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CULTURA - Por muito que me esforce não consigo compreender a razão de ser dos gastos em torno da comemoração do Centenário da República. Em Lisboa, o pretexto já serviu para dar cabo de meia Baixa e pelo país multiplicam-se as propostas loucas como a de um mastro para a bandeira com 100 metros de altura que custará um milhão de euros. Esta semana a Ministra da Cultura decidiu tristemente fazer a sua primeira grande intervenção em termos de anúncios de actividade espalhando dez milhões de euros aos quatro ventos num conjunto de mais de 50 actividades desconexas, avulsas, clientelares na maioria. Nada do que anunciou é estruturante, nada vai deixar marcas, tudo é efémero – mero foguetório em prol de um saudosismo ideológico – o do mito republicano – que poucos compreenderão hoje em dia. Não vou entrar nas comparações entre regimes – mas dez milhões de forrobodó é um contrasenso total numa área – a Cultura – que tem cronicamente falta de investimento. A Ministra dá a cara por umas Comemorações esbanjadoras que deitam à rua o equivalente e cerca de 5% do seu Orçamento anual. Não me parece bem. Parece-me um escândalo. 

 


 


PSD - Vejo com alguma perplexidade o que se passa no PSD, assisto a uma guerra entre as eleições directas para a liderança e o congresso. Por mais que me esforce vejo maioritariamente a discussão de questões internas e não encontro nada sobre propostas para ajudar o país a sair da grave crise em que está. Vejo um PSD gordo, anafado e estático, sempre centrado no umbigo, a discutir os mesmos assuntos internos, e sem perceber que há um mundo à sua volta. O PSD precisa de encontrar objectivos, criar uma estratégia, desenhar uma nova identidade. Como qualquer organização precisa de um líder que tenha um projecto, que consiga galvanizar as suas hostes com esse projecto, que consiga criar uma equipa para a acção e que consiga criar unidade interna. Não vejo nada disto, vejo apenas malabarismos tácticos, jogos de influências, alianças de conveniência, meras coligações de interesses conjunturais. Assim as directas não vão resolver nada – vão apenas servir para queimar mais um dirigente partidário que no dia a seguir a ser eleito se vai ver forçado a gastar mais tempo a contrariar a oposição interna do que a fazer oposição construtiva e a criar uma alternativa política. 

 


 


PAÍS – O Presidente da República prega no deserto e nenhum partido o quer ouvir: o PS porque não tem a mesma agenda; o PSD porque não tem agenda alguma; os outros porque fazem depender as respectivas agentes de acordos parlamentares que consigam estabelecer para ganharem mais algumas vantagens próprias. Mas Cavaco Silva teve razão na sua última mensagem e pôs o dedo na ferida: o país está a ser governado levianamente. Qualquer candidato às próximas presidenciais tem agora uma fasquia que pode ajudar a separar as águas. 

 


 


TELEVISÕES – Segundo dados divulgados recentemente cerca de um milhão de lares, equipados com caixas digitais do Meo, Zon, Clix e outros operadores, não estão a ser analisados no âmbito do estudo de audiências de TV. Estes lares, cerca de 30% do total, abrangem um grupo sócio-demográfico com poder de compra, urbano, com acesso simultâneo a TV e a internet de banda larga e profissionalmente activo. Acresce que os detentores de televisores digitais, plasmas e outros formatos e tecnologias recentes, também já não são auditados. É lícito dizer-se que quase metade do universo de lares portugueses já não é estudado em termos de audiências de televisão. Isto não são boas notícias para quem quer investir em publicidade na televisão – a realidade do mercado está demasiado afastada dos resultados divulgados. 

 


 


PROVAR – O sumo de maçãs frescas Copa, produzido em Alcobaça pela cooeprativa Frubaça. Está disponível na generalidade das lojas Go Natural e é produzido a partir de maçãs que não foram submetidas a tratamento com pesticidas. 

 


 


 


USAR – Este ano vou deixar de usar cadernos da Moleskine e passar a utilizar os cadernos das Papelarias Emílio Braga – são mais cool, mais variados, com belas e resistentes capas e têm bons formatos e bom papel. www.emiliobraga.com – os meus preferidos são os modelos 2001 A6 liso com 100 folhas (seis euros) e o modelo 2005 A5 liso também com 100 folhas (9,60 euros). 

 


 


LER – A mais recente edição da «Intelligent Life» , uma publicação trimestral lançada por «The Economist» tem, entre numerosas páginas interessantes, três artigos a reter. No primeiro, num dossier sobre a Terra e o Ambiente, Robert Butler chama a atenção para a importância do estudo da Geografia nos dias que correm, levantando a hipótese de ela ser actualmente mais importante que a História; no segundo Brian Cathcart aborda a evolução do jornalismo de uma forma muito acutilante; no terceiro Bee Wilson faz comparações entre o universo dos Simpsons e da Disney. Referência ainda a uma curiosa análise da evolução da avaliação do que é profissionalismo, em diversas áreas, por Ed Smith – que inclusivamente cita Scolari. Para terminar um belo porfolio fotográfico de Peter Kindersley sobre Londres fora da luz do dia – muito apropriado para estes tempos da estreia de «Sherlock Holmes».  

 


 


VER – A não perder a exposição «segunda Escolha» do fotojornalista António Pedro Ferreira na Kamera Photo, Rua da Vinha 43 A, ao Bairro Alto. 

 


 


OUVIR – Richard Bona é um músico originário dos Camarões que fez uma assinalável carreira como baixista nos Estados Unidos, embora na realidade seja um homem dos sete instrumentos. No seu novo disco, «The Ten Shades Of Blues», ele multiplica-se entre a voz, a guitarra, teclados, percussão, bateria, bandolim e.claro, o baixo. O disco é uma viagem pelas sonoridades da World Music, obviamente com a África presente, mas também com incursões na Índia e nos territórios da música popular norte-americana. «The Tem Shades Of Blue» é um trabalho que mostra a dedicação e o encanto de Bona pela música – é um exemplo de um disco feito com paixão com o objectivo de ser divertido. Nos tempos que correm não há muitos que se possam gabar disto. 

 


 


BACK TO BASICS – Aqueles que tentam liderar o povo, só o atingem porque seguem a multidão (Oscar Wilde) 

 

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publicado às 12:04


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