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CELEBRAR – Gosto muito de cerveja Guinness. Tem um corpo e um travo únicos, fruto de uma receita original. Criada em meados do século XVIII na Irlanda, a Guinness é daqueles produtos diferentes e com um método de fabrico inusitado ( a suavidade vem do facto de  a gaseificação ser criada com nitrogénio, além do habitual dióxido de carbono), por cima de uma preparação e mistura única dos cereais – tratados - que são fermentados. A Guinness é um produto da diversidade, para ser saboreada. Esta semana brindei várias vezes ao NÃO irlandês com cerveja Guinness. Brindei pelo direito ao voto, pelo direito ao referendo e pelo direito à diferença. Eu gosto dos irlandeses, mais do que dos franceses e dos alemães. E acho que nos devíamos entender mais com os irlandeses do que com países que têm pouco a ver connosco. Resta dizer que, acima de tudo, apreciei a independência dos eleitores irlandeses – não cederam à chantagem dos financiamentos comunitários.


 


 


EUROPA – Se há coisa que o processo do Tratado de Lisboa prova é que a Europa, tal como está, gosta pouco de votos e tem uma noção muito estranha de democracia: nesta Europa, pelos vistos, uma votação só serve se puder ser repetida até sair o resultado desejado. Se a moda pega, a coisa vai ser curiosa – imaginem esta ideia nas mãos de Sarkozy, Berlusconi ou dos gémeos polacos... Mas o pior de todos os argumentos é aquele que pretende opôr as centenas de milhões de cidadãos de vários Estados que não fizeram referendo, aos poucos milhões de Irlandeses que tiveram a coragem de, votando, dizer não a um modelo centralista. Tivesse havido referendo em mais Estados, outro galo cantaria. Houvesse mais democracia e a Europa talvez pudesse ser um ideal simpático, em vez de um poço de burocracias. Portugal, como pequeno país periférico, faria bem em ouvir os argumentos do NÃO irlandês, em vez de aceitar as falácias dos grandes países que mandam em Bruxelas. Já repararam como o «não» da França há uns anos foi tratado com simpatia e desvelo (e obrigou a repetir todo o processo) e o «não» irlandês é tratado com insultos e desprezo? Esta diferença é a matriz do poder burocrata da Europa. E é isso que muitos, como eu, não desejam que aconteça. Devia ter tido a coragem de ir a votos sobre esta matéria senhor Sócrates, em vez da cobardia de se refugiar no Parlamento. 

 


 


LER – Esse belíssimo objecto editorial que é a revista «Egoísta» fez mais um número especial, desta vez dedicado aos 120 anos de Fernando Pessoa. Para além das palavras do poeta, destaco algumas ilustrações – nomeadamente as baseadas em fotografias de Cláudio Garrudo e desenhos de Rodrigo Saias. Destaque também para as reproduções de páginas de volumes anotados da biblioteca do próprio Pessoa com algumas imagens inéditas. Belos textos de Hélia Correia, Teresa Rita Lopes e António Tabuchi (mais previsível, mas enfim…). Mas o melhor de tudo é o ensaio sobre Fernando Pessoa e as suas ligações a contemporâneos como Walt Whitman e Oscar Wilde, trazido pelo seu tradutor Richard Zenith – que também propõe uma revisitação de quatro textos de Wilde, traduzidos por Pessoa e que Zenith transcreveu e anotou. De longe esta é a melhor parte desta edição e só por si vale a pena guardá-la. Não havia era necessidade de um desajeitado texto de Inês Pedrosa, a ensaiar uma réplica a um texto do próprio Pessoa – há dias em que a ausência da noção de ridículo mata mesmo.  

 


 


OUVIR – A britânica Minnie Driver tornou-se sobretudo conhecida como actriz de cinema, mas ao longo dos últimos anos desenvolveu uma carreira musical paralela. Neste seu segundo disco as canções são todas da sua autoria, a maioria baladas com um toque de blues. A atmosfera é inesperada, as canções são ricas, os arranjos são precisos e discretos, a voz é envolvente – permitam-me destacar a faixa «Love Is Love». No disco colaboram nomes como Ryan Adams (dos Cardinals), na guitarra em «Beloved», a grande Liz Phair que faz coros em «Sorry Baby» e Rami Jaffee (dos Wallflowers) Minnie Driver, presenças de Liz Phair, Rami Jaffee dos Wallflowers em «London Skies». Belas canções tem este «Seastories» de Minnie Driver, uma edição Decca. 

 


 


 


 


SABOREAR– Confesso que sou mais partidário dos chefes que trabalham com base na tradição culinária portuguesa do que dos seguidores de modelos importados. Por isso mesmo uma casa onde volto sempre com gosto é ao «Nobre», que ao longo dos últimos anos tem tido várias vicissitudes mas que, agora, estabilizou bem no Montijo, mesmo à saída da Ponte Vasco da Gama. Num espaço amplo, com um serviço impecável (que falta em tanto sítio…), Justa Nobre continua a mostrar como é possível manter a qualidade, introduzindo pequenas e bem achadas inovações, nomeadamente na forma de trabalhar o peixe. A comandar as operações, como sempre, está o seu marido José Nobre. Avenida de Olivença, junto à praça de touros do Montijo, telefone 212317511. 

 


 


BACK TO BASICS «Uma nação que habitualmente pense mal de si mesma acabará por merecer o conceito de si que anteformou. Envenena-se mentalmente.  

O primeiro passo passou para uma regeneração, económica ou outra, de Portugal é criarmos um estado de espírito de confiança - mais, de certeza, nessa regeneração.» - Fernando Pessoa, em «Teoria e Prática do Comércio».
 

 


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publicado às 18:46


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