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A IMPORTÂNCIA DA CREDIBILIDADE

por falcao, em 29.01.09

(Publicado no diário «Meia Hora» de 27 de Janeiro)


 

Um património fundamental dos politicos é a credibilidade. A demagogia eleitoral deixa sempre as suas mossas, a mania dos políticos em estabelecer metas e fazer promessas que depois deitam fora é uma das coisas que mais destrói a política e mais afasta as pessoas da participação cívica.

Eu devo dizer que tenho o Engenheiro Sócrates na conta de uma pessoa séria – não corrompível, não venal, que não quer tirar proveito próprio nem material da actividade política. Mas sei também como é determinado e como frequentemente não olha a meios para atingir objectivos. Aos poucos José Sócrates tem vindo a construir um património de incredibilidade, em termos políticos e em termos pessoais.

Em termos políticos na campanha eleitoral prometeu que não iria subir os impostos, e a primeira coisa que fez foi aumentá-los; prometeu milhares de empregos que nunca surgiram; prometeu reformas que ou não se fizeram ou ficaram a meio. Tudo indica que o final do seu mandato fique muito longe, em termos de resultados, do que ele anunciou – o recente relatório de uma agência de rating sobre a situação do país é o retrato de um falhanço, mesmo antes de a crise ser o que é.

Em termos pessoais, em três situações diferentes, começou por não admitir determinados actos, que depois se verificou terem ocorrido – a sua dificuldade em conviver com a verdade quando esta lhe pode ser desagradável é uma característica repetida: foi assim no caso do seu currículo profissional e no caso da sua licenciatura, foi assim no caso dos projectos de engenharia que assinou, foi assim neste caso do Freeport.

O seu comportamento tem sido sempre igual: ao princípio nega tudo, depois tem que recuar e aceitar parte do acontecido. O problema é que deixa no ar a dúvida sobre se ficará mais por desvendar. É isso que afecta a sua credibilidade e é isso que começa a preocupar tanta gente no PS, sobretudo em vésperas de Congresso partidário.

No caso Freeport, parece-me, a questão principal é saber se houve tratamento de excepção na rapidez do licenciamento, no facto de a decisão ter sido tomada já com o Governo de saída, no facto de objectivamente a decisão ter sido pressionada (como hoje já se sabe) por um correlegionário partidário do Engenheiro Sócrates – o Presidente da Câmara de Alcochete, à data do sucedido, era do PS. Esta é verdadeiramente a questão central de todo o problema: houve ou não favorecimento político – partidário? Todas as aparências indicam que sim.

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publicado às 11:43


6 comentários

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De Zé da Burra o Alentejano a 29.01.2009 às 14:27

Estamos fartos de Freeports " escândalos ligando os políticos a interesses privados, notícias do género ocorrem com frequência neste país. Mas neste caso, as autoridades inglesas terão gravações em DVD incriminatórias que não são válidas em Portugal porque não terão sido conseguidas por ordem de um juiz". Ah! mas também é preciso que a imparcialidade do juiz não possa ser posta em causa senão mesmo assim essas provas também acabam por ser invalidadas A LEGALIDADE PREVALECE SOBRE A VERDADE. Os crimes que envolvam figuras poderosas explorem todas estas possibilidades de defesa, fazem os julgamentos demorar muitos anos, os quais acabam frequentemente por prescrever ou não chegam a conclusão alguma.

Estas leis foram feitas não para proteger o cidadão honesto e cumpridor que não tem receio de ser investigado, mas interesses obscuros a que o financiamento de certos partidos não deve ser alheio.

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