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SEXTA – Aqui há uns anos as sextas-feiras eram marcadas pelo «Independente» e as suas notícias. Agora são marcadas pelas investigações do «Jornal Nacional» da TVI, que tem vindo a colocar-se entre os dez programas de televisão mais vistos de cada semana, à frente da informação de outros canais. Deste sucesso de audiências e das investigações que revela resultou já a diabolização do Jornal e da sua apresentadora, quer pela ERC quer pelo núcleo duro do Governo e do PS.

 

TEMPOS - Em Portugal vive-se um clima semelhante ao dos últimos dias de Pompeia: lascívia do poder, promiscuidade entre política e negócios, despudorado assalto ao Estado, impunidade galopante, descrédito das instituições. A maneira como fôr resolvido o caso do Dr.Lopes da Mota, que dirige o Eurojust, será o fiel da balança. Dois procuradores dizem-se pressionados por ele; o Dr. Lopes da Mota tem desmentido ter efectuado pressões; é palavra contra palavra, uma situação onde o mais forte tem sempre vantagem; no lugar onde o Dr. Lopes da Mota está, no entanto, é certo que tinha formas de facilitar ou dificultar a troca de informações entre investigadores portugueses e britânicos sobre o caso Freeport; parece já ser consensual que, no mínimo, não as facilitou. Uma coisa é segura neste momento: a sua saída do lugar que ocupa seria um gesto, um sinal, de que se querem remover entraves à investigação. Este caso começa a tomar proporções que vão para além dos factos, já de si graves. Embora o assunto seja delicado, era bom ouvir o Presidente da República sobre este suspeito clima que se vive em Portugal neste momento.

 

COMEMORAÇÕES – Há uns meses o Ministério da Defesa recusou que uma força militar estivesse na evocação do regicídio; sabe-se agora que o Governo se dispõe a gastar dez milhões de Euros na celebração do centenário da República – ou seja, na celebração de 16 anos de balbúrdia, que levaram a 48 de ditadura e, finalmente, a estes 36 de tentativas democráticas. Não há provas – antes pelo contrário – de que o regime republicano seja mais justo, menos corrupto e mais democrático. Estes dez milhões pagos pelos contribuintes são um insulto nos tempos que correm. Mais: são um prepotente abuso.

 

VER – As mais recentes exposições de Inez Teixeira têm sido surpreendentes – uma observação das formas base da natureza, muito orgânicas. A sua forma de mostrar o mundo que a rodeia tem evoluído e, na nova mostra inaugurada na semana passada na VPF Cream Art, «De Dentro Para Fora», Inez Teixeira percorre caminhos inesperados, desta vez recorrendo a minuciosos desenhos em pequeno formato, imaginando casas envolvidas por bosques, num registo mais intimista e introspectivo. Ao mesmo tempo, nas novas pinturas que coexistem com os desenhos, adivinha-se o nascer de um novo ciclo que escapa a formas definidas.

Ainda no edifício Transboavista, onde a VPF Cream Art está instalada, pode ser vista, no espaço Plataforma Revólver, uma colectiva intitulada «A Escolha da Crítica», com curadoria de Lígia Afonso,. Destaque para a instalação de Paulo Mendes, para os desenhos a grafite de Pedro Barateiro, para os desenhos para animação de Susana Gaudêncio e para o trabalhos de João Fonte Santa. Edifício Transboavista, Rua da Boavista 84 ao Cais do Sodré, segunda a sábado das 14h00 às 19h30.

 

LER I – Na «Vanity Fair» (edição norte-americana) de Março, destaque para uma investigação detalhada sobre a forma como funcionava o esquema montado por Bernard Madoff – escrita de forma clara e simples para quem não é economista. A investigação, um exemplo de grande jornalismo, relata a forma como Madoff agia, os meios em que se movia e como neles entrou, num retrato cru do comportamento da sociedade americana nestas duas décadas mais recentes.

 

LER II – Um dos livros mais deliciosos que li nos últimos tempos é «Rhyming Life And Death», de Amos Oz, uma descrição arrebatadora de oito horas de uma noite na vida de um escritor, passadas entre a sedução e o desejo, entre a angústia e a memória, entre a realidade e o sonho. Para além de tudo o mais, esta é também uma reflexão de um homem de meia idade sobre o seu lugar no mundo.

 

OUVIR – Cristina Branco encontrou em «Kronos» um lugar próprio de que andava já à procura há tempo. Embora eu não goste da comparação, este é o fado-canção dos novos tempos - reconheça-se que melhor que o seu antecessor de há trinta e tal anos. Para este disco Cristina Branco socorreu-se de poetas como Hélia Correia, Álvaro de Campos ou Vasco da Graça Moura e de compositores e músicos como Sérgio Godinho, José Mário Branco, Carlos Bica ou Mário Laginha, entre outros. Quer nos arranjos, quer nos músicos escolhidos, quer, sobretudo, nas excelentes interpretações de Cristina Branco, este disco está destinado a constituir um marco na nova música popular portuguesa.

 

PETISCAR – O chef Michael Guerrieri tornou-.se conhecido em Lisboa graças ao restaurante Mezzaluna, mais tarde ao Bruschetta e depois aos City Sandwich. Há poucas semanas abriu um novo espaço, o Spazio Dual City Caffé, na Avenida da República 41, no mesmo local onde existe um stand da Alfa Romeo e da Lancia e onde estão instalados alguns ateliers de artistas plásticos. No piso inferior, além dos carros, estão expostas algumas obras desses artistas e, no piso superior, está o City Caffé – decoração clara, confortável, propostas simples, com muito boa matéria prima. Da lista constam cannelloni invulgares como os que levam morcela cozida a vapor ou bacalhau desfiado, um leque de boas saladas , paninis e tramezzinis numa escolha abundante de ingredientes, sempre acompanhados de saladas da época. Os preços são muito razoáveis e a proposta é ideal para escapar das tostas mistas, pastéis diversos, pregos, milanezas e outros artefactos, as mais das vezes confeccionados sem cuidado. Há vinho a copo, português e italiano, o ambiente geral é muito agradável.

 

BACK TO BASICS – O primeiro sinal de corrupção numa sociedade que aparentemente está bem é a percepção de que os poder acha que os fins podem justificar os meios – Georges Bernanos

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publicado às 15:37


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