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FONTES - Existe há muitos anos uma forma muito curiosa de fazer contra-informação: atribuir a origem de uma determinada notícia a uma fonte que efectivamente não disse nada, mas que faz parte do círculo envolvido na notícia. Não sou dado a demasiadas teorias conspirativas, mas tem-me passado pela cabeça que algumas fontes políticas referidas como sendo «fontes de Belém» se calhar poderão conjunturalmente estar a provar pastéis em Belém mas são mais oriundas da zona de S.Bento ou da Rua Gomes Teixeira do que de outro sítio qualquer.

 

MUNDIAL – Tudo indica que começou a campanha para semear ilusões e criar despesa com o pretexto do Mundial de Futebol e uma hipotética candidatura conjunta de Portugal e Espanha como organizadores. Eu sei que os Governos gostam de utilizar o futebol para gáudio e engano da populaça, mas a verdade é que todo o dinheiro que delapidam no futebol é dinheiro que não vai para apoiar a criação de postos de trabalho, para apoiar indústrias que exportam, para apoiar manufacturas em extinção e que, no futuro, podem fazer a diferença. Já o mesmo não se pode dizer do que se gastou na construção de Estádios para o Europeu…

 

PENA – É uma pena que empresas tradicionais de cerâmica estejam nas dificuldades em que estão. É triste ver que fecham empresas produtivas, que diminui ainda mais o nosso tecido fabril. Quando olho para o se passa com a fábrica responsável pelas criações de Rafael Bordalo Pinheiro, quando olho para cerâmicas que encerram, quando olho para as ameaças que pairam sobre a Vista Alegre, reconheço que é urgente rever as formas de apoio – a todas estas empresas faz falta comunicação, faz falta publicidade, faz falta investimento na comercialização, mais do que até na produção. Na realidade, por melhores que sejam as peças, se ninguém percepcionar as marcas nem o seu valor dificilmente elas terão possibilidades de sobreviver. Faz falta uma análise do que se passa neste capítulo – a gestão e a divulgação das marcas portuguesas, um acompanhamento e aconselhamento na forma de fazer uma comunicação comercial continuada e eficaz, que se reflicta em vendas. Numa conjuntura como a que estamos a viver, com retracção do investimento publicitário, existe a oportunidade de, com volumes de investimento menores, conseguir uma notoriedade mais rápida e maior que noutras épocas. Aqui está uma coisa em que Manuel Pinho e a sai equipa poderiam pensar.

 

VAZIO – Um mandato inteiro de Governo a impôr sacrifícios para resultados bem escassos – a posição global de Portugal não melhorou, uma entidade tão credível como a Standard & Poor’s alerta para o aumento da despesa e diz que a Reforma da Função Pública ficou aquém do esperado. O relatório da Standard & Poor’s é qa confirmação de que continuamos um país adiado.

 

COISAS DE QUE EU GOSTO – A escolha de Isabel Carlos para dirigir o Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, ouvir a «Íntima Fracção», de Francisco Amaral, na internet, saber que os Xutos & Pontapés estão «alive and kicking» ao fim de 30 anos, poder ler o Miguel Esteves Cardoso todos os dias, saber que o Fernando Sobral aqui escreve, neste jornal, diariamente, coisas tão lúcidas como esta citação: « Ronaldo ilude num país desiludido. É um fogo de artifício».

 

VER – A exposição «Bone Lonely» de Paulo Nozolino na Galeria Quadrado Azul (Largo Stephens 4, entre o Chiado e o Cais do Sodré). São 32 fotografias, todas deliberadamente em enquadramento vertical, feitas ao longo de vários anos, todas a preto e branco, impressas em laboratório, tiragem de prova única. É uma bofetada de luva branca no exibicionismo das ampliações gigantes de imagens a cores, banais, que vivem de deificar o óbvio e é uma demarcação do mau gosto e da vulgaridade, dominantes na fotografia nos últimos anos. A exposição estará patente até 21 de Fevereiro e em Maio será publicado um livro que reproduz estas imagens, acompanhadas por poemas de Rui Baião.

 

LER – Recomendo que leiam a «Ler», a revista mensal editada pelo Círculo de Leitores, dirigida por Francisco José Viegas. Em Dezembro fiquei a perceber que estes números de fim de ano são para guardar – resenha de livros, tendências, coisas, que marcam. Todos os meses há ideias novas, alguns colunistas interessantes (Agualusa, Pedro Mexia, Filipe Nunes Vicente), outros nem por isso, mas sempre um lúcido editorial do Director e boas entrevistas. A edição de Janeiro tem Agustina Bessa-Luís na capa e já está por aí ao módico preço de cinco euros.

 

PROVAR – No espaço de restauração do Teatro de S.Luiz abriu há pouco tempo o «Spot S.Luiz», que faz parelha com outro espaço de igual designação que existe no Casino de Lisboa. A direcção culinária é de Fausto Airoldi, mas no caso do S.Luiz, a batuta efectiva da cozinha está na mão de António Latas, que sai muito bem da aventura. Nas entradas recomendo as cascas de batata brava e confesso que só encontrei razões para elogiar o bacalhau fresco escalfado com um «à Braz» contemporâneo e o risotto de lima. Vinhos simpáticos a copo, serviço a precisar de ser afinado. Telefone – 213430253.

 

OUVIR - «Amoureuses», o disco da soprano Patrícia Petibon, acompanhada pela Concerto Koln dirigida por Daniel Harding, a interpretar árias de Haydn, Mozart e Gluck, todas em torno do amor. Petibon tem um notável controlo vocal, uma técnica flexível e uma voz cristalina.

 

ADIVINHA – Qual é a distância entre fazer fretes em entrevistas e criticar a afirmação de opiniões em editoriais?

 

BACK TO BASICS - «O luxo não se baseia nem na riqueza nem na ornamentação mas na ausência de vulgaridade. A vulgaridade é a pior palavra que existe e todo o meu trabalho visa combatê-la» - Coco Chanel.

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publicado às 10:48


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