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CAMPANHA ELEITORAL EM PANDEMIA?

por falcao, em 26.11.21

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AS ELEIÇÕES - Em princípio, na próxima semana, o Presidente da República dissolverá o Parlamento, 60 dias antes das eleições legislativas antecipadas, marcadas para 30 de Janeiro. Quer isto dizer que a campanha eleitoral, informal e formal, se desenrolará com o Natal à vista e, em força, durante Janeiro. Com o agravamento da pandemia tudo indica que esta campanha eleitoral decorrerá com limitações, situação que é susceptível de afectar também a forma como o acto eleitoral propriamente dito decorrerá.  Esta é uma boa altura para os responsáveis políticos e o novo Parlamento que sairá deste  acto eleitoral encararem de frente a necessidade de uma revisão profunda da Lei Eleitoral, quer no que ela estabelece em relação à forma como a campanha se pode desenvolver, adequando-a a uma paisagem mediática que é radicalmente diferente daquela em que a Lei foi criada há mais de 40 anos. O consumo dos mídia e da informação pelos cidadãos não tem nada a ver com o quadro regulamentado na Lei existente e o próprio processo eleitoral deve poder reflectir mais formas de votação não presenciais, obviamente seguras. E já nem falo em questões como os círculos uninominais, a revisão do mapa eleitoral e do sistema de representatividade dos votos. Esta revisão, de forma e de conteúdo, não é uma fantasia, é uma necessidade e face à situação que vivemos ela ganha caráter de urgência. Seja qual fôr o resultado das eleições, o novo Parlamento e os partidos nele representados têm a obrigação de olhar de frente esta questão. Sob pena de a abstração crescer ainda mais e de os eleitores serem cada vez menos representativos da população. Não basta dizer que se defende a democracia, é preciso dar provas disso.

 

SEMANADA - Os deputados, para celebrar o fim desta legislatura, decidiram proteger-se adiando a votação da lei do lobbying para a próxima Assembleia; Manuel S. Fonseca lembrou na sua coluna do Correio da Manhã que temos um “Estado que nos custa 100 mil milhões de euros ao ano, com uma distribuição desequilibrada de uma legião de funcionários públicos e com um SNS que geme em todos os telejornais num cortejo de demissões”; segundo dados do Eurostat os portugueses recebem os salários mais baixos da Europa ocidental mas pagam a sétima carga fiscal mais elevada sobre o trabalho, 41%; os dez chefes de equipa da cirurgia do hospital de Santa Maria demitiram-se na sequência da falta de resposta às pretensões que formularam há cerca de um mês e que tinha a ver com condições de trabalho, nomeadamente na área das urgências;  o Ministério da Saúde atrasou-se a colocar os técnicos necessários e da sua responsabilidade na nova task force da vacinação; as idas às urgências hospitalares por infecção respiratória são quase o triplo de 2020; na área das lojas, hotéis, restaurantes e actividades imobiliárias há falta de mão-de-obra; no total existem 24 mil postos de trabalho por preencher, um aumento de 54% relativamente a outubro de 2020; as exportações de vinho português cresceram 12% nos primeiros nove meses deste ano; os cinco sites mais visitados em todo o mundo são, por esta ordem, o Google, YouTube, Facebook, Wikipedia e Amazon; João Rendeiro afirmou numa entrevista que pretende processar o Estado português por atrasos na justiça; José Sócrates escreveu um artigo de opinião no Diário de Notícias queixando-se da actuação da justiça em relação à sua pessoa, nomeadamente nos atrasos dos julgamentos dos processos em que está envolvido; segundo a Marktest o chá de camomila é a infusão mais consumida pelos portugueses.

 

O ARCO DA VELHA - O relatório do tráfico de estupefacientes elaborado pela PSP indica que estão a ser usados estafetas de empresas de entrega de comida e pagamentos via MBWay para realizar a venda de droga.

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IMAGENS MALANDRAS - Na Galeria Miguel Nabinho Pedro Casqueiro mostra até final de Dezembro uma série de 17 novas pinturas em acrílico sobre tela a que deu o nome de “Granuja” um termo espanhol que, numa tradução livre, significa malandro. São obras de médio formato, que espelham por um lado a atracção de Casqueiro pelo universo da banda desenhada, com um uso propositadamente limitado da côr. Na imagem está uma das obras, “pavimento”. A exposição fica até ao final do ano na Galeria Miguel Nabinho, de segunda a sábado, Rua Tenente Ferreira Durão 18. Outras sugestões: na galeria Módulo (calçada dos Mestres 34) ainda pode ver a exposição If All The Time is Eternally Present, de David Infante. No campo da fotografia destaque também para o trabalho de Valter Vinagre, exposto no Arquivo Municipal de Lisboa , "Homem Morto Passou Aqui", o resultado de um trabalho de cerca de cinco anos sobre a história das três invasões a Portugal e suas batalhas. Utilizando a paisagem para fazer a reconstituição de um legado histórico o autor retrata os cenários actuais dos vários eventos das guerras peninsulares, ocorridos de norte a sul do país, desde Almeida, Bussaco, Chaves, Porto, Amarante, Évora e Olhão, juntamente com as Linhas de Torres Vedras.

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OS POEMAS - Há muitos livros que dizem ter poemas, mas há poucos que tenham poesia. E num país que se diz de poetas, encontrar um que saia dos lugares comuns é difícil. António Franco Alexandre é um poeta que faz poemas, o que não é uma coisa muito frequente. A nova versão de “Poemas” recolhe a obra de Franco Alexandre, de 1974 até agora, acrescentada de um livro inédito, “Carrossel”, que finaliza esta belíssima edição de cerca de 600 páginas da Assírio & Alvim. Descobri António Franco Alexandre com “A Pequena Face”, de 1983, depois com “As Moradas”, de 1987. A partir daí fui seguindo o que publicava e fui cada vez gostando mais do que ele escrevia. Esta nova edição de “Poemas”, a segunda recolha da sua obra (a primeira foi em 1996), recolhe os poemas publicados pelo autor posteriores a essa data, (Quatro Caprichos, Uma Fábula, Aniversário, Duende e Aracne) e um conjunto de inéditos com o título «Carrocel», escritos desde a publicação de Aracne em 2004. Permitam-me finalizar com uma breve citação, precisamente de um dos inéditos, “Domínio Público”: “Tantas canções e versos pelo mundo fora/e só um, em querendo, será teu.”

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CANÇÕES PORTUGUESAS - Em Setembro de 2020 Jorge Palma subiu ao palco do Castelo de São Jorge, para apresentar o espectáculo “Jorge Palma - 70 Voltas ao Sol”, pensado para  celebrar em palco o seu 70.º aniversário. Filipe Melo e Filipe Raposo fizeram a direcção musical e arranjos das versões cantadas em palco e gravadas ao vivo, num disco agora editado. Jorge Palma foi acompanhado em palco por uma orquestra de câmara de 14 elementos, conduzidos pelo maestro Cesário Costa. O trabalho de direcção e de selecção dos músicos que constituem o ensemble ficou a cargo do Maestro Cesário Costa. O disco “70 Voltas Ao Sol” inclui 15 temas, pouco mais de uma hora, com temas incontornáveis da carreira de Palma, como “O Meu Amor”, “Deixa-me Rir”, “Bairro do Amor”, “O Lado errado da Noite”, “Frágil”, “Estrela do Mar” (com a participação de Cristina Branco e , a finalizar, uma versão de “Portugal Portugal”, uma canção cada vez mais actual. Aos 70 anos Jorge Palma mantém-se com uma capacidade de interpretação notável, aqui auxiliada por arranjos que fogem à sonoridade habitual das suas canções. Jorge Palma, um músico com formação clássica no Conservatório de Lisboa, é um dos mais brilhantes compositores portugueses, com um raro sentido de conjugação de palavras com música, autor de relatos de um quotidiano que acompanha a nossa história mais recente. Disponível em streaming.



JOINT VENTURE DE SABORES - Vou pegar em duas coisas magníficas que comi esta semana para propôr a sua junção. Começo por um puré de batata com espinafres, cozinhado por uma familiar belga e que, no seu país, leva o nome de stoempe. Trata-se de uma esmagada de boa batata  (nada de preparados instantâneos), devidamente temperada, a que no final se juntam folhas de espinafres crus que acabam de cozinhar no puré. A conjugação de sabores é fantástica e liga bem com qualquer carne, na minha opinião ainda melhor se fôr com um estufado. E chegamos à proposta de joint venture: juntar este stoempe belga com língua de vaca lentamente estufada,cortada em finas fatias, num molho onde nadam pedaços de cenoura. Esta carne foi degustada num dos meus poisos favoritos, que é o Apuradinho, em Campolide. Para rematar com outro petisco que provei esta semana, noutro local muito do meu agrado, o Salsa & Coentros, convoco aqui os sabores de um arroz de entrecosto que lá comi e que estava perfeito no tempero e no ponto de confecção. Resta recomendar que nesta altura do ano, para sobremesa, comam uma pêra bêbada ou marmelo assado no forno. Como o tempo vai esfriando, claro que a época apela a um tinto reconfortante.

 

DIXIT - “O PS está a agir na Assembleia Municipal como se ainda estivesse a governar Lisboa” - Luís Newton.

 

BACK TO BASICS - Os dois pecados capitais, de onde derivam todos os outros, são a impaciência e a preguiça - Franz Kafka

 






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SOBRE O ESQUECIMENTO DA OPOSIÇÃO

por falcao, em 19.11.21

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O DESCOBRIDOR TARDIO - Rui Rio é presidente do PSD desde Fevereiro de 2018, há três anos e meio. Quando tomou conta do PSD pairava no ar a ideia de que ele e António Costa se davam bem. Enquanto presidentes das Câmaras Municipais do Porto e de Lisboa ambos trocaram galhardetes nos respectivos santos populares e abraçaram-se publicamente em tempo de arraiais. A verdade é que, quando Rio passou a dirigir o PSD, já António Costa estava como Primeiro Ministro desde 2015. E assim tem continuado sem que nada acontecesse. A oposição de Rui Rio a Costa primou pela inexistência ao longo destes anos. Nalguns casos, como na redução dos debates quinzenais no Parlamento, ele foi a ajuda de que Costa necessitou para ter menos pressão no hemiciclo. Agora, que se recandidata à liderança do PSD, contra Paulo Rangel, seguiu o princípio de evitar debates e  proclamou que não faria campanha interna no seu partido e se concentraria na oposição ao Governo do PS. Digamos que vem tarde. Depois de tantas distracções ao longo dos últimos anos, descobriu os méritos de proclamar oposição quando, até aqui, foi um fraco opositor do Governo. Agora quer tudo o que nunca fez e ainda não foi capaz de entender que a crise que levou à convocação de eleições não foi gerada pela sua oposição mas sim pela avaria na geringonça e a falta de vontade de Costa em se assumir como mecânico da maquineta. O mandato de Rio como Presidente do PSD tem sido pautado por ser mais agressivo no interior do seu partido do que para o exterior. Em matéria de política tem-lhe faltado coerência nas ideias e imaginação na acção. É pena só agora ter descoberto o que um líder da oposição deve fazer.

 

SEMANADA - A manterem-se as normas actuais mais de 800 mil pessoas com mais de 65 anos só podem levar dose de reforço em 2022; a Ordem dos Médicos pede o regresso de medidas restritivas e afirma que na pandemia Portugal já passou do nível de “alerta” para o de “alarme”; “o nosso comportamento é o travão à doença", afirmou a pneumologista Raquel Duarte que alertou contra o relaxamento das regras de protecção individual; durante a pandemia registou-se um aumento de 10% das bebidas alcoólicas vendidas nos supermercados;a faixa de militares no activo que rejeitaram ser vacinados contra COVID 19 está muito acima da média nacional;  Portugal foi o sexto país da UE onde a pandemia atirou mais jovens para o desemprego; segundo o Instituto Nacional de Estatística o número de pessoas com segundo emprego subiu 20% no terceiro trimestre do ano atingindo agora cerca de 220 mil trabalhadores que acumulam dois empregos; segundo a agência Europeia do Ambiente a poluição foi responsável por 4900 mortes em Portugal e um total de 364 200 em toda  a Europa; há mais de mil turmas com horários por preencher e milhares de alunos que continuam sem aulas; o Ministério Público perdeu um quarto dos magistrados em dois anos; procuradores sem nota ou experiência tratam casos complexos e, em instâncias centrais, há cerca de 70 magistrados sem classificação de mérito; o preço da tonelada de pinho aumentou 40% no último ano e existe um défice de 57% desta matéria prima para consumo industrial; no dia 18 completaram-se cinco meses sobre o acidente com o veículo que transportava o Ministro Eduardo Cabrita e do qual resultou um morto por atropelamento - e continua sem haver resultado conhecido do inquérito instaurado.

 

O ARCO DA VELHA - O reforço da vacinação contra o COVID 19 decorre claramente com problemas, o sistema voltou a emperrar, dificilmente serão atingidos os objetivos anunciados e até as vacinas contra a gripe sazonal estão em falta nas farmácias. E que diz a Directora Geral da Saúde? - Que é preciso ter paciência.

 

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UMA VIAGEM PERTURBANTE - As exposições de Nádia Duvall são sempre surpreendentes e muito frequentemente inquietantes. “Com o deserto nos olhos”, a sua nova mostra na Galeria Foco, não foge a esta regra. No trabalho de Duvall há uma raiz orgânica que se mistura com a manipulação de objectos subtraídos à função que normalmente lhes é atribuída e o resultado é um cenário onde o fantástico é claramente dominante. Estes trabalhos nunca espelham a realidade, mas mostram a imaginação de Nádia Duvall e a forma como a artista vai observando o mundo. Aqui o tema tem a ver com viagem, descoberta, distância e, no fim, a interrogação sobre o sentido da vida, sobre o significado do tempo. Uma viagem perturbante e perturabadora. “Vagamente um Segredo (ou um abrigo para tão longa fuga)” (na imagem) está montada como o diário de uma viagem que vamos visitando por etapas onde o encanto e o desencanto andam de mãos dadas até culminar na espera de alguém que se recorda. A Galeria Foco fica na Rua Antero de Quental 55A e a exposição estará patente até 11 de Dezembro.  Outras sugestões: a Galeria 11 (rua dr. João Soares 5B) expõe um conjunto de obras de Paula Rego sob o título “Saudades”. A mostra, que ficará patente até 15 de janeiro de 2022, junta 27 obras que atravessam várias décadas e temas, desde os anos de 1980 até 2017. E finalmente no atelier - museu Júlio Pomar prossegue a série de exposições comissariada por Sara Antónia Matos que coloca em confronto obras de Pomar com outros artistas - desta vez com Menez e Sónia Almeida. Até Abril do próximo ano.

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A CIDADE REVISITADA  - A nova obra de Daniel Blaufuks, “Lisboa Clichê”, parece um livro de viagens que nos faz descobrir um tempo perdido. Não é apenas um livro de fotografia, o território mais habitual do trabalho de Blaufuks, é também um diário onde o autor foi colocando notas sobre o final dos anos 80 e como ele próprio foi vivendo o que se passava numa cidade que então se redescobria. No fundo é o livro de um viajante pela cidade, que recorda uma Lisboa em parte desaparecida, das tascas e casas de pasto, do fecho dos cinemas históricos, do arranque da vida nocturna no Bairro Alto, da liberdade no Frágil, das bandas rock portuguesas, dos encontros e desencontros na era das cabines telefónicas, do grande incêndio no Chiado.  Inteiramente a preto e branco o livro evoca pessoas e sítios, deixa espreitar para a vida de Blaufuks nessa época e dá conta dos seus pensamentos, ao mesmo tempo que faz descrições do seu quotidiano de então. Pelo meio estão textos de autores como Ruy Belo, Al Berto, Mário Cesariny, Eugénio de Andrade, Rui Cinatti, Agostinho da Silva, ou Sérgio Godinho, entre outros. O Bairro Alto e as suas noites são recorrentes no livro. E é de uma dessas páginas, depois de um relato do que era o “Frágil” de então, que retiro estas linhas: “Sair do Bairro e caminhar por Lisboa. Ainda é noite, mas sente-se já o próximo dia, os candeeiros dão ainda uma luz de outro tempo, como numa velha fotografia. À noite, Lisboa é uma fotografia a preto e branco”.  Fotógrafo, cineasta e artista plástico, Daniel Blaufuks tem trabalhado na relação entre fotografia e literatura. A relação entre o público e o privado, a memória individual e a memória colectiva, tem sido uma das bases do seu trabalho.

image (1).png30 ANOS DE LITHIUM - “Nevermind”, o segundo álbum dos Nirvana, saíu em finais de Setembro de 1991. Há 30 anos, números redondos. Na altura provocou um sobressalto na música de então, com epicentro no grunge que saía de Seattle. Três anos depois Kurt Cobain morria e começava o mito. Lendas à parte “Nevermind”  está na lista dos discos que é preciso conhecer. Agora, por ocasião do 30º aniversário da sua edição, saiu uma caixa que inclui 5 discos e 75 canções, mais de quatro horas de música. Para além de uma nova remasterização do álbum original, aqui estão  gravações de quatro concertos dos Nirvana, realizados entre Novembro de 1991 e Fevereiro de 1992, mostrando como nesse período a evolução da presença em palco da banda foi significativa. O primeiro é um concerto no Paradiso de Amsterdão, o segundo um concerto sem grande história na California, o terceiro uma arrebatadora actuação em Melbourne, na Austrália, com uma versão de “Lithium” , onde banda e público se completam de forma rara  e finalmente um concerto em Tóquio que é talvez o mais conseguido de todos,do ponto de vista da qualidade de gravação e da evolução musical da banda. Disponível em streaming.



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OS SEGREDOS DA MASSA - Tenho um novo livro de cabeceira que volta e meia visita a cozinha. Trata-se de “Breve história da massa italiana em dez pratos célebres”, de Luca Cesar. E que pratos são esses? O fetuccine Alfredo, a amatriciana, a carbonara, os gnocchi, os tortellini à bolonhesa, o ragu à napolitana, o ragu à bolonhesa, a lasanha, o pesto à genovesa e o esparguete com molho de tomate. Luca Cesari é um  historiador e jornalista gastronómico que tem investigado a origem de alguns dos pratos mais famosos da tradição italiana - podem saber mais sobre ele em ricettestoriche. O livro vai fundo na história da cozinha italiana, mostra como a própria afirmação da massa no interior do panorama gastronómico italiano foi uma lenta conquista que acelerou decididamente somente depois de meados do século XIX. O livro inclui receitas de diversas épocas de cada um dos dez pratos, relata o percurso histórico de cada um deles, indica quando foi publicada pela primeira vez a receita e as várias versões que se foram desenvolvendo. Sem preconceitos Luca Cesari rejeita as natas e conta como a cebola e o alho não fazem parte da tradição inicial da cozinha italiana. Pelo meio demarca-se daquilo a que chama os “gastropuristas”,  que se proclamam os únicos conhecedores dos insubstituíveis ingredientes de todas as receitas típicas e recorda que os pratos tradicionais, como tudo o resto na vida, evoluíram ao longo dos tempos. Como o autor refere, a antiguidade e a estabilidade ao longo do tempo são os dois critérios principais para definir o que pode ser considerado “tradicional” ou não. Porm isso mesmo, diz não ser de estranhar que uma lasanha ou uma amatriciana feitas há um século não fossem iguais às que comemos hoje. “Os pratos que servimos à mesa são apenas o último estágio de uma longa evolução que os foi transformando inexoravelmente ao longo do tempo” - conclui. Arrebatador, é o que vos digo.

 

DIXIT - “Como a vida política se resume cada vez mais à intriga e ao processo, ao adjectivo e ao fútil, quase nada de essencial faz parte dos debates actuais. Vai ser uma campanha dura. Nem sequer vamos ter um duelo de fantasias” - António Barreto

 

BACK TO BASICS - Não utilizem o vosso poder para eliminar opiniões que considerem perniciosas, porque se o fizerem serão as opiniões a derrotar-vos” - Bertrand Russell

 







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UM MENOS UM - A decisão de integrar a programação artística da Fundação EDP (MAAT e da Central Tejo) na esfera da Fundação de Serralves é uma daquelas operações em que o resultado é inferior à soma das partes. Serralves é fruto de uma parceria organizada pelo Estado com empresas privadas do norte do país e a sua actividade conta com uma participação financeira regular e importante de fundos públicos. A Fundação EDP, por outro lado, é um dos raros casos de aposta de uma empresa privada numa obra de responsabilidade social, com diversas esferas de influência e acção, sendo uma delas no domínio da arte e da cultura. A importante intervenção cultural que a Fundação EDP tem mantido deve-se em muito ao perfil que lhe foi desenhado por António Mexia, enquanto dirigiu a EDP. Depois da sua saída cedo se começaram a ouvir vozes, na direcção da empresa, clamando por um foco maior na esfera de apoios sociais e menor na esfera cultural - como se a responsabilidade social das empresas não se devesse também fazer sentir no desenvolvimento do acesso a formas de criação artística. Tudo culminou agora com a entrega da direcção da programação do MAAT e Central Tejo a Serralves. Assim se diminui a diversidade de critérios, escolhas, programações e se reduz a importância que o MAAT tem tido e a sua repercussão positiva na marca EDP. A administração de Serralves regozijou-se com o facto e os actuais dirigentes da EDP mostraram-se conformados, senão mesmo aliviados. Vem a propósito recordar que Ana Pinho liderava já a Administração de Serralves no incidente ocorrido em 2018 com a exposição do fotógrafo Robert Mapplethorpe e que levou à demissão do então director do Museu, João Ribas, por não concordar com a forma como a administração condicionou a montagem da exposição, chegando inclusivamente a preconizar que algumas das obras não fossem incluídas. Estamos pois perante a junção de uma Fundação fortemente participada pelo Estado, e que tem no currículo recente um incidente censório, com uma Fundação privada que tem sido um território de grande liberdade criativa. Ora isto não é uma boa notícia. O melhor resumo da situação criada veio de João Fernandes, que dirigiu Serralves entre 2003 e 2012 e que, do Brasil, onde dirige o Instituto Moreira Sales, rompeu o seu silêncio sobre a instituição a que esteve ligado, afirmando ao “Público” : “Sendo tão poucas as instituições de arte em Portugal, preferiria também aqui a diversidade, por contraponto à concentração de responsabilidades e de poderes de programação”.



SEMANADA - O Governo quer autorizar a plantação de mais 37 mil hectares de eucaliptos em 126 concelhos, contrariando compromissos anteriores; Portugal é o país com mais área plantada de eucaliptos na Europa e o quinto a nível mundial; se o plano for para a frente Portugal terá 10% da superfície de Portugal continental plantada com eucaliptos; as autoridades reconhecem que não é possível saber se a legislação sobre os prazos máximos de resposta do Serviço Nacional de Saúde estão a ser cumprdios nos hospitais públicos, nomeadamente a realização de meios auxiliares de diagnóstico; no ano passado apenas um terço das crianças em condições de serem adoptadas ganharam uma nova família e muitas já passaram mais de seis anos nos lares;  nos últimos cinco anos foram feitas 300 queixas sobre a qualidade das refeições escolares; segundo a Marktest, os resultados de 2021 do estudo “Os Portugueses e as Redes Sociais” revelam que um em cada cinco utilizadores abandonou alguma rede social no último ano e que o Facebook foi a mais mencionada; Rui Rio deve estar à procura do tempo perdido:  anunciou que, até às Directas do PSD, se vai dedicar exclusivamente a acções políticas de oposição ao PS”, coisa que não fez ao longo dos últimos anos; soube-se que no caso Rendeiro a Justiça andou a investigar as viagens de um João Rendeiro que não tinha nada a ver com o ex-banqueiro.

 

O ARCO DA VELHA - Seis meses de uma operação exemplar de vacinação e não se aprendeu nada? Saíu a equipa liderada pelo vice-almirante Gouveia e Melo,  o caos voltou e a incerteza instalou-se de novo.

 

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IMAGENS NÓMADAS - No Museu Municipal de Faro Pauliana Valente Pimentel apresenta as suas fotografias de uma comunidade cigana sob o título “Faro-Oeste” (na imagem). O trabalho de Pauliana Valente Pimentel foi efectuado ao longo de um ano, em 2019, com algumas famílias ciganas na zona de Castro Marim e Vila Real de Santo António, nos acampamentos Cerro do Bruxo, Horta da Areia, Alto do Relógio e Monte João Preto.  A fotógrafa foi movida pelo seu interesse em mostrar a forma como as famílias ciganas preservaram as suas tradições, mantendo-se num registo nómada. O trabalho pretende, nas palavras da autora, “mostrar o dia a dia destas famílias, dando ênfase às suas tradições, com o intuito de combater preconceitos e estereótipos racistas e xenófobos de que são constantemente alvos”.  “Faro-Oeste” é um bom exemplo da forma de trabalhar de Pauliana Valente Pimentel, entrando dentro dos temas que aborda, criando uma narrativa através de imagens, na realidade um ensaio fotográfico que consegue simultaneamente documentar a realidade e interpretá-la com o seu olhar pessoal. A exposição está inserida na programação do Verão Azul, Festival Transdisciplinar de Artes Contemporâneas, que vai na sua décima edição e estará patente até 19 de Dezembro.

 

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ONDE ESTÁ O LÍDER? - Prometo que não vou falar da situação de nenhum partido político. O tema é outro e tem a ver com o que se passa nas empresas. A pandemia provocou a alteração de hábitos, a mudança de rotinas e de ferramentas de trabalho. A importância de uma liderança eficaz nas empresas tornou-se cada vez maior. A pandemia desestabilizou equipas criou receios, colocou desafios. Neste contexto a capacidade de liderança é cada vez mais importante  não só para mobilizar os colaboradores, mas sobretudo para tornar as empresas mais fortes e eficazes.  “Onde Está O Líder” é um livro que evoca o período antes da pandemia e vai até ao tempo presente, passando por temas como a cultura de empresa, a gestão de talento, o recrutamento e, claro, a liderança. E, no pós-pandemia, aborda o regresso aos locais de trabalho, a vida no mundo digital e dos dados  ou a resiliência. Luis Cervantes, Presidente da Caravela Seguros, que prefacia o livro, diz que ele se insere “na categoria que classifica de “manual de cabeceira”, ou seja, sublinha, “o companheiro que está sempre à mão e a que recorremos frequentemente quando somos defrontados com desafios difíceis”. Mesmo no final do livro a autora, Dalila Pinto de Almeida, deixa um alerta: “A época em que vivemos exige de um líder o que sempre exigiu: que saiba conduzir as pessoas até ao ponto que só ele ainda viu, através de um caminho desenhado por todos, mesmo se depois alguns escolhem atalhos para lá chegar”. Aqui chegado devo fazer  uma declaração de interesse: a minha proximidade com a autora levou-me a conhecer todo o livro antes de ele ser editado. Mas o que aqui deixei escrito não é um favorecimento, é uma apreciação genuína.

 

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O FADISTA - “Aves Agoirentas” é um fado de David Mourão Ferreira e Alain Oulman gravado por Amália para o histórico álbum “Busto”, um dos mais importantes e surpreendentes da sua carreira - e que em breve vai ter nova edição. Nunca tinha ouvido “Aves Agoirentas” por outra voz - ainda por cima por uma voz de homem. É como se, sendo o mesmo fado, fosse outro, com um sentido de respeito e homenagem a Amália. Este novo álbum “Horas Vazias”, de Camané, é um reforço da sua crença no Fado. Por isso gravou o “Fado Rosa” de João David Rosa com um poema de Sebastião Cerqueira, “As Vezes Há Um Silêncio” de Jaime Santos,  “Amar Não Custa”, também com um poema de Sebastião Cerqueira; e destaco o  atrevimento mostrado na abordagem de “As Ilhas Afortunadas” de Fernando Pessoa, aqui dedicado a José Pracana. Camané é um fadista de palavras - sabe-as sentir e cantar como mais nenhum da sua geração - é esse talvez o maior testemunho que guardou do seu trabalho com José Mário Branco, que produziu todos os seus discos até ter morrido. Para produzir este novo álbum, Camané foi buscar um homem do jazz, Pedro Moreira que trabalhou com habituais parceiros de Camané: José Manuel Neto na guitarra portuguesa, Carlos Manuel Proença na viola de fado e Carlos Bica no contrabaixo, que tiveram a companhia ocasional do saxofone de Ricardo Toscano, o acordeão de João Barradas e um sexteto de cordas. José Mário Branco continua no entanto presente, com uma música que fez para o poema  inédito de Amália Rodrigues “Tenho Dois Corações”. Além dos nomes já referidos há outros nestes 16 temas, como Amélia Muge, Maria do Rosário Pedreira, João Monge, Jorge Palma,  Sérgio Godinho, Vitorino Salomé e Pedro Abrunhosa - a quem coube o primeiro tema do álbum, “Que Flor Se Abre No Peito”, onde Camané mostra logo tudo o que o torna único.

 

A MORCELA - Ora bem, hoje vou escrever sobre comida de conforto, alimentos que nos façam aquecer o corpo e a alma. Registo com agrado que recomeçou a época do cozido à portuguesa. Por mais paradoxal que pareça, uma das coisas de que mais gosto no cozido não tem a ver com carne. Para eventual espanto de alguns defendo a essência vegetariana do cozido à portuguesa: a cabeça de nabo, as cenouras, a couve, um arrozinho aprimorado dentro da tradicional bola de cozedura que mergulha no panelão e ganha o sabor das carnes, sabor que se estende ao molho que há-de regar os legumes. No cozido, em matéria carnívora, sou um morceleiro. Sem boa morcela o cozido não é a mesma coisa e um pedaço de toucinho rico também acompanha a preceito. Uma boa amiga que festeja sempre o aniversário com um belo cozido faz questão lembrar a assistência que há reforço de morcela em minha honra - por uma vez há mais morcela que farinheira, digo eu sorrindo para dentro. Ainda tenho na memória o sabor de infância da morcela fresca, larga, cortada sem ser muito grossa, em cima de uma fatia de bom pão alentejano. Para mim era um lanche, sentado nas escadas de granito dos meus avós. Não é fácil arranjar boa morcela, mas naqueles aniversários ela é sempre de boa qualidade e a que mais me lembra a minha infância.

 

DIXIT - “É este o grande princípio das democracias liberais: limitar o poder político de modo a garantir que ninguém, seja por via do Estado ou das grandes empresas, controle ou condicione a vida dos cidadãos” - André Abrantes Amaral

 

BACK TO BASICS - “Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada” -  Otto von Bismark

 







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QUEREMOS UMA POLÍTICA DA ESCURIDÃO?

por falcao, em 05.11.21

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A PRESSA É MÁ CONSELHEIRA - Pedro Nuno Santos tem uma vantagem: diz ao que vem, sem rodeios. Não cria suspense. Ora leiam o que afirmou esta semana: “o entendimento à esquerda não foi um parênteses na história da democracia portuguesa e a direita tem de se habituar a isso”. O discurso é apelativo aos militantes do PS que gostariam de estar no Bloco de Esquerda, mas preocupante para os que acreditam no ideário social-democrata puro da fundação do PS. Adalberto Campos Fernandes, ex-ministro da Saúde, alertou: “dentro do PS, há uma atração que eu diria às vezes mesmo uma atração fatal, um certo fascínio por fazer do PS uma espécie de ‘BE 2.0’ e esse não é o meu Partido Socialista e não é o de muitos milhares de militantes e muitos milhares de homens e mulheres que fazem o PS”. E deixou um aviso: o PS não pode abandonar o centro político sob pena de abandonar uma parte importante do eleitorado. Assim sendo, entre o que Pedro Nuno Santos diz e o que Adalberto Campos Fernandes defende, surge a certeza de que também no PS, como no CDS e PSD, existe uma clivagem em questões fundamentais - não só de alianças, mas de todo um programa político. Numa situação assim as propostas sobre as quais o eleitorado é chamado a pronunciar-se têm de ser claras. Esta semana foi conhecida uma carta aberta de um grupo de cidadãos que apela a que não surjam precipitações e que se proporcione condições para que próximas eleições possam resultar numa clarificação e não numa nova confusão: “Está em causa o respeito integral pela igualdade de oportunidades e imparcialidade no tratamento de candidaturas expressamente garantidas pela Lei dos Partidos Políticos. Trata-se de um valor político-constitucional inafastável, que não podendo prevalecer em exclusivo, deve fazer parte da equação decisória. Havendo vários partidos com processos eleitorais internos, regulares, obrigatórios e previamente iniciados, a resposta democrática não pode ser exigir-lhes que prescindam da democracia interna.” E sublinham: “A preparação dos programas e escolha dos candidatos, os vários debates e a campanha devem decorrer em tempo rápido mas razoável, sem precipitações que sempre frustrariam os objectivos de esclarecimento dos eleitores e de superação dos impasses políticos”. Ao ler esta oportuna carta aberta lembrei-me desta velha citação: “O dever daqueles que são eleitos é defender o povo face ao Estado e não impôr o que o Estado decide ao povo.”. A pressa é má conselheira.



SEMANADA - Portugal aproveitou apenas metade dos fundos da União Europeia para apoio a refugiados e as organizações que trabalham no terreno queixam-se de um processo com muitas falhas e de falta de transparência na forma como o dinheiro tem sido gerido; o Plano de Recuperação de Aprendizagens lançado pelo Governo para apoiar a escola pública tem o cumprimento das metas em dúvida devido à falta de professores, de computadores, de redes wi-fi funcionais e até de falta de tomadas eléctricas em muitas salas de aula; o trabalho extraordinário  realizado por profissionais do Serviço Nacional de Saúde entre Janeiro e Setembro deste ano já atingia cerca de 17 milhões de horas, mais 36% do que em igual período do ano passado; a pandemia pode ter deixado sem diagnóstico 4400 casos de cancro; o endurecimento de penas e a simplificação de processos não estão entre as cinco medidas mais urgentes preconizadas pelo Observatório de Economia e Gestão da Fraude num livro recentemente publicado; uma reportagem da SIC mostrou que além de Eduardo Cabrita, também os carros oficiais de Pedro Nuno dos Santos, Matos Fernandes e João Galamba foram apanhados em excesso de velocidade; José Manuel Trigoso, presidente da Prevenção Rodoviária portuguesa, afirmou que os carros do Estado não devem infringir as normas, até por uma questão de exemplo; 400 jactos privados transportaram participantes na cimeira do clima na Escócia; o Ministério da Economia divulgou uma avaliação onde se verifica que o impacto económico da web summit ficou aquém do esperado em termos de receita fiscal, no valor acrescentado bruto e na criação de emprego; segundo o Eurostat, em 2020 Portugal foi o 4.º maior produtor e o 2.º maior exportador de abóboras da Europa.

 

O ARCO DA VELHA - A GNR tem estado a investigar papel higiénico e fragmentos biológicos com o objectivo de tentar provar que Nuno Santos, a vítima mortal do carro que transportava o Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita,  no dia 18 de Junho na A6, não estaria a trabalhar quando foi atropelado. 

 

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OS COLECCIONADORES  - No Centro Cultural de Cascais, pode ser vista uma exposição montada a partir da Colecção Norlinda e José Lima, iniciada há mais de 40 anos pelas mãos do empresário português da indústria do calçado José Lima,  uma das mais significativas e abrangentes coleções de arte privada do país, e que está baseada no vinda do Centro de Arte Oliva, de S. João da Madeira. Formada por aproximadamente 1300 obras de cerca de 480 artistas de todo o mundo, a mostra "Entre as Palavras e os Silêncios” reúne 104 obras dessa colecção, entre pinturas, desenhos, fotografias, esculturas e instalações, realizadas por alguns dos mais importantes artistas contemporâneos, portugueses e estrangeiros, muitas delas nunca antes mostradas em Cascais ou Lisboa, com curadoria de Luisa Soares de Oliveira e Andreia Guimarães. Ali podem ser vistos trabalhos de Paula Rego, Andy Warhol, Julião Sarmento, Rui Chafes, Cindy Sherman, Júlio Pomar, Damien Hirst e Victor Vasarely, entre tantos outros. Esta fotografia da exposição é de Valter Vinagre. A ver até 6 de Fevereiro de 2022. Vem a propósito dizer que nos últimos tempos tem sido frequente a apresentação pública de colecções de arte privadas. O próprio Primeiro Ministro tem assinalado o 5 de Outubro para abrir as portas da sua residência oficial e aí mostrar obras de colecções particulares. Até ao mês passado estava a de Fernando Figueiredo Ribeiro e agora estão 41 peças da colecção de Ana Cristina e António Albertino, dois coleccionadores de Coimbra. Até bem recentemente esteve patente no Museu Nacional de Arte Antiga a “Colecção Utópica”, com peças do Museu do Caramulo, desde o primeiro Picasso que se expôs em Portugal, até obras de Amadeo-Souza Cardoso ou Maria Helena Vieira da Silva. E  no Museu Arpad Szenes / Vieira da Silva, que já em 2018 apresentou a colecção de António Pinto da Fonseca, estão  agora obras de Arpad e Vieira da Silva da colecção da Fundação Ilídio de Pinho. Em janeiro, no Museu do Chiado será mostrada a colecção de Mário Teixeira da Silva (galeria Módulo) . 

 

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CONTRIBUTOS PARA A COMPREENSÃO DA VIDA -  “Um Caminho no Mundo” é a 11ª novela de V.S. Naipaul, editada originalmente em 1994, muito antes de o autor ter recebido o Nobel da Literatura em 2001. O livro, agora com uma edição portuguesa, ultrapassa os limites daquilo que se pode esperar de uma obra de ficção. A história é composta por nove narrativas ligadas entre si e complementares, algumas de natureza mais pessoal, outras mais históricas e outras mais ficcionais. O conteúdo é épico e integra personagens como Cristóvão Colombo, Sir Walter Raleigh, Simon Bolívar e o revolucionário venezuelano Francisco Miranda. A obra começa nas Caraíbas dos tempos modernos, nos anos de 1940, e acaba num país da África Oriental. É na terra natal de Naipaul, Trindade e Tobago, mais especificamente em Port of Spain, a cidade onde viveu na juventude, que a história se inicia - tinha ele 17 anos, acabado de sair do ensino secundário, ocupando os meses de Verão com um trabalho administrativo, como escrivão nos Arquivos de Estado, até que aos 18 anos vai para Inglaterra, estudar literatura em Oxford.  Naipaul interroga-se sobre a sua própria vida, o caminho que percorreu até se tornar escritor, como se transformou de um tímido e inexperiente jovem de uma colónia distante numa voz do exílio que alcançou a fama. O livro conta a história de Blair, um funcionário público local competente, sistematicamente ultrapassado por quadros brancos vindos de Londres. Percebe-se a radicalização política na ilha e a desilusão de Blair que sai da sua terra e se transforma num reputado conselheiro financeiro que auxilia governos do terceiro mundo. Numa dessas missões, num corrupto país da África, Blair é assassinado por ordem de altos funcionários do governo envolvidos no contrabando, de marfim a ouro, que ele se preparava para denunciar. Esta é considerada uma das grandes obras de Naipaul, “uma viagem pelo mistério dos destinos humanos e uma observação de como a História molda a personalidade e esta molda a História”. Edição Quetzal, traduzida por Maria João Lourenço.

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O TROMPETE MÁGICO - O trompetista italiano Enrico Rava, actualmente com 82 anos, é uma das principais figuras do jazz europeu e tem desempenhado um importante papel na formação de jovens músicos no seu país.  O seu mais recente disco é uma gravação ao vivo, realizada no Middelheim Festival, de Antuérpia, há dois anos. Reza a história que Rava começou por tocar trombone mas, depois de ter ouvido Miles Davis, entregou-se ao trompete. Ao todo tem meia centena de discos e desde 2004 tem editado com a ECM. Como se pode ouvir neste “Edizione Speciale” ele fala com  o trompete ao longo dos seis temas que preenchem esta hora de gravação. Aqui ele é acompanhado por um grupo de jovens músicos que como ele se entregam à improvisação, deixando espaço para o trompete, mas respondendo sem receio aos desafios melódicos que Rava vai lançando: Francesco Bearzatti no sax tenor,  Giovanni Guidi no piano, Francesco Diodati na guitarra, Gabriele Evangelista no baixo e Enrico Morello na bateria. Os temas do disco incluem versões de trabalhos anteriores de Rava desde uma versão de uma gravação de 1978, até “Wild Dance” de 2015, passando por “The Fearless Five” de 1978,  ou a evocação de uma melodia italiana, “Le Solite Cose”, que evolui para um arrebatador “iva”. Registo também uma versão de “Once Upon A Summertime” de Michel Legrand e outra do clássico cubano  “Quizás, Quizás, Quizás”. Um dos temas mais fascinantes do disco é logo o de abertura, “Infant” onde os músicos deste sexteto mostram logo todo o seu potencial. 



DIXIT - “Não se vai para eleições nacionais a fugir de eleições partidárias. Ninguém vota em dois cobardes para tomar conta de um país” - João Miguel Tavares

 

BACK TO BASICS - São muito raras as pessoas que ouvem aquilo que não querem ouvir - Dick Cavett

 

 







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