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TRAPALHADAS - Primeiro foi José Sócrates a admitir que podia, afinal, existir recessão. Como por milagre, no dia seguinte, Vítor Constâncio, o Governador do Banco de Portugal que se está a especializar em desdizer-se, confirmou o cenário de recessão. Depois o Ministro das Finanças apareceu a dizer que o Orçamento de Estado necessitava de ser actualizado e corrigido, confirmando as dúvidas levantadas pelo Presidente da República, mas contradizendo declarações oficiais do Governo e do Grupo Parlamentar do PS sobre esta matéria. Pelo meio José Sócrates admitiu que antecipar as legislativas podia ser uma boa ideia de ajuste do Calendário Eleitoral aos seus interesses, contrariando também o enorme sururu que uma análise feita nesse sentido, há semanas, por Pedro Santana Lopes, levantou nas hostes socialistas. Afinal o país está em recessão, afinal o PS quer eleições legislativas mais cedo, afinal o Orçamento de Estado contém erros e é insuficiente. Quer dizer – tudo o que o PS e o Governo andaram a dizer no último mês e meio que não existia veio a confirmar-se verdadeiro. É um cenário de enormes trabalhadas, mentiras e grande impreparação. Se Jorge Sampaio fosse ainda Presidente da República se calhar Sócrates era despedido.  

 


COMPADRIOS - A decisão do Governo de permitir obras públicas até cinco milhões de euros sem concurso público, por simples ajuste directo, é um escândalo, sobretudo num ano de eleições legislativas e autárquicas. São medidas destas, que favorecem compadrios, que tornam o Estado menos transparente, são medidas destas que fazem crescer a desconfiança nos Partidos e nos políticos, são medidas destas que delapidam o erário público em obras de fachada. João Cravinho, que aqui queria combater a corrupção, que dirá deste assunto sentado no gabinete para onde foi despachado, em Londres? 

 


 


GERAÇÃO - Há uma geração, que situo entre os vinte e muitos e os trinta e poucos anos, nascida e criada depois de 1974, que tem uma posição de enorme pragmatismo sobre a sociedade, a política, a participação cívica, os partidos, a ética e a responsabilidade. No geral são individualistas em extremo, sem ideologias nem causas, e desejam apenas que «isto ande». São a grande base eleitoral de José Sócrates, algures entre a social-democracia e o liberalismo, definitivamente longe da esquerda e da direita tradicionais. Este é o novo centrão, que olha para Sócrates como um dos seus e espera que ele se mantenha no seu posto. Não é uma imagem tranquilizadora… 

 


 


CITAÇÃO 1 - «Para não dar azo a muitas especulações vou sintetizar: quero que Israel ganhe a guerra contra o Hamas, o Hezbollah, o Irão e os fundamentalistas árabes. Que os palestinianos tenham uma pátria. Que em Israel e na Palestina os moderados consigam impor uma negociação.» (Luís Januário, blogue «A Natureza do Mal»). 

 


 


CITAÇÃO 2 - «Sócrates é uma melancia nascida no jardim de Maquiavel, de todas as cores por fora desde que o centro seja comestível» - Fernando Sobral, neste «Jornal de Negócios». 

 


 


CITAÇÃO 3 - «Eu não me dou com ninguém que tenha apontado uma arma de plástico a um professor, mas quase toda a gente que conheço já fez comentários desagradáveis, ou até insultuosos, sobre o Primeiro-Ministro. Se os primeiros são os brincalhões e os segundos os delinquentes, está claro que preciso de arranjar urgentemente novos amigos» - Ricardo Araújo Pereira, na «Visão», comentando a posição da Directora Regional de Educação do Norte, que há meses suspendeu um professor por ter tido graçolas sobre o Chefe do Governo mas considerou uma brincadeira de mau gosto a ameaça a um professor com uma arama de plástico por um grupo de alunos que exigiam melhores notas. 

 


 


MEDIA - Neste ano que agora começa vai surgir um novo jornal diário, vai ser escolhido (enfim, designado, melhor dizendo) o novo operador de um canal nacional generalista de televisão, as guerras de audiências entre os três canais comerciais já existentes vão aquecer e no meio de um cenário de quebra de publicidade na imprensa o Estado decidiu que as publicidades obrigatórias – fonte de preciosas receitas em jornais nacionais e sobretudo locais e regionais – iria desaparecer para passar imediatamente para a internet. Não houve sequer o cuidado de propor uma diminuição faseada, ainda por cima num ano em que o mercado publicitário vai sofrer as inevitáveis ondas de choque da crise económica. 

 


 


OBRA – Insensível à crise continua o jornal «Lux Frágil», de distribuição gratuita e fruto da iniciativa nocturna e privada. Sob o lema «A Vida É Toda Para Diante», o jornal é um oásis de humor e de negação do pessismismo reinante, desta vez com a reprodução de uma bela gravura de Ana Jotta na capa, muito oportuna nos tempos que correm, construída à volta da frase: « La gente dice que me paso el dia de compras, pêro intento trabajar». Esta edição e números anteriores felizmente disponíveis em www.blog.luxfragil.com . 

 


 


CLÁSSICO – Um restaurante a que se volta sempre é «A Isaura», Avenida de Paris, 4B, telef 218480838. As opções de pratos do dia são frequentemente fantásticas e muito bem confeccionadas, a lista de vinhos é um manual de como escolher o melhor vinho para a refeição e uma fonte de sabedoria. O serviço é um pouco «deixa lá que a comida é boa e o preço dos vinhos não é mau e eles acabam sempre por cá voltar». Mas a minha lebre com feijão branco estava bem boa.  

 


 


BACK TO BASICS – Deus criou os homens mas são eles que se escolhem uns aos outros – Maquiavel. 

 

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publicado às 18:54


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