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ELEIÇÕES I – Mais do que nunca o segredo da vitória nos próximos actos eleitorais vai ser conquistar o centro do espectro político – é aí que residem os medos da ingovernabilidade, é aí que está a classe média espremida e asfixiada pelo Estado; mais do que nunca vão valer coisas simples como o respeito pelas pessoas, a ausência de arrogância; mais do que nunca vai ser premiada a honestidade e penalizada a chicana e o insulto ou a insinuação. Estas eleições mostram isso – e mostram também que o eleitorado pode estar disposto a obrigar os políticos a fazerem consensos e acordos, rejeitando maiorias absolutas e forçando a inevitabilidade de acordos pós eleitorais. A ingovernabilidade fora do cenário da maioria absoluta é um papão cujo resultado prático está à vista de todos.

 

ELEIÇÕES II – As empresas de sondagens, sobretudo aquelas dirigidas por quem quer ser estrela de televisão à viva força, precisam de se reciclar; melhor, precisam de ser vigiadas e auditadas por um entidade independente, um Instituto que as certifique e garanta transparência de processos. A utilização de sondagens no período de campanha e até ao dia do voto tornou-se numa arma política, o que obriga a muitos mais cuidados já que a realidade tem mostrado que existe quem se preste a fornecer material de guerrilha em vez de estudos sérios. As sondagens, quando honestas, são obviamente úteis, e a proibição da sua divulgação nas 48 horas anteriores às eleições nem sequer é benéfica hoje em dia – mas a seriedade tem que ser premiada e as falsificações grosseiras denunciadas. Nestas eleições houve muitos erros, erros a mais, erros suspeitos, alguns deles erros recorrentes que dão que pensar. Alguém devia certificar a actividade destas empresas. E seria lógico que o funcionamento do mercado, na área das empresas de comunicação, principais clientes das sondagens, punisse quem erra tanto.

 

ELEIÇÕES III – A debandada da esquerda nas eleições europeias – na generalidade dos países e nomeadamente naqueles onde está no Governo – tem especiais reflexos, sobretudo num cenário pós-Obama, que naturalmente era suposto favorecer os inimigos naturais de Bush e louvar o seu sucessor. Mas o eleitorado europeu disse que desconfia do aumento do peso do Estado, do aumento de impostos, dos planos de salvação da crise feitos à pressa e, sobretudo, começou a desconfiar dos partidos socialistas que navegam na chamada terceira via e que perderam identidade. Os partidos de esquerda que se aproximaram do centro direita – em Portugal, Espanha e Reino Unido - são os grandes derrotados do processo. Em Portugal, boa parte dos votos reivindicados por Manuel Alegre já se percebeu que saíram do PS, para outros partidos à sua esquerda.

 

ELEIÇÕES IV – O que sobressai dos resultados das Europeias em Portugal é um atenuar da bipolarização, um ressurgimento do papel de charneira dos pequenos partidos. A consequência que isto pode ter nas próximas legislativas e autárquicas é enorme. A estas horas António Costa olha com redobrada atenção para Helena Roseta, que também deve estar a fazer contas a quanto vale o seu compromisso – tanto mais que em Lisboa-cidade foi o PSD o vencedor no Domingo passado.

 

ELEIÇÕES V – A quase duplicação dos votos em branco e a abstenção elevada são sintomas do clima que existe e merecem ser estudados – estas eleições tiveram muitos novos eleitores e o aumento dos votos em branco pode ser, nesta conjuntura, um sinal de que os mais jovens eleitores não se revêem no sistema partidário. Outro tema que tem que ser encarado com vontade política é o da actualização dos cadernos eleitorais – da maneira que estão nunca ninguém saberá qual a abstenção verdadeira – o que dá jeito a muita gente…

 

ELEIÇÕES VI – O inefável blog «Causa Nossa» onde Vital Moreira fez carreira a louvaminhar Sócrates até ser escolhido para candidato, esteve estranhamente mudo atè às 15h00 de segunda feira passada. Nem Vital, nem Ana Gomes, os dois autores deste blog que mais nele postam, deram sinais da sua graça. Esclarecedor.

 

LER – Estas alturas pós-eleitorais são boas para arrumar ideias. Nestes dias mais recentes muito se tem escrito sobre comunicação. Por isso mesmo pode ser interessante ler um livro recentemente editado em Portugal pela «Relógio D’Água» e que reúne conferências e entrevistas dadas por Marshall McLuhan, um dos grandes teóricos da comunicação na segunda metade do século XX. Esta recolha de textos data de 2003, tem uma bela introdução de Tom Wolfe. O livro começa com uma conferência sobre os efeitos revolucionários dos novos meios de comunicação, datada de 1959 e termina com a derradeira conferência de McLuhan, proferida pouco antes de morrer, em 1979, um texto notável e profético intitulado «O Homem E Os Meios». Muito do que acontece hoje no Mundo, em termos de comunicação, está explicado neste livro.

 

OUVIR – Melody Gardot não tem felizmente uma daquelas vozinhas perfeitas e cheias de melodia que se tornaram uma monótona característica do jazz vocal dos últimos anos. A sua voz é dura, a maneira de cantar é saudavelmente imperfeita, o que deixa espaço à interpretação – isso mesmo se pode ver na forma como no seu novo disco, «My One And Only Thrill» canta o clássico «Over The Rainbow». Os arranjos são saudavelmente heréticos em relação ao padrão habitual do soft jazz, neste disco com influências latinas na forma de pontuar o ritmo e em que a maior parte das composições são da própria Gardot. Destaque para «Who Will Confort Me», «Les Etoiles» e para o tema que dá o nome ao CD, «My One And Only Thrill». A produção é de Larry Klein, conhecido pelas suas colaborações com Joni Mitchell, Freddie Hubbard, Herbie Hancock e Madeleine Peyroux, entre outros.

 

BACK TO BASICS – O meu voto é sempre contra alguém – W.C. Fields

 

 

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publicado às 17:52



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