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por falcao, em 17.12.06
A 2: - Saí por vontade própria da Direcção de Programas da 2: há um ano e tinha para mim que seria esse o período em que guardaria silêncio sobre a evolução do canal. Num primeiro balanço saliento que diminuíu o espaço de antena feito com os parceiros do canal, que a informação continua a ser insatisfatória, que diminuíu a produção nacional (geral e a de matriz documental) feita por produtores independentes e, finalmente, que diminuíu a informação disponível em antena sobre um leque alargado de áreas criativas, de entretenimento e de cultura.

INFORMAÇÃO – Desde o início do projecto da 2: a Direcção de Informação da RTP sempre foi hostil ao modelo que se propunha – um telejornal curto, de síntese, com atenção ao noticiário internacional, com maior atenção a áreas como a esfera das políticas sociais, da ciência, da educação e da cultura que são muito subalternizadas nos outros telejornais. Anteriormente existia um modelo de telejornal de cerca de uma hora, metade do qual era preenchido basicamente com entrevistas aos suspeitos do costume da política portuguesa. Para a 2: as várias Direcções de Informação sempre optaram por fazer um compacto do Telejornal da RTP , em vez de desenvolver um produto autónomo, que era o objectivo inicial.

PROPOSTA - Vou aqui contar publicamente uma sugestão que fiz nas reuniões preparatórias do projecto, em 2003: face à irredutibilidade da posição da Direcção de Informação da RTP cheguei a propor que se estudasse a contratação de um jornal de meia hora, com a formatação bem definida, à SIC Notícias. A proposta nunca foi levada a sério, mas estou absolutamente convencido de que o resultado seria melhor do que o que tem estado no ar – e ainda por cima seria um sinal de abertura evidente do projecto para fora do estrito âmbito da RTP. Para que conste a ideia não é original. A France 5, um dos canais públicos franceses, que em muitas coisas foi modelo inspirador da 2: e que tem um espírito de abertura à sociedade semelhante, subcontrata a uma estação privada o seu principal bloco de informação. Aqui, a ideia foi uma heresia. Uma das razões porque entendo que não devia ser alterado o estatuto de concessão autónoma da 2: tem a ver com o facto de a sua integração na concessão geral de serviço público provocar que o sentido de desenvolvimento passe a ser de fecho dentro da RTP, em vez de abertura ao exterior. No futuro, uma vez aprovada a nova legislação, a 2: será um misto de boa consciência do operador público e de canal de recepção de conteúdos que por diversas razões não convém passar no primeiro canal. Inevitavelmente, a prazo, perderá formatação e identidade.

ÉTICA – Um dos pontos que mais me surpreendeu foi a forma como se encerrou a experiência do «Magazine», com todos os seus defeitos e limitações, que apesar de tudo era o espaço mais aberto e plural de informação cultural de qualquer estação – cinco vezes por semana - e que na escolha dos seus entrevistados diários e sobretudo nas áreas de artes cénicas e artes plásticas tinha uma abertura, uma contemporaneidade e uma dinâmica inéditas. Até admitia que se pudesse evoluir para um formato semanal, eventualmente dois, e decorriam estudos nesse sentido. Surpreendi-me quando acabou (também me surpreendi quando acabou o «Pop Up», outra experiência criativa bem sucedida com produtores independentes que entretanto foi eliminada), mais me surpreendi quando vi que o formato semanal foi reduzido a um talk show supostamente de debate, apresentado por uma pessoa da nova Direcção do canal e que, curiosamente, o projecto era um dos mais elevados custos/hora regulares de toda a programação da 2:. A presença de responsáveis operacionais de um canal em ecrã admite-se como excepção, em momentos especiais, como formato semanal é coisa que roça, na minha opinião, a falta de ética e releva de um total provincianismo.

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