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O GOVERNO –  Um amigo meu, particularmente cínico, diz que não é muito relevante que partido está no Governo – segundo ele a maior parte das leis está feita, as novas leis importantes são feitas em Bruxelas e ao Governo resta distribuir lugares nas administrações das empresas públicas e naquelas onde há golden share.  Eu acho que este meu amigo tem humor, mas volta e meia respondo-lhe que não é indiferente a forma como cada um estabelece prioridades (nomeadamente no investimento público), como agiliza reformas (nomeadamente na justiça) e como se propõe diminuir o endividamento externo do país. Vou-lhe dizendo, perante um sorriso irónico, que também me preocupa que se mantenha a política de favorecimento de amigos, aliados ou espúrios cúmplices e que aqueles que não são da cor do Governo, ou simplesmente mantenham alguma independência, sejam preteridos e prejudicados. Mas olhando bem as coisas, na verdade, quando se reduz a governação à gestão de interesses particulares, o meu amigo está certíssimo. Se calhar ele tem mais razão do que parece à primeira vista.

 

A GOVERNAÇÃO – Fazer compromissos, encontrar pontos de contacto entre propostas diferentes, descobrir a forma de alcançar objectivos comuns é a essência do exercício do poder. Uma maioria absoluta gera um poder absolutista – tivemos isso durante uns anos. Uma maioria relativa gera a necessidade de entendimentos. Eu preferia que existissem acordos formais claros entre partidos diferentes, a compromissos pontuais onde já se sabe que uma parte da verdade fica escondida. Em grande parte dos países europeus não há maiorias absolutas saídas das eleições – mas os líderes partidários e os sistemas são suficientemente maduros para saberem encontrar pontos comuns que permitem um programa conjunto. Na política portuguesa confunde-se demasiadas vezes as divergências com rivalidades e inimizades – é um sinal da imaturidade dos nossos políticos, dos nossos partidos e do nosso sistema. O vencedor das eleições faria bem em estimular um acordo em vez de se posicionar à partida como atirador solitário.

 

LER – O número de Novembro da edição britânica da Wired (cada vez melhor, já agora), traz um interessantíssimo artigo, muito útil neste clima pós autárquicas. O tema é como desenvolver o potencial digital na gestão e na vida das cidades, em questões como o transporte, a informação, a biotecnologia ou a arquitectura. E, já agora, a revista anuncia um jogo on line (a sério, não é brincadeira), que se chama Cities XL (www.citiesxl.com)  onde os jogadores são chamados a tomar decisões sobre a gestão das cidades – muitos presidentes de Câmara haviam de ganhar com a experiência.

 

OUVIR – Cecília Bartoli tem tido nos últimos anos uma aproximação muito interessante aos seus trabalhos discográficos – chamemos-lhe projectos especiais, pensados e estruturados em torno de um tema, de uma história, de um personagem. Neste caso o tema escolhido foi o da música composta para os castratos – uma tradição nascida em Itália, no século XVIII, e que levou milhares de rapazes a serem privados da sua sexualidade para que a sua voz pudesse ter um timbre e uma modulação de outra forma impossíveis de atingir. Nas óperas da época, estes jovens cantores eram apreciadíssimos e o compositor napolitano Nicolo Porpora, desenvolveu o estilo e fundou uma escola para castratos que se tornou uma referência e produziu algumas das maiores estrelas da época. Intitulado «Sacrificium», em homenagem à mutilação que esses jovens cantores sofriam para que pudessem cantar as árias, o novo álbum de Cecília Bartoli recolhe uma cuidadosa selecção de árias para castratos. Na sua edição especial, inclui um precioso livrinho com minuciosa informação sobre a época, e além do CD com os registos inéditos de árias para castratos, tem também um cd adicional que inclui árias de Broschi, Giacomelli e Handel que se tornaram expoente deste estilo. É uma produção extraordinária, com uma sonoridade invulgar, onde Bartoli é acompanhada pela formação Il Giardino Armonico, dirigida por Giovanni Antonini. A edição é da Decca/Universal.

 

VER – Aproveitem o Outono para fazer uma visita à Gulbenkian. No edifício sede está uma exposição que revisita a Art Déco, a partir da evocação da Exposição Internacional das Artes Decorativas e Industriais Modernas de 1925, em Paris. Aqui estão obras, entre outros, de Lalique, Le Corbusier ou Bucheron. Se fôr ao Centro de Arte Moderna não perca a exposição «Anos 70 – Atravessar Fronteiras», comissariada por Raquel Henriques da Silva, e que mostra o que era a produção artística portuguesa daquela época, atrvés de obras de Alberto carneiro, Ana Hatherly, Costa Pinheiro, Carlos Nogueira, Leonel Moura ou Emília Nadal, entre muitos outros. O mais curioso é, a esta distância de décadas, ver quais as obras e os autores que resistiram ao tempo – nem todos o conseguiram. Finalmente, ainda no Centro de Arte Moderna, e integrada no Festival Temps d’Images, está uma instalção vídeo de três filmes do dinamarquês Jesper Just, que tem apresentado grande parte da sua obra em Nova York.

 

PROVAR -  Ainda estou para descobrir porque é que existe uma espécie de relutância em frequentar os restaurantes dos bons hotéis. Há excepções, claro, mas a convicção geral é a de que esses locais são para os hóspedes e para turistas. Nos dias de hoje isso é um erro crasso e uma assinalável injustiça para as equipas que estão nas cozinhas dessas unidades hoteleiras. Nas Avenidas Novas, na R. Tomás Ribeiro, ás Picoas, bem junto da Igreja de São Sebastião da Pedreira, está o Hotel Real Palácio e o seu restaurante, Guarda Real, merece uma visita. À frente da cozinha está um jovem chefe, Celestino Grave, que procura inovar com base em produtos tradicionais portugueses. Da lista do dia constava uma tempura de bacalhau com arroz de legumes perfumado com óleo de trufas que estava fantástica. Na lista estão várias boas propostas de que destaco o pargo com xarém de camarão, um arrozinho malandro de frango e legumes e a vazia de vitela mirandesa com vinagrete vilão. O serviço de vinhos é impecável e as sobremesas têm outras surpresas como uma trilogia que inclui uma espuma de arroz doce, um shot de pastel de nata e um gelado de toucinho do céu. Rua Tomás Ribeiro 115, tel. 213 199 500.

 

BACK TO BASICS – É sempre com a melhor das intenções que se faz o pior trabalho – Oscar Wilde

 

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publicado às 10:30


1 comentário

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De Filipah13 a 03.11.2009 às 07:22

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