álbum que muitos consideram o momento de viragem na sua carreira, o trabalho que lhe trouxe êxito e reconhecimento, assim como acesso a novos públicos. Foi o quinto álbum da sua carreira e o primeiro com a sua banda The Revolution. Faixas como a que dá o título, “1999”, ou “Delirious” ou “Little Red Corvette” foram marcantes. O disco, feito numa época particularmente agitada da sua carreira, coexistiu com o trabalho que fez com as Vanity 6 e Time, conseguindo manter um elevado padrão de qualidade. Agora a Warner lançou uma caixa com cinco discos que além dos temas originais, inclui lados B de singles, demos de estúdio,  inéditos e a gravação de um concerto dessa época. As canções originais foram remasterizadas e o conjunto de cinco discos tem ao todo 65 temas. O primeiro CD tem os 11 temas originais, o segundo inclui 18 demos, versões alternativas e edits para maxi singles. Nos dois discos seguintes há lados B de singles e inéditos - com destaque para uma balada tocado ao piano, “How Come You Don’t Call Me Anymore”, o vibrante “Horny Toad” que apareceu ao longo dos anos sob várias formas ou ainda “Moonbeam Levels”, que tinha sido revelado no álbum póstumo “4ever”. O quinto disco reproduz a gravação de um concerto realizado em Detroit em 30 de Novembro de 1992, com a energia que era habitual Prince colocar em palco. A caixa inclui ainda um DVD filmado um mês mais tarde em Houston. Trata-se claramente de uma edição para fãs e coleccionadores, que merece ser ouvida com atenção para, por exemplo, se descobrirem raridades como “Money Don’t Grow On Trees” ou “Rearrange” . Os cinco CD’s audio estão disponíveis no Spotify.

 

image (4).png

PREVISÕES - Desde há uns anos a revista Monocle edita nesta altura uma publicação extra a que dá o nome de “Forecast” e que se dedica a fazer previsões e sugestões para o ano que se segue. É, normalmente uma edição particularmente rica em ideias e conteúdos e a que agora saíu não foge a essa regra. Um dos temas mais interessantes é um ranking das melhores pequenas cidades para se viver. Lusanne na Suiça ocupa o primeiro lugar, seguida por Boulder nos Estados Unidos e Bergen na Noruega. O Porto aparece em nono lugar. Em cada caso é feita uma análise da razão de recomendação de cada uma das urbes. Outro ponto de interesse é um trabalho sobre a nova capital que a Indonésia quer fazer, praticamente do zero, para substituir Jakarta como sede do Governo. Outro artigo interessante relata o aumento do consumo do cartão devido às embalagens utilizadas para a expedição das compras online e as iniciativas que a indústria do sector está a desenvolver para minorar os efeitos ambientais. Se já pensou como é a vida de um agente de escritores ou artistas esta edição do “Forecast” dá-lhe uma ideia do que fazem alguns dos mais conhecidos. No campo das artes  fiquei a saber que a Hungria está a captar cada vez mais filmagens de produções de cinema e televisão graças a uma film commission que funciona bem, suportada por incentivos fiscais que em 2019 atraíram para o país 360 milhões de euros para o sector audiovisual. Ora se cá o Ministério das Finanças entendesse o que os húngaros entendem a vida podia ser bem diferente para esta área em Portugal - não nos falta a luz, nem cenários naturais, nem técnicos. Só nos falta mesmo vontade política para fazer uma oferta financeira atraente.

 

EM DEFESA DO PANADO - O escalope panado, quando é bem feito, é um petisco. Falo de um escalope de vitela, cortado fino, a carne temperada com limão, sal e pimenta, depois envolvida em ovo batido, um pouco de farinha e pão ralado para uma rápida fritura. O ideal é que fique dourado e não com a cor escura que o óleo muito usado dá. Um bom panado tanto pode ser comido acabado de fazer, como servido frio com uma salada ou, então, no meio de um bom pão de mistura barrado com mostarda de qualidade, aconchegado por  uma folha de alface para refrescar. É mais frequente encontrar filetes de porco que de vitela, mas se o corte da bifana fôr muito fino e o tempero tiver sido bem feito são igualmente bons. Esta é uma boa base para uma refeição ligeira e o frito dos panados liga bem com legumes ou uma salada só de tomate cortado em pequenos pedaços, que é o acompanhamento que prefiro. Não é preciso nenhum caldeirão para a fritura, basta uma frigideira com óleo novo de boa qualidade e em pequena quantidade - não necessita de cobrir o filete. Dois minutos de cada lado devem chegar e depois é deixar secar para tirar o excesso de óleo. No fim basta temperar já no prato com uma generosa quantidade de limão espremido.

 

DIXIT - “Há comandantes que não têm quem comandar” - Helena Carreiras, Directora do Instituto de Defesa Nacional

 

BACK TO BASICS - “Quando falamos só repetimos o que já sabemos, mas se ouvirmos pode ser que aprendamos algo de novo - Dalai Lama

 





Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:00

MANIFESTO CONTRA A REGIONALIZAÇÃO

por falcao, em 06.12.19

IMG_5628.jpg

BATOTICE REGIONALIZADA - Num país com a nossa dimensão geográfica e populacional não consigo compreender a defesa que alguns políticos, na maioria profissionais dos respectivos aparelhos partidários, fazem da regionalização. Posso compreender, e desejar até, que se criem mais mecanismos de descentralização e se aperfeiçoem os existentes, posso aceitar que se aumente o papel e competências dos municípios, desde que recebam os meios necessários para isso e que eles próprios tornem o seu funcionamento mais transparente. Mas num Estado Central com tantas ineficiências como o nosso, criar aparelhos regionais apenas vai multiplicar essas ineficiências e as burocracias que as acompanham. Mais: num Estado onde a corrupção atinge níveis tão elevados, muitas vezes a n´vel local das autarquias, fazer a regionalização é aumentar os territórios da corrupção, é fomentar o controlo dos aparelhos administrativos pelos aparelhos partidários a uma escala ainda maior. Eu não quero ter mais Estado, quero sim ter um Estado menor e melhor. Mas quando penso na regionalização vejo apenas mais potenciais caciquezinhos, mais poderzinhos, mais serviços duplicados, menos eficácia, maiores prejuízos para os cidadãos, muito provavelmente mais taxas e impostos. A regionalização não é uma questão ideológica que divida os partidos - há dirigentes pró-regionalização nos principais partidos, até porque os seus defensores vêem oportunidades acrescidas para espalhar uns lugares e aumentar o tráfico de influências. Aos principais e mais envelhecidos partidos, aqueles onde o aparelhismo e a corrupção andam de braço dado, a regionalização interessa para proveito próprio, mesmo que seja má para o país. Por saberem isso os seus defensores querem criá-la de forma encapotada, meio escondida, ir criando factos consumados - foi o que António Costa andou a fabricar com alguns autarcas que lhe são próximos nestes últimos tempos, foi aquilo que o Presidente da República travou, alertando para a marosca.

 

PENSAMENTOS OCIOSOS- Todos os dias me surpreendo com a falta de memória e a ingenuidade das afirmações de arguidos e testemunhas interrogados nos principais processos em curso nos tribunais portugueses.

 

SEMANADA - O Tribunal de Contas arrasou os planos das câmaras municipais contra incêndios nas zonas rurais acusando-os de falta de eficácia; um terço dos alunos portugueses com 15 anos ou mais só lê quando é obrigado e para 22% dos estudantes a leitura é considerada uma perda de tempo; há disciplinas, como o Português, em risco de ficar sem professores no espaço de uma década; só seis das 20 dioceses portuguesas criaram comissões de protecção de menores; o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem condenou Portugal por condições degradantes em duas cadeias; uma sondagem do Correio da Manhã indica que depois das eleições de Outubro o CDS já caíu dos 4,4% alcançados para 2,9% das intenções de voto, o mesmo valor que a Iniciativa Liberal e menos que o Chega; segundo a Marktest mais de cinco milhões de portugueses utilizam serviços de mensagens instantâneas em vez de SMS; a falta de verba impede traduções do roteiro dos museus do Algarve; há mais de três mil edifícios públicos contaminados com amianto e a substância causou 126 mortes nos últimos quatro anos; o desemprego de longa duração entre as pessoas com deficiência aumentou 15% na última década; todos os meses são legalizados em Portugal, em média, cinco novos cultos religiosos; Portugal tem o terceiro pior investimento público per capita da união europeia.

 

image (3).png

INQUIETAÇÕES - Pedro Cabrita Reis (na imagem) regressa a Serralves vinte anos depois da sua primeira exposição naquele espaço. A Roving Gaze (Um Olhar Inquieto) é o nome do projecto que agora apresenta e que foi especificamente concebido para os espaços de Serralves. A exposição assume-se como uma única obra de grande escala que evoca o percurso e a vida do artista sem preocupação cronológica. Inclui estruturas concebidas para o local, fotografias de obras de Cabrita desde 1999 até agora, ao mesmo tempo que apresenta objectos, desenhos, documentos e outros trabalhos que fazem a ponte entre a vida da pessoa e a obra do artista. A exposição fica em Serralves até final de Março do próximo ano. Em Lisboa, até 20 de Dezembro,  pode ainda ver estudos de Manuel Caldeira, desenhos de Pedro Sousa Vieira e pequenos bronzes de Rui Chafes na exposição “SI SOL FLAT”, no Ar.Co (Centro de Arte e Comunicação Visual), no Antigo Mercado de Xabregas, Rua Gualdino Pais. Ainda em Lisboa uma chamada de atenção para a exposição de pinturas Manuel Gantes, que vai estar na Galeria Monumental (Campo dos Mártires da Pátria) até 21 de Dezembro. Por fim André Guedes mostra  “Formas Antigas, Novas Circunstâncias” na Galeria Vera Cortês (Rua João Saraiva 16-1º) até 18 de janeiro.

 

image (2).png

CANÇÕES POPULARES - Harry Connick Jr.  é um dos grandes responsáveis pelo ressurgir do jazz cantado. Ele surgiu numa espécie de regresso às origens já que no início o jazz cantava-se e dançava-se em vez de se ouvir sentado numa sala de concerto. Connick, há uns anos, trouxe este lado de diversão de volta ao jazz. Cabe aqui dizer que Connick, além de cantor, pianista e até actor é um músico experiente e talentoso, capaz de fazer arranjos complexos e dirigir uma orquestra como aliás fez neste disco de homenagem a Cole Porter. Comecemos pela voz: neste disco Connick está cada vez mais parecido com Sinatra e o seu trabalho nas 13 canções que escolheu para “True Love: A Celebration Of Cole Porter” mostra-o a dirigir em estúdio uma orquestra de 16 músicos para a qual compôs todos os arranjos. As maiores surpresas no repertório escolhido são as duas canções da injustamente esquecida banda sonora de Cole Porter para o filme “High Society” - “You’re Sensational” e “Mind If I Make Love To You?”. O disco começa com uma boa versão de “Anything Goes”, um arranjo inesperado em “All Of You” e interpretações arrebatadoras de “I Love Paris”, “In The Still Of The Night” e, sobretudo, de “Begin The Beguine”, uma das minhas canções favoritas de Porter. O CD está disponível no Spotify.

 

image.png

O REGRESSO DO PAPEL - A revista britânica The Face foi minha assídua companhia ao longo do tempo em que existiu, entre 1980 e 2004. Gostava da forma como abordava os temas, gostava da sua paginação, gostava da sua edição fotográfica. Após um interregno de 15 anos eis que ela volta às bancas, continuando com algumas das suas características. A revista no entanto ganhou um novo território, no digital. Agora há uma edição trimestral em papel e uma edição permanente online. A equipa editorial do papel tem a mesma dimensão da equipa do digital e vendo ambas percebe-se que houve o cuidado de pensar num projecto misto, que combina a magia do papel impresso com as possibilidades que o online oferece. Stuart Brumfitt é o seu novo editor e no editorial do primeiro número da nova fase de vida da revista publica uma fotografia sua, de 1997, então um adolescente sentado ao lado da mãe mas a folhear um exemplar da Face original. É uma simbólica nota no arranque desta nova série. Os temas são os de sempre, um mix de música, locais da noite, cultura urbana, moda, artigos que vão de uma reportagem no El Club de Barcelona a uma produção fotográfica com Rosalia. Mas há temas novos, como ambiente e animais, ao lado de um questionário a Liam Gallagher, dos Oasis. A publicação tem 312 páginas de bom papel bem impresso. Dado curioso: entre os anunciantes da versão em papel, logo no início da revista, estão empresas online como a Netflix, Amazon Prime ou a Farfetch e publicidade a conteúdos como uma exposição da Tate Modern ou o filme Joker. O mundo está a mudar e  mesmo para as empresa da economia digital é preciso procurar audiência noutros suportes. Na imagem estão as duas capas alternativas do primeiro número da nova série da Face, que pode ser comprada na Under The Cover, Rua Marquês Sá da Bandeira 88.

 

UM LOCAL ESSENCIAL - A minha grelha de avaliação de um restaurante baseia-se em coisas simples: qualidade da matéria prima, qualidade e inovação da sua confecção, serviço, ambiente, e, no final, a relação qualidade-preço considerando os items anteriores. Muitos novos restaurantes não passam nesta grelha de avaliação logo nalgumas coisas fundamentais. Felizmente há excepções e há umas semanas conheci uma delas - o Essencial, o novo restaurante do chef André Lança, que abriu em meados deste ano depois de uma passagem pelo Palácio do Governador. André Lança estudou em França e tem uma clara devoção pela cozinha francesa, que felizmente aproveita de forma criativa para uma adaptação mais portuguesa. O Essencial é um exemplo de boa arquitectura de restaurante num espaço relativamente pequeno, muito bem aproveitado, onde o conforto dos clientes foi de certeza parte importante do caderno de encargos. O menu vai variando, este é um daqueles restaurantes onde se evita a rotina e volta e meia aparecem umas surpresas. Nesta altura do ano a sazonalidade é marcada pelas trufas enquanto a tradição é assumida pelo foie gras. Logo no couvert há a boa surpresa de o pão ser da Terrapão, acompanhado por manteiga da ilha do Pico (uma das nossas melhores) e banha de porco mangalica do Fundão (muito bem temperada e trabalhada). Nessa noite pela mesa passaram, nomeadamente, foie gras, pâté en croutes com pickles, gnocchi com cantarelos e cebola fumada, sela de borrego e codorniz com puré de batata. Os comensais ficaram satisfeitos e devo dizer que estes foram os melhores gnocchi que comi em muitos anos. Nas sobremesas a pastelaria é também influenciada pela tradição francesa e ganha destaque um mil folhas de caramelo salgado e uma tartelette de tangerina. A garrafeira é bem escolhida, entre vinhos portugueses e estrangeiros, e o serviço de mesa, quer na comida quer nos vinhos, é exemplar. Se quiser pode trazer o vinho que o restaurante aceita servi-lo mediante uma taxa de rolha. O Essencial fica na Rua da Rosa 176 e o telefone é o 211 573 713.

 

DIXIT - “É preciso encontrar formas, públicas e privadas, de agir face à grave crise da comunicação social” - Marcelo Rebelo de Sousa.

 

BACK TO BASICS - “Existem apenas duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana” - Einstein.




Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:00


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2006
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2005
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2004
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2003
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D