Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



(Publicado no diário «Meia Hora» de 17 de Fevereiro)


 


Quando Costa ganhou as eleições autárquicas intercalares em Lisboa – provocadas por uma gestão política suicidária de Marques Mendes – alguns inocentes pensaram que a cidade iria conhecer tempos de paz, progresso e respeito pelos seus habitantes.

A realidade é bem diferente. A cidade está pior, os seus melhores espaços tornaram-se palco de aventuras comerciais – desde patrocínios de marcas a alugueres para apresentações de produtos, passando por passeios de fórmula um na Avenida da Liberdade. O espaço público é desrespeitado, tirado aos cidadãos que cá vivem, que cá pagam impostos e taxas e a quem a Câmara retira a possibilidade de viverem bem na sua cidade, precisamente quando ela está mais vazia pelo êxodo das invasões suburbanas – ao fim de semana.

Um plano sem nexo nem conteúdo varreu há meses a Praça do Comércio dos itinerários possíveis durante o fim de semana; agora o mesmo espaço foi transformado num estaleiro de obras e, já se sabe, estes quatro meses de enormes buracos no coração da cidade, irão tentar ser utilizados para fazer permanecer o louco projecto de impedir o trânsito, gizado por Manuel Salgado – cuja actividade em termos de urbanismo tem sido invisível, mas em termo de desconforto para os residentes tem sido bem patente.

Lisboa, no Verão passado cheirava mal e tinha pequenos buracos no pavimento, no asfalto, que não foram reparados; os pequenos buracos, com o Inverno chuvoso que ocorreu, tornaram-se em crateras. Tudo indica que Lisboa, mal aumente a temperatura, vai continuar a cheirar mal, mas com buracos ainda maiores. A gestão da equipa de António Costa caracteriza-se por estes dois vectores – falta de limpeza, falta de manutenção dos pavimentos – desinteresse pela qualidade de vida e conforto dos cidadãos contribuintes. Bem pode o Presidente da Câmara dizer que procura melhor ambiente – na realidade persegue moinhos de vento em vez de resolver problemas concretos – que, já se sabe, são sempre mais trabalhosos. Lisboa, hoje, é um buraco.

As eleições, nunca é demais recordá-lo, servem não para votar em programas mas para avaliar experiências. António Costa pode aparecer com mil promessas, mas a experiência destes dois anos não é para repetir – nunca a cidade caiu tanto, nunca foi tão descurada, nunca os seus residentes foram tão descriminados e maltratados. Costa, na prática, é um buraco.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:15


2 comentários

Sem imagem de perfil

De Francisco Castelo Branco a 25.02.2009 às 23:52

e os buracos na estrada?

principalmente na zona de alcantara do lado do rio?
Sem imagem de perfil

De Zedk a 19.06.2009 às 04:12

Não restam dúvidas: Lisboa teve o seu último leal e interessado presidente de Câmara na pessoa de João Soares. Não o Dr. João Soares dependente do PS da maioria absoluta que, parece, deseja passar ao lado do passado, possívelmente com esperança de chegar a mais altos voos. Tivemos outro presidente que, por artes e por partes, aí chegou, Santana Lopes de seu nome, a quem devemos a justiça de ter mantido muita da obra do seu antecessor que não conseguiu impor â cidade um discutivel elevador, tendo por sua vez e por conselho do demo construido um túnel com curvas, dúvidas, interesse e utilidade discutiveis, mais os custos inerentes.
Não há Bela sem senão, diz-se e talvez seja verdade mas, não é por aí que Lisboa perde beleza e qualidade de vida. É na falta de resolução de problemas cujas origens se prendem com a modernização permanente das pessoas, das suas necessidades, das suas novas exigências. A cidade não pode, nem deve, permanecer como nos tempos dos aguadeiros, dos moços de fretes de baraço ao ombro ou do pessoal vareiro a quem foi proíbido circular, nas ruas e calçadas, de pé descalço. Como no corpo humano, uma cidade tem vida e necessidades vitais para a existência de uma boa relação com os seus habitantes e com aqueles que, por algum motivo, nela convivem. Não é necessário que o presidente seja fotogénico ou bem falante; basta que saiba e queira constituir uma equipa com vontade e ideias, capaz de distinguir e separar o essencial do acessório, o urgente do a aguardar, separando o que se impõe do frívolo.
Lisboa não exige mais do que merece. Venha outro com mais virtude e menos defeitos.

Comentar post



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2007
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2006
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2005
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2004
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2003
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D