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PROVINCIANISMO, ABUSO, OBSERVAÇÕES

por falcao, em 10.05.08

 


(Publicado no «Jornal de Negócios» de 9 de Maio de 2008)


 


 


LISBOA – Mau, mas mesmo mau, é o fim do «África Festival», uma iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa que existiu durante três anos e que se destinava a fomentar o papel da capital como plataforma do multiculturalismo e como ponto privilegiado de divulgação da música africana na Europa, nomeadamente dos países de expressão portuguesa. O primeiro golpe no Festival foi dado pelo anterior vereador Amaral Lopes, a equipa de António Costa liquidou-o argumentando com a falta de disponibilidade orçamental. A questão dos orçamentos insuficientes da Câmara Municipal tem que ser vista à luz da gestão de prioridades: para Lisboa é mais importante uma iniciativa de repercussão internacional como o «África Festival» ou as xaropadas em que o vereador Manuel Salgado gasta verbas no encerramento forçado da Praça do Comércio ao Domingo, ao que consta preparando até iniciativas orçamentalmente pesadas para o segundo semestre do ano?. Não seria preferível manter o Festival e a sua equipa, o seu nome, a tradição e imagem já acumuladas, mesmo que com menor investimento, e provavelmente num local de custos mais reduzidos (como era originalmente), no auditório Keil do Amaral, em Monsanto? Ainda vamos ver outro dos munícipios à volta de Lisboa a pegar na ideia, como já aconteceu por exemplo com a «Moda Lisboa». Esta equipa autárquica da capital parece apostada em liquidar tudo o que tenha notoriedade internacional (declaração de interesse: fui o criador do conceito do «África Festival» e responsável pela sua criação e primeira edição, à época em que fui administrador da EGEAC). 

 


 


ABUSOS NA ALFÂNDEGA E CTT – No último mês encomendei à Amazon norte-americana dois livros escolares, especializados. Pois tive que pagar à alfândega portuguesa cerca de sete euros por cada um - à volta de quatro euros de IVA e três euros de impressos e taxas diversas, incluindo um impresso de quase dois euros (!!!???). Além disso por cada livro ainda paguei duas verbas aos CTT, cerca de três euros de uma taxa de apresentação à alfândega mais quinze cêntimos que aparecem no detalhe da alfândega sob a designação «CTT Portugal». Em ambos os casos a descrição da alfândega classificava os livros (um sobre marketing e outro sobre programação de computadores) como «álbuns de Banda Desenhada, Álbuns Anuais de Selos, etc». Mais: no decurso deste processo a alfândega ou os CTT retiveram em seu poder a factura original de envio da Amazon, nem sequer forneceram cópia, pelo que nem prova de pagamento, nem descrição exacta é dada ao comprador. Quer dizer, roubaram-me, nas duas ocasisões, um documento pessoal que entre outras coisas me servia para certificar a natureza efectiva dos livros. Ora digam lá: se isto não é desprezo total pelos cidadãos – da parte da Alfândega e dos CTT – o que será?  


 


 


 


DESILUSÃO – Fã de Bruno Nogueira na rádio, foi com expectativa que segui a estreia de «Contemporâneos» na RTP. Pois foi uma desilusão, humor substituído por graçolas, um conceito visual falho de ideias, na realidade um momento de televisão falhado. Às vezes as estreias são assim e depois as coisas melhoram. Resta aguardar. 

 


 


OUVIR – O novo disco do saxofonista John Carter, «Present Tense», o primeiro em três anos, é uma arrebatadora colecção de temas cheios de swing, no entanto com uma sonoridade muito contemporânea. O disco inclui três originais de Carter e uma selecção de sete temas de nomes como Djando Reinhardt, Jimmy Jones, Walter Gross, Dave Burns e o sempre arrebatador «Song For Delilah» de Victor Young a Ray Evans. Cárter tem sido considerados como um dos mais inventivos e virtuosos sax barítonos da actualidade e neste disco toca também flauta. Um dos seus temas originais «Bossa J.C.» é uma bela surpresa. CD Emarcy/ Universal. 

 


 


 


LER – Merece atenta leitura artigo de Augusto M. Seabra na sua habitual rubrica «O Estado da Arte» da revista online www.artecapital.net , este mês sobre a situação existente na Fundação Gulbenkian em relação às áreas artísticas, nomeadamente na música e no Centro de Arte Moderna. É uma análise do que se passa e, mais importante, uma perspectiva dos problemas futuros. 

 


 


PETISCAR – Melhor ainda que as lojas Gourmet, são as pequenas lojas de produtores que disponibilizam produtos de outras regiões. Na Quinta do Anjo (Palmela), recomendo uma visita à Casa Agrícola Horácio Simões, Rua São João de Deus, mesmo ao lado da junta de freguesia. Doces caseiros, bons queijos artesanais de Azeitão, queijos e enchidos do Alentejo, farripas de laranja cobertas a chocolate de Setúbal, variados doces regionais. E, claro o afamado Moscatel Roxo que Horácio Simões produz na sua adega e que tem ganho notoriedade internacional. 

 


 


IDEIA – Os treinadores de futebol deviam ser pagos face aos resultados obtidos: competições conquistadas, lugar obtido nas tabelas, pontos obtidos, comportamento em competições internacionais. Talvez assim as coisas fossem de outra maneira. 

 


 


 


BACK TO BASICS – O poder abusa, o poder absoluto abusa absolutamente – frase de Maio de 1968 . 

 

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