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O PESO DA ABSTENÇÃO - As eleições, como as que teremos Domingo 26, levantam três questões essenciais para que a democracia funcione: uma revisão e actualização da Lei Eleitoral, adequando-a à evolução da sociedade e da tecnologia desde 1975, a expectativa de que estas mudanças e uma reforma do sistema político-partidário ajudem a combater a abstenção galopante e, finalmente, uma actuação de fiscalização que evite a repetição do regabofe em que António Costa andou nestes dias perante a complacência da CNE, chegando a insinuar que autarcas do PS conseguirão utilizar melhor os dinheiros da bazuca que os de outros partidos. Peguemos no histórico das autárquicas e vamos a números. Estes, que hoje utilizo, foram compilados pela MARKTEST. Entre 1976 e 2017, a taxa de participação eleitoral nas autárquicas baixou 15%, passando de 64.6% em 1976 para 55.0% em 2017. Esta quebra foi mais acentuada nos distritos de Setúbal, Lisboa e Faro, ao contrário dos distritos de Bragança, Castelo Branco, Guarda e das Regiões Autónomas, únicas regiões onde a taxa de participação aumentou em 2017 face a 1976. Consequentemente, a taxa de abstenção aumentou, de 35.4% para 45.0% no período em análise. O ano de 1979 foi o ano de maior participação eleitoral. Nesse ano, 73.8% dos eleitores inscritos participaram nas eleições para a Câmara Municipal. Pelo contrário, 2013 e 2017 foram os anos com menor percentagem de participação nas autárquicas (respetivamente, 52.6 e 55.0%). Há quase metade dos eleitores que não têm participado nas autárquicas e os partidos não promovem as reformas necessárias para alterar este estado de coisas. Será porque lhes dá jeito?

 

SEMANADA - As aulas começaram mas em muitos casos sem os manuais escolares cuja entrega se atrasou; os salários dos professores com 15 anos de experiência subiram nos países da OCDE entre 2005 e 2020, à excepção de Portugal onde diminuíram 6%; a Presidente do Conselho das Finanças Públicas disse no Parlamento que a instituição que dirige tem dificuldade em obter do Ministério das Finanças a informação imprescindível para escrutinar o trabalho do Governo; o endividamento das empresas privadas atingiu 269,5 mil milhões de euros em julho, o valor mais elevado desde os 269,9 mil milhões de euros registados em março de 2014; três meses depois do acidente com a viatura oficial de Eduardo Cabrita, que vitimou um trabalhador na A6, ainda não se sabe a velocidade a que ía o veículo; segundo a DECO, por cada 100 euros pagos na conta de electricidade 46,5 € são para impostos e taxas; o leilão da rede de telecomunicações 5G já dura há mais de nove meses e não há perspectivas de quando poderá haver oferta comercial da rede móvel de quinta geração; a pandemia provocou uma quebra de quase 25% na compra de sapatos em Portugal em 2020; nos últimos oito anos o número de câmeras de vigilância nas ruas passaram de 38 para mais de 850 e Amadora e Lisboa são os concelhos mais vigiados dos 14 que instalaram videovigilância ;  existem 239 ex-políticos e juízes com subvenções vitalícias pagas pelo Estado; a Câmara Municipal de Lisboa tem cerca de dois mil fogos devolutos que podiam ser reabilitados para habitação social; segundo a Marktest perto de seis milhões de portugueses costumam ler notícias online, uma tendência que cresceu 28% desde 2013.

 

O ARCO DA VELHA - Fernando Nobre, médico, fundador e presidente da AMI, esteve presente a apoiar uma manifestação de negacionistas, não aceita a vacinação contra a Covid-19 e recusa-se a usar máscara.

 

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RETROSPECTIVA & COLECTIVA -  Há muito para ver na galerias lisboetas, entre retrospectivas, revelações e colaborações. Vou começar pela retrospectiva de Sofia Areal, na Fundação Carmona e Costa. A exposição, “20 anos para a frente, 20 anos para trás” permite viajar pelo percurso criativo da artista através de 130 das suas obras feitas ao longo de quatro décadas. ​​A exposição é acompanhada por um livro com textos de José Luís Porfírio, Jorge Silva Melo, Ricardo Escarduça e Martim Brion, que foi o curador da exposição. Nascida em Lisboa, em 1960, Sofia Areal (na imagem) tem desenvolvido o seu trabalho na pintura, desenho, colagem, ilustração, design gráfico, desenho têxtil e cenografia. A exposição fica até 18 de Dezembro na Fundação Carmona e Costa, Rua Soeiro Pereira Gomes Lote 1. Uma outra exposição inaugurada por estes dias e de visita muito recomendada é “Matéria Luminal” que fica no Museu Berardo até 9 de Janeiro. Com curadoria de Sérgio Mah, a exposição mostra abordagens artísticas em torno da luz com obras relevantes desde meados dos anos 60 até à actualidade. Cerca de quatro dezenas de artistas estão representados, proporcionando uma visão conjunta, infelizmente rara, do seu trabalho. Esta é mais uma razão para visitar “Matéria Luminal” e ter uma visão de conjunto de trabalhos de nomes como Ana Jotta, Palolo, Cabrita, Fernando calhau, João Paulo Feliciano, Jorge Martins, Jorge Molder, José Barrias, Julião Sarmento, Lourdes Castro, Manuel Rosa, Miguel Palma, Paulo Nozolino, René Bertholo ou Rui Chafes, entre outros.

 

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OS DESAFIOS - No Pavilhão Branco, do Palácio Pimenta, Pedro Calapez e Alexandre Conefrey apresentam um conjunto de trabalhos inspirados pela obra “Viagem de Inverno”, poemas de Wilhelm Muller musicados por Schubert em 1827, uma obra musical cara aos dois artistas. É a segunda exposição recente de Pedro Calapez em parceria com outro artista - a outra é “Seja Dia Ou Seja Noite Pouco Importa”, com André Gomes,  ainda patente no Museu Berardo até 17 de Outubro. Nestes trabalhos apresentados no Pavilhão Branco é sensível uma mudança - já anteriormente enunciada - do trabalho de Pedro Calapez, que está a percorrer um território visual diverso do que nos últimos anos trabalhou com um resultado francamente surpreendente. Neste caso o contraste entre as pinturas de grande dimensão de Calapez e as pinturas de pequeno formato de Alexandre Conefrey (na imagem) é amplificado pela montagem criativa do curador da exposição, Sérgio Fazenda Rodrigues. Conefrey apresenta também um conjunto de desenhos, num curioso contraste com as pinturas. A exposição fica no Pavilhão Branco até 14 de Novembro. E por fim a grande surpresa da semana - “Pick A Card, Any Card”, a exposição inaugural de Isa Toledo, na Galeria Miguel Nabinho (Rua Tenente Ferreira Durão 18). A sua matéria prima é a palavra, quer nas pequenas folhas de bloco notas, juntando palavras e frases e criando painéis, quer nos vídeos (que podem ser vistos no Instagram da artista).Verdadeiramente surpreendente.

 

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DANÇA & ARQUITECTURA - Nunca fui a Luanda, uma cidade que de alguma forma me atrai. Sente-se que existe uma comunidade artística activa, em diversas áreas. Um livro recentemente editado, “Lugares Incorporados”, fez-me ficar com mais vontade de a conhecer. A ideia do livro é desafiadora: dezasseis bailarinos de quatro gerações da Companhia de Dança Contemporânea de Angola foram fotografados em conjunto com dezasseis edifícios e lugares da cidade de Luanda que revelam os laços sociais e afetivos que se estabelecem entre as pessoas e os lugares que habitam. As fotografias são de Rui Tavares e mostram um património importante para a caracterização, a história e as memórias da capital de Angola. As imagens exploram as afinidades entre a Dança e a Arquitectura, espelhando as relações entre o corpo, o movimento e o espaço. O livro, “Lugares Incorporados”, patrocinado pela Sociedade Mineira de Catoca e editado pela Guerra & Paz, pretende também alertar para o risco que corre uma boa parte deste património edificado, “na esperança de que possa ser resgatado, recuperado e devolvido à sociedade luandense”. O autor das fotografias, Rui Tavares, é angolano e desde 1991 interessa-se pelas imagens de dança. Começa nessa época a sua colaboração com o Conjunto Experimental de Dança, que mais tarde deu origem à Companhia de Dança Contemporânea de Angola, de que é um dos membros fundadores. O livro mostra edifícios como os dos Armazéns da Baixa de Luanda, a Casa do Sobrado, a Cervejaria Biker, o Cine Karl Marx, o Edifício da Lello, o Governo Provincial de Luanda, o Mercado do Kinaxixi, o Palacete Cor de Rosa e o Teatro Avenida, entre outros. Os textos que enquadram as fotografias de Rui Tavares, são de Isabel Martins e Cristina Pinto.  Ana Clara Guerra Marques coordenou o projecto. O livro está disponível em Portugal no site da editora - guerraepaz.pt  .

 

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UMA BANDA SONORA - “Flag Day” é o filme de Sean Penn que esteve presente no Festival de Cannes deste ano, onde foi aplaudido. Baseado numa história verídica, "Flag Day" conta a vida de um pai, John Vogel (Sean Penn), que subsiste graças a pequenos furtos para poder sustentar os seus filhos. Para fazer a banda sonora do filme Penn convidou Eddie Vedder, que por sua vez se fez acompanhar por Glen Hansard, pela sua filha Olivia Vedder e por Cat Power. O resultado é uma colecção de 13 canções, a maioria originais, mas com algumas inspiradas versões como “I Think of Angels”, do islandês Kristján Kristjánsson, interpretada por Cat Power com a presença do próprio Krisján nos coros,  ou “Drive” dos R.EM., revisitada pelo próprio Eddie Vedder. Além disso, há oito canções compostas por Vedder e Hansard e três novas canções de Cat Power. Olivia Vedder canta na faixa de abertura, “My Father’s Daughter” e em “There’s A Girl” e é uma boa surpresa. O segundo tema da banda sonora é a faixa título, “Flag Day”, uma balada que é um dos melhores temas originais desta banda sonora. “I Am a Map,” “I Will Follow,” and “Dream” são os três temas originais de Cat Power e todos merecem atenção. O álbum tem  uma produção minimalista, arranjos simples, essencialmente acústicos e o resultado é uma banda sonora invulgarmente bem conseguida. Disponível nas plataformas de streaming. 

 

DIXIT - ​​"Temos em Portugal, no presente e desde há muito, uma sociedade rígida, pouco aberta à mudança e à inovação, cujas regras do jogo e incentivos são perversos e pouco claros. Uma sociedade com abusos de poderes dominantes com cliques partidárias, empresariais, corporativas ou familiares, que ocupam e dispõem de lugares marcados. Por um lado, não permitem o surgimento de novos actores e, por outro, não permitem o fim de projectos sem viabilidade. " - António Carrapatoso



BACK TO BASICS - “As pessoas não devem ter medo de quem as governa; são os governantes que devem temer o que os cidadãos pensam deles" - Alan Moore.

 






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publicado às 11:00

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O governo da nação anda num frenesim. Costa não pára sossegado, desdobra-se em promessas e no desfiar das maravilhas do PRR nos numerosos comícios das eleições autárquicas onde tem andado a apaparicar as listas do PS, de norte a sul do país. Aliás não anda sózinho: da Ministra da Saúde ao Ministro das Infraestruturas, dois putativos concorrentes à sucessão de Costa, a máquina socialista actua como uma central de propaganda. António Costa até parece que concorre em múltiplos concelhos, está em todo o lado. Mesmo sem estar em nenhuma lista é o maior protagonista destas autárquicas, sempre a distribuir brindes para o futuro. Chega ao ponto de insinuar que os autarcas socialistas serão melhores a aplicar os fundos da bazuca que os de outros partidos. A sempre expedita Comissão Nacional de Eleições, que andou atrás de autarcas que queriam apenas dizer o que tinham feito no seu concelho, limita-se a timidamente recordar que o executivo tem um dever de neutralidade face aos desmandos eleitoralistas governamentais. Assim a CNE age como fiel serventuária do regime e de quem nele manda. Em resposta à observação, Costa passou todo o fim de semana a fazer mais do mesmo: distribuir promessas e evocar sucessos e amanhãs maravilhosos com o PS a mandar. É um contraste com o que se passou, por exemplo, com Carlos Carreiras e Isaltino de Morais, que estão entre os autarcas que se viram impedidos pela CNE de divulgar o que foi feito nos municípios que governaram durante este mandato.  Na sequência do ocorrido Carlos Carreiras acusou a CNE de “falta de independência” e de ser “manifestamente partidarizada e governamentalizada”. Bazuka por todo o país, promessas de diminuição de impostos, juras de descentralização sem dados concretos, este é o reino do vale-tudo. A batota eleitoral foi oficialmente instituída pelo Governo. Como Fernando Sobral bem escreveu na sua coluna no Jornal Económico: "Muitos candidatos não dizem o que podem fazer pelo país; nunca param de pensar no que o país pode fazer por eles." Um bom exemplo disso é Lisboa, que Fernando Medina encara como uma rampa de lançamento para vôos futuros. Lisboa promete ser o palco de uma disputa renhida entre o socialismo e a liberdade.  Medina transformou a Câmara Municipal num clube de interesses privados, actuação bem visível nos casos recentemente divulgados da área do urbanismo.  Como se viu no caso das informações a embaixadas estrangeiras, Medina não sabe sequer o que os seus serviços fazem em áreas tão delicadas como o respeito à privacidade e à defesa da liberdade de manifestação. E quanto a trabalho realizado, a realidade é esta:  das promessas que fez na anterior campanha executou apenas nove das 30 medidas mais importantes que então prometeu. Em contrapartida fez muita coisa de que nem falou na sua anterior campanha, nomeadamente tornar o trânsito em Lisboa num inferno, tornar a vida na cidade mais desconfortável para quem cá vive. Termino a citar Isabel Diaz Ayuso, Presidente da Comunidade de Madrid, que nas mais recentes eleições derrotou a esquerda, numa mensagem que dirigiu a Carlos Moedas: “Como em Madrid, há que libertar Lisboa das políticas socialistas fracassadas e do seu amiguismo para que os cidadãos e empresas cresçam em liberdade, numa sociedade pujante, uma Lisboa livre, aberta a todos. Socialismo ou Liberdade?”. No fundo, é isto.

 

Publicado em https://multinews.sapo.pt/opiniao/governo-ou-central-de-propaganda-socialismo-ou-liberdade/

 

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publicado às 12:08

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ESTA LISBOA QUE AFUNDOU - Desde 2007 é o PS que manda em Lisboa - primeiro com Costa e logo a seguir com Medina. Agora, ao fim de 14 anos Medina espalha pelos cartazes que defende “o direito à cidade”. Vamos lá a ver os factos: segundo a Pordata entre 2009 e 2020, a população residente de Lisboa diminuiu de 550.466 para 509.565 (um decréscimo de 7,4%). Em 2020, dos 509.565 residentes no município de Lisboa, 106.971 eram estrangeiros, mais 63194 do que em 2009.  Em 2009 nasceram em Lisboa 6220 bebés e em 2020 o número desceu para 5697.  Em 2009 em Lisboa por cada 100 habitantes 61,7 estavam em idade activa e em 2020 eram apenas 55. Em 2009 havia 72.189 alunos nas escolas de ensino básico público da cidade, em 2019 o número tinha descido para 63.911; em 2009 existiam 190 alojamentos turísticos em Lisboa, em 2019, antes da pandemia, contabilizavam-se 713; em 2009 a despesa da Câmara Municipal de Lisboa em actividades de Cultura e desporto significava 30,6% do total da despesa, esse número caíu para 8,4% em 2019. Os filhos dos lisboetas vão viver para a periferia e há 85 mil idosos a viver sózinhos ou na companhia de alguém da mesma idade na cidade. Um projeto da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, designado Radar, recolheu dados de uma amostra de 30 mil destes seniores, e concluiu que 27 mil, ou seja 92% destas pessoas, não têm acompanhamento por parte de instituições, e, muito menos da autarquia. O meu maior desejo é que nestas eleições se conseguisse inverter esta tendência, que a cidade renasça e consiga cativar mais jovens, mais pessoas em idade activa, que a cidade deixe de ser um cenário para turista ver e sim um local onde os alfacinhas possam viver. O PS e Medina pioraram todos os indicadores desde que estão à frente de Lisboa. Alguém acredita que agora vão mudar? Se querem mais quatro anos de promessas não cumpridas votem mais Medina: das promessas que fez na anterior campanha executou apenas nove das 30 medidas mais importantes que então prometeu.  

 

SEMANADA- Em 1981, em Portugal, tínhamos 45,4 idosos por cada 100 jovens, em 2019 tínhamos 161,3; em 1981 tínhamos 25,1% da população a receber pensões de reforma, em 2019 o número tinha subido para 40,5%; em 1999 tínhamos 14.643 estabelecimentos de ensino públicos dos vários graus de ensino e  em em em 2020 tínhamos 5.644; em 1986 existiam em Portugal 24.938 publicações periódicas em 2019 o número reduziu para 19.323;as eleições autárquicas mais concorridas dos últimos anos foram as de 2009 com 5,5 milhões de votantes e as que registram maior abstenção foram as de 2013, nas quais quase metade dos eleitores não votaram; no segundo trimestre de 2020 a dívida pública era de 125,7%  do PIB e em idêntico período de  2021 tinha subido para  132,8%; em 2001 existiam 669 estações de comboio e em 2019 o número tinha descido para 549; em 1968 a rede ferroviária activa tinha 3.592 kms e em 2020 tinha 2.526 kms; em 1980 os comboios transportavam 224 mil passageiros e em 2019 o número foi de 175 mil; em 1979 o emprego nas administrações públicas era de 9% da população activa e em 2019 já tinha subido para 13,3%; em 2000 a receita fiscal do Estado totalizava 25.669 milhões de euros e em 2020 atingiu 43.222 milhões; no mesmo período os impostos directos subiram de 11,3 mil milhões para 19,1 e os indirectos de 14,3 mil milhões para 24. Todos os números são da Pordata.

 

O ARCO DA VELHA- A deputada independente Joacine Katar Moreira, eleita pelo Livre, quer  retirar os painéis evocativos dos Descobrimentos, que estão no Salão Nobre da Assembleia da República, e que ilustram cenas evocadas n’Os Lusíadas.

 

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UMA FAMÍLIA ESPECIAL - Os Bruhhoff são uma família que transformou a vida da cultura europeia – e a francesa em particular. Um dos seus membros, Jean, foi o criador de uma figura incontornável da literatura infantil Babar, outro esteve na origem da “Vogue” francesa. Yseult Williams, jornalista, neta de um físico nuclear irlandês e de um dos pioneiros do moderno cinema britânico, é a autora de “O Esplendor dos Brunhoff”, um livro que resulta de conversas com Marion de Brunhoff, que, aos 92 anos, quis deixar o legado da sua família – uma incursão pelo mundo das artes, da política e da História da Europa do século XX. Ao ler o livro descobre-se que na Belle Époque, no bairro de Montparnasse, os Brunhoff davam cartas na imprensa, edição, moda, fotografia, arte moderna, num ambiente boémio e liberal. Na história dos Brunhoff cruzamo-nos com Sergei Diaghilev, Jean Cocteau, Christian Dior, Gabrielle Chanel, Yves Saint Laurent, com o americano Condé Nast que a eles se associou para criar a edição francesa da revista “Vogue”. O livro conta o período entre as duas grandes guerras, a perseguição que a família sofreu pela sua origem judaica, a forma como a imprensa francesa que não se tornou colaboracionista com os nazis resistiu. Sobre o livro o diário francês “Libération” escreveu que  «o talento desta família genial é também a sua generosidade de ver o talento dos outros.» O livro “O Esplendor dos Brunhoff” foi agora editado pela Quetzal.

 

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A FORMA DA CÔR - Entra-se na Galeria Filomena Soares e o sentimento é de surpresa. “Nada Existe/ Nothing Exists”, a nova exposição de 12 esculturas  de Rui Chafes feitas em 2020 e 2021, inaugurou dia 11 e ficará na Galeria até 20 de Novembro. Como frequentemente acontece no trabalho de Chafes, cada peça é uma descoberta, que por vezes se relaciona com a que está ao lado, outras vezes não. Nesta exposição há um novo caminho anunciado em relação a trabalhos anteriores. Sente-se uma mudança, um desafio entre as formas e o equilíbrio em que cada obra existe. Para além dos novos trabalhos (na imagem), podem ver-se noutra sala da Galeria quatro esculturas  de 2017 que foram os estudos para  a peça “La Nuit",  que foi apresentada na exposição “Rui Chafes e Alberto Giacometti - Gris, Vide, Gris”, apresentada na Fundação Gulbenkian em Paris, em 2018, com curadoria de Helena de Freitas. No texto de  apresentação de “Nothing Exists” o próprio Rui Chafes sublinha a importância da relação entre o vazio e a forma, o significado da cor negra na sua obra, a não separação entre o que é o interior e o exterior de cada peça e a importância do diálogo entre o equilíbrio das obras e o olhar de quem as observa. Imperdível, esta exposição. Outras sugestões: a colectiva “Matéria Luminal” que propõe um percurso pelas práticas artísticas em Portugal, desde meados dos anos 1960 até à actualidade, e que inclui obras de  trinta e oito artistas. A exposição tem curadoria de Sérgio Mah e ficará no Museu Berardo até 9 de Janeiro.

 

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A GUITARRA - Pat Metheny, 67 anos, mantendo-se fiel à sua guitarra, é na verdade um homem de sete instrumentos: grava com músicos de jazz, faz incursões na clássica, trabalha em bandas sonoras de filmes e séries de televisão, compõe canções que pouco têm a ver com o jazz e gosta de trabalhar com um grande leque de músicos, sobretudo com alguns bem mais novos. É o caso de James Francies no piano e orgão, e Marcus Gilmore na bateria que o acompanham no novo disco “Side-Eye NYC”, ponto de partida para uma digressão anunciada para os próximos meses  e que incluirá cerca de 100 concertos em todo o mundo. Este disco foi gravado  ao vivo, antes da pandemia, em Nova Iorque. Na digressão Gilmore será substituído na bateria por Joe Dyson, mas James Francies, que tem uma importante quota parte da sonoridade do novo disco, acompanhará Metheny. O disco inclui alguns temas originais e novas versões, bem trabalhadas, de temas clássicos de Metheny como “Timeline”, originalmente gravado com Michael Brecker e Elvin Jones. O novo trio não hesita em usar texturas eletrónicas, em contraste com sonoridades tradicionais do jazz. O disco inclui oito  temas, começa pelo longo e envolvente “It Starts When It Disappears”. Jamie Francies tocou ao lado de nomes do jazz, dos R&B e do hip-hop e a sua presença é marcante no resultado final do disco e sobretudo nos 13 minutos do tema de abertura. Outros destaques vão para “Timeline”, “Lodger”, “Better Days Ahead” , “Bright Size Life” (do início da carreira de Metheny), “Turnaroud”  e “Zenith Blue”. Mas este exercício de selecção é um bocado forçado, o disco é todo ele magnífico, a guitarra de Metheny continua a ser mágica sem exibicionismos gratuitos e o trio é poderoso. Disponível nas plataformas de streaming.

 

O BELO FRANGO - Sou do tempo em que o Galeto anunciava com fulgor, pouco depois de abrir, em 1966,  a novidade de vender frangos assados, nessa altura ainda não muito vulgares. Agora eles estão em todo o lado e sob diversas formas - inteiros, com ossos e desossados, com uma gama de temperos e vários métodos de assadura. Uma das mais emblemáticas casas da especialidade é a Valenciana, em Campolide. Nasceu em 1914 como casa de pasto e foi desenvolvendo o negócio que hoje em dia existe. O frango assado foi introduzido na ementa nos anos 50 do século passado e a lista agora é bem variada. Mas a maior parte das pessoas que ali vão, para comer no local ou para levar para casa, procura o frango assado. Sempre bem assado, com molho simples ou picante e com acompanhamentos como salada, esparregado ou batatas fritas às rodelas caseiras. A Valenciana vende cerca de 500 frangos por dia e ao fim de semana por vezes esse número duplica. Agora tem uma meia dúzia de salas interiores e, desde há algum tempo, uma grande esplanada com jardim vertical, a dar para a praceta de Campolide, onde agora passa o eléctrico 24. A esplanada é devidamente protegida do vento que é um ex-libris de Campolide.  Os frangos da Valenciana são simples, saborosos, suculentos e despretensiosos. O serviço é simpático, o take-away é rápido. Eu sou freguês e nunca me correu mal.

 

DIXIT-  “ Os descobrimentos são um passado de conhecimento e de abertura ao Mundo de que Portugal se pode orgulhar. Esconder os painéis hoje é deixar de ler Os Lusíadas amanhã” - Manuel S. Fonseca.

 

BACK TO BASICS - “Pessoas com coragem e caráter parecem sempre sinistras aos olhos de outros” - Hermann Hesse

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publicado às 14:01

9/11 - O DIA EM QUE O MUNDO MUDOU

por falcao, em 10.09.21

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O DIA 11 - Estava a meio do almoço, perto do sítio onde trabalhava, a Valentim de Carvalho, em Paço de Arcos. No restaurante do então novo Centro Comercial, uma televisão ligada dava notícias, sem som. De repente, vejo um avião a colidir com um prédio. Continuei a almoçar, mas fiquei intrigado. Pensei com os meus botões que talvez fosse o trailer promocional de algum filme novo de Bruce Willis. Mas, um pouco depois, há um sobressalto no estúdio e entram imagens em directo da CNN na emissão da SIC Notícias. Há um segundo avião a embater noutro prédio, ao lado do primeiro, a essa hora já semi destruído. Não queria acreditar no que estava a ver. Eu e outros pedimos ao restaurante para colocar som, e percebemos, então o que se estava a passar. Nem queríamos acreditar. Paguei rapidamente e saí. No Centro não se falava de outra coisa - em todas as lojas onde havia televisores nas montras, estavam ligados à mesma imagem. A essa hora já sabia que tinham sido as torres gémeas de Nova Iorque o alvo do ataque, era visível que ambas estavam destruídas e sabia-se que havia um número enorme de mortos. Quando cheguei ao escritório estava toda a gente alvoroçada. Pus-me na minha sala a procurar canais e mais notícias. A net era ainda incipiente, a informação mais rápida vinha pela televisão ou pela rádio. A TSF não parava. Foi chegando gente àquela sala, improvisado palco de últimas notícias. Nessa tarde, numa conversa com o Francisco Vasconcelos, ainda hoje à frente da empresa, o tema foi só um, e dito por ele: “hoje o mundo mudou e nada vai ser igual”. O que o Francisco então disse confirmou-se em cheio. A fotografia do início destas duas páginas é do memorial construído no local onde estavam as torres destruídas, e fotografei-o numa viagem a Nova Iorque em 2014, três anos depois de ter sido inaugurado. É um local impressionante, os nomes dos mortos esculpidos na pedra. Ninguém se pode esquecer. Naquele dia, percebemos que a guerra pode chegar aos nossos pés, de uma forma sistemática e financiada como nunca antes tinha acontecido. A forma de encarar as viagens, de entrar nos aeroportos, de olhar para as outras culturas, nunca mais foi a mesma.



DESFOLHADA - Em 1 de Janeiro de 2001 começou o terceiro milénio da nossa era; George W. Bush tomou posse como Presidente dos Estados Unidos; a doença das vacas loucas alterou hábitos de alimentação; em Abril aviões dos Estados Unidos e Reino Unido bombardearam posições no sul do Iraque; Tony Blair foi reeleito Primeiro-Ministro do Reino Unido; a 11 de Setembro um ataque reivindicado pela Al Qaeda, dirigida por Osama Bin Laden, destruiu as torres gémeas do World Trade Center de Nova Iorque; nesse dia nos Estados Unidos 19 terroristas sequestraram quatro aviões comerciais de passageiros, colidiram dois contra as Torres Gémeas, um contra o Pentágono, em Washington,  e o quarto caíu na Pensilvânia; quase três mil pessoas morreram nestes atentados, incluindo os 227 civis e os 19 sequestradores que estavam nos aviões; a esmagadora  maioria eram civis de mais de 70 países, incluindo cinco portugueses; a 7 de Outubro os Estados Unidos iniciaram uma operação militar no Afeganistão intitulada “Liberdade Duradoura”; em Novembro foi lançado o primeiro o filme “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, o primeiro da saga; em Dezembro nasceu Billie Eilish; o prémio Nobel da Literatura foi atribuído a V.S. Naipaul;  em Portugal, nas eleições autárquicas de 16 de Dezembro 2001 o Partido Socialista perdeu 14 câmaras, em comparação com as eleições anteriores e o PSD ganhou concelhos como Lisboa, Porto e Coimbra, entre outros; na sequência do resultado das Autárquicas o Primeiro Ministro António Guterres demitiu-se, provocando legislativas antecipadas no ano seguinte; em 14 de Janeiro de 2001 Jorge Sampaio havia sido reeleito Presidente da República; a 4 de Março ruiu a ponte Hintze-Ribeiro, em Entre-os -Rios, causando 59 mortes; em 2001 o Boavista foi o Campeão Nacional de futebol pela primeira vez na sua história. 

 

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UM LIVRO EMOCIONANTE - Se fizerem uma busca sobre livros escritos na sequência dos atentados de 9 de Setembro de 2001, um dos que mais aparece bem recomendado é datado de 2019, bem recente portanto. Chama-se “Fall And Rise” e o seu autor, Mitchell Zuckoff, era em 2001 repórter do Boston Globe, um dos jornais de referência norte-americanos. O seu trabalho, na sequência do atentado, reconstruiu os momentos do ataque, evocou as vítimas e testemunhou o sofrimento das famílias. O autor demorou anos a conseguir reconstituir o puzzle de informações que recolheu para construir uma narrativa linear, e apaixonante, do que aconteceu a 9 de Setembro de 2011 em Nova Iorque, no Pentágono e na Pensilvânia. O livro fala dos mortos, mas também dos sobreviventes, cheio de histórias das pessoas que foram afectadas pelos acontecimentos dessa terça- feira, de Setembro de 2001. Há histórias como a de um actor que ficou preso num elevador na torre norte do World Trade Center, os heróis do vôo 93 que decidiram agir e impediram outro atentado, provocando a queda do avião numa zona não habitada da Pensilvânia ou a do veterano de diversas guerras que ficou encurralado no Pentágono. Este é de facto um retrato especial do 11 de Setembro, feito à distância, mas que permite olhar de novo para os acontecimentos, com a clareza que o distanciamento proporciona mas também com a emoção que os relatos evocados trazem ao virar de cada página. Esta é a história de pessoas vulgares num dia invulgar e terrível da nossa História recente. Pode encontrá-lo na Amazon, edição de capa dura com 624 páginas. Está disponível igualmente em versão para Kindle. 

 

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UM QUARTO COM VISTA  - Rita Barros é uma fotógrafa portuguesa que vive em Nova Iorque e testemunhou e fotografou o ataque às torres gémeas. Em Novembro de 2002 apresentou no Porto, no Centro Português de Fotografia, a exposição “Um Ano Depois” (cujo cartaz aqui se reproduz). Depois a exposição seguiu para o Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, de 5 de Abril a 1 de Junho de 2003. Em Novembro de 2001 a Câmara Municipal de Lisboa promoveu a exposição colectiva “Tributo a Nova Iorque” nos Paços do Município, na qual estavam incluídas algumas das imagens de Rita Barros. Ao longo dos anos Rita Barros tem fotografado, da sua janela - a partir da qual fez as primeiras imagens do ataque - a evolução da linha do horizonte e o semanário “Expresso” publicou em 2012 um artigo onde surgiam as fotos de 2001 e as que que Rita Barros fez em 2011. Também a revista do Correio da Manhã publicou uma foto tirada por ela da sua janela com as torres a arderem e o mesmo enquadramento em 2011 e 2021. Rita Barros vive em Nova Iorque desde 1980, onde estudou e agora ensina fotografia na New York University. Um dos seus trabalhos mais importantes pode ser visto na exposição “Room 1008: The Last Days”, que até 10 de Outubro está patente no Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís. 1008 é o número do quarto onde vive desde 1984 no famoso Chelsea Hotel. “Room 1008: The Last Days”  prossegue o trabalho apresentado em anos anteriores e inclui uma série de impressões fotográficas e um livro em forma de acordeão. A esta série, juntou-se, especificamente para esta exposição, um conjunto de pequenos vídeos realizados durante os forçados confinamentos que a pandemia impôs a todos.

 

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CANÇÔES DE RESISTÊNCIA - Dezenas de músicos e cantores fizeram e interpretaram canções que têm por pano de fundo os atentados de 11 de Setembro de 2001 e a forma como eles alteraram as nossas vidas e, em especial, mudaram Nova Iorque. Entre todos eles gostava de destacar “I Can´t See New York”, de Tori Amos, em 2002, uma canção em que  ela descreve a surpresa de um passageiro que ao chegar a Nova Iorque de avião não consegue localizar o World Trade Center. 50 Cent gravou “Patiently Waiting” em 2003 e em 2004 os Beastie Boys gravaram “An Open Letter to NYC”. A primeira canção que se conhece sobre o tema, de 2001, foi “Song For The Lonely”, de Cher.  Em 2004 Leonard Cohen escreveu “On That Day”, os Coldplay em 2002 gravaram “Politik” e logo a seguir os Eagles fizeram “Hole In The World”. Paul McCartney com “Freedom” e Sheryl Crow com “God Bless This Mess” e os Cranberries com “New New York” são outros nomes que evocaram os atentados na sua música. No álbum “The Rising” (na imagem), Bruce Springsteen incluíu nove temas relacionados com o atentado, entre os quais a faixa título, mas também “You’re Missing”, “Into The Fire”, “Empty Sky” ou “Lonesome Day”, entre outras. No Spotify há uma lista intitulada “9/11- songs about nine eleven” onde podem ouvir muitos destes temas.

 

E A COMIDA? - Os americanos fazem inquéritos sobre tudo - até sobre as alterações de hábitos alimentares ocorridos após os atentados de 11 de Setembro. Pois a conclusão é simples: cresceu em 15% o consumo daquilo a que se convencionou chamar "comfort food”, cozinhados simples mas com capacidade para saciar o apetite, muitas vezes baseados em receitas tradicionais. E cresceu, também, em 15%, o consumo de doces e sobremesas. O resultado: um em cada dez norte-americanos ganhou peso nos dois meses seguintes. Mas nos dias a seguir aos atentados, com extensas zonas do centro de Nova Iorque interditas e abastecimentos complicados, houve momentos emocionantes como os carros de venda na rua que alimentaram gratuitamente os bombeiros, os delis que levavam sanduíches de pastrami aos que estavam a trabalhar na busca de feridos, as pizzerias que entregavam aos que estavam a trabalhar na zona do desastre. Foi a comida de rua que alimentou as equipas de socorro, a mesma que cada vez que vamos a Nova Iorque é uma tentação - seja um pretzel gigante, um hotdog ou uma deliciosa sanduíche de pastrami, de longe a minha preferida.

 

DIXIT - “Se não aprendermos mais nada com esta tragédia, retenhamos que a vida é curta e que não há tempo para o ódio” - Sandy Dhal, mulher de Jeff Dahl, que pilotava o vôo 93.

 

BACK TO BASICS - “Aquilo que nos distingue dos animais e nos separa do caos é a nossa capacidade para sofrermos em relação a pessoas que não conhecemos” - David Levithan

 

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PEDRO NUNO SANTOS GANHOU - O silêncio às vezes compensa e, num Congresso que mais pareceu uma convenção autárquica, o recato de Pedro Nuno Santos pode ter valido pontos. Se durante o Congresso do PS ele não foi confrontado com críticas, bastaram dois dias para Medina começar a desempenhar o papel de batedor ao serviço de António Costa. O  pretexto foi a apresentação do seu programa eleitoral em Lisboa onde não faltaram críticas indirectas a Pedro Nuno Santos, nomeadamente na questão do aeroporto. Medina, nas autárquicas anteriores, apresentou um programa que não cumpriu; um programa em que há quatro anos não mencionou medidas que depois tomou, sem terem sido votadas, e que se tornaram no inferno dos lisboetas - como a perseguição à circulação automóvel sem a criação de medidas alternativas nos transportes públicos. Esta semana Fernando Medina fez um dos mais extraordinários exercícios de demagogia de que há memória. Por um lado a querer convencer que é um reivindicativo crítico do Governo, coisa que não se viu ao longo da sua permanência nos Paços do Concelho, e, depois, ao lançar acusações sobre o seu rival eleitoral que só fanáticos desinformados podem subscrever. Este é no entanto o estilo habitual de Medina, tem sido assim ao longo do tempo, desde a sua ausência no início da pandemia, que provocou atrasos consideráveis na região de Lisboa, ao contrário do que acontecia noutros concelhos limítrofes. Este sobressalto de Medina em relação ao Governo é também a constatação de que o jogo de sombras chinesas que António Costa tão bem pratica, patente quando avançou com Marta Temido para a lista de possíveis sucessores, está a causar mossa nos outros pretendentes. Medina quer continuar a ser Presidente da Câmara para manter o protagonismo político de que necessita se quiser suceder a Costa.  É sempre alguém apenas em trânsito face às suas ambições pessoais. Termino com um exemplo recente: durante anos Medina rejeitou críticas à forma como autorizava e fomentava uma avalanche de alojamentos locais que ajudaram a descaracterizar a cidade, mas agora aparece a querer limitá-los face aos perversos efeitos que já são evidentes. Esta semana apresentou um programa de promessas que contrasta com o que não fez durante os mais de seis anos que leva como Presidente da Câmara.  Como se pode acreditar num homem com este desempenho? Medina não é mais que um político cínico, sem ética, que não olha a meios para atingir os seus objetivos pessoais. Lisboa merece melhor. Pedro Nuno Santos deve olhar para tudo isto com um sorriso. Silencioso.



SEMANADA-  Durante a pandemia os portugueses duplicaram as suas poupanças e os depósitos de particulares nos bancos atingem agora 22,7 mil milhões de euros; Portugal está em vigésimo lugar no ranking dos investimentos dos Estados europeus em Cultura, atrás da Roménia, Eslováquia, Hungria e República Checa; segundo dados do INE o preço médio do metro quadrado de habitação em Portugal é de 1241 euros e há 25 concelhos onde o preço da habitação custa menos de metade da média nacional; em Lisboa há mais agências bancárias que em 16 distritos portugueses; em 2001 havia 206 milhões de cheques a circular e em 2020 o número ficou perto dos 15 milhões; Portugal e a Lituânia são os únicos dois países da UE sem uma oferta comercial de redes de telecomunicações 5G; Paul Milgrom, prémio nobel da economia em 2010, afirmou que o “leilão de 5G em Portugal segue regras que eram usadas há 20 anos”;  o preço dos bens alimentares subiu entre 10 a 20% no último ano devido à escassez de alguns produtos, ao aumento das rações, da  logística e dos transportes; José Sócrates esteve de férias no Brasil e encontrou.se com Lula e Dilma Rousseff; PS, PCP e PEV aprovaram no Parlamento uma lei, em vésperas das autárquicas, para amnistiar autarcas que não cumpriram regras financeiras -  a lei foi feita à medida de cinco autarcas do PS e um do PCP que têm processos na Inspecção Geral de Finanças; as despesas de consumo das famílias e das Administrações Públicas já ultrapassaram o patamar pré-crise, tal como o investimento, mas as exportações, penalizadas pelo turismo, ainda contabilizam uma quebra superior a 15%.



O ARCO DA VELHA- Em 2020 e 2021 o Governo não aprovou o Decreto Lei de Execução Orçamental, e em vez disso emitiu as instruções de execução orçamental através de uma mera  Circular da Direcção Geral do Orçamento. Marques Mendes defende que esta actuação é inconstitucional e tem como consequência que a Assembleia da República não tem informação nem capacidade de fiscalizar o que se passa com a execução orçamental.

 

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LER -   Nas páginas de ”O Sonho de Amadeo”, mergulhamos numa história em que a realidade e o sonho se confundem. O protagonista, Amadeo, acorda esbaforido após sonhar que foi assassinado, mas não se lembra do mais importante: o rosto do assassino. Tenta recordar-se dos pormenores do sonho, transportando-os para os quadros que pinta, ao mesmo tempo que inicia a procura de respostas nas noites mal dormidas, depois de receber um postal ilustrado que lhe lembra um dos seus sonhos.  “O Sonho de Amadeo”, é uma obra de Leonardo Costa de Oliveira, vencedora da última edição do Prémio Revelação Literária UCCLA-CMLisboa: Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa. Leonardo Costa de Oliveira, de 38 anos, natural de Paracambi, no interior do Rio de Janeiro, é doutorado em Geociências, é geofísico na petrolífera brasileira Petrobras e estreia-se como autor com este livro. São dele estas palavras:  «Será que eu também poderia escrever um livro? Criar uma história que pudesse interessar outras pessoas? Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade trabalhavam como funcionários públicos... Talvez, a partir de hoje, eu possa ser geólogo e também escrever... Por que não?» A edição é da editora “Guerra & Paz”.

 

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VER-  No Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Chiado, está patente até 3 de Outubro a exposição “Em Busca do Tempo Perdido”, de Francis Smith. Nascido em Lisboa em 1881, filho de pais ingleses, Francis Smith trabalhou grande parte da sua vida em França para onde cedo foi estudar pintura. No início do século XX foi contemporâneo, em Paris, da primeira geração modernista de artistas portugueses, como José-Augusto França lhe chamou, e que incluía Eduardo Viana, Manuel Jardim, Manuel Bentes, Amadeo de Souza-Cardoso, Emmerico Nunes e Domingos Rebelo. Quando Francis Smith morreu em Paris, em 1961, o pintor era unanimemente reconhecido como uma figura essencial da chamada Escola de Paris, da primeira metade do século XX. Com curadoria de Jorge Costa esta exposição da obra de Francis Smith apresenta a primeira investigação de fundo sobre a vida e obra desse artista modernista. Em França Francis Smith era reconhecido e teve uma carreira com reconhecimento da crítica, valorizada por colecionadores, participando nas mais importantes exposições do seu tempo. Pode dizer-se que ele foi o artista português que em vida obteve maior sucesso no panorama cultural francês. No entanto em Portugal a sua obra foi frequentemente menorizada. Foi Eduardo Viana quem em 1925 convidou Francis Smith a participar com várias obras no Salão de Outono, da Sociedade Nacional de Belas Artes. Mas foi em  seguiu em 1934, numa exposição no Salão Bobone, organizada pelo Secretariado Nacional da Propaganda, dirigido por António Ferro, que verdadeiramente Francis Smith foi reconhecido pela crítica local e obteve sucesso comercial - duas das suas obras existentes no Museu Nacional de Arte Contemporânea foram compradas nessa altura.



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OUVIR- ​​Um dos instrumentos cuja sonoridade mais me agrada é o baixo - seja o eléctrico, seja o contrabaixo. A editora ECM tem um histórico raro no registo de discos onde o baixo é predominante e um dos músicos que grava para a ECM é Marc Johnson. O seu mais recente álbum é “Overpass” onde ele aparece sózinho com o seu contrabaixo, acústico, dedilhado, por vezes com arco, não amplificado, ao longo de oito temas e quase 45 minutos. Johnson é um músico criativo que mesmo a solo e com um único instrumento consegue uma diversidade de ritmos e melodias. Marc Johnson nasceu no Nebraska em 1953, estudou música  na North Texas State University e começou a tocar aos 19 anos com a Fort Worth Symphony. Desde cedo trabalhou ao lado de nomes como Woody Herman, aos 25 anos era o baixista do trio de Bill Evans e a sua carreira cruza-se com a de nomes como Gary Peacock, Gary Burton, Jack DeJohnette, Bill Frisell, John Scofield, Stan Getz, Joe Lovano ou Paul Motian, entre outros. Um dos temas incluídos neste novo disco é “Nardis”, um original de Miles Davis que Johnson já tinha gravado com o trio de Bill Evans nos anos 70 e que agora surge reinterpretado. Outra nova versão é “Love Theme From Spartacus”, de Alex North e “Freedom Jazz Dance” de Eddie Harris. Os outros cinco temas são composições originais de Marc Johnson. “Overpass” está disponível nas plataformas de streaming.



PROVAR- Quem anda pelo lado da Praia do Meco tem agora um local onde pode comprar iguarias às vezes nada fáceis de encontrar naquelas redondezas. Trata-se da loja “Muito Espalhafato”, bem no centro de Alfarim, onde estão à venda bons vinhos, bons queijos (incluindo alguns estrangeiros como um pecorino siciliano de boa memória) e bons enchidos de produtores seleccionados - além de algumas outras iguarias como, inesperadamente, Dim Sums. O curioso é que além de poder comprar, pode ali provar alguns dos produtos num copo ao fim de tarde numa pequena esplanada no exterior. Este espaço de comidas e bebidas é sucessor do “Veneno”, que em tempos existiu em Alvalade pela mão de Francisco Ferrão Completo, homem de sete instrumentos sempre à volta da comida - desde restaurantes até serviços de entrega de comida como o Despacha-te Xico! Já aqui em tempos louvado. O Muito Espalhafato tem além das comidas e bebidas espaços onde se vendem livros em segunda mão, peças de joalharia artesanal, acessórios diversos e moda, velharias e peças de design.  Fica na Avenida José Carlos Ezequiel 44A, Alfarim.

 

DIXIT- “ Mais do que vistos gold para estrangeiros com dinheiro, devíamos ter um visto gold para imigrantes qualificados” - Maria João Valente Rosa, demógrafa, professora na Universidade Nova de Lisboa

 

BACK TO BASICS - Um clássico é um livro que toda a gente quer poder dizer que leu mas que ninguém quer ler - Mark Twain



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