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por falcao, em 17.02.07
ELUCIDATIVO - No dia 24 de Janeiro os jornais noticiavam que uma vereadora da Câmara Municipal de Lisboa havia sido constituída arguida. Já lá vão 24 dias, quase um mês, e nada mais se sabe sobre o assunto. Os factos resumem-se a isto: a polícia conseguiu que ela saísse de funções, a polícia induziu uma crise política nessa autarquia e sobre a essência do caso nada mais se ouviu falar. Na mesma altura fontes policiais disseram à cada vez mais oficial agência Lusa que outro vereador iria ser constituído arguido nos dias seguintes; nada se passou até agora. O Ministro da Justiça e o Procurador Geral da República não acham esta situação estranha? Não consideram que a actuação judiciária teve até agora mais consequências políticas que policiais? Acham estes procedimentos normais? Na minha modesta opinião isto que temos não é justiça – é uma fantochada, cobardia política mascarada de vendetta. Resta saber quem ganha com o assunto – alguém há-de ganhar, de alguma forma, com o que se está a passar.


CASTIGADOR - Há um outro caso judicial esta semana que mostrou em que mãos anda a Justiça em Portugal: um juiz conselheiro aproveitou um programa de televisão para fazer uma interpretação muito pessoal da lei e, em tom de ameaça, preconizou que cada um dos 10 000 cidadãos que subscreveram um pedido de «habeas corpus» no caso do militar Luís Gomes, seriam punidos com um pagamento – como se estivesse efectivamente a clamar por castigo, uma coima a bem dizer. Mais tarde a hierarquia, o Supremo, veio desautorizar o juiz e repor a verdade dos factos. O que interessa aqui é que um juiz conselheiro reage em público como se um pedido de «habeas corpus» merecesse punição – porque foi disso que efectivamente se tratou – o tal juiz conselheiro acha que os cidadãos que tentarem evitar abusos de poder devem ser como que multados. Chocante.


REGIME - No Domingo passado a maioria dos eleitores voltou a abster-se. Independentemente da natureza da pergunta o facto é este: o sistema está desacreditado. Bem sei que agora não era este o caso, mas em muitos dos actos eleitorais recentes os eleitores votaram em determinadas promessas que depois foram esquecidas, sendo que os eleitos se têm habituado a fazer, em alguns temas fundamentais – como a carga fiscal – o oposto daquilo que prometem em campanha eleitoral. Chamo a isto a nova demagogia – basear uma campanha em posições que depois não têm correspondência com a realidade. Por este andar, mais cedo ou mais tarde o regime vai viver - em geral e não só nos referendos – dos votos de uma minoria do universo de eleitores. Meter a cabeça na areia, atirar as culpas para cima dos temas ou da sintaxe das perguntas não ajuda a resolver o que de facto é um sinal de doença do regime.


PARLAMENTO – Não percebo porque é que em Portugal se perdeu o hábito das crónicas parlamentares, porque é que nenhum jornal coloca alguém a relatar o dia a dia do Parlamento, dos seus corredores, das comissões, em jeito de crónica, de olhar aguçado e observador. Bem sei que o nosso Parlamento não é grande coisa – mas faz-me um bocado de impressão que sejamos um dos poucos países europeus onde os media só dão pelo Parlamento em dia de bronca ou em dia de debate mensal com o Governo. Talvez uma presença mais assídua fosse boa para toda a gente.


OUVIR – Hoje e amanhã podem ouvir o trio de Jef Neve no Hot Club, à Praça da Alegria. Pelas 23h00 os belgas Jef Neve no piano, Piet Verbist no contrabaixo e Teun Verbruggen na bateria vão dar a conhecer o seu disco mais recente, «Nobody Is Illegal», uma bela gravação já disponibilizada em Portugal pela Universal. Jef Neve tem-se destacado como um dos mais criativos e interessantes músicos de jazz na cena europeia e este seu últimos disco, largamente aclamado pela crítica, veio confirmar o seu estatuto – razão adicional para os concertos do Hot gerarem boa dose de expectativa.


PETISCAR – Nove da noite, não apetece jantar e só apetece petiscar? Uma boa solução pode ser o tapas bar do Restaurante Luca , na Rua de Santa Marta 35. Por trás da sala do restaurante, em cima, num espaço amplo, com decoração de inspiração no norte de África, pode-se experimentar um buffet de antipasti italianos, com matéria prima de primeiríssima qualidade e variedade abundante. Na boa companhia, é um belo princípio de noite.


BACK TO BASICS – A repetição não transforma uma mentira em verdade – Franklin D. Roosevelt.

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publicado às 17:59



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