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O BANCO DE PORTUGAL

por falcao, em 24.01.20

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O MURO - O Banco de Portugal devia ser um muro intransponível contra a fraude e ameaças ao sistema financeiro português. Como a História recente comprova de forma recorrente tal não sucede. Nestes últimos dias as notícias em torno de Isabel dos Santos e do banco EuroBic vieram avolumar novas suspeitas sobre a ineficácia do Banco de Portugal. Para resumir a história temos um banco central que não vigia os bancos, um banco central que não fiscaliza movimentos suspeitos, ou seja um regulador que não regula. É certo que faz lindos estudos, mas curiosamente não lançou alertas em tempo devido, apesar de tanto estudo, sobre a situação do BES, do BPP, do BPN ou até do Montepio. Não fossem as exigências europeias sobre as nomeações para a banca e até isso provavelmente passaria ao lado no nosso banco central. A instituição tornou-se inimputável. O Conselho Consultivo do Banco de Portugal, de quem não se ouviram reparos ao que tem sucedido, tem integrado distintas figuras do regime como Francisco Louçã, Luís Nazaré, João Talone ou Murteira Nabo. Diz a Lei que a este Conselho "compete pronunciar-se, não vinculativamente, sobre o relatório anual da atividade do banco e sobre a atuação do banco decorrente das funções que lhe estão atribuídas". Ninguém deu ainda por nada de relevante vindo de tão distintas personalidades. Menos ainda do seu sempre sorridente Governador, Carlos Costa, que é perito em atravessar um dilúvio sem se molhar e em se manter a boiar no meio da tempestade. O Banco de Portugal, assim, pouco mais é do que um refúgio de políticos reformados, escola de candidatos a ministros ou trampolim para cargos internacionais. Em suma, em vez de banco central é um albergue espanhol. O  Banco de Portugal mais parece um verdadeiro muro da vergonha.

 

SEMANADA - Em cinco anos foram apreendidos 2,5 milhões de comprimidos por suspeita de falsificação e os estimulantes sexuais estão no topo da tabela; a Câmara de Lisboa gastou 18 mil euros em carimbos para chancelar folhas de papel na mesma altura em que afirma estar a desmaterializar processos; entretanto o espólio da Hemeroteca Municipal continua depositado numa garagem com poucas condições há sete anos; na última década houve uma quebra de 16% nas vendas de livros de ficção; o julgamento de um homem que se fez passar por assessor do Presidente da República foi adiado cerca de um ano por o juiz ter alegado dor de dentes; o Ministério da Educação confirmou que a meio da janeiro continuavam a existir disciplinas que não tinham ainda iniciado as aulas por falta de professores; o sindicato dos inspectores da PJ está preocupado com o aumento de mulheres naquela polícia e pediu à Direcção que trave a entrada de uma maioria de agentes do sexo feminino; o Estado interrompeu as negociações com as famílias dos comandos mortos em instrução no ano de 2016 e o Governo entende que só pagará indemnizações às famílias se for obrigado em Tribunal; as obras num lote de terreno em Soltróia comprado em hasta pública à Autoridade Tributária, com garantia de construção, foram embargadas por uma resolução do Governo; em 2019 foram contabilizados 4192 médicos estrangeiros a trabalhar no país, um aumento de 8,8% em relação ao ano anterior; a filha de Ana Rita, a bombeira de Alcabideche que morreu em 2013 nos fogos do Caramulo, vai receber dez euros por mês de compensação pela morte da mãe, valor  a que se juntam 90 euros para alimentação; Carlos Siulva, militante socialista e líder da UGT, acusou António Costa de maltratar sindicalistas dentro do partido.

 

ARCO DA VELHA - O suspeito de ser o cabecilha do assalto a Tancos poderá ser libertado dentro de dias por atingir o prazo de prisão preventiva sem acusação formal do Ministério Público, tal como já aconteceu recentemente com os Hell Angels, suspeitos de associação criminosa e homicídio.

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LAPA NO DESERTO - Cada vez que passo próximo da sede da CGD lembro-me da Roménia do tempo de Ceausescu: um edifício megalómano e horrível, impositivo e arrogante. É lá que está instalada a Culturgest que podia ser uma das grandes instituições culturais do país se cuidasse melhor da sua relação com as pessoas. Mas, se a instituição mãe, que é o banco, destrata os seus clientes, que esperar do resto? O mais espantoso de tudo, nesta questão da relação com o Banco, é que os clientes da Caixa não têm, por regra, conhecimento do que se passa na Culturgest. E, embora tenham descontos em algumas actividades, elas são-lhes parcamente comunicadas, para não dizer escondidas. Parece que a Caixa tem vergonha de dizer aos seus clientes o que a Culturgest faz. Há uns anos tive ocasião de falar com um responsável da Culturgest na época, chamando a atenção para a forma como a sua instituição encarava a comunicação e como a relação com os públicos não era estimulada. Não pareceu sensível ao assunto, embora muitas vezes se queixasse da falta de pessoas nas actividades que promovia. Vem toda esta conversa a propósito de uma excelente exposição que abriu na Culturgest na semana passada, dedicada à obra de Álvaro Lapa. A exposição está muito bem organizada e montada, em torno da relação do artista com os livros (e a sua própria escrita), evidencia diversas facetas menos conhecidas da sua obra, nomeadamente mostrando a sua biblioteca e os seus “Cadernos de Escritores”. Até 19 de Abril poderá ver (deverá ver…) “Lendo Resolve-se: Álvaro Lapa e a Literatura”, a exposição de que falo e que devia ser amplamente divulgada, fora das rotinas habituais e pouco funcionais. O que motivou as minhas linhas foi o facto de lá ter ido num Domingo ao fim da manhã e praticamente não haver público. A exposição tinha aberto no Sábado anterior e não tinha ninguém, apesar de ser dia de entrada gratuita. Compare-se o que se passa aos Domingos no CCB ou na Gulbenkian e veja-se a diferença. É uma pena, Álvaro Lapa e Oscar Faria, que organizou a exposição, mereciam muito mais.

 

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UM QUARTETO - Quando me apetece encontrar alguma coisa nova para ouvir tenho algumas rotinas. Uma delas é ir ao site da editora ECM, ver as novidades e depois passear pelo Spotify a descobri-las. Foi assim que dei com “Not Far From Here”, o novo disco do quarteto de Julia Hulssman, uma pianista e compositora de jazz alemã. Aqui está acompanhada pelo saxofonista Uli Klempendorff, Marc Muellbauer no baixo e Heinrich Köbberling na bateria. O quarteto gosta de arriscar, mantendo uma enorme coerência na forma como dialoga entre si. O disco inclui composições de todos os músicos e uma Interpretação de “This Is Not America”, um clássico de David Bowie, feito em co-autoria com Pat Metheny e Lyle Mays, e que é um dos pontos altos do disco (retomado como derradeira faixa numa outra versão, apenas ao piano). Hulsmann assina cinco composições e uma delas, “Weit Weg” merece especial destaque pela forma como a pianista e o baixista dialogam, com uma quase imperceptível presença da bateria. O saxofonista Klempendorff é o elemento novo nesta formação, até aqui um trio que tocava há cerca de 17 anos e ele tem uma presença marcante, como aliás é patente na faixa de abertura “The Art Of Failing”.

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LÍNGUAS VIPERINAS - Michelle Dean é uma jornalista e crítica literária canadiana, atualmente a viver e trabalhar nos EUA. Tem escrito para as revistas The New Yorker, The New Republic, The New York Times Magazine e Elle e em 2016 foi distinguida com uma menção do National Book Critics Circle pela excelência da sua abordagem aos livros e autores. “De Língua Afiada”, agora editado entre nós pela Quetzal,  permite a Michelle Dean levar-nos a conhecer melhor um conjunto de mulheres que, segundo ela, fizeram da opinião uma arte. A primeira frase do livro é esclarecedora: “Reuni neste livro um conjunto de mulheres que têm o denominador comum de, ainda em vida, terem ficado conhecidas como sendo de língua muito afiada”. Susan Sontag, Dorothy Parker, Hannah Arendt, Rebecca West, Joan Didion, Mary McCarthy, Pauline Kael, Renata Adler, Janet Malcom e Nora Ephron são exactamente as línguas afiadas escolhidas por Michelle Dean. A autora apresenta cada uma destas mulheres, enquadrando-as no seu tempo, relatando como viveram, quase uma mini-biografia com a particularidade de em todas surgirem citações dos seus escritos que permitem ver como de facto tinham as línguas afiadas. Dean sublinha que “estas mulheres, cada uma à sua maneira, desbravaram um caminho para que outras pudessem continuar.”. Delicioso - quer pelas histórias, quer pelas citações.

 

UMA TAVERNA - Confesso que até agora as minhas experiências gastronómicas em Nisa, uma vila no Alto Alentejo, não eram nada entusiasmantes. Na generalidade coisas fracas, insípidas, sem ambiente nem graça - gustativa ou convivial. Desta vez, no entanto, tenho que rever a minha opinião. A culpa desta mudança reside na Travessa da Vila onde Paulo Bagulho dirige a cozinha com saber e imaginação. Mas comecemos pelo local - uma sala simples e simpática, serviço atento e pronto, mesas e bancos corridos. Para começar na mesa havia bom pão, queijo e azeitonas da região, todos de boa qualidade. Da ementa contava açorda de ovas com peixe do rio - no caso um safio frito - uma alhada de cação, lombinhos com molho de azeite e coentros e febrinhas do alguidar grelhadas. Há um vinho da casa, passável, mas para a qualidade da comida o melhor é mesmo ver uma das outras propostas da lista. Desta vez provou-se o safio que estava bem frito, no ponto, sem gordura e a açorda, que era rica em ovas e muito bem temperada. Os lombinhos com molho de azeite mereceram vários elogios. A sopa de cação, que infelizmente não foi provada, pode ser servida como entrada ou como prato principal. A Taverna da Vila fica perto do Castelo de Nisa, no Largo Dr. António José de Almeida 2 e tem o telefone 965890164. Está associada a um outro espaço, o Quintal da Festa, na Rua 25 de Abril 61, onde existe também uma mercearia com produtos locais - espaço mais dado a temperaturas mais altas que as actuais, onde também pontifica na cozinha o mesmo chef Paulo Bagulho, que gosta de vir às mesas falar com os clientes de forma descontraída. Esta Taverna fica no registo.

 

DIXIT - “Portugal deve a Eanes, para além da afirmação democrática e do esforço de consciencialização cívica, a recondução das Forças Armadas à sua função de defesa nacional, a atenção prestada tanto aos Açores e à Madeira, como ao interior e muitas preocupações de solidariedade social. “ - Jorge Miranda

 

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OS DOIS ESTAROLAS - Aobsil, sabem o que é? Há bandeirolas e anúncios de rua por todo o lado com esta sigla: AOBSIL.  Eu explico - é a nova marca de Lisboa. Na realidade é a palavra Lisboa escrita ao contrário. Esta palavra de difícil pronúncia é a nova marca da capital portuguesa. A bem dizer faz sentido: a gestão de Medina virou a cidade do avesso, faz sentido virar a palavra ao contrário. A nova marca da cidade nasceu na gigantesca operação de propaganda realizada a propósito de Lisboa ser agora a capital verde da Europa. O Sr. José Sá Fernandes, vereador desta causa, considera certamente ambiental caixotes de lixo a transbordar para o chão nas zonas históricas da cidade,  o cheiro nauseabundo que emana dos contentores ou a falta de limpeza que se tornou regra nesta cidade. Mas resolveu criar uma nova marca gráfica para a cidade, dizem os seus defensores que para evocar uma árvore. Em todo este exercício de vaidade e auto-satisfação vão ser gastos dezenas de milhões de euros ao longo do ano. A propósito de oabsil um dos mais prestigiados especialistas em desenvolvimento de marcas, Carlos Coelho, da Ivity, interrogou-se se Madrid passou a chamar-se Dirdam, ou se Paris passou a Sirap ou ainda se Londres pós brexit será Serdnol. De facto a ideia de mudar a marca da capital significa tratar mal a identidade da cidade, perdendo-se a oportunidade de Lisboa aparecer em grande, e com a sua identidade própria, num evento internacional como este. Mas indiferentes a estas questões menores os dois estarolas que nos governam a urbe, Medina&Fernandes, lá vão satisfeitos arredando pessoas da cidade e descaracterizando-a.

 

SEMANADA - Um estudo divulgado esta semana indica que um médico que trabalhe num dos serviços de cuidados paliativos dispõe em média de um máximo de nove minutos por dia para cuidar de cada doente; os atrasos na atribuição de subsídio de funeral chegam a atingir uma ano; os apoios do Estado a deficientes estão atrasados cerca de dois anos; a sede da PSP em Lisboa, na Penha de França, esteve em risco de ver a electricidade cortada por atrasos de pagamento das facturas; os bombeiros portugueses que ajudaram nas cheias em Moçambique ainda não receberam o valor que lhes é devido pela Protecção Civil desde Março do ano passado; o Governo decretou em Maio apoio financeiro para filhos até 6 anos de bombeiros voluntários mas ainda não foi disponibilizada qualquer verba para esse efeito; a Associação Nacional de Municípios considerou o Orçamento de Estado “absurdo e inaceitável” por contemplar um corte de 35 milhões de euros às autarquias e por violar a Lei das Finanças Locais;  em várias prisões os detidos são abastecidos de droga, armas e telemóveis através de drones e só em Paços de Ferreira já se verificaram este ano vários casos; há mais de três mil imóveis devolutos em Lisboa.

 

ARCO DA VELHA - O contrato de leasing de cerca de três dezenas de veículos da Protecção Civil chegou ao fim e os serviços da entidade não fizeram novo contrato, o que levou a firma locadora a recolher os veículos.

 

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UMA SÓ NOITE - Quando lerem estas linhas já não vão poder ver a exposição a que elas se referem. É uma exposição que apenas ficou patente durante algumas horas. Vai acontecer quatro vezes este ano, cada uma integrando novos artistas. Chama-se, por isso mesmo, “Esta Noite” e decorre, como aconteceu terça 14 de Janeiro, no ateliê Pedro Cabrita Reis, no Beato, entre as nove e meia da noite e a uma da manhã. A ideia de Pedro Cabrita Reis foi complementada por João Ferro Martins que com ele escolheu os artistas, todos eles à data da escolha sem galeria. Estão mesmo em princípio de carreira, nesta primeira Noite foram dez, serão meia centena até à última mostra. Os que expuseram na estreia tiveram oportunidade de mostrar o seu trabalho a coleccionadores, críticos, outros artistas. Foram vistos, ouviram opiniões de quem os não conhecia. “Esta Noite” é uma montra para talentos. a ideia da montra é aliás recorrente na forma como Pedro Cabrita Reis gosta de partilhar o palco. Ao longo de um ano, entre Abril de 2017 e Abril de 2018 organizou nas montras do British Bar, ao Cais do Sodré, uma série de exposições de pequenas peças de artistas que convidou, na generalidade com nome feito. Agora, em vez de uma montra física a dar para a rua, no centro da cidade, passou para a montra que forçosamente é o ateliê de um artista, neste caso o seu próprio espaço, que cedeu para que outros o pudessem utilizar e mostrar o que fazem. É recorrente em Cabrita Reis este impulso de descobrir e mostrar obras de outros artistas - foi assim que criou a sua própria colecção, comprando a muitos no início de carreira. “Esta Noite” é uma ideia generosa. Na imagem obras de Xavier Almeida e Cândido. Destaque também para o trabalho de Diogo Pinto e Luísa Passos.

 

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O PRAZER POP - Se quiserem ter uma ideia sobre o estado da música pop no arranque da segunda década do século XXI aconselho a que ouçam o álbum “Seeking Thrills”, de Georgia, agora editado. Está disponível no Spotify e em outras plataformas. Trata-se do segundo disco da intérprete britânica (o primeiro é de 2015) claramente centrado em conquistar as pistas de dança, com uma determinação assinalável e uma eficácia incontornável. Mas este não é só um disco de dança. Como todo o bom pop que se preza é um prazer para os ouvidos, uma companhia perfeita para várias ocasiões. Georgia Barnes tem 29 anos e foi construindo uma carreira de produtora paralelamente à de intérprete. Georgia faz parte de uma geração que quer recuperar a noção da natureza, que pretende uma vida saudável e se preocupa com o planeta, temas recorrentes das canções deste disco. Esta é a nova contemporaneidade que atravessa cada vez mais campos da criação artística, da música à literatura, passando pelas artes plásticas. Este é um disco onde o ritmo comanda - não é de admirar, Georgia é também baterista e, por exemplo, tocou com Kate Tempest. Musicalmente o álbum vai buscar referências aos anos 80, dando-lhes um tratamento sonoro actual - a capa é aliás um grupo de raparigas a dançar fotografadas em 1988 por Nancy Honey. “Seeking Thrills” é um compromisso entre influências musicais antigas com a sonoridade ajustada e preocupações sociais actuais. É, também por isso, um desafio. E um grande disco pop.

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ARTE EM PAPEL - Fundada em 2009 a revista “Elephant” é publicada em Londres quatro vezes por ano, sazonalmente, e propõe-se acompanhar as tendências da arte contemporânea. Tem uma forte presença online, num site próprio (elephant.art) e está no twitter, facebook e instagram. O seu lema é “life through art”. A revista dedica especial atenção a artistas emergentes e entre as suas actividades criou um laboratório onde promove residências artísticas, que depois são mostradas e relatadas nas várias plataformas. O site é permanentemente actualizado, com uma agenda diferente da edição em papel e, por exemplo, esta semana a notícia em destaque era uma visita à casa das Histórias Paula Rego, em Cascais. Já a edição em papel, datada deste Inverno, a número 41, parte de uma pergunta: “Será que a Arte pode salvar-nos, a nós e ao planeta?”. O debate sobre as alterações climáticas serve de pano de fundo para uma série de artigos e imagens que colocam em primeiro plano a forma como o mundo natural e os animais são apresentados visualmente. O lema da edição é conseguir voltar a tornar o mundo mais selvagem, com menor peso da intervenção humana. Regularmente há ideias editoriais interessantes - por exemplo a volta ao mundo em cinco cidades, falando do que do ponto de vista da arte contemporânea se passa em cada uma delas ou ainda a “Paper Gallery” onde se mostra de forma alargada a obra de um artista. Ligados ao tema da edição destaco o artigo “10 ideias sobre arte e meio ambiente” . Outro bom artigo fala sobre a importância do trabalho dos assistentes dos artistas, neste caso a propósito da montagem de uma peça complexa de Kara Walker  no enorme espaço da Turbine Hall da Tate Modern. A revista em papel pode ser comprada na Under The Cover, na Rua Marquês Sá da Bandeira 88, em Lisboa.

 

PETISCO - Esta semana vi-as, pela primeira vez neste ano, a serem vendidas à beira da estrada, em pequenos sacos - falo das túberas, esses tubérculos maravilhosos a que alguns chamam as trufas portuguesas. Mais abundantes no Alentejo, aparecem também no Ribatejo e normalmente entre finais de Janeiro até meados de Abril. Não é fácil perceber onde estão, debaixo da terra e descobri-las é um segredo bem guardado, que passa de pais para filhos. O seu sabor não é tão intenso como o da trufa, mas é delicado e envolvente. Misturadas com ovos mexidos é a forma mais frequente como são apresentadas. No restaurante lisboeta Salsa & Coentros elas fazem parte da lista de entradas e são muito bem confeccionadas. Por mim fico bem com ovos mexidos com túberas como prato principal, acompanhado de um bom pão fatiado fino. É um petisco. Em casa do meu Pai, que era um apreciador, às vezes eram feitas de fricassé - e ficam também deliciosas. Noutras vezes eram servidas como aperitivo, cortadas em fatias de uns 2mm que são bem grelhadas na chapa e polvilhadas com sal grosso. Ainda hoje, quando lhes deito a mão, não dispenso guardar algumas para fazer este aperitivo. Mas a minha preferência vai para os ovos mexidos, muito mal passados, com as túberas pelo meio. Para as cozinhar assim devem ser lavadas muito bem e descascadas, tendo cuidado para remover toda a terra. Se não forem consumidas nos dias mais próximos, podem ser congeladas depois de descascadas. Mas vamos à receita, bem simples: o ideal é cortar as túberas em fatias finas como se fossem batatas para fritar às rodelas, a seguir salteá-las  em azeite até estarem passadas, juntar ovos batidos com sal (com um pouco de pimenta se gostarem) e envolver. Os ovos devem ficar mal passados.  Para além da beira da estrada às vezes aparecem em boas lojas como a histórica Frutaria Bristol, na Rua das Portas de Santo Antão, junto ao Coliseu.

 

DIXIT - “Uma obra de arte é tão importante na construção da cidade quanto a habitação social, ou o desporto e a cultura…”  - Pedro Cabrita Reis.

 

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CENTENO NA DANÇA DO ORÇAMENTO

por falcao, em 10.01.20

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O BAILE ARMADO - O Orçamento de Estado é o contrário do que devia ser um documento que regulamenta como se gastam os dinheiros da nação. Devia ser transparente e é opaco - pelos vistos há verbas escondidas, e não são pequenas, para serem usadas e outros indicadores, como a verba para despesas imprevistas, a célebre “almofada” que não se vislumbram. A Unidade Técnica de Apoio Orçamental  do parlamento encontrou 255 milhões camuflados e considera poder existir uma suborçamentação naquele valor das receitas na proposta de Orçamento de Estado apresentada por Centeno. O Ministro das Finanças jura que esta análise está incorrecta, mas não falta quem ache que Mário Centeno criou um baú que permite ter uma confortável margem de manobra por parte do Executivo de António Costa para as negociações do OE2020 com os partidos pró-geringonça. Adicionalmente já se percebeu que o Orçamento de Estado para 2020 prevê maiores cativações do que as efectuadas em 2019. Com vários partidos a anunciarem que se vão abster ou votar contra, a maioria necessária para fazer aprovar o Orçamento vai estar dependente de muita negociação e de cedências aos partidos pró-geringonça. As negociações vão ser duras e a imprevisível deputada do Livre pode ter um grande protagonismo, de que gosta, em todo o processo. Em qualquer dos casos, mesmo depois de aprovado na generalidade, se isso acontecer por obra do Livre ou dos deputados da Madeira, há muito para renegociar nas votações na especialidade - onde a opacidade é ainda maior. E não há-de ser por acaso que na proposta de Orçamento para 2020 há muitos pontos em branco propositadamente deixados para essa negociação na especialidade. Na realidade o baile está armado em S. Bento. Para já o PS é o único a dizer que sim a Centeno, mas há uma fila de espera de pedidos e um baú para dar umas esmolas. E por cima disto tudo temos também a certeza de que esta será a maior carga fiscal de sempre. Os próximos dias vão ser animados, cheios de danças e contra-danças.

 

SEMANADA - A deputada Joacine Katar Moreira quis impedir a Assembleia da República de utilizar uma fotografia em que aparece na Comissão de Ambiente do Parlamento; segundo o presidente do Tribunal Constitucional, Manuel Costa Andrade, as verbas previstas para criar a nova Entidade da Transparência, que vai fiscalizar os políticos, não chegam para assegurar o seu funcionamento e  não há a "mínima preparação" para instalar este novo organismo; o preço das casas na periferia de Lisboa aumentou mais de 20% no terceiro trimestre de 2019; cerca de 1400 condutores já atingiram o limite de infracções e arriscam ficar sem carta de condução, triplicando o número dos que estavam nessa situação em 2018; as queixas relacionadas com os atrasos na atribuição de pensões aumentaram cerca de oito vezes em apenas três anos e atingiram 1600 no ano passado; a taxa de desemprego subiu para 6,7% em Novembro, o valor mais alto no espaço de um ano; na época do Natal, entre 1 de Dezembro e 2 de Janeiro, foram feitos pagamentos via multibanco a uma média de 242 milhões de euros por dia; em 2019 os portugueses gastaram em média 35,5 milhões de euros por dia a comer fora de casa; a maioria das câmaras municipais do norte do país não conseguiu atingir 50% de receitas próprias; pela primeira vez em 16 anos venderam-se mais carros a gasolina; em 2019 morreram 57 pessoas em acidentes com tractores registaram-se mais de cinco mil acidentes rodoviários entre o Natal e a passagem de ano que causaram 17 mortes; o Fisco cobrou imposto automóvel em excesso a cerca de 130 mil carros importados. 

 

ARCO DA VELHA - A nova Feira Popular de Lisboa, anunciada por Fernando Medina há quatro anos, ainda não saíu do papel nem tem data prevista de inauguração mas já se sabe que custará 70 milhões.

 

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IMAGENS MARGINAIS - Américo Filipe e Teresa Almeida e Silva apresentaram esta semana  na Galeria Monumental uma nova etapa do seu projecto comum “Estrada Marginal”, que mostra  pintura e video de Américo Filipe e pinturas de Teresa Almeida e Silva. (Campo dos Mártires da Pátria 101). Na Módulo - Centro Difusor de Arte, inaugura sábado “A Cor da Sombra” de Joana Hintze (Calçada dos Mestres 34). Outros destaques: “Os Dias das Pequenas Coisas” de Sarah Affonso no Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Chiado e “Sombras e Outras Cores” de Manuel Baptista no Museu Arpad Szenes- Vieira da Silva.  Entretanto até sábado ainda podem ver algumas das exposições marcantes das últimas semanas: obras de Sérgio Pombo feitas entre 1973 e 2017 na Fundação Carmona e Costa, “Parasita” de Rita Ferreira na Travessa da Ermida, “Formas Antigas, Novas Circunstâncias” de André Guedes na Galeria Vera Cortês, “O Narcisismo das Pequenas Diferenças” de Pauliana Valente Pimentel no Arquivo Municipal de Lisboa - Arquivo Fotográfico, “Jorinde e Joringel”, de Daniela Krtsch e “Double Poetics” , de Joana Gomes, na Galeria Belo Galsterer.

 

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UM TRIO INESPERADO - Não me canso de dizer que o trio é uma das minhas formações preferidas no jazz. O trio clássico inclui geralmente piano, baixo e bateria, mas no caso do disco de que hoje falo há uma curiosa situação: um dos músicos toca piano, trompete e teclados e ainda tem umas participações vocais. O músico em questão é Nicholas Payton, aqui acompanhado por  Kenny Washington na bateria e por Peter Washington no baixo. “Relaxin’ With Nick” é um duplo CD gravado nos dias 30 e 31 de Maio e 1 de Junho de 2019 no palco do Smoke - Jazz and Supper Club, de Nova Iorque. Ao todo são quinze temas, divididos pelos dois discos deste duplo CD, disponível no Spotify. Um dos temas incontornáveis é “Jazz Is A Four Letter Word”, a meio do primeiro disco. Payton começa com acordes do seu Fender Rhodes, acompanhado pelo baixista, enquanto explica que a música foi inspirada por um livro em que Max Roach estava a trabalhar na altura em que morreu. Payton, que fala e canta neste tema, passa do Fender Rhodes para o piano e depois para o trompete, num diálogo arrebatador com os outros dois músicos. Arrisco dizer que este é o tema mais emblemático de um disco onde também se destacam “1983”, “I Hear A Rhapsody” ou “Five”.

 

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GESTÃO POLÍTICA - Luis Reis, um dos nomes fortes da gestão histórica da Sonae, tem vindo a aumentar a sua actividade mediática, quer através de colunas de opinião, quer envolvendo-se mais directamente em política, como no caso das eleições internas do PSD em que aparece a apoiar um dos candidatos contra Rio. Aqui estão cerca de seis dezenas dos artigos que Luis Reis publicou entre Setembro de 2012 e Outubro de 2019 e que reflectem a sua observação da realidade económica e política portuguesa nesse período. Nos seus textos Luis Reis passa em revista a actuação dos governos de Passos Coelho e de António Costa e a acção dos ministros das finanças, nomeadamente de Vitor Gaspar e Mário Centeno. Luis Reis aborda os problemas que na sua perspectiva melhor caracterizam as dificuldades da nossa sociedade e da nossa economia. Além da sua actividade enquanto gestor, Luis Reis tem uma extensa carreira académica e participações em associações empresariais portuguesas e internacionais. Nas suas intervenções que aqui se recolhem tem insistido na necessidade de uma oposição mais activa que faça propostas novas, aponte reformas, defenda a modernidade. A última frase do livro, escrita depois das eleições de Outubro passado, diz tudo: “Lamento o pessimismo com que encaro os próximos quatro anos, mas navegar com Costa à vista é receita segura para naufrágio!”.

 

UM CLÁSSICO - Os buffets de almoço são geralmente uma aposta arriscada - coisas requentadas, sobras diversas, muitas vezes um aspecto um pouco enxovalhado. Uma boa excepção a esta regra é o buffet do histórico São Bernardo, hoje em dia na Junqueira, desde que há uns anos saíu da Lapa. Para além do take away que deu nome casa, o São Bernardo tem no segundo andar uma zona de restaurante que ao almoço funciona em buffet e que à noite pode ser reservado para grupos ou eventos. Mas vamos ao que interessa - este buffet é um clássico:  não sofre das maleitas da maioria, é diversificado, inclui sopa, entrada, prato de carne ou peixe, bebidas (vinho da casa branco ou tinto, água, sumo do dia ou limonada), além de sobremesa e café. O preço é 17,50, as mesas são confortáveis. Não é fácil encontrar clientela abaixo dos 40 e a orientação da cozinha é a gastronomia portuguesa. Num destes dias havia umas tenras tiras finas de choco frito acabado de fazer, uma belas empadinhas de frango e um saboroso frango com alecrim e mel. Nos acompanhamentos destacavam-se umas migas de couve, arroz árabe e batatinhas no forno,  além de uma boa variedade de saladas. Nas sobremesas há sempre fruta laminada e doces. no caso um bolo de chocolate e uma tarte de frutos silvestres. A qualidade da confecção é muito boa, a qualidade da matéria prima é constante. No São Bernardo não há lugar a más surpresas e no fim do almoço pode sempre escolher um dos pratos cozinhados e embalados para levar para casa.

 

DIXIT - “Era giro que, ao entregar o Orçamento ao Presidente da AR, Centeno fosse parado numa daquelas operações stop organizadas pela Autoridade Tributária e lhe esquadrinhassem a pen à procura de receitas ocultas” - José Diogo Quintela

 

BACK TO BASICS - “Um bom gestor garante que as coisas fiquem bem feitas; um líder consegue que se façam as coisas certas” - Peter Drucker

 



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DUAS DÉCADAS PERDIDAS

por falcao, em 03.01.20

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O ESTADO DA NAÇÃO -  As duas primeiras décadas deste século são um somatório de oportunidades perdidas para Portugal. Não se fizeram reformas estruturais e as poucas mudanças que se fizeram acabaram por ser em boa parte revertidas. A presença de portugueses em cargos internacionais de relevo ao longo destas duas décadas é inversa em relação às melhorias e aos progressos verificados no país. Foram duas décadas de degradação do sistema político, do surgimento de numerosos casos de corrupção de várias dimensões, de descrédito do parlamento e dos partidos do sistema. Foram anos de aperto, de destruição de valor, de colapso de instituições financeiras, de degradação dos serviços públicos. A responsabilidade de tudo isto é repartida pelos partidos que estiveram no Governo, sem excepção. Continuámos a ver as promessas eleitorais serem desmentidas na prática logo a seguir à contagem dos votos. O sistema deixou de usar a confiança como moeda de troca. A justiça é uma miragem. Os cidadãos pagam mais ao Estado e recebem menos. Os eleitores afastam-se cada vez em maior número dos processos eleitorais. Os governantes são eleitos por uma minoria. As grandes cidades estão a deixar de ter habitantes, trocados por visitantes. A especulação imobiliária instalou-se. Em Lisboa o programa político da autarquia é afastar os lisboetas, tornar-lhes a vida difícil e deixar a sujidade e a porcaria invadir toda a cidade. Na primeira vintena de anos deste século o progresso foi pouco e o retrocesso foi enorme. É este o estado da nação no início de uma nova década.

 

SEMANADA - O peso dos impostos e das contribuições sociais efetivas aumenta para 35% do Produto Interno Bruto segundo a proposta do Orçamento de Estado para 2020; em 2019 a cobrança fiscal bateu novo recorde, com o fisco a arrecadar 5,2 milhões de euros por hora; o défice do Serviço Nacional de Saúde aumentou 72 milhões de euros;  em 2019 a GNR deteve mais de 30 pessoas, só no Algarve, sob acusação de violência doméstica; ainda em 2019 registram-se 35 mortes em contexto de violência doméstica - 27 mulheres, uma criança e sete homens; duplicaram as queixas de trabalhadoras por discriminação e a maioria dos processos são de mulheres empregadas em híperes e supermercados;  o crédito concedido este ano atingiu o maior valor desde final de 2014; a avaliação bancária das habitações para a atribuição de crédito voltou a bater níveis máximos em novembro; o número de reclamações em relação aos transportes públicos atingiu este ano um valor recorde, com a maior parte das queixas a incidirem nos comboios e no metro de Lisboa;  uma em cada cinco queixas é sobre mau atendimento; são registados quatro bebés por dia com pai incógnito; o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto SS, classificou a gestão das empresas portuguesas como de “fraquíssima qualidade” num discurso para portugueses que prosseguiram as suas carreiras académicas no estrangeiro. 

 

ARCO DA VELHA -  A Entidade da Transparência, criada há seis meses para fiscalizar as declarações de rendimentos de políticos e altos dirigentes da administração pública, não tem dotação orçamental no novo Orçamento de Estado.

 

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RENASCIMENTO  - Uma boa ideia para começar o ano é visitar o Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, para ver a exposição  sobre a obra de Alvaro Pirez de Évora, o mais antigo pintor nascido em Portugal, e que trabalhou na região da Toscana, em Itália, entre 1410 e 1434. No retábulo da Igreja de Santa Croce de Fossabanda, próximo de Pisa, está uma das suas obras e na assinatura o autor diz-se oriundo de Évora.  São conhecidas cerca de 50 pinturas da sua autoria e é reconhecida a qualidade plástica e a importância histórica da sua obra. Da exposição fazem parte pinturas conservadas em Portugal, e ainda obras dos grandes pintores toscanos do seu tempo. Ao todo são mostradas cerca de 85 peças que permitem enquadrar o contexto cultural e artístico em que se desenvolveu a arte de Alvaro Pirez d’Évora. Esta mostra, a mais completa realizada até hoje sobre este pintor,  conta com empréstimos de grandes museus europeus e coleções privadas de referência, de Itália, França, Alemanha, Hungria e Polónia. A exposição é fruto de uma colaboração entre o Museu Nacional de Arte Antiga e o Polo Museale della Toscana e testemunha as intensas relações da área mediterrânica nos alvores do Renascimento. Esta mostra da obra de Alvaro Pirez de Évora fica até 15 de Março, na galeria das exposições temporárias do Museu Nacional de Arte Antiga, no piso zero.

 

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HOT RATS - Frank Zappa fez 62 álbuns em 52 anos de vida e desde a sua morte, ocorrida em 1993, os seus herdeiros já lançaram quase mais seis dezenas. O mais recente é a revisitação de The Hot Rats Session, em seis discos. Hot Rats foi o primeiro grande disco dos Mothers Of Invention, em 1969, e o álbum original tinha 43 minutos que oscilavam entre influências de jazz improvisado e o rock. Nas notas da fantástica capa, o próprio Frank Zappa chamava-lhe “um filme para os vossos ouvidos”. Nesta nova edição estão sete horas e 19 minutos que mostram o trabalho de Zappa e dos outros músicos ao longo das sessões de estúdio que levaram aos disco original. O seu talento de compositor ressalta e nas gravações pode sentir-se o génio a trabalhar, repetindo solos, improvisando, procurando o som pretendido e a melhor solução instrumental. Hot Rats,  o título, vem segundo o que Zappa contava, do que ele achava que soava um solo de Archie Shepp. Nesta recolha de conversas de estúdio (como no disco seis) e horas de ensaios, há a prova do experimentalismo, do sentido de aventura e de descoberta que sempre caracterizou a obra de Frank Zappa, com muito humor e provocação pelo meio. Esta nova edição não tem as sessões integrais, mas sim pedaços escolhidos que permitem compreender melhor como o disco original se tornou num clássico e a quantidade de trabalho que foi colocada no seu processo criativo. Frank Zappa, The Hot Rats Sessions, está disponível no Spotify.

 

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HERANÇAS - A “Cereal” é uma revista de lifestyle, que se publica duas vezes por ano, e em cada edição visita um conjunto de destinos, publica entrevistas e artigos sobre design, moda e arte. A edição de Outono/Inverno de 19 é dedicada o tema da herança, no sentido do legado, da tradição que passa de geração em geração. É uma edição quase intemporal - até a moda não tem data marcada. Rosa Park, a directora da publicação, escreve no texto de introdução que evocar o que nos é deixado “é procurar alcançar a imortalidade, vivendo as memórias daqueles que amámos”. Nesta edição explora-se a arquitectura de Gio Ponti num hotel intemporal em Sorrento e de Carlo Scarpa num túmulo desenhado em 1906. Pode ainda ver-se o trabalho desenvolvido para a Ruinart por Jonathan Anderson e um olhar sobre o estúdio onde Joan Miró trabalhava. Um dos melhores momentos é o portfolio fotográfico de Fan Ho, que com uma Rolleiflex retratou a Hong Kong dos anos 50 do século passado. Esta “Cereal” dá destaque a João Rodrigues, o português que com Manuel Aires Mateus desenvolveu o projecto das Casas na Areia da Comporta, que esteve na Bienal de Veneza em 2008. Depois, também com Manuel Aires Mateus, vieram a Casa no Tempo, no Alentejo, e as Cabanas no Rio, também na Comporta, além do Hotel Santa Clara 1728, em Lisboa. Estes quatro projectos são enquadrados pela marca comum “Silent Living”, que procura combinar a tranquilidade de cada local com um acolhimento familiar. Não é a única presença portuguesa nesta edição da “Cereal” que conta também com uma página de publicidade da marca “Flanela Portuguesa”.

 

COMIDAS - “O Homem Que Comia Tudo” é o blog de Ricardo Dias Felner, um dos melhores sítios para se obterem conselhos em matéria de novos restaurantes e de sugestões gastronómicas. O blogue todos os anos atribui os Prémios Cometa, acabados de revelar e que podem ser consultados em   ohomemquecomiatudo.com. Do texto introdutório à lista dos premiados destaco este excerto: “ainda falta um chef que meta todo o empenho e investimento na tarefa de fazer um restaurante moderno e ambicioso de cozinha regional portuguesa; ainda falta um Solar dos Presuntos actualizado, menos posh e menos vinha d’alhos, mas igualmente impecável no produto e no serviço”. Há prémios para todos os gostos, desde o melhor fine-dining até ao melhor ramen ou comida italiana, passando pelo melhor amouse-bouche, melhores mexicano, chinês, coreano ou japonês do ano. E claro, o chef do ano, o balcão do ano, o snack-bar do ano, a entrada do ano, a sobremesa do ano e mais uma série de inesperadas categorias que vale a pena conhecer. Vão ao blogue que vale a pena - podem a partir daí constituir um roteiro para interessantes descobertas em matéria gastronómica.

 

DIXIT - “Como é que um socialista consegue um excedente orçamental? - Aumenta os impostos.  Quem paga o excedente? - Os contribuintes. E que faz um socialista com um excedente? - Alimenta a grande família socialista. “ - Vicente Ferreira da Silva.

 

BACK TO BASICS - “Experiência não é o que acontece a cada um de nós, é aquilo que fazemos com o que nos acontece” - Aldous Huxley.



 



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