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por falcao, em 11.10.09

LISBOA - Um estudo recente mostra que, entre 1991 e 2008, Lisboa perdeu 26,3% dos seus habitantes. Deste total de 18 anos, em quase 13 a Câmara Municipal foi governada pelo PS, nomeadamente de forma ininterrupta até final de 2001. Ao longo de todo este período Lisboa perdeu uma média de 10.000 habitantes por ano, não conseguiu reter os mais novos, está envelhecida, perdeu competitividade, não foi capaz de atrair as indústrias não poluentes de alta tecnologia, as empresas de software ou de promover um programa de desenvolvimento e atracção das indústrias criativas (que em Nova Iorque significam 7% do total de postos de trabalho da cidade). Vítima de uma total ausência de estratégia, vítima de uma perspectiva conservadora de planeamento e de um caldeirão de interesses que na realidade tem tido poder e capacidade de influência, Lisboa perdeu peso e influência política, perdeu autonomia face ao poder central e descaracterizou-se. Na realidade, nesta campanha, assistimos a um facto insólito: a principal linha programática de António Costa é deixar o Governo mandar em Lisboa - na zona ribeirinha, no aeroporto, nas acessibilidades, nos transportes públicos. A perder equipamentos e a ficar com sectores antiquados, quase a viver só da máquina do Estado, a queda de receitas é inevitável e a perca de competitividade. É preciso ter ambição para inverter o ciclo de decadência e fazer Lisboa reencontrar-se com o futuro. 


 


VISITAR – Amália domina o panorama das inaugurações. Em primeiro lugar destaque para «Amália – Coração Independente», a exposição que se divide entre o Museu da Electricidade-Fundação EDP e o Museu Berardo, no CCB. Na EDP está a pouco conhecida e extraordinária colecção pessoal de jóias da artista e alguns dos fatos que usou em palco. E no CCB está uma enorme exposição, que cruza a história e documentação da carreira de Amália com criações contemporâneas que reinterpretam a sua obra, como acontece com Joana Vasconcelos ou, no vídeo, com o trabalho apresentado por Bruno de Almeida, por exemplo. Na parte histórica e documental, para além dos numerosos cartazes, capas de discos e revistas, destaque para as fotografias, em especial de Mestre Augusto Cabrita e do fotógrafo Silva Nogueira, que entre 1942 e 1954 mais e melhor a retratou. Destaque ainda para o excelente catálogo desta exposição, uma verdadeira peça imprescindível para quem se interessa por Fado e, naturalmente, por Amália Rodrigues. Estas duas exposições estarão patentes até 31 de Janeiro. Uma nota final para uma outra exposição, das iconográficas imagens de Amália, elaboradas por Leonel Moura (sim o senhor aqui ao lado, nesta página) a partir de fotografias da fadista e patentes na galeria António Prates em Lisboa (até 7 de Novembro). Finalmente gostaria de chamar a atenção para uma outra exposição, no Teatro de S. Luiz, «As Mãos Que Trago», dedicada ao compositor Alain Oulman, um nome decisivo da fase mais marcante e criativa da carreira de Amália (até 31 de Dezembro). 


 


OUVIR – Paulo Furtado é um dos mais criativos e interessantes músicos portugueses contemporâneos. Depois de ter sido um dos fundadores dos Tédioboys, a sua actividade divide-se  hoje entre ser o vocalista e principal compositor dos Wraygunn – uma das poucas bandas rock portuguesas a ter algum sucesso internacional e carreira regular além fronteiras nos últimos anos. Sob a designação Legendary Tigerman, Paulo Furtado dá largas à sua atracção pelos blues e tem também uma curiosa carreira independente nos Estados Unidos.  Compositor criativo, com um raro sentido rítmico, é um instrumentista polifacetado, tocando guitarra, bateria e muitas vezes harmónica. O seu novo álbum, o quinto da carreira, tem a particulariedade de incluir nove cantoras convidadas que dividem com Paulo Furtado a interpretação das quinze canções do CD «Femina». Sem cair em exageros este é dos discos que mais gôzo me deu ouvir neste ano e é provavelmente um dos melhores discos portugueses da década. Destaco temas como «Life Ain’t Enough For You» com Ásia Arento, «She’s a Hellcat», com Peaches; «No Way To Leave On A Sunday Night» com Becky Lee, «Light Me Up Twice» com Cláudia Efe e, acima de todos os outros, «Lonesome Town», um clássico de Baker Knight, numa interpretação mágica de Rita Red Shoes. A edição inclui ainda um DVD – já que Paulo Furtado é tembém relizador e mostra curtas metragens feitas propositadamente para esta edição. CD e DVD «Femina», Legendary Tigerman, Edição EMI. 


 


LER – A nova edição da revista «Monocle» (nº27, de Outubro) tem um interessante artigo sobre os serviços militares em diversos países europeus, mas o prato forte é mesmo um especial Tóquio que faz ter vontade de descobrir aquela cidade. Outros pontos de interesse: um guia para o norte de Espanha, à descoberta da cidade australiana de Darwin e, sobretudo, um curioso artigo sobre a vitalidade da produção de documentários na Noruega (uma coisa exemplar que a RTP tinha obrigação de estudar e seguir…). Em www.monocle.com uma novidade: uma coluna diária sobre os mais variados temas, quase sempre interessante. 


 


PETISCAR – Em pleno Saldanha, no centro de Lisboa, com uma magnífica vista sobre a praça, existe um bar-restaurante que merece alguma atenção. Ao almoço está cheio de gente dos escritórios vizinhos (ali estão algumas grandes empresas de consultoria), o bar ao fim da tarde é animado e o restaurante à noite é sossegado mas não mortiço. Da ementa consta um leque apreciável de saladas, diversas massas, alguns pratos vegetarianos, umas inesperadas gambas à Brás, várias possibilidades de Bacalhau, peixes grelhados triviais, uma boa lista de bifes (boa carne, bem cozinhada) além de várias propostas de porco preto. O serviço é atencioso, as mesas são muito confortáveis, os preços razoáveis. Uma boa alternativa nesta zona da cidade. Entrada pela Av. Casal Ribeiro 63, Tel. 213528242 

 


BACK TO BASICS – O nosso último dever com a História é voltar a escrevê-la (Óscar Wilde).

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publicado às 12:18



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