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Ao longo das últimas semanas a situação de crise nos mídia foi repetidamente notícia, devido às dificuldades sentidas por várias empresas, nomeadamente no sector da imprensa, e, também, da rádio. Para lá dos problemas de gestão recentes da Global Media, que são a face mais visível do problema, há outros indicadores. A internet veio alterar drasticamente o modelo de negócio do sector e, sobretudo, veio modificar de forma radical a forma de consumir informação. O jornal impresso tornou-se um objecto quase exótico, substituído pelos ecrãs dos smartphones, tablets ou computadores. Ninguém espera saber de manhã o que se passou na véspera - televisões, sites e redes sociais espalham em cima da hora o que aconteceu. O intervalo de tempo entre o facto e a sua percepção pelo público é cada vez mais pequeno. A guerra, os grandes desastres, as crises políticas, as investigações judiciais passaram a ser transmitidas em directo. Se isto melhorou a qualidade da informação ou não é outra conversa e, muitas vezes, constata-se que piorou, já que a falta de mediação - papel que os jornalistas devem desempenhar - desapareceu e o facto em bruto passou a ser a matéria prima da notícia.

Começo por falar do universo da televisão. Cerca de 84 % da população contacta diariamente com a televisão e em média os espectadores estão seis horas e meia por dia a olhar para o pequeno ecrã. Mas fazem-no de forma bastante diferente do que acontecia há uns anos. Há cerca de 20 anos os canais generalistas (RTP1 e 2, SIC e TVI) captavam a atenção de mais de 60% dos espectadores e a SIC, líder de mercado, tinha um share diário frequentemente na casa dos 25%. Hoje em dia tudo é diferente: em 2023 os canais generalistas foram vistos por 41% dos espectadores e o conjunto dos canais de cabo e das plataformas de streaming conseguiram 59%. E o resultado obtido por cada canal também é bem diferente. Vamos a comparações recentes: em 2022 a RTP1 tinha um share médio de 10,8% e em 2023 obteve 11,1%; a RTP2 em 22 teve 0,8% e em 23 subiu para 0,9%; a SIC em 22 alcançou 16,7% e em 23 ficou nos 14,9%; e a TVI que em 23 tinha tido 15,7% desceu para 14,4%. No cabo as coisas também mudaram. O CMTV subiu de 4,8% para 5,4%, a CNN que em 22 teve 3,1% desceu para 3% em 23, a SIC Notícias passou de 2,3 para 2,1% no mesmo período e a RTP3 também desceu de 1,3 para 1,1%. Mas a FOX  subiu de 1,9% em 22 para 2,1% em 23. Além disso, a generalidade dos subscritores de Pay TV têm à sua disposição uma centena de canais de filmes, séries, documentários, música e notícias. O resultado é que a atenção dos espectadores está cada vez mais fragmentada e a televisão deixou de ser aquele meio de comunicação que garantia uma cobertura larga da audiência com uma campanha em um ou dois dos canais principais. E isto leva-nos às alterações verificadas no investimento publicitário feito pelos anunciantes. Até há muito pouco tempo as estações de televisão generalistas captavam mais de 50% do total do investimento. Em 2023 captaram cerca de 35% enquanto o conjunto dos canais de cabo andou nos 13%. Juntos, generalistas e cabo, já não captam 50% do investimento dos anunciantes. Quem sobe então? O outdoor nas suas várias variáveis que já se aproxima dos 15%, o digital que continua a subir e já passa os 30%. A rádio desceu ligeiramente o seu share de mercado em 2023, os jornais caíram, mas as revistas, pela primeira vez em vários anos, registaram um ligeiro aumento. Em conjunto jornais e revistas, que no início do século estavam no segundo lugar da captação de investimento, agora têm 1,8% do mercado publicitário total, tendo atrás de si apenas a publicidade em salas de cinema. A razão da subida do outdoor e do digital tem a ver com a sua eficácia, por razões diferentes. O outdoor porque consegue uma cobertura larga, tocando de forma abrangente  quem anda nas ruas, e o digital porque permite alcançar de forma precisa públicos específicos.  Bastaram duas décadas para virar o universo dos mídia de pernas para o ar. E o resultado está agora à vista.

 

(Publicado no semanário NOVO de 27 de Janeiro)



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