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por falcao, em 03.07.07
EQUÍVOCO – Quando as coisas se fazem à pressa eleva-se o risco da asneira – esta frase está a começar a ser uma descrição recorrente do estilo de governação socratiano. O que se passou no CCB veio mostrar a precipitação da decisão de impor um corpo estranho à instituição e de acabar com a programação autónoma da área de exposições, para lá colocar, a qualquer custo, a colecção Berardo. Percebe-se agora que, como muita gente disse na altura, tinha feito muito mais sentido autonomizá-la, instalá-la em edifício próprio, como o Pavilhão de Portugal, que vai acabar por ser palco de mostras menores e eventos variados, desvirtuando a natureza da sua concepção arquitectónica. O custo não seria muito diferente, as vantagens seriam várias e ainda se está a tempo de avançar nesse sentido, desde que se pense em vez de se ceder aos caprichos do Comendador Berardo, que melhor faria em não se comportar como uma imitação riquíssima de Alberto João Jardim, ao passear arrogância e ignorar a primeira das lições da arte que colecciona – o poder da diferença e da diversidade face às imposições.


DISPARATES – Na inauguração da Colecção Berardo no CCB a distraída Ministra da Cultura disse no seu enfadonho discurso que assim se podiam ver aquelas obras pela primeira vez, esquecendo-se que muitas delas foram passando por Sintra, no Museu de Arte Moderna, ao longo dos últimos anos. Mas mais infeliz ainda foi a descoberta do Primeiro Ministro, ao referir que agora já não era necessário ir ao estrangeiro para ver arte contemporânea – esquecendo-se levianamente do papel de referência, em termos internacionais, que a Fundação de Serralves tem tido neste campo. Enfim, distracções de quem aprendeu à pressa.


OUVIR – A norueguesa Silje Nergaard está num ponto de intersecção entre a pop e o jazz vocal, um pouco como Joni Mitchell há uns anos atrás. É Silje que compõe as suas próprias canções, com a colaboração de Mike McGurk nas palavras, é ela ainda a responsável por boa parte dos arranjos e pela produção, e o disco conta com uma conjunto de sólidos músicos suecos e noruegueses, saídos da dinâmica cena jazzistica dos países nórdicos. Destaco os temas «Darkness Out Of Blue», «Wasteland», «Before You Called Me Yours», «Let Me Be Troubled» e o deliciosamente simples «What Might Have Been» onde a voz de Silje mostra bem a subtileza de entoações que coloca na interpretação. CD Universal Music.


LER – A mais recente edição da revista «Egoísta» é, mais uma vez, um objecto de colecção, desta vez dedicado à Arte. Logo de início um belo desenho de Henrique Cayatte, seguido de uma tripla página de ilustração de Rodrigo Saias que parece quase uma instalação colocada no meio da revista. De registar os portfolios de David Lynch, Pedro Proença, Jordi Burch, António Paixão e, sobretudo, mais uma vez, Pedro Cláudio. Muito visual, esta edição da «Egoísta», conta com um texto curiosíssimo de António Mega Ferreira, meio ficção-meio ensaio, intitulado «Why Is This Art?», absolutamente imperdível e muito adequado ao tempo presente.


PROVAR – Boas surpresas num restaurante recente, Masstige, nas Avenidas Novas. O Masstige faz parte de uma nova geração de casas que é, no bom sentido, a sucessão natural da moda dos snack-bares dos anos 70. Há vários casos destes em Lisboa, por acaso mais dois só na zona das Avenidas Novas e têm alguns pontos comuns: uma aposta no design e na arquitectura, uma ementa simples mas com alguns toques de criatividade, boa música ambiente, preços acessíveis, serviço informal mas simpático. Como a casa se apresenta como restaurante-bar, à noite por vezes há um DJ em funções. Da lista do almoço fazem parte boas saladas e massas simpáticas, além de propostas de raiz bem portuguesa como um delicado folhado de alheira sobre arroz de espargos. Masstige, Av. Barbosa du Bocage 107 A, tel. 21 794 11 48.


NAVEGAR – Mais um blogue do universo da LPM, desta vez com o título ROC – Revisora Oficial de Conteúdos, da autoria de Teresa Loureiro, uma colaboradora de Luís Paixão Martins, que se dedica a pôr ordem na escrita e no português. O blogue, http://blogroc.lpmcom.pt/ tem muitas indicações e ligações bem úteis. É curioso como a LPM está a utilizar a blogosfera, não apenas para espalhar informações sobre a sua actividade, mas também para reflectir e fornecer informações sobre a natureza do trabalho de comunicação e relações públicas, como faz o próprio blogue de Luís Paixão Martins, Lugares Comuns, disponível em http://bloglpm.lpmcom.pt e que tem duas deliciosas áreas, «Mordidelas Silenciosas» e «Estados de Alma».


BACK TO BASICS – «O Cinema português é tão conhecido como o cinema esquimó», António-Pedro Vasconcelos

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