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(Publicado na edição de quarta 28 de Maio do diário «Meia Hora»)

 


Um dos grandes problemas da sociedade portuguesa reside no progressivo bloqueio do sistema político-partidário. Este bloqueio tem muitas causas, a começar na forma como os partidos se constituíram em 1974 – muito fulanizados, construídos em torno de personalidades fortes, com programas políticos e ideológicos pouco cuidados e muito dependentes do enquadramento e das limitações da época.


Ao fim de 34 anos mudaram os protagonistas, mas na essência não mudou a forma e o funcionamento do sistema e, pior, agravou-se a indefinição política e ideológica, sobretudo naquilo a que se convencionou chamar de Bloco Central. Acresce que a adesão à Comunidade Europeia e a integração na Zona Euro vieram ainda mais contribuir para apagar as diferenças entre PS e PSD. Num resumo breve o PS virou um pouco à direita e o PSD um pouco à esquerda. Encontraram-se ao centro, à sombra de um Estado – português e europeu – demasiado presente.


O actual processo eleitoral interno do PSD é por isso um tema que não interessa apenas ao seus militantes, é importante para todos os que gostam de exercer a cidadania mediante escolhas políticas. De uma certa forma, todos nós somos políticos – ou temos o dever de o ser, porque temos o dever de participar nas decisões que nos afectam a todos.


Os militantes do PSD têm este fim de semana esta responsabilidade: a de não olhar apenas para as directas como uma disputa interna, mas sim como um processo de renovação da actividade política em Portugal, de afirmação de uma identidade própria ao seu partido, que o diferencie do PS de forma clara. A questão não é simples: o êxito futuro do PSD depende de uma escolha que provoque mudanças, que afirme a diferença e que seja capaz de atrair aliados e alargar o campo de influência partidário. 


Por isso, eu que não sou filiado em nenhum partido, baseado no que é a história de cada candidato e nas propostas que agora apresentam, acho que a escolha de Pedro Passos Coelho é a que melhor pode contribuir para que o PSD tenha um papel activo e dinâmico na renovação do sistema político e partidário e para que possa contribuir para tirar o país do impasse onde nos encontramos. Na realidade Pedro Passos Coelho é o único que traça um caminho diferente e essa é a sua grande vantagem. E esse caminho, outra vantagem, não passa pelo Bloco Central. 

 

 

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