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JUSTIÇA - O retrato da justiça é dado por uma notícia de jornal: «Assaltaram um Tribunal para levar caixa Multibanco». Foi em Loures. Não vale a pena dizer mais nada. Vão ver «Tropa de Elite» do brasileiro José Padilha (vencedor do Urso de Ouro do Festival de Cinema de Berlim) e comecem a entender como o crime e a polícia andam de mãos dadas. E não é só no Brasil.


 


POLÍCIA - Gonçalo Amaral, o primeiro responsável pela investigação do caso Maddie publicou um livro sobre o assunto. O seu comportamento ao longo da investigação é um manual do que não fazer quando se é polícia e se tem que ter uma relação com a opinião pública. O livro mostra que não aprendeu. O título, talvez auto-crítico, é «A Verdade da Mentira». Mas o livro tem uma grande vantagem: nem bom polícia, nem bom escritor. Passemos adiante.


 


TRETA - Passámos anos a dizer que era no mar que estava o nosso futuro, fizeram-se colóquios, organismos, estudos, investimentos, todos os sucessivos governos encheram a boca com o mar e o nosso destino de povo de marinheiros. Factos: desde o início de 2000 o sector da pesca em Portugal perdeu oito mil profissionais e 2113 barcos. Não vale a pena dizer mais nada sobre as maravilhas vindas da política comunitária e da subserviência dos nossos governos a Bruxelas.


 


TRAGÉDIA - O que se está a passar em redor da Direcção do Teatro Nacional D. Maria é um exemplo do que não pode acontecer: escolhem-se e discutem-se pessoas sem antes se definirem e apresentarem políticas. Isto é a fulanização da acção – o que em território público é sempre perigoso. É uma política de gosto, criticável num Ministério da Cultura. A anterior mexida na Direcção do D. Maria já tinha sido um sinal de que os projectos valem pouco. Para além de nem o Ministro ter a coragem de aparecer a explicar o que se passa, a realidade é que não há projecto conhecido mas há cabeça de cartaz auto-anunciada. O Teatro Nacional é protagonista de um romance de cordel, que qualquer dia dá em tragédia.


 


LISBOA - Uma edição recente da revista «Time» dedicava uma página inteira ao novo Museu do Oriente, sublinhando que a herança cultural da presença de Portugal na Ásia tinha finalmente encontrado um local para ser vista. Há poucos dias o «New York Times» elogiava Lisboa como destino interessante e animado e a revista «Monocle», já aqui citada, incluía-a entre as mais interessantes 25 cidades do mundo para se viver. Tudo isto não nasceu do nada – foi um somar de esforços de abertura e organização de espaços, de convites a jornalistas estrangeiros, de articulação de programação ao longo do ano. Lisboa ficou na moda no culminar de um processo que demorou quase duas dezenas de anos a fazer-se. O pior é que agora muito do que contribuiu para esta notoriedade sai da cidade ou extingue-se por completo. Nunca houve uma vereação na Câmara Municipal de Lisboa tão insensível à actividade cultural da cidade como esta. Daqui a uns anos vão estar a perguntar-se como é que Lisboa saiu de moda de repente. Depois talvez possam olhar para a Fundação Saramago, arbitrariamente mandada instalar pela vereação na Casa dos Bicos, e perceber porque o politicamente correcto nem sempre é o politicamente necessário.


 


LER – Na sempre indispensável revista «Wired» descubro um artigo que devia ser oferecido a todos os profetas da desgraça que se revoltam com o acordo ortográfico, essa tropa de velhos do Restelo que prefere ver a língua definhar pura, do que ser falada e escrita viva. Vou só fazer uma citação: «Graças à globalização, à vitória dos aliados na II Grande Guerra e ao predomínio norte-americano em ciência e tecnologia, o inglês tornou-se um idioma tão cheio de êxito que escapou às fronteiras do que os seus naturais acham que devia ser. Em 2020 aqueles que têm no inglês a língua mãe representarão apenas 15 por cento dos dois mil milhões de pessoas que utilizarão o idioma». O artigo está na «Wired» de Julho, acessível na net, e chama-se «Anyone here speaks Chinglish?». Pensem nisto, estudem o caso português, apliquem à realidade.


 


OUVIR – Um belo disco para estes dias: o maestro Claudio Abbado compilou as marchas e danças de que mais gosta – de Beethoven a Prokofiev – e reuniu-as num disco. Escolheu as melhores gravações que fez ao longo de 30 anos para a Deutsch Grammophon com intérpretes de excelência e, desde as contradanças de Mozart à «Radetzky March» de Strauss, pela «Marcha dos Contabandistas», da «Carmen» de Bizet, juntou tudo em «Marce & Danze». Fantástico.


 


PETISCAR – Bom peixe, em cima do mar, serviço simpático e português, dona da casa atenciosa e presente, preços sensatos, enfim tudo aquilo que faz a boa tradição da restauração nacional. Voltei lá esta semana e não me arrependi de jantar na esplanada, numa bela noite de verão, em cima da Boca do Inferno, com uma boa lista que inclui peixe fresquíssimo e mariscos. Uma sugestão segura é a travessa do mar, que traz robalo, dourada e gambas, tudo grelhado, acompanhado de batatas a murro. Além disso pode encontrar uns filetes de pescada com arroz de marisco ou, para os mais audazes, uma cabeça de cherne. A lista de mariscos encontra-se bem preenchida, com destaque para as famosas bruxas de cascais. A casa é comandada por D. Lurdes Tirano, encerra às quartas e está aberta entre as 12h30 e as 23h00. O telefone é o 214832218.


 


BACK TO BASICS – Toda a cooperação entre os seres humanos é baseada em primeiro lugar na confiança recíproca e só acessoriamente em instituições como os tribunais e a polícia, Albert Einstein

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publicado às 17:43


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