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ESCANDALOSO - O que se tem andado a passar na agência Lusa está a começar a ser um escândalo. Uma agência noticiosa é suposta ser uma difusora imparcial e equilibrada de notícias, é suposta ser uma referência de isenção, insensível a manobras e pressões. Isto não é uma utopia, e embora a perfeição não exista, em algumas agências noticiosas ela está próxima. Durante uns anos ( e não foram poucos) , em Portugal, isso também aconteceu, nas diversas encarnações que a Agência Noticiosa nacional teve. Eu orgulho-me de ter estado mais de seis anos na Notícias de Portugal e, depois, no início da Lusa, e sei como existia um corpo de profissionais que defendia o respeito pelo Livro de Estilo, trabalhado a partir dos melhores exemplos internacionais. O que hoje se lê sobre o que se passa na Agência Lusa relata um cenário de pressões e manipulações e é espelho de uma sociedade e de um Estado que perdeu a noção da decência e não olha a meios para atingir os seus fins. No cerne da questão, quem está? O Ministro Santos Silva, claro. 

 


 


HABILIDOSO - Quando eu andava na faculdade lembro-me de ouvir colegas mais velhos a relatarem como Jaime Gama se tinha notabilizado, enquanto dirigente associativo, a condicionar o funcionamento de Assembleias de Estudantes, guardando umas propostas, seleccionado o que iria pôr à votação, fazendo malabarismos na condução dos trabalhos e tentando influenciar, pela via de habilidades processuais, os resultados finais. Talvez por me lembrar dessas histórias nunca tive simpatia pelo personagem. A forma como se comportou, enquanto Presidente da Assembleia da República, na votação do Estatuto dos Açores, veio confirmar que não perdeu a mão nem a imaginação na forma de interpretar os problemas e encontrar as soluções que mais lhe convêm a ele e ao seu partido. 

 


 


APAGADO - O Senhor Nunes, da ASAE, abriu o ano a prevaricar, fumando em recinto público, e fechou-o discreto. As ordens de apagamento a que teve de se sujeitar, as instruções para acabar com os raides á cowboy, a revisão nos processos de actuação e nalgumas leis mostraram afinal aquilo que muitos diziam: ele abusava do poder que tinha, gostava de se mostrar, preferir reprimir e esclarecer. Agora quase ninguém ou vê ou ouve e o mundo continua a girar. Mais um espalha-brasas que sucumbiu à sensibilidade do Governo pelos criadores de problemas mediáticos.

 


 


 


 


 


MAL - Coisas que correram muito mal este ano: a propaganda e as mentiras em torno do computador «Magalhães» e sua distribuição, os recuos nas reformas que enchiam a boca do Governo, o divórcio, cada vez maior, entre cidadãos e política, o Estado querer introduzir o pensamento único na análise da crise, a demagogia permanente de anúncios de obras que não se fazem e de medidas que não se tomam. 

 


 


BEM - Coisas que correram  muito bem este ano: a existência de protestos de cidadãos, de importante dimensão, em casos como o encerramento de centros de saúde, do alargamento da zona de contentores no Porto de Lisboa e também contra os abusos da ASAE.


 


 


 


LISBOA - Neste ano Lisboa estragou-se ainda mais como cidade perante um executivo camarário imóvel e apagado, cujas principais notícias foram a submissão a ordens do Governo (no caso do Porto de Lisboa), a falta de projectos, a inexistência de políticas sectoriais, o desaparecimento cada vez mais acentuado do vereador do Urbanismo ou a extraordinária mutação de Sá Fernandes que de arauto do Bloco de Esquerda se passou para escudeiro às ordens de António Costa, uma permanente desilusão enquanto Presidente da Câmara.

 


OUVIR – O novo disco do sexteto de Dave Holland é uma lufada de ar fresco para ajudar a passar estes dias entre o Natal e o Ano Novo. Depois de ter deixado para trás a Dave Holland Big Band, este sexteto evoca na realidade uma pequena orquestra, factor para o qual muito influi a forma como o piano de Mulgrew Miller serve de ponte entre os vários músicos, quase como se fosse quem comanda os arranjos, onde o saxofone de António Hart é incontronável.Seis dos nove temas vêm de discos anteriores de Holland, três são inéditos. O que cativa neste registo é a simplicidade e a elegância da interpretação, uma estilização cada vez mais acentuada nestes últimos tempos da longa e variada carreira do contrabaixista Dave Holland. Um dos grandes discos de jazz do ano. (Pass It On, The Dave Holland Sextet, CD Emarcy/ Universal). 

 


LER – Boa surpresa a edição portuguesa da revista «Foreign Policy» (que pertence ao grupo «Washington Post»), e que se edita de dois em dois meses, indo no seu sétimo número. Confesso que não a conhecia e fiquei cliente. Nesta edição, de Dezembro-Janeiro, temos um belíssimo artigo de João César das Neves sobre a crise financeira e um ranking das 60 cidades mais globais do planeta, apara além de uma série de bons artigos sobre religião,  a Europa ou a Guerra do Iraque. A edição portuguesa é dirigida por José Nunes Pereira e Luís Fonseca.

 


 


 


NOVIDADE – Na Bica do Sapato agora há cozido à portuguesa todos os dias. Quem já provou gosta, destaca a qualidade dos enchidos e das carnes e a vistosa sobriedade dos acompanhamentos. A lista tem mais algumas novidades como um belo pato confitado e uns filetes com legumes, ambos comprovadamente a merecerem elogios. Nas sobremesas prove a finíssima tarte de maçã com gelado de alfarroba, é uma combinação irresistível. Cais da Pedra, Junto a Santa Apolónia, telefone 218810320. 


 


BACK TO BASICS – O Presente é a única coisa que não tem fim – Erwin Schrodinger. 

 

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publicado às 19:32



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