Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



ROTUNDAS – Durante as viagens de férias constatei a súbita proliferação de rotundas em vias de conclusão ou de obra recente. A rotundomania domina o país, o grande problema é que muitas das rotundas não têm indicações de direcção claras e quem não conhece os locais anda autenticamente às voltas, perdendo-se com frequência. Assim as rotundas servem para confundir e baralhar e não simplificam – a não ser para os partidos políticos: é que as rotundas parecem mesmo ser o local ideal para afixar os cartazes de propaganda eleitoral. Nos tempos que correm esta é a sua mais imediata utilidade. 

 


 


PORTUGAL – O despudor com que o Governo se desdobra em acções de propaganda não tem precedentes próximos em Portugal – todos os dias se vêem exemplos de anúncios de iniciativas ainda não concluídas, sugestões de obras futuras, tudo com um despudor inacreditável. A demagogia moderna é isto: mostrar o que ainda não existe como se estivesse feito, dizer que se vai fazer o que já se sabe ser impossível concretizar. Nesta matéria José Sócrates é de facto campeão.  

 


 


LISBOA – Regresso de férias – recomeçam os problemas no trânsito, continuam as obras de Metro do Saldanha, atrasadas quase dois anos, as avenidas novas permanecem bem sujas (parece não verem água há meses), a Fontes Pereira de Melo ainda continua com faixas reduzidas, o Campo Grande lá está triste e degradado. Ao contrário do que diz a propaganda, a casa não está arrumada, está mesmo muito desarrumada. 

 


 


DESCOBRIR – A programação Allgarve incluía este ano uma área dedicada à arte contemporânea, intitulada Art Algarve, que se espalhava por vários locais. O meu destaque vai para as exposições existentes em Loulé e, destas, sobretudo para as fotografias de Patrícia Almeida (uma das nomeadas para a próxima edição do BES Photo). Mas verdadeiramente o que achei mais interessante foi o facto de a Art Algarve ter conseguido colocar as exposições em locais como o Convento de Santo António ou na maravilhosa descoberta que é a Quinta da Fonte da Pipa, ambas em Loulé. Só para conhecer estes locais e ver como eles convivem com arte contemporânea, valeu a pena a deslocação. Destaque ainda para as exposições de Faro, quer no Museu Municipal, quer na Galeria Arco. Todas as exposições aqui referidas podem ser vistas até 27 de Setembro e estão garantidas duas tardes bem passadas. Informações complementares em www.allgarve.pt. Atenção – a sinalização dos locais por vezes é deficiente, os números de telefone indicados nalguns casos estão errados ou não dão sinal e os horários, sobretudo de abertura, são inconstantes.  


 


 


OUVIR – A formação é pouco usual: um quinteto liderado por um trompetista e que inclui ainda tuba, trombone, trompa e bateria. O grupo chama-se Brass Ecstasy e é liderado pelo trompetista Dave Douglas, um seguidor de Lester Bowie.. O resultado é invulgar, baseado no jazz mas a meio caminho entre a soul e a pop, e inclui versões de temas de Rufus Wainwright (“This Love Affair”), de Otis Redding (“Mr Pitiful”) ou de Hank Williams (“I’m So Lonesome I Could Cry”). As versões são extraordinárias, a começar pela de Wainwright, que inicia o disco, com uma sonoridade roubada às ruas de New Orleans. Noutra faixa, «Fats», Dave Douglas homenageia Fats Navarro num tema cheio de swing. Mas há originais, como «The View Of The Blue Mountains», que provam o talento de Dave Douglas naquele que é considerado um dos seus melhores trabalhos na já extensa discografia – este «Spirit Moves», agora editado entre nós pela Universal. 

 


 


LER – A edição de Setembro da Monocle» dedica 15 páginas a uma reportagem e ensaio fotográfico sobre os Jogos da Lusofonia, que decorreram em Lisboa entre 11 e 19 de Julho passado. O trabalho da revista mostra a importância que pode ter para Lisboa um papel de acolhimento de eventos que potenciem a cultura e o entretenimento populares dos vários países lusófonos, nas suas várias componentes – das quais faz parte o desporto. Independentemente do apoio que pode ser dado a opções criativas mais experimentalistas, como as que são actualmente defendidas no caso de África por este Governo, são eventos abrangentes e populares que nos permitem ganhar notoriedade e posicionamento europeu enquanto local de excelência para uma plataforma multicultural – como este exemplo da «Monocle» bem demonstra. Destaque para as fotos que John Balson fez dos Jogos e dos atletas. 

 


 


PETISCO – Nada como um bom azeite e um bom pão para iniciar uma refeição. Recentemente experimentei alguma da produção da Azal (Azeites do Alentejo) e fiquei conquistado sobretudo pelo Azal Terra e pelo Azal DOP. O primeiro foi feito através de modos de produção biológicos e o segundo é da região do norte alentejano – ambos foram já premiados e têm uma qualidade verdadeiramente invulgar. Sediada no Redondo, mas a trabalhar a partir de azeitonas recolhidas em diversas zonas do Alentejo, a Azal criou também uma Academia do Olival, que continuamente procura aconselhar o aperfeiçoamento dos olivais. 

 


 


PROVAR – O local tem vasta fama e boa reputação desde 1996. Situado perto de Albufeira e de Olhos de Água, numa pequena estrada interior, o «Retiro do Isca» é o exemplo de cozinha regional bem pensada, séria, sem truques fáceis e apego à tradição. No centro da operação está uma grande grelha a carvão, manuseada com mestria. O peixe é fresco e de qualidade como se esperaria no local, mas se a opção fôr para umas lulas grelhadas a surpresa vem do cuidado posto na sua apresentação e tempero, feito depois de saída da grelha. Na realidade estas foram, em frescura, textura e sabor, as melhores lulas grelhadas de que tenho memória desde há anos. Do outro lado da mesa estava um sério linguado, tudo aprimorado com legumes e saladas como deve ser. A rematar uma tarte de alfarroba deliciosa, acompanhada a pedido com uma especialidade local em matéria de digestivos. Preço razoável e honesto, serviço atento e simpático. A casa tem boa fama, reservar é mesmo necessário – Retiro do Isca, Vale Carro, Tel. 289502668.


 


BACK TO BASICS – Tudo o que peço aos políticos é que se contentem em mudar o mundo sem começar por mudar a verdade (Jean Paulhan) 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:07



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2006
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2005
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2004
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2003
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D