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...

por falcao, em 06.08.06
TRAPALHADAS – Hoje proponho um exercício de imaginação: ora agora
pensem lá que estavam há dois anos atrás e que sucediam, em poucas
semanas, estes casos: um Ministro faz publicar listas culpabilizando
cidadãos não julgados; outro é repreendido na praça pública pelo
Provedor de Justiça; um terceiro, ao sair do Governo, publica um
louvor ao motorista do Estado que acompanhava os seus familiares. Há
dois anos chamava-se a isto, em muitos media, uma sucessão de grandes trapalhadas. Agora não se diz nada: esta diferença mostra a forma como muitos jornalistas ainda se comportam, deixando as suas preferências ideológicas influenciar o seu trabalho. Chama-se a isto informação tendenciosa.

JORNAIS – Os grandes jornais do mundo fazem-se à volta das Cidades
onde existem e das histórias das suas pessoas. Procuram uma ligação
humana, procuram satisfazer a curiosidade e não cumprir vontades ou
sugestões. Os grandes jornais falam do Mundo, mas vivem a vida das cidades onde são feitos, e essa vida é o seu principal alimento noticioso. Por isso alguns jornais conseguem reinventar-se e outros caminham para o abismo. A mim, que nasci profissionalmente nos
jornais, custa-me muito assistir a este autismo descontrolado que hoje
existe, a este afastamento dos públicos, das histórias, dos
sentimentos – sem ser de uma forma barata e mesquinha. O jornalismo é
feito de histórias e de casos humanos. Quando isto fica para trás,
tudo desaparece. Olho à minha volta e vejo que não existe nenhum jornal de Lisboa, desta metrópole onde coexistem portugueses de todas as paragens,
brasileiros, emigrantes do Leste, de África e da Ásia.


LER – O romance policial é um dos meus géneros preferidos. Cresci a ler a
colecção «Vampiro», fui descobrindo novos autores ao longo dos anos.
Faz falta hoje uma boa colecção de policiais contemporâneos, de saída
regular como a «Vampiro» era. Na sua falta temos de ir descobrindo
autores, sobretudo numa das boas séries do mercado, «O Fio da
Navalha», da Editorial Presença. Por pura sorte, em vésperas de ir de
férias, aterrei em «Apenas Um Olhar», de Harlan Coben. Andava à
procura de uma boa história e este é um policial
rebuscado, cativante, daqueles que não nos deixa dormir, tal é a
vontade de chegar ao fim. Na narrativa cruzam-se personagens,
disfarces, tempos e razões. Em cada capítulo surgem surpresas e
novidades, em cada página há um estímulo para continuar a ler. Não é por acaso que Coben é um dos grandes autores contemporâneos, elogiado, premiado e aclamado.

OUVIR – Daniel Johnston é um autor maldito, um músico encantado que
vive num universo muito peculiar, estranho, recatado. Há pouco tempo
passou em Lisboa um documentário sobre a sua vida e obra intitulado
«The Devil And Daniel Johnston», premiado no Festival de Sundance, uma
mostra da cinematografia independente que se faz nos Estados Unidos e
que tem sido o palco de algumas das grandes surpresas que depois
viraram «mainstream». Johnston dificilmente virará maistream algum
dia, no seu mundo tão peculiar. Mas as palavras que canta – e a forma
como as diz – perturbam e enternecem em simultâneo. « Welcome To My
World- The Music Of Daniel Johnston» é uma boa introdução ao mundo de
um artista que foi diagnosticado como sendo maníaco-depressivo desde a
adolescência até aos seus actuais 45 anos. Além de músico, Daniel
desenha e pinta e foi uma T-Shirt pintada por ele e usada por Kurt
Cobain, dos Nirvana, num vídeo da MTV em 1992, que acabou com a
conspiração de silêncio à sua volta. Hoje reconhecem-se as suas marcas
nos Sonic Youth, David Bowie cita-o e Beck, os grandes e únicos Eels,
Flaming Lips ou Tom Waits reconhecem a sua influência. O disco não é
fácil mas é elucidativo de uma forma de fazer canções, do desenrolar
de um processo criativo que não tem muitos paralelos na música popular
contemporânea. Importação via Amazon, que é o que nos resta para estas músicas.


ESPREITAR – Se fôr a Coimbra passe pelo Pavilhão Centro de Portugal onde poderá ver trabalhos de Leonor Antunes e de Didier Fiúza Faustino, um luso descendente que estudou, vive e trabalha em Paris e cujo trabalho cruza diversas áreas experimentais entre arquitectura, artes visuais, publicações e exposições. É uma boa oportunidade para avaliar novos caminhos da criatividade. O Pavilhão fica no Parque Verde e a exposição está até Outubro. Bem mais activo do que o homólogo lisboeta, este Pavilhão de Portugal em Coimbra…

BACK TO BASICS – Contigo, uma noite de Verão é como um pensamento perfeito - Wallace Stevens.

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publicado às 16:09


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