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REFORMAR O REGIME  - Para o ano, quando se celebrarem os 50 anos da queda do Estado Novo, arriscamo-nos a ter um regime que, paradoxalmente, deixa a democracia ser corroída. A maior celebração que se podia fazer dos 50 anos de liberdade e democracia seria alterar a Lei Eleitoral, para que ela possa ser mais justa, uma lei que reflicta mais o sentido da escolha dos eleitores, não desperdiçando votos como agora acontece, uma lei que aproxime mais os eleitos de quem os elege. Um segundo passo da celebração seria conseguir mudar o funcionamento da justiça, garantindo que os cidadãos não passam uma vida à espera de uma decisão que nunca mais é julgada. E o terceiro seria dar passos concretos no sentido de tornar a economia mais próspera, recuperar o nosso atraso e tirar-nos da cauda da Europa, para onde caímos nos últimos anos. Muita gente pensou que, com a maioria absoluta, que agora existe a sustentar o Governo, António Costa iria empreender reformas sérias que permitissem conseguir os três pontos mencionados e, também, resolver os problemas na saúde e na educação. Mas já se viu que isso não acontece e que este Governo não dá sinais de querer fazer quaisquer reformas. Ao contrário da geração anterior de estadistas que fundaram esta democracia portuguesa, António Costa não é um reformista. É alguém que pensa mais em si e no seu partido do que em Portugal e nos portugueses.  Tudo indica que é essa marca que deixará para a História. Assim as celebrações dos 50 anos serão um cenário de festa, mas sem o golpe de asa necessário para salvar o regime e a democracia da degradação em que se vai deixando envolver. Esta semana uma sondagem indicava  que metade dos portugueses está insatisfeita com o rumo da democracia na última década. Dá que pensar.



SEMANADA - O aeroporto de Beja tem voos sem controlo alfandegário por falta de pessoal; 19 instituições de ensino superior receberam no último ano 154 queixas de assédio sexual e moral, discriminação e questões pedagógicas; nos primeiros quatro meses de 2023 foram detidos 15 taxistas pelo crime de especulação; em 2022 Portugal foi o quarto país da zona euro com maior aumento da receita fiscal, na ordem dos 16,6%, enquanto a média europeia foi de 9%; em 2022 cerca de 58% dos portugueses não leram um único livro; o preço médio das casas em Portugal aumentou 10% no ano passado e o valor do metro quadrado alcançou os 1500 euros, o maior valor de sempre; 630.700 euros é o valor que os jogos sociais e online renderam diariamente à Segurança Social em 2022; a pior situação de falta de médicos do país está em cinco concelhos do estuário do Tejo, à volta de Lisboa; Portugal tem a 12ª maior inflação alimentar da Europa e açúcar, azeite, leite e ovos são os alimentos que tiveram a maior alta de preços em doze meses; 40% do salário dos portugueses é gasto em supermercados e restaurantes; Viana do Castelo é o concelho onde mais se gasta com alimentação e Lisboa ocupa a penúltima posição; o Conselho de Finanças Públicas alertou  para o aumento da despesa de quase dois mil milhões de euros face ao previsto.



O ARCO DA VELHA - No site da  Direcção Geral do Tesouro e  Finanças os mais recentes relatórios disponíveis sobre a situação económica e financeira do Sector Empresarial do Estado datam de 2015, há oito anos.

 

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A IMAGEM DOS DIAS - Esta semana destaco exposições que evocam a nossa História recente. A mais surpreendente está no Museu do Aljube, em Lisboa, e mostra as fotografias que Ana Hatherly fez no próprio dia 25 de Abril de 1974. Hatherly foi académica, investigadora de literatura portuguesa, escritora, cineasta, artista plástica e poeta. Em 1974 tinha 44 anos, acabara de regressar a Lisboa depois de concluir um curso de cinema na London Film School.  Francisco Bairrão Ruivo, historiador e investigador do Museu do Aljube, salienta no texto que escreveu para esta exposição que as imagens de Hatherly são “o prenúncio de algo”. O mais interessante destas fotografias, agora exibidas pela primeira vez, é o facto de elas mostrarem um outro olhar sobre o que se passou nesse dia: Hatherly fotografou de dentro do sítio onde as pessoas estavam e não de fora, retratando multidões, como a maioria das imagens dos fotojornalistas da época mostraram.  Num outro texto sobre a exposição Sofia Teixeira Gomes e Pedro J. Marquéz, sublinham sobre este trabalho de Ana Hatherly:“ela vai para a rua, sendo não só uma observadora, mas também parte daquilo que retrata” e “escolhe ângulos inesperados, que fogem da ortodoxia, sendo uma personagem activa da revolução e estando próxima daquilo que documenta” . “A Artista Saíu à Rua”, assim se chama a exposição, está no Museu do Aljube Resistência e Liberdade até 31 de Dezembro (Rua de Augusto Rosa 42, à Sé). Uma outra exposição relacionada com o 25 de Abril partiu da iniciativa de José Pacheco Pereira, a partir do acervo recolhido pela Ephemera e reúne cartazes, postais, emblemas, faixas, cinzeiros, pratos, discos, objetos das mais diversas naturezas e dos mais diferentes partidos políticos, que ilustram esses tempos.“Sinais da liberdade — Iconografia da democracia no arquivo Ephemera”, está até 28 de Maio no Tribunal da Boa Hora, em Lisboa.

 

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A MULHER QUE DIZ NÃO - “Uma longa viagem com Maria Filomena Mónica”, do jornalista João Céu e Silva, é o resultado de uma série de entrevistas realizadas em 2022, onde as perguntas e respostas são intercaladas por observações e relatos do autor sobre o momento em que as conversas iam decorrendo. Reproduzo as linhas iniciais do livro: “Ainda não se chegara às primeiras três horas de conversa quando se percebe que Maria Filomena Mónica decidira revelar pilares importantes do seu percurso de vida e obra através de quatro afirmações categóricas: a intelectual que na juventude se considerava uma analfabeta, apesar de ter feito o curso de Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa; o ter optado por estudar em Oxford só porque Salazar proibia a Sociologia; a filha que não queria acatar os preceitos da religião católica que orientaram a vida da mãe, bem como a imagem que tem de si de uma rebelde de “minisaia, loura e gira”, que assustava os rapazes seus contemporâneos”. João Céu e Silva realizou duas dezenas de conversas com Maria Filomena Mónica e o resultado é um livro que revela muitos aspectos pouco conhecidos da sua vida “certas histórias nunca contadas e silêncios a que decidira pôr um fim”. Aos 80 anos faz um balanço de vida e pelo evoluir do livro ficamos a conhecer a análise da socióloga, cronista e investigadora, bem como as suas visões sobre Portugal e os principais acontecimentos das últimas décadas. Mas também o lado pessoal da rapariga atrevida que nunca permitiu que a classificassem como uma «boneca bonita». Segundo um escrito feito pela sua mãe, a primeira palavra que a filha disse foi “não”. “Foi uma atitude - sublinha João Céu e Silva - que manteve ao longo das oito décadas de vida que já leva”. Edição Contraponto.

 

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GUITARRADA - Gosto de guitarras, gosto de ouvir um disco de músicos de jazz onde a guitarra pode ser a peça central, o que nem sempre é evidente. Dominic Miller é um guitarrista argentino que durante muito tempo tocou com Sting. Apesar de ter nascido na Argentina, aos 10 anos foi para os Estados Unidos e, depois para Londres e a fase inicial da sua carreira esteve marcada pelo trabalho de músico de estúdio em discos de nomes como Pretenders, Phil Collins, Level 42 e, claro, Sting. Ao mesmo tempo desenvolveu a sua carreira e publicou  dezena e meia de álbuns mais pessoais. Os seus três discos mais recentes foram gravados para a ECM e destaco o novo “Vagabond” onde além de Miller tocam Ziv Ravitz na bateria, Nicolas Fiszman no baixo e Jacob Karlzon no piano. No novo disco este quarteto interpreta oito temas originais de Dominic Miller. "All Change”, o tema que abre o álbum, e “Me Viego” são composições onde a sua forma de tocar guitarra se destaca, enquanto "Clandestin", “Altea” ou ainda “Lone Waltz” são exemplos de um consistente trabalho do quarteto, com destaque para a relação entre a guitarra e o piano. Disponível nas plataformas de streaming.

 

PETISCOS DO SUL  - Numa pequena rua junto às Amoreiras nasceu um restaurante alentejano que merece uma visita. Chama-se Talega, invocando o saco de pano onde tradicionalmente se guardava o pão. O local teve uma existência anterior pouco característica e há cerca de um mês, por mão de uma família de Mértola (que lá tinha o restaurante Paragem), virou-se para os sabores do Alentejo, com uma cozinha simples e despretensiosa, mas fiel às tradições e de boa qualidade na matéria prima e boa confecção. Ao almoço há um menu onde se encontram especialidades como sopa de cação com pão frito, ensopada de borrego com hortelã ou cozido de grão à alentejana, tudo em doses generosas - e todos eles deram boa conta de si. Normalmente neste menu há oito escolhas possíveis, que vão variando ao longo da semana, sendo que algumas se mantêm mais ou menos constantes. Além destes três pratos, já passados no teste, já ouvi voz avisada gabar o coelho frito e as febras grelhadas com alhinho O menu, que vale 10,90€, inclui ainda bom pão alentejano com azeitonas, sopa, sobremesa e um copo de vinho, além do café. Mas se quiser, fora do menu, pode optar por outros pratos como posta de vitelão na chapa, um bom pedaço de carne mertolenga, ou secretos de porco preto . Nas entradas tem enchidos variados, presunto de bolota e um queijo de ovelha curado de Cuba. Nos doces, além de maçã assada e pêra bêbada, há especialidades como creme de requeijão com água mel e sericaia com ameixa de Elvas. O vinho da casa é o da cooperativa de Pias mas a carta tem outras escolhas da região, como Herdade de Grous. A rematar pode pedir um licor de poejo. Além da sala, o restaurante tem uma esplanada abrigada nas traseiras. Talego, Rua Prof Sousa Câmara 147, telefone 211 393 122.

 

BOM - O discurso de Chico Buarque ao receber o prémio Camões.

 

MAU - A atribuição à mulher de Lula da Silva da Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, por iniciativa de Marcelo Rebelo de Sousa.

 

DIXIT - “A incúria na gestão da coisa pública é antes de  mais um problema político e de desorganização” - Ricardo Arroja, sobre a TAP e as empresas públicas.

 

BACK TO BASICS - “A democracia liberal, para sobreviver, precisa de levar porrada, precisa de ser posta em causa, precisa de ser criticada, precisa do perigo de ser substituída, precisa de aprender a defender-se” - Miguel Esteves Cardoso.

 




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publicado às 11:01

A LIBERDADE PASSA POR AQUI

por falcao, em 21.04.23

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O INDESEJADO - Segundo essa sinistra figura chamada Sergei Lavrov, o Brasil e a Rússia têm visões similares sobre o conflito na Ucrânia. A declaração foi feita em Brasília, numa visita oficial do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, a convite de Lula da Silva, o mesmo Lula da Silva que se apresenta como mediador para alcançar a paz. O problema é que nada de bom se espera de um mediador que toma partido pelo lado do invasor, como Lula fez na sua recente viagem à China e Lavrov veio elogiar. É este Lula da Silva que vem a Portugal, a convite do Ministro dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, um pouco diplomata membro do Governo que abusivamente convidou um defensor de ditaduras e de opressores a estar presente no parlamento português no dia da celebração da Liberdade, o próximo 25 de Abril. É  uma indignidade o que Cravinho fez e a presença de Lula é infelizmente tolerada pelo PS e o PSD em nome de uma suposta responsabilidade que sacrifica princípios. É uma ofensa que Lula da Silva discurse no parlamento nesse dia, seja em que contexto fôr. A circunstância de se dizer que Portugal e o Brasil são países irmãos não atenua nada - há irmãos que se portam mal e são afastados da família. Lula é um caso assim, as suas afirmações sobre a posição da União Europeia, e de Portugal, mostram que ele prefere estar do lado agressor, contra a Europa. Eu, como português, sinto-me ofendido por ele ir ao parlamento no dia 25 de Abril. Espero que haja deputados, de todos os partidos que condenaram a invasão russa da Ucrânia, que ostentem as cores azul e amarela nesse dia. Que digam alto e bom som que a Ucrânia vencerá, que a liberdade triunfará, que os invasores serão castigados. Querer a paz, como Lula afirma, é em primeiro lugar condenar o invasor. O que Lula está a fazer não é procurar a paz, é justificar a guerra. 

 

SEMANADA -  Segundo o FMI a economia portuguesa deverá registar este ano a segunda maior travagem económica da zona Euro e Portugal tem a 13ª economia mais lenta do mundo;  ainda segundo o FMI a economia portuguesa está entre as que correm riscos elevados de uma crise financeira causada pelo mercado imobiliário; a carga fiscal em Portugal aumentou 15% em termos nominais no ano passado e o rácio entre o valor dos impostos e das contribuições sociais, e o valor do produto interno bruto, está no número mais alto desde 1995; a receita com o IVA aumentou 18% em 2022 e a do IMT cresceu 26%;  nos últimos quatro anos 11 mil casas foram compradas por estrangeiros; no sector empresarial do Estado estão mais de 20 mil milhões de euros de dívida, cerca de 10% do PIB português; segundo o FMI o PIB per capita português, em percentagem da média europeia, está abaixo do valor de 1995, quando se concretizou a adesão à União Europeia; desde 1995 Portugal já recebeu mais de 157 mil milhões de euros de fundos europeus; a construção de centrais solares já motivou autorização para o abate de 3775 sobreiros e azinheiras; em 2022 registaram-se 19 insolvências pessoais por dia; os profissionais do SNS realizaram em 2022 cerca de 19 milhões de horas extraordinárias, o segundo valor mais alto registado desde 2014; o governo gastou um milhão de euros para criar uma academia de ciberdefesa com equipamento topo de gama e quer construir uma nova estrutura idêntica sem que a primeira esteja sequer a ser utilizada; este ano a GNR já deteve 34 pessoas por suspeita de crime de incêndio florestal;  apenas 13% dos inquéritos por assédio sexual dão origem a acusação.

 

O ARCO DA VELHA - O deputado do PS Carlos Pereira integrou dois inquéritos parlamentares à Caixa Geral de Depósitos enquanto negociava uma dívida sua a esse banco.

 

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MANEIRAS DE VER - Jorge Molder regressa à observação da sua própria imagem na nova série de fotografias, “Grandes Planos”, em exposição na Galeria Miguel Nabinho até 13 de Maio (na imagem). Esta série, que combina a fantasia do voyeur com o estado de espírito do observado, é toda datada já deste ano e tem 20 fotografias, das quais a galeria expõe 13. São ampliações de grande formato (151x101 cms), a preto e branco, cuidadosamente impressas pelo próprio Jorge Molder em papel Arches cotton de 640 gramas.  O auto-retrato tem surgido com alguma frequência no seu trabalho, muitas vezes em narrativas ficcionais onde Molder assume a representação de personagens que idealiza e foi também a ideia central da série “Nox”, com que representou Portugal na Bienal de Veneza de 1999. Nesta nova série, “Grandes Planos”, não há adereços, apenas o rosto, em interpretações da própria fisionomia de Molder, um olhar que ele assume sobre si próprio, contido na premeditada conciliação entre luz e sombra. Uma outra exposição de fotografia, bem diferente , é “A Dimensão Imersiva”, uma viagem pelo percurso de Jorge Marçal da Silva, um cirurgião que no início do século XX se dedicou também à fotografia, nomeadamente explorando o potencial das imagens estereoscópicas, tridimensionais. A exposição, que além das fotografias, tradicionais e estereoscópicas, inclui câmeras e material de laboratório de Marçal da Silva, está patente no Arquivo Municipal de Fotografia (Rua da Palma 246), até 31 de Agosto. Destaque final para a exposição “Janeiro-Dezembro”, de Luís Paulo Costa, com curadoria de Sara Antónia Matos, na qual o artista mostra 12 pinturas que representam os céus ao longo dos doze meses do ano e uma série de outros trabalhos realizados nos últimos anos - na Sociedade Nacional de Belas Artes até 27 de Maio.

 

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O CONTADOR - Franz Kafka preferia ser considerado mais como um bom contador de histórias do que como um romancista. “Todos os Contos” reúne pela primeira vez toda esta obra de Franz Kafka, com vários textos nunca publicados em Portugal. Esta edição tem um texto introdutório de Álvaro Gonçalves, que fez também a tradução,  feita diretamente do alemão e respeitando toda a especificidade da escrita kafkiana, com base na edição crítica da obra de Franz Kafka, que segue os manuscritos originais e, nos casos em que isso não foi possível, as edições que correspondem à última vontade do autor. ”Todos os Contos” compila na íntegra e por ordem cronológica, todas as suas narrativas que possam ser classificadas como contos reunindo tanto os textos publicados em vida como os que foram revelados postumamente.  Nesta recolha estão a breve novela “A sentença” e os textos, mais longos, de “A Metamorfose”, “Na colónia penal" ou “Josefine, a cantora, ou o povo dos ratos”. Franz Kafka nasceu em 1883 em Praga e ao longo dos seus 40 anos de vida publicou apenas sete pequenos livros, sendo três deles antologias de contos e fragmentos que haviam saído em conhecidas revistas e jornais de Praga. Álvaro Gonçalves sublinha na introdução que é “neste género de narrativa curta que Kafka demonstra a sua arte de concepção literária, tanto a nível formal (...)  como em termos de conteúdo, fazendo de cada narrativa concebida por si uma autêntica obra-prima do género repetitivo (conto curto, fragmento, parábola, alegoria, fábula, novela e aforismo)”. Edição Livros do Brasil, colecção Dois Mundos.

 

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CANÇÕES SÓ APARENTEMENTE SIMPLES -  Gosto de Feist, da sua voz, da sua maneira de compôr e de cantar, essa forma envolvente de fundir música e palavras, fazendo com que as canções de um álbum se entrelacem umas nas outras, mostrando diferenças mesmo quando aparentemente se assemelham. “Multitudes” é o novo disco de Feist, depois de uma pausa de seis anos, durante os quais adoptou uma criança, acompanhou de perto a doença e a morte do seu pai e mudou-se para Los Angeles. A morte, o nascimento, a mudança e a persistência são os temas que marcam este seu sexto disco. Feist começou a ser notada com o seu disco solo de estreia em 1999 e afirmou-se como autora de canções quase sempre intimistas, frequentemente com uma forte base acústica, por vezes com laivos experimentais, mas mantendo uma simplicidade  que se tornou a sua imagem de marca. “Multitudes” inclui 12 canções, melódicas na composição, fortes nas palavras, que descrevem a forma como a sua vida mudou, os momentos em que tudo se desfazia para depois se reconstruir.  Temas como “In Lightning”, “Forever Before” ou  “Love Who  We Are Meant To”, mostram a força dos arranjos, a cumplicidade entre a voz e os instrumentos, a simplicidade do dedilhar das cordas de uma guitarra. Há temas onde revela o que lhe vai no pensamento como quando em “Hiding Out In The Open” ela canta “Everybody’s got their shit/ But who’s got the guts to sit with it?”. Mas o meu tema preferido talvez seja “Borrow Trouble”, já quase no fim do álbum, onde a guitarra eléctrica, a bateria e um solo de saxofone se juntam à sua voz que canta sentir-se “so good at picturing the life I was gonna be left out of / Rather than the one I’d made”. Disponível em streaming.

 

A CAVALA - Com o tempo a aquecer vem a vontade de almoços simples com recurso a uma matéria prima muitas vezes desprezada: a conserva portuguesa. Hoje dedico estas linhas às boas conservas de filetes de cavala sem pele e espinhas, felizmente abundantes e de boa qualidade, como as da Minerva, que são as minhas preferidas. Da próxima vez que pensarem numa salada de feijão frade experimentem usar cavalas em vez do habitual atum, adicionem tomate cherry cortado em metades, salsa fresca picada, umas rodelas finas de cebola roxa e rodelas de ovo cozido. Vão ver que ficam a pensar que é uma boa variante para o atum. Outra possibilidade, enquanto as laranjas estão boas como agora, é cortar a laranja às rodelas, dispor num prato largo, temperar com azeite e um pouco de pimenta moída na altura e por cima das rodelas colocar lombos de cavala. Por fim, como entrada, sugiro fatias de pão alentejano cortadas finas, tostadas, salpicadas com um bom azeite e salsa picada com pedaços dos lombos de cavala por cima. Em Espanha, aqui ao lado, as conservas são matéria prima de petisco, aqui muitas vezes são injustamente subalternizadas e merecem mais atenção (e uso) do que aquele que lhes dispensamos normalmente.

 

BOM - O desmascaramento de Boaventura Sousa Santos.

MAU - A defesa de Boaventura Sousa Santos em nome da suposta superioridade moral da esquerda.

DIXIT - “É uma coincidência que estes casos só apareçam contra pessoas de esquerda?”, questionou Raquel Varela, a propósito das acusações de assédio dirigidas a Boaventura Sousa Santos.

BACK TO BASICS - “As opiniões baseadas em preconceitos são as que recorrem à maior violência para se afirmarem" -Francis Jeffrey




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publicado às 11:00

FUTEBOL DOMINA AUDIÊNCIAS DE TV

por falcao, em 21.04.23

Na semana passada o futebol voltou a dominar as audiências. A transmissão do Benfica-Inter de Milão na TVI teve 2,1 milhões de espectadores e o Juventus-Sporting, na TVI teve 1,9 milhões. “Isto É Gozar Com Quem Trabalha” foi o programa de entretenimento mais visto com cerca de um milhão de espectadores, a novela “Festa É Festa” da TVI bateu a sua rival da SIC, “Sangue Oculto”, “Preço Certo” continua a ser o programa não informativo mais visto da RTP1 e O Triªângulo” da TVI ficou no 12º lugar dos mais vistos e bateu “Os Traidores”, da SIC, com Daniela Ruah, que não conseguiu melhor que a 19ª posição e que na semana passada tinha tido melhor resultado. De acordo com a Marktest, em 2022, os portugueses viram, em média, 5 horas e 21 minutos de televisão por dia,valor que representa uma quebra de 17 minutos face à média registada no consumo televisivo em Portugal no ano anterior. As mulheres, os mais idosos e os residentes no Norte são os segmentos populacionais com maior ligação à televisão. Os programas de Divertimento foram os que mais tempo ocuparam na grelha da RTP1, SIC e TVI e na RTP2 predominaram programas juvenis. Estes quatro canais generalistas emitiram durante o último ano 85 mil notícias, com uma duração total de 3164 horas, o segundo valor mais alto em horas de emissão de notícias nos últimos 15 anos. No passado mês de março, o futebol ocupou mais de metade das posições do top 10 de programas, com os jogos da selecção portuguesa para o Euro 2023 a dominarem as primeiras posições.

(Publicado no CM 21 Abril 23)

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publicado às 07:31

AS MUDANÇAS NO MERCADO PUBLICITÁRIO

por falcao, em 15.04.23

Entre 2021 e 2022 como evoluiu o investimento publicitário em Portugal? A resposta tem algumas surpresas, considerando que o período em causa foi o da retoma após a pandemia e os confinamentos. Seria de esperar que o investimento nos canais generalistas de televisão tivesse um aumento substancial, mas o incremento de investimento anual na SIC, TVI e RTP1 foi de apenas 1%.O líder da captação de novo investimento foi o outdoor, que subiu 28,1%, seguido da televisão por Cabo que aumentou 17%, do digital com 12,5% e da rádio com 9,2%. O meio que teve mais uma vez o pior comportamento foi a imprensa, que teve uma quebra de 14%. Recordo que estes números se referem à comparação entre os totais de 2021 e 2022. Peguemos agora noutro indicador: qual é a variação que existe entre os números de Fevereiro do ano passado e os de Fevereiro deste ano? Que mudou nestes doze meses?  Os canais generalistas tiveram neste período uma queda de investimento publicitário de 7,2% enquanto os canais de cabo aumentaram 13,1%. O maior aumento, 32%, continua a ser do Outdoor, seguido do digital com 16%, enquanto a imprensa caíu 15,4%  e a rádio teve uma quebra de 9,2%. Alguns observadores do mercado atribuem a queda do investimento nos canais generalistas ao aumento de preços verificado no início do ano - será curioso ver como este indicador evolui ao longo de 2023. Uma outra análise importante é ver a variação da percentagem total de investimento captada em cada meio, comparando o número dos dois primeiros meses de  2022 com os de 2023. Assim, os canais generalistas, que tinham 39,3% do investimento em 2022, registam agora 34,3% enquanto o cabo aumentou de 12,3% para 13,1%. A Imprensa caíu de 1,8% do total para 1,5%, a rádio teve também uma queda de 5,9% para 5%, enquanto o outdoor subiu de 11,8% para 14,7% e o digital também aumentou de 28,2% para 30,8% Olhando para estes números há algumas conclusões interessantes. Em primeiro lugar, e pondo de lado o efeito, talvez conjuntural, do aumento dos preços implementado pelos canais generalistas, assiste-se de forma consistente a uma quebra da sua audiência. Actualmente eles são vistos por pouco mais de 40% do total de espectadores já que o conjunto de canais de cabo e das plataformas de streaming continua a aumentar - mais lentamente, mas aumenta. Esta quebra apenas é alterada quando há transmissões directas de grandes eventos desportivos, nomeadamente de futebol. Por outro lado a grande fragmentação das audiências por um conjunto alargado de canais de cabo e pelas plataformas de streaming leva os anunciantes a procurar soluções que possam ser eficazes a alcançar mais gente - daí o grande aumento de captação de investimento pelo outdoor em todos os seus formatos, sobretudo desde que existem métricas mais fiáveis sobre o seu alcance e resultados obtidos. Outro sinal desta apetência pelos outdoors está no facto de actualmente as posições importantes estarem marcadas com grande antecedência. A rádio está numa posição oscilante e o digital continua a subir, notando-se, segundo estudos sobre o mercado mundial,  um aumento do investimento nos suportes com vídeo e no search e uma estabilidade nos banners. Muito provavelmente o interesse dos anunciantes pelos canais generalistas vai continuar a diminuir enquanto deslocam o investimento para outros meios que lhes proporcionem uma cobertura mais ampla, ou então uma segmentação mais eficaz. Mas é bom não esquecer que, com quase 35% do total da publicidade, a televisão generalista continua a ser o meio que capta mais investimento, seguido pelo digital, outdoor, rádio e, no final, a imprensa.

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publicado às 07:34

UMA POLÍTICA CADA VEZ MAIS PERIGOSA

por falcao, em 14.04.23

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O VAZIO - Bateu no fundo. Conhecem esta expressão? Pois estas três singelas palavras descrevem a situação a que o Governo chegou, a forma como usa o Estado em proveito do PS e mostra o grau de desnorte de dirigentes partidários e membros do executivo. É certo que todos os partidos têm más pessoas, intriguistas, mentirosos, falsos, hipócritas e charlatães. Como se tem observado, o actual Governo está cheio deles. Num escasso ano de funções, olhando-se para o que se tem passado,  sente-se um enorme vazio: um PRR, anunciado como milagroso e que está completamente encravado, uma justiça paralisada, um sistema de saúde a colapsar, o ensino público derrotado. Por junto, nos mais de cinco anos que Costa leva de Primeiro Ministro nenhumas reformas foram feitas, e assistimos ao paradoxo de agora ver recuar em reversões de medidas do anterior executivo, como a TAP, num folhetim aéreo que envolve nomes como Pedro Nuno Santos, João Galamba, Hugo Mendes, Fernando  Medina e, por tabela, António Costa. Nos últimos dias assiste-se a uma parada de disparates, como o lançamento de um jogo para avaliar a localização do próximo aeroporto, até afirmações melosas do tonitruante ex-rotweiller do PS, Augusto Santos Silva, putativo candidato a Belém, que agora parece um caprichoso chihuahua. Alguns iluminados do PS pensam que  o problema do Governo e de António Costa está na comunicação, quando, na realidade, está na sucessão de disparates e trapalhadas e, sobretudo, na falta de políticas exequíveis e eficazes para resolver os principais problemas do país. Por bem menos do que hoje se passa já houve governos demitidos. “Há algum perigo maior do que o Chega? Sim, o actual PS” - o autor destas palavras, João Miguel Tavares, tem toda a razão. 

 

SEMANADA - Segundo uma dirigente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos actualmente as regras da Autoridade Tributária variam de distrito para distrito, de concelho para concelho, conforme a vontade das chefias locais; estimativas recentes indicam que a economia paralela representa 50 mil milhões de euros que escapam aos impostos; dois terços dos portugueses não confiam que a Igreja seja capaz de evitar abusos;  na zona do Porto os salários, para a mesma função, chegam a ser 40% abaixo dos praticados em Lisboa; as Câmaras Municipais de Lisboa e Porto querem ter autonomia em matéria de política de habitação; quem ganha abaixo do salário médio tem vindo a ser afastada do crédito à habitação com as regras do Banco de Portugal; há quase 67 mil famílias a viver em condições indignas; na urgência metropolitana de psiquiatria do Porto os doentes chegam a ficar 60 horas na sala de espera sem dormir; um estudo pós pandemia indica que Portugal é dos países europeus com menos anos de vida saudável; a obra de ficção mais vendida em 2022 foi “A Mulher do Dragão Vermelho”, de José Rodrigues dos Santos que alcançou 60 mil exemplares;  a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima ajudou em 2022 cerca de 15000 pessoas, com 94% das queixas a referirem violência doméstica e crimes sexuais, número que representa um aumento de cerca de 25% em relação ao ano anterior; para responder à procura são precisas mais 50 mil vagas nos lares das instituições particulares de solidariedade social; as mensalidades dos lares custam mais do dobro da pensão média dos idosos portugueses, que ronda os 508 euros; a carga fiscal sobre o trabalho dos portugueses está entre as dez mais pesadas da OCDE; em 2022 registou-se um aumento de 8825 mil milhões de euros de receita fiscal sobretudo por via do IRC, IRS e IVA;  Alexandra Reis queixou-se no Parlamento que já quis devolver a indemnização que recebeu da TAP mas que continua sem resposta sobre como o fazer.

 

O ARCO DA VELHA - No ano passado, durante seis meses, não foram enviadas multas de trânsito porque as Finanças não deram autorização à entidade responsável pela sua expedição para a contratação de um serviço postal.

 

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UM TEMPO - O destaque desta semana vai para a exposição “Escuro”, de Luís Palma, no Centro de Artes Visuais de Coimbra até início de Junho, está integrada no ciclo “A vida apesar dela”, com curadoria de Miguel von Hafe Pérez, “alguém que mantém uma atitude liberta das actuais agendas identitárias promovidas por um grande número de instituições culturais, as quais se esquecem ser a arte um território avesso a normas” - como Óscar Faria acertadamente escreveu no seu Instagram. Luís Palma é um nome importante da fotografia portuguesa, começou a ganhar notoriedade nos anos 80 e as 42 imagens expostas, todas a preto e branco, foram feitas entre 1981 e 1994. O título da exposição, “Escuro”, evoca  Álvaro Lapa e o seu retrato, feito por Luís Palma em 1994 e que integra a exposição, é a imagem que acompanha este texto. Miguel von Hafe Pérez, que foi o curador da exposição, sublinha que Luís Palma “é uma referência na afirmação da fotografia no panorama alargado das artes plásticas em Portugal.” e é um dos fotógrafos portugueses “ que mais intensamente tem trabalhado questões relativas ao território, às suas desigualdades e paradoxos, a partir de uma visão muito particular onde as noções de periferia e desenraizamento urbanístico ganham particular densidade.”  Não resisto a citar mais uma vez Óscar Faria: “a exposição de Luís Palma (...) é uma pérola para se entender a vivência da nossa geração, no Porto pós-revolucionário, no qual o acontecimento mais relevante foi o surgimento de uma contracultura com os olhos postos lá fora”. E conclui:  “Esta era a nossa revolução: a música, a poesia e a arte. Hoje, somos uma geração obliterada pelas instituições culturais.” Outro destaque: na Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, Adriana Molder expõe até 23 de Junho “Serpentina”, uma série de nove desenhos de grande escala, com formas irregulares e orgânicas, feitos a tinta-da-China sobre papel esquisso, material que a artista habitualmente usa no seu trabalho.

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MANUAL DA POLÍTICA - Nicolau Maquiavel nasceu em Florença em 1469 e é considerado o fundador do pensamento político moderno. As suas ideias sobre o Estado, o poder e a natureza humana continuam a ser uma referência e “O Príncipe”, publicado postumamente em 1532, é um retrato político, moral e cultural da primeira metade do século XVI. Segundo Voltaire «qualquer um que queira governar bem deve lê-lo, e os outros também, porque nele se encontram as verdades mais claras e fundamentais da política». A visão de Maquiavel para a sua Itália viria a ser condenada pela Igreja e por várias censuras nacionais, e, mais tarde, usurpada e descontextualizada por déspotas mais ou menos esclarecidos, e mais ou menos criminosos – responsáveis, directos ou indirectos, pela criação do mito do «maquiavelismo». Em 1974, quase cinco séculos depois, Jorge de Sena viria a desmontar esse mito no ensaio "Maquiavel" com um texto onde junta informação e análise e no qual a personalidade de Maquiavel  surge  como o retrato político, moral e cultural da época e com a sua enorme dimensão humana. Recusando resumir a acção e o pensamento de Maquiavel a uma obsessão de conquista e poder, Sena afirma que «compreendida e situada no tempo dele, a sua obra é a de um dos mais argutos, lúcidos e corajosos pensadores políticos de todas as épocas.» Pela primeira vez são publicados numa mesma edição o original de “O Príncipe” de Nicolau Maquiavel e o ensaio “Maquiavel”, de Jorge de Sena. Edição Guerra & Paz. 

 

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BEATLES AO PIANO -  Confesso-me fã de Brad Mehldau, quer na sua versão de pianista a solo, quer nos seus trios de jazz. Uma das coisas que me leva a admirá-lo é a sua vontade de fazer apostas arriscadas. Neste caso, pegou em 10 canções bem conhecidas dos Beatles e reinventou-as ao piano. O resultado é o álbum “Your Mother Should Know”, recentemente editado. O disco resulta da gravação de um recital a solo de Mehldau, em Setembro de 2020, na Philarmonie de Paris, inclui nove canções da dupla Lennon/McCartney, uma de George Harrison e uma de David Bowie, “Life On Mars”, o último tema do disco e que, segundo Mehldau faz uma ligação entre a pop dos Beatles e a de outros músicos que lhes sucederam. O álbum começa com uma versão inventiva de “I Am The Walrus” e logo a seguir vem a canção que lhe dá o título, “Your Mother Should Know” numa versão, digamos, de cabaret, a que se sucede um “ I Saw Her Standing There”  com umas vocações de boogie e um “Baby’s In Black" inspirado pelo gospel. Os blues chegam já quase no final em “Golden Slumbers”, antecedido por um curioso “Maxwell’s Silver Hammer”. Vale a pena descobrir como Mehldau toca estes clássicos dos Beatles - o disco está nas plataformas de streaming.

 

PETISCO ALTERNATIVO - Este ano em vez de cabrito ou leitão o petisco de Páscoa foi um produto sazonal desta época. Falo de maranhos, esse enchido originário da Beira Baixa , recheado de carne de cabra, presunto e arroz, bem condimentados com hortelã, colorau e outras ervas aromáticas, tudo temperado com vinho branco. O enchido deve ser cozido uns 20 minutos, e depois levado ao forno bem quente durante mais uns dez minutos (não mais, para não ficar seco). O resultado é um verdadeiro petisco que deve ser acompanhado por grelos salteados e acompanhado por um bom vinho - e já que estamos na Beira, que seja um Dão. Lá em casa a opção foi por maranhos de Vila de Rei, um dos locais com tradição nesta matéria, a par da Sertã. Fomos alertados para a disponibilidade do petisco por Francisco Ferrão Completo, um fornecedor de produtos regionais, um homem que já teve vários restaurantes em Lisboa e que agora tem perto de Sesimbra, em Alfarim, uma casa dedicada a especialidades de diversos pontos do país e até algumas importações de outros países, nomeadamente queijos e vinhos. O seu estabelecimento, de nome “Muito Espalhafato”, tem uma oferta ampla e uma pequena esplanada onde também se pode petiscar. Fica na Avenida José Carlos Ezequiel 44 em  Alfarim, tem página no Facebook e o telefone  962 902 234.

 

BOM - A Iniciativa Liberal propõe que as certidões de óbito e de nascimento deixem de ter prazo de validade.

 

MAU - O inquérito ao “apagão fiscal” dos offshores esteve parado durante três anos.

 

DIXIT - “Muitos políticos são surdos, não usam óculos, nem sequer têm espelho em casa. Perderam o sentido crítico. Perderam os remorsos e os escrúpulos. Não têm vergonha. Não respeitam a lei. Nem os eleitores.” - António Barreto.

 

BACK TO BASICS - “A tradição deve ser encarada como um guia e não como uma prisão” - Somerset Maugham

 

 








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TV- QUEM VÊ O QUÊ?

por falcao, em 14.04.23

Hoje olhamos para os números que indicam a composição do auditório de cada um dos principais canais. Na RTP1 a maior fatia de espectadores do canal, em termos de idade, tem mais de 75 anos - e, o total de espectadores da RTP1 acima dos 65 anos ultrapassa os 56% do total. O norte é a região líder, as classes sociais D e E têm 60% do total e 57% dos espectadores são mulheres. Na SIC as coisas não são muito diferentes: mais espectadores a norte, mais mulheres (57%9) , classes D e E com 67%, mas o grupo etário mais numeroso é o das pessoas entre 55 e 64 anos. Na TVI continuamos a ter o norte a liderar o consumo, assim como as  classes D e E que no conjunto totalizam 76% dos espectadores, as mulheres quase 64%, enquanto o grupo mais numeroso está acima dos 75 anos, seguido dos 65-74. A RTP2 tem 60% dos espectadores a norte, 66% são das classes D e E, 59,5% são homens e o grupo etário maioritário é o dos 65-74 anos. Passemos aos canais de informação. O CMTV tem a maioria da audiência a norte, mas é quase apanhado pela região de Lisboa, tem 66,4% dos espectadores nas classes D e E, tem 49% de mulheres e 51% de homens e o grupo 55-64 anos é o mais numeroso. Já a CNN vence a norte, tem 52% de homens, a maioria está acima dos 75 anos e as classes D e E representam 61%. A SIC Notícias é mais vista em Lisboa, tem 43% de espectadores nas classes D e E, 56% são homens e o grupo etário mais numeroso é o de 55-64 anos. A terminar a RTP3 é também mais vista em Lisboa, com as classes D e E a somarem 43,5%, 56% de homens e o grupo etário maior é o dos 45-54 anos.

Publicado CM 14 de Abril)

 

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publicado às 07:29

A GERINGONÇA DE LISBOA E A HABITAÇÃO

por falcao, em 06.04.23

 

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A LINHA VERMELHA - Na semana passada Carlos Moedas apresentou, pela segunda vez, a proposta de dar isenção de IMT a jovens de menos de 35 anos que comprem casas em Lisboa até 250 mil euros. Pela segunda vez, toda a oposição - PS, PCP, BE e Livre - chumbou esta proposta. Simultaneamente estes mesmos partidos apoiavam e promoviam uma manifestação que se apresentava como sendo pelo direito à habitação. Este é apenas o mais recente episódio da forma como a geringonça continua viva e actuante em Lisboa, a impedir reformas, desligada da realidade. Recordo que o problema da habitação, da gentrificação e do impulso aos alojamentos locais se aprofundou durante a governação do PS, de Costa e Medina. Em Lisboa há uma oposição que não respeita o princípio de não deixar governar quem ganhou as eleições. Reparem nisto: muita gente fala da importância de não passar linhas vermelhas na política. Mas foi o PS, na geringonça, o primeiro a pisar uma linha vermelha ao praticar uma política de alianças, que como se viu ainda mantém na Câmara Municipal de Lisboa, apoiada por forças políticas que têm uma concepção muito sui generis da democracia. Uma delas, o PCP, é pró-Putin, concorda com a invasão da Ucrânia, fica silencioso sobre a perseguição da oposição na Rússia e sobre a perseguição a minorias étnicas no seu território. Nisso, não é diferente de um Chega, que discrimina minorias, é pró-Bolsonaro e pró Trump. Em termos gerais estão bem um para o outro e nenhum deles é local que as pessoas sérias desejem frequentar. Já agora vem a propósito recordar uma sondagem conhecida na semana passada e que se traduz numa grande queda de intenções de voto no PS e num substancial aumento das mesmas intenções no Chega. Vários analistas disseram o que é evidente: o descontentamento com o PS é o que está a alimentar o Chega.

 

SEMANADA - No final do Governo de Passos Coelho cerca de um milhão de portugueses não tinha médico de família e agora, ao fim de vários anos de Governo de António Costa o número subiu para 1,6 milhões; mais de metade dos idosos não é seguida nos centros de saúde; os internamentos por anorexia triplicaram nos últimos cinco anos;  de acordo com os dados avançados pela Ordem dos Médicos, havia no fim do ano passado um total de 4.503 médicos estrangeiros inscritos, a maioria dos quais são espanhóis, seguidos por brasileiros; Portugal foi o país da zona euro que teve a inflação mais alta devido ao aumento dos preços dos produtos alimentares; o aumento homólogo em fevereiro do preço dos produtos alimentares não transformados foi de 20,1%, o mais elevado desde 1990; as investigações sobre lavagem de dinheiro quase triplicaram em três anos; o abuso de crianças  é o crime sexual mais praticado e a maioria das vítimas tem entre 8 e 13 anos; os crimes em contexto escolar alcançaram em 2022 o valor mais alto dos últimos seis anos; a greve dos funcionários judiciais iniciada a 15 de Fevereiro já provocou o adiamento de mais de 20 mil diligências e o respectivo sindicato anunciou que irá continuar com a greve pelo menos até meados de Abril; quase dois terços dos portugueses deram nota negativa ao Governo numa sondagem recente; segundo o eurodeputado do PS Pedro Marques “Costa é o grande autor moral da mudança” na Europa; a dívida pública portuguesa voltou a subir em Fevereiro e atinge agora os 279 mil milhões de euros.

 

O ARCO DA VELHA - Coisas da maioria absoluta: o executivo conseguiu no primeiro ano da actual legislatura ter mais projectos aprovados na Assembleia da República do que todos os outros partidos somados.

 

01_Marina di Ravenna, 1986 © Eredi di Luigi Ghi

AS PAISAGENS  - Esta semana o destaque vai para “Obra Aberta” , a primeira exposição do fotógrafo italiano Luigi Ghirri em Lisboa, reunindo setenta e nove fotografias produzidas na década de oitenta do século passado, e que fica na Garagem Sul, do CCB, até 4 de Junho (na imagem, Marina di Ravenna, de 1986 © Eredi di Luigi Ghirri). É uma seleção inédita de fotografias, com curadoria de Pedro Alfacinha, provenientes de trabalhos independentes, de diferentes momentos ao longo de uma década. Quase todas estas imagens aparecem sob o desígnio de Paesaggio Italiano,  a ideia que guiou  a totalidade da obra de Ghirri: uma obra aberta, uma nova forma de fazer fotografia e de olhar o mundo e que ainda hoje influencia outros artistas. Destaque também para a exposição “Algum Desenho a partir de Gaetan, obras da colecção Alberto Caetano”, que está patente na Galeria Principal da Casa da Cerca, em Almada. Na Brotéria (Rua de S. Pedro de Alcântara 3, em Lisboa) Paulo Brighenti e David Gonçalves apresentam “Braço Cruzado”. No Porto, em Serralves, pode ser vista uma retrospectiva de Carla Filipe, “In My Own Language I Am Independente”. A sua obra, onde o desenho tem um peso importante, explora a relação entre objetos de arte, cultura popular e ativismo. O destaque final vai para a exposição do norte-americano Jonathan Monk que está na Galeria Cristina Guerra (Rua de Santo António à Estrela 33, Lisboa). “Sunset On Sunset” é uma visão de uma cidade, 19 obras onde a fotografia serve de suporte à utilização da pintura, todas tendo por base Los Angeles e o Sunset Strip, algures entre o trabalho que Ed Ruscha ali desenvolveu e as explorações de Bruce Nauman.

 

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UMA MULHER DESLUMBRANTE - Natália Correia foi uma mulher intensa, excessiva, criativa, iconoclasta, rebelde. E foi, além de uma grande poeta, uma mulher activa na sua sociedade, amante de tertúlias, palavras certeiras sempre na ponta da língua em qualquer polémica, como aconteceu quando foi deputada nos anos 80. Filipa Martins, escritora e jornalista, que já havia sido co-autora do argumento da série da RTP1 “3 Mulheres”, onde as vidas de Natália Correia, Snu Abecassis e Vera Lagoa se cruzam, escreveu ao longo dos últimos anos a biografia de Natália Correia. O título que lhe deu “O Dever de Deslumbrar” evoca um dos poemas de Natália. Ao longo de cerca de 600 páginas esta biografia percorre a vida da poeta, desde que nasceu, nos Açores, em 1923, até à sua morte súbita, em 1993. A organização da biografia está dividida em oito décadas, percorre as suas amizades, as suas lutas, os seus amores e desamores, os livros que editou, as peças de teatro que escreveu, as guerras travadas com a censura. Foi jornalista e aí deu os primeiros passos em 1945 com uma série de entrevistas a personalidades açorianas. Em 1976 aceitou o convite para dirigir a “Vida Mundial”, uma publicação de referência do grupo “Século”. O Botequim, o bar que fundou em 1971 tornou-se no seu quartel-general. Local de tertúlias e conspirações, entre a literatura e a política, após o 25 de Abril passou a ser o palco de todas as movimentações da época. Mas se a política marcou a vida de Natália, desde que aderiu ao MUD (Movimento de Unidade Democrática), logo na sua fundação, foi a poesia que lhe deu a dimensão com que hoje é recordada e, nesta biografia, cada um dos oito capítulos  começa por uma citação dos seus poemas. O livro termina com esta frase de Natália: “A poesia é o défice das nossas inibições. Viver poeticamente é viver as coisas em potência”. “O Dever de Deslumbrar”, de Filipa Martins, edição Contraponto.

 

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UMA VOZ ÚNICA - A norte-americana Cécile McLorin Salvant é uma das grandes vozes do jazz contemporâneo. Realizou há poucas semanas um concerto no CCB e já este ano lançou o álbum “Mélusine”, cantado em creoulo e em francês, e que é um dos grandes discos dos últimos meses. O álbum tem 14 faixas, dos quais cinco originais compostas pela própria Salvant, e nove versões de temas que vão desde o século XII até ao século XX. Salvant gosta de versões: já no álbum anterior, “Ghost Song”, ela tinha surpreendido com o tratamento que deu  a “Wuthering Heights”, de Kate Bush. Mas neste “Mélusine” vai ainda mais longe. Veja-se por exemplo a forma como interpreta “La Route Enchantée” de Charles Trenet ou “Il m’a Vue Nue”, de Mistinguette. Mas a versão mais surpreendente surge logo na faixa de abertura,”Est-ce Ainsi Que Les Hommes Vivent?”, de Louis Aragon e Léo Ferré, uma belíssima balada que vive apenas com piano e voz de Salvant. Dos cinco temas originais de Salvant destacam-se “Doudou”, cheia de ritmos latinos e a faixa que dá o nome do disco, “Mélusine”, baseada numa lenda do século XIV que conta a história de uma mulher que se transforma todos os sábados numa serpente, da cintura para baixo. Descubram este disco, está nas plataformas de streaming. E aproveitem para ouvir os trabalhos anteriores de Cécile McLorin Salvant.

 

A ARTE DO PEIXE - Ao longo dos anos fui-me habituando a frequentar um dos sítios onde se encontra melhor peixe na região de Setúbal. A coisa começou na Quinta do Conde, no Arpão, depois passou para O Pescador em Brejos de Azeitão, a seguir para o Dom Pescador em Palmela e agora, de novo, na Quinta do Conde, sob o nome Sabor & Arte. O elemento comum destas quatro localizações é o dono e inspirador destas casas, o Sr. Manuel. O segredo está em ter peixe fresco da melhor qualidade, bom marisco para quem quiser e, na cozinha, ter especial cuidado em confeccionar tudo com cuidado e arte, realçando os sabores. A nova casa está no sítio do Arpão original, mas foi bem redecorada, é simples e confortável, com uma esplanada para os dias que aí vêm. Nas entradas destaco as ameijoas à Bolhão Pato e aviso que a casa tem um emblema que deve ser provado: a canja de  garoupa com ameijoas, espinafres, e, claro, arroz. É muito saborosa, com peixe e bivalve abundantes. Uma boa aposta também são os filetes de peixe galo com uma excelente açorda de ovas. Outras possibilidades a ter em conta são linguadinhos ou pregado fritos com arroz de coentros. Fiquei curioso com um caril de vieiras, que ficará para próxima ocasião. O vinho da casa branco é o Catarina, a preço honesto, à base das castas Arinto, Chardonnay e Fernão Pires. Nas sobremesas destaque para a maçã assada e as farófias, familiares. Na sala o Sr, Manuel garante que o serviço é atento. Um bom regresso às lides, neste  Sabor & Arte, Avenida Aliados, Lote 1989, Quinta do Conde, telefone 964402657

 

BOM - A proposta da Iniciativa Liberal de acabar com a renovação da Certidão Permanente das empresas e dos custos da sua regular renovação.

 

MAU - O encerramento da linha telefónica para denunciar abusos sexuais na Igreja.

 

DIXIT - É melhor um Governo acossado que um Governo sem freio”- Luís Marques 

 

BACK TO BASICS - “Nunca me envergonho de citar um mau autor se o que ele diz for relevante” - Séneca

 




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