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TELEVISÃO - Politiquices sócratinianas à parte, o regresso da PT à área dos conteúdos só faz sentido – cada vez se torna mais claro que a chave do sucesso na exploração de novas plataformas tecnológicas tem a ver com a capacidade de garantir conteúdos, alguns em exclusivo de preferência, para garantir tráfego e gerar receitas. Não é preciso ser vidente para saber que a introdução da televisão digital terrestre, a próxima geração de telemóveis e a proliferação da fibra óptica vão alterar a forma como todos nos relacionamos com programas de televisão e com conteúdos audiovisuais. Se juntarmos a isto a importante questão da exploração dos direitos de transmissão do futebol (cada vez mais determinantes na criação de receitas directas e indirectas em televisão) estamos perante um cenário em que a PT ou abdicava de crescer ou arriscava voltar a uma área onde, no início da década, recorde-se, Zeinal Bava deu cartas e mostrou uma grande capacidade de visão. Do cenário politiqueiro, incontornável, é certo, espera-se que a tentação do poder e de exercer controlo editorial não estraguem uma estação de televisão que tem sido gerida com as audiências e a rentabilidade sempre em primeiro plano. E que, por acaso também, tem sido a que mais ficção nacional tem produzido, dando cartas ao serviço público em várias áreas.

 

ELEIÇÕES - Quando escrevo esta coluna ainda não se sabe qual a decisão presidencial quanto à data das eleições legislativas. Mas, seja qual for o calendário, é certo que tudo indica que o resultado eleitoral irá obrigar a coligações e acordos; se não for possível chegar a um acordo estável, e a probabilidade é grande, aumenta o número dos que propõem um Governo de iniciativa presidencial. O recente manifesto dos 28 contra as grandes obras públicas mostra já como alguns sectores das elites se posicionam, a marcar terreno. Apelos complementares a uma revisão constitucional – ainda por cima necessária face ao total desajustamento do sistema eleitoral e político face à realidade actual, criam campo para que o Presidente utilize os seus poderes até ao máximo. Será curioso ver quem se irá colocar em bicos dos pés nos próximos compassos desta dança.

 

CULTURA - No seu acto de contrição público transmitido pela televisão, Sócrates reconheceu que tinha errado na Cultura e que esta é uma área que precisaria de mais dinheiro. Está na cara que este será um dos sectores onde o PS vai investir – é que, com relativamente pouco dinheiro, será possível captar uma corrente de opinião de esquerda e de centro esquerda sensível a estas questões, crucial para o PS nas próximas eleições. Resta a curiosidade de ver quem o PS irá utilizar para dar corpo a esta nova política na área da cultura, já que o actual Ministro sempre disse que não era preicos mais dinheiro.... No entretanto a pobreza da direita e do centro direita em relação às questões de política cultural continua, infelizmente, a ser confrangedora – enquanto o PS tratou o assunto com os pés a coisa não se notou tanto, agora que a conjuntura eleitoral obriga Sócrates a ter mais cuidado, a diferença vai ser mais patente – e prejudicial – a menos que entretanto alguém tenha o bom senso de romper com o monopólio político da esquerda na cultura.

 

ELOGIO - É altura de aqui reconhecer que o trabalho realizado no Museu Colecção Berardo, no CCB, por Jean-François Chougnet, o director que tem sabido organizar um programa de exposições temporárias que faz descobrir áreas pouco visíveis, que possibilita que Portugal descubra a obra pouco divulgada de portugueses como Pancho Guedes, ou que tenha possibilidade de ver obras pouco divulgadas, como a de Dan Flavin. Esta semana o Museu inaugurou uma mostra sobre Art Déco e outra sobre paisagens, ao mesmo tempo que ainda se pode ver uma importação da Photoespaña ou a curiosa «Arriscar o Real», a partir de obras da própria Colecção Berardo.

 

VER - Semana grande em Coimbra – o Centro de Artes Visuais ~(CAV) inaugura dia 27, sábado, três exposições: «Notas Sobre Um Problema de Método», de Pedro Calapez; «The Night Walker And Other Works» um projecto de Ra Di Martino; e uma exposição, «Paisagem», dedicada à obra do arquitecto Carrilho da Graça com fotografias de Augusto Brázio, Edgar Martins e Frederic Bellay.

 

IR – Este é o primeiro fim-de-semana do «Estoril Jazz», numa nova «casa», o Centro de Congressos do Estoril. Sexta-feira dia 26, 21h30, o destaque vai para o quinteto James Carter; Sábado à tarde uma curiosa experiência de jovens músicos portugueses que adaptaram para português standards norte-americanos no colectivo «Jazz em Miúdos, às 16h00; à noite, ainda sábado, a voz de Roseanna Vitro (um dos novos valores do jazz vocal), com um trio que inclui o pianista Kenny Werner; finalmente no Domingo às 19 e 21 horas, em duas sessões um concerto a solo do pianista Chick Corea, sem dúvida o ponto alto destes primeiros três dias – para a semana há mais.

 

REGISTO - Mayra Andrade é uma cabo-verdeana com uma voz extraordinária e uma grande presença em palco, mas infelizmente o seu disco «stória, stória» sofre de um mal que nos últimos tempos contribui para descaracterizar e tornar pouco interessantes as gravações de intérpretes de Cabo Verde: uma produção, arranjos e músicos abrasileirados tornam tudo numa massa sonora incaracterística e pobre Resta a riqueza da voz de Mayra, infelizmente também a adoptar uma pronúncia mais brasileira que africana. A ideia será a de assegurar uma maior capacidade de internacionalização – mas o resultado é pobre e grotesco em termos musicais. CD Sony.

 

LER – Em 1973 foi feita a primeira edição de «O Mundo É A Nossa Casa», com base num texto de Júlio Moreira e em desenhos, ilustrações e grafismo de Sena da Silva, Cristina Reis e Margarida d’Orey. O livro, dedicado sobretudo às crianças, teve várias edições mas há uns anos que se encontrava esgotado. Pela mão da Guimarães Editores foi agora reeditado, numa versão actualizada que nos permite descobrir uma das obras mais interessantes sobre a nossa sociedade e o nosso planeta que se pode oferecer aos mais novos.

 

LUGAR – A esplanada da nova cafetaria do Hotel Altis Belém tem bom serviço, boa cozinha, uma grande vista e boas propostas, leves e frescas, para estes dias mais quentes. Telef. 210 400 200

  

BACK TO BASICS -  Uma obra exposta num museu ouve mais opiniões ridículas do que qualquer outra coisa no mundo – Edmond de Goncourt

 

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publicado às 11:31


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