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DO OUTRO MUNDO – Parece que a política de Comunicação do Ministro Mário Lino tem um refinamento que mais nenhum outro Ministério ainda conseguiu: os escolhidos em concurso público ficam a saber que do Caderno de Encargos cosnta uma festa encenada para a cerimónia de adjudicação, com presença garantida de José Sócrates e filmes, internet, publicidade e acompanhamento de imprensa, mais comes e bebes, tudo de formato fixo, fornecedores fixos e preço fixo: 500.000 euros. João Cravinho, que gostava - e bem - de se insurgir contra sinais de corrupção, e que foi Ministro das Obras Públicas, que dirá deste sofisticado método de financiamento de campanhas de propaganda? (Resta dizer que todos os preços vindos a lume são mais caros que os preços de mercado normalmente praticados….quem ganha com a diferença?)

 

MUNDO REAL - Imaginem um autarca do partido do Governo que pressiona um ministro do ambiente a encarar a alteração de uma decisão e o leva a sentar se, à mesma mesa, com um empresário disposto a tudo para avançar com o seu projecto. OK,  isto parece uma sinopse de um filme de cordel passado numa república das bananas, mas é apenas um resumo, real, do que até agora se sabe do caso Freeport – intrigas de família à parte.

 

OUTRO MUNDO – A política passou a ser feita não de ideologias mas de campanhas de informação e contra-informação. Uma análise da imprensa dos últimos oito meses em Portugal mostra um somatório de manobras que passam pela área dos negócios, pela Banca, pelos jornais e, obviamente pela justiça – que é o bem mais raro e escasso em Portugal.

 

VENTOS DE LESTE – O Governo chinês anunciou esta semana que 20 milhões de trabalhadores originários de zonas rurais, que estavam em zonas industriais de grandes cidades nos últimos anos, perderam o emprego nos meses mais recentes em virtude da crise internacional e da diminuição de encomendas para exportação. São 20 milhões que assim regressaram às suas terras de origem com muito pouco nas mãos. O «Financial Times», que tinha esta notícia, estimava que mais de 12 milhões de desempregados recentes permaneciam ainda nas cidades à procura de trabalho e , citando autoridades chinesas, alertava para a possibilidade de perturbações sociais graves no país.

 

LER – A edição de Fevereiro da «Vanity Fair» traz três artigos imperdíveis: uma descrição, detalhada e surpreendente, de como funcionava a Casa Branca no tempo de Bush, a história do romance entre a Princesa Margarida de Inglaterra e o fotógrafo Tony Armstrong Jones no início dos anos 60, e uma visita à faceta teatral de Cate Blanchett. A propósito dos tempos que vivemos, o editor da revista, Graydon Carter recorda que foi nos anos entre 1929 e 1939, a seguir à Grande Depressão, que o talento criativo nos Estados Unidos floresceu como em nenhuma outra época do século passado.

 

UM BOM CASO – Na quinta-feira da semana passada o nº 84 da Rua da Boavista, em Lisboa, registou uma enchente rara nos tempos que correm, quando se fala de inaugurações de exposições em Lisboa. É ali que fica o Art Edifício Transboavista, que agrupa a VPF Cream Art Gallery, a Rock Gallery e a Plataforma Revólver. Cada um destes espaços encerra propostas e objectivos diferentes e o resultado é uma junção de diversos públicos, mas com a característica comum de procurarem um espaço que é cada vez mais sinónimo de território de exploração de novos rumos, ao mesmo tempo que se assume como um palco para provocações estéticas e montra de experimentalismos. A animação, a vontade de ver e de estar era genuína, a alegria dos presentes contrastava com o discurso sobre a crise e tudo isto se passava numa noite de mau tempo. Victor Pinto da Fonseca conseguiu em pouco tempo tornar este espaço (que brevemente contará com mais uma galeria), num local incontornável no roteiro da arte contemporânea em Lisboa. Destaque, na nova série de exposições, para a instalação de Gustavo Sumpta que liga a entrada do edifício até ao topo, na Plataforma Revólver (onde está a colectiva Convite Cordial), e para o trabalho de Pascal Ferreira, «Vice-Versa», na VPF Creamarte, verdadeiramente a desafiar os limites físicos do espaço. Nas salas reservadas ao acervo da galeria uma inesperada novidade: um excelente trabalho a grafite de Nuno de Campos, um artista português que tem vivido em Nova York e que para o ano terá neste espaço uma exposição.

 

OUVIR – O novo disco de Bruce Springsteen, «Working On A Dream» é de longe o seu melhor trabalho dos últimos anos. Excelentes composições, textos adequados ao tempo, os músicos da E Street Band em grande forma e uma produção absolutamente irrepreensível de Brendan O’Brien fazem deste trabalho um marco na carreira do músico – que aqui abraça em interpretações pessoais diversos géneros da música popular norte-americana, com curiosas evocações da country nalguns momentos.

 

COMIDA – Não chega um arquitecto capaz e boa vontade para fazer um bom restaurante. O Sommer (Rua da Moeda, ao Cais do Sodré) é um espaço agradável, fruto daquele género de inspiração que leva umas pessoas, com jeito para a cozinha, a meterem-se numa aventura complicada. Eu sinceramente espero que a cozinha melhore, que o serviço melhore e que o ambiente geral melhore. É que, tal como está, o Sommer é apenas um espaço simpático, sem onda nem grande comida. (Rua da Moeda 1K, tel 213 905 558).

 

BACK TO BASICS - Quando chove, é certo e sabido que não há operações Stop - Vítor Raínho.

 

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publicado às 12:57


1 comentário

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De Gabriel a 09.02.2009 às 18:13

Parabéns pelas matérias sensacionais e pelas opiniões pertinentes!

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