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RESUMO DA SEMANA – Efeito TGV: a campanha acelerou, Sócrates disse que Zapatero é o seu maior amigo na Europa, mas não falou dos problemas que temos com os espanhóis quanto ao caudal dos rios comuns. O ponto alto dos últimos dias foi a volta de helicóptero que Louçã deu por cima da Arrábida – as imagens da devastação causadas pelas pedreiras em plena zona protegida, e que segundo Louça têm tido a benção de Sócrates, são um exemplo do que nunca deveria ter podido acontecer.

 

GATO – É oficial: o esmiuçar do Gato Fedorento aos políticos atinge recordes de audiência (muito mais que os debates) e tornou-se num incontornável ponto da campanha. Mas esta invasão do humor na política mostra como tudo está a mudar. Nenhum político quer correr o risco de não estar presente, de hostilizar o capital de simpatia que o Gato Fedorento ganhou nos últimos anos. Este é o primeiro episódio de um virar de página na relação da televisão e dos media com os políticos, à semelhança do que tem acontecido, desde há muito, em outros países. Dantes os políticos aproveitavam-se dos media e das estrelas mediáticas; agora os media e as estrelas mediáticas exploram os políticos para estimularem as audiências. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades…

 

MUDANÇA – Esta mudança de atitudes poderia ter alguma consequência lógica no funcionamento das campanhas. Por exemplo – os tempos de antena tornaram-se momentos obsoletos em contraste com os sites das diversas campanhas, que, regra geral, são actualizadíssimos e ricos em conteúdo. Por outro lado a proibição da utilização de publicidade comercial surge hoje como uma mera fantasia, fabricada no tempo em que tudo era apenas feito com militância. Os outdoors partidários que pululam pelo país não pertencem a empresas de publicidade, mas raramente são colocados e mantidos por militantes, e sim por empresas de serviços que aproveitam este nicho de mercado. Na realidade vai dar ao mesmo – mas era mais transparente se esta lógica da compra de serviços, que existe e cresce no mercado eleitoral, fosse mais alargada e mais transparente. Muita coisa deverá ter que mudar nas leis eleitorais sob pena de, num futuro próximo, ninguém conseguir comunicar eficazmente. E as consequências disto, já se sabe, são menor esclarecimento, maior abstenção, menor participação cívica.

 

REGULADORES – O lançamento do livro de Filipe Pinhal deu uma má semana a Vítor Constâncio. O regulador da Banca ficou com as orelhas a arder – mas a situação chamou a atenção para um problema mais lato: nestes quatro anos o PS exerceu o poder como nenhum outro governo em décadas recentes. E exerceu-o provocando situações, forçando alterações, manobrando em proveito de objectivos próprios. Aconteceu assim na Banca, aconteceu assim na Comunicação, aconteceu assim no Mercado. As entidades reguladoras, como o Banco de Portugal, a ERC, e a Autoridade da Concorrência não se livram de serem consideradas cúmplices da política do Governo, surgindo umas vezes autoritárias e intervencionistas, outras cegas e amorfas, conforme as conveniências.

 

AUTÁRQUICAS – Desenganem-se: não vou falar (hoje) de Lisboa. Vou falar de Nova Iorque, onde Michael Bloomberg se candidata, excepcionalmente e graças a uma autorização especial, a um terceiro mandato, contra William Thompson, do Partido Democrata. O curioso é que, em Nova Iorque, por cada cinco democratas registados existe apenas um republicano, um rácio que não tem impedido Bloomberg de ganhar repetidamente, perante elogios e apoios face à obra feita, nomeadamente com melhores serviços municipais, melhores escolas, menos crime e mais segurança. Bloomberg, um independente apoiado pelos Republicanos, é um caso raro na política americana e é muito interessante ler o seu perfil, intitulado «The Untouchable», publicado na edição de 24 de Agosto da revista «New Yorker» e disponível na internet no site da revista.

 

PETISCAR – Miguel Castro e Silva, um dos mais famosos Chefes de Cozinha do Porto, abriu em Lisboa o pequeno restaurante De Castro. Talvez não seja bem um restaurante – é mais uma casa de petiscos: pequenas empadas de legumes, moelas picantes, morcela com puré de maçã e pratos mais substanciais como as extraordinárias amêijoas com feijão manteiga. A qualidade, quer da matéria prima, quer da confecção, é superior – aliás o próprio Miguel Castro e Silva tem estado na cozinha. Com uma boa lista de entradas e de pratos quentes, preços comedidos, curta mas boa selecção de vinhos e a particulariedade de servir almoços e petiscos non-stop até às seis da tarde (jantares só mais à frente), a casa tem tudo para funcionar. Falta-lhe apenas uma coisa, fundamental: melhor serviço, maior atenção aos clientes, maior cuidado no acompanhamento dos pedidos. A casa é pequena, tem apenas uma dúzia de mesas, não há necessidade de estragar tão boa comida com tão fraco serviço. Basta um bocadinho mais de organização e atenção: já vi restaurantes maiores funcionarem melhor com menos gente – às vezes basta que haja um responsável de sala, atento e de olhos bem abertos, que perceba o que falta em cada mesa. De Castro, Avenida Elias Garcia 180 B, telefone 217 979 214.

 

OUVIR – Estando eu um bocadinho farto da barulheira em torno da remasterização digital de uma dezena de discos dos Beatles, que já tenham em várias versões, resolvi comprar a excelente revista britânica de música «Mojo» que na edição de Outubro (já à venda em vários locais), e medinte apenas €8.10, oferecia um CD que é a versão 2009 de Abbey Road (capa replicada e tudo), com as suas canções interpretadas por músicos actuais. Assim os The Invisible fazem uma boa versão de «Come Together», Robyn Hitchcock excede-se em «I Want You», assim como se recomendam as prestações dos Broken Records («Oh! Darling»), Gomez («Sun King»), Blue Roses («Golden Slumbers»), Leisure Society («Something»), Glenn Tilbrook com os Nine Below Zero («You Never Give Me Your Money») e Karima Francis («Sher Came In Through The Bathroom Window») . Ouço-o todos os dias.

 

BACK TO BASICS – A experiência pessoal é o círculo mais vicioso e limitado – Orson Welles

 

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publicado às 19:25



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