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Publicado no Jornal de Negócios

por falcao, em 09.10.08

ADIVINHOS - A recente crise dos bancos de investimento chamou a atenção para as recomendações feitas por analistas com muito pouca experiência, que acabaram por jogar um papel determinante no aconselhamento dos investidores, na criação de expectativas e no semear de ilusões No mercado português assisti, ao longo dos últimos anos, a recomendações feitas por analistas financeiros sobre empresas de media cuja ligeireza – e ignorância - eram de estarrecer. Alguns, mais atrevidos, chegavam a opinar sobre grelhas de programas de estações de televisão ainda antes de elas serem estreadas, projectando rentabilidades sobre formatos que nunca tinham sido testados. A ignorância é geralmente má conselheira, mas quando ainda por cima é arrogante, como foi muitas vezes o caso desses analistas, o resultado só pode ser desastroso. Quem lhes deu ouvidos não se pode vir queixar agora: qualquer especialista lhes poderia ter dito em que pontos as análises eram incorrectas. Só que preferiram adivinhos e vendedores de promessas vestidos de analistas a especialistas - e o resultado está à vista. 

 


 


LISBOA- A corrida às autárquicas em Lisboa já vai mexendo. Alguém destapou a panela das cedências de habitações camarárias, sem se lembrar que o assunto queima muito mais o partido que mais anos esteve no poder em Lisboa, e que foi o PS – aliás é curioso que ninguém faça um trabalho sério sobre as consequências e culpas da gestão socialista de Jorge Sampaio e de João Soares no deficit geral da autarquia, na sua má situação financeira e também nas corruptelas instaladas.  

 


 


CAFÉ – Na proximidade da abertura da Starbucks em Portugal, deixo aqui dito que cada vez gosto mais do velho comércio tradicional que funciona bem. Gosto da qualidade, delicadeza e preço do meu velho café de esquina, do atendimento sabedor do livreiro aqui da rua – em contraste com cadeias mais baseadas no marketing que na qualidade e com muito pouca atenção aos interesses dos consumidores.  

 


 


DESAPARECIDO - Por estes dias dou comigo a apensar onde andará o célebre Tratado de Lisboa, essa peça de força da diplomacia socrática – esse enorme triunfo propagandístico que ocupou páginas e páginas de jornal há um ano atrás. O tratado não está em vigor, deixou de se ouvir falar dele, apesar de ter sido dado como facto consumado. O que é facto é que, de peça fundamental e necessária sem a qual nada se faria, se passou para o extremo oposto de ser uma recordação de um falhanço de que ninguém quer falar. O tratado de Lisboa parece desaparecido, onde está? 

 


 


OUVIR - Em 1972, em Berlim, uma extraordinária reunião de talentos criou aquela que por muitos é ainda considerada como a melhor gravação de sempre da ópera «La Bohème». Herbert Von Karajan dirigiu a Orquestra Filarmónica de Berlim e um naipe de vozes extraordinárias: Mirella Freni, Luciano Pavarotti, Elizabeth Harwood, Rolando Panerai, Gianni Maffeo e Nicolai Ghiaurov, entre outros. «La Bohème», uma das mais populares óperas de sempre, foi escrita por Giacomo Puccini em 1896, no início da fase mais brilhante da sua carreira. De entre as gravações feitas ao longo dos anos, os críticos são unânimes em destacar duas – uma dirigida por Sir Thomas Beecham em 1956 e outra, este registo berlinense dirigido por Karajan e editado pela Decca . Por ocasião das celebrações do centésimo aniversário do nascimento de Karajan, a Decca promoveu uma reedição, magnífica, agora à venda, que inclui a transcrição integral do libretto e uma série de textos sobre a gravação e sobre todos os seus intervenientes, para além de um disco extra com o registo de uma divertida conversa de Mirella Freni com Catherine Bott.


A gravação original foi remasterizada digitalmente a 24 bits. Edição Decca, distribuição Universal Music. 

 


 


LER - A edição deste mês da revista «Vanity Fair» celebra o 25º aniversário desta segunda fase da revista, iniciada em 1983. A «Vanity Fair» tinha tido uma vida anterior, com início em 1913, e que acompanhou o nascer o jazz e do cinema. A segunda fase, dos anos 80, acompanhou as carreiras de nomes como Madonna e Demi Moore – algumas das caras mais presentes nas 309 capas desta fase da revista e que são todas reproduzidas neste número de Outubro – cuja capa é dedicada a Marilyn Monroe e a uma nova investigação aos últimos tempos da sua vida, com novos documentos e fotografias. Outros pontos de interesse nesta edição são o habitual «Questionário de Proust», desta vez respondido por Michael Bloomberg. Uma conversa com a fotógrafa Annie Leibowitz sobre o seu método de trabalho e uma bela entrevista a Rupert Murdoch são ainda outros pontos altos. No entretanto deliciem-se com o site da edição inglesa, www.vanityfair.co.uk  ou da edição americana www.vanityfair.com 

 


 


VER – Uma das mais marcantes exposições que me foi dado ver abriu esta semana em Lisboa na Fundação Carmona e Costa, em Lisboa (Edifício de Espanha, Rua Soeiro Pereira Gomes Lote 1, 6º, no Bairro de Santos). A exposição chama-se «Aquilo sou eu» e agrupa obras da vasta colecção de Safira e Luis Serpa, centrada em auto-retratos de artistas contemporânos portugueses e estrangeiros. As peças expostas resultam de um desafio feito em tempos para que os artistas se retratassem a eles próprios independentemente do suporte e da forma como o fizessem. O resultado é impressionante de diversidade, cativante pela relação de cumplicidade e proximidade que o casal de coleccionadores manteve com os artistas. A exposição estava programada e a ser preparada há meses, mas o facto de ter surgido após a morte de Safira Serpa dá-lhe uma carga emocional e simbólica invulgares – uma homenagem a uma forma muito especial e delicada de estar na vida. A exposição pode ser vista às 4ªas, 5ªas e 6ªas entre as 14 e as 20 horas e aos sábados entre as 14 e as 19 horas. 

 


 


BACK TO BASICS – Hollywood é o local onde nos pagam mil dólares para terem um beijo e cinquenta cêntimos para ficarem com a alma – Marylin Monroe. 

 

 

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publicado às 17:04



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