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CEM DIAS – Desde há cem dias que o PS governa sem maioria absoluta e a convivência com o diálogo, o acordo e a busca de consenso não lhe está a ser nada fácil. Os relatos saídos das reuniões entre o Primeiro Ministro e os partidos descrevem a dificuldade em aceitar propostas diferentes, em reconhecer erros, em admitir críticas. O maior problema da situação política está nisto: o Governo quer impôr em vez de negociar, encara cada alteração como uma derrota ou recuo, e não consegue ver o País sem ser do alto do poder. Os malabarismos em torno dessa nova invenção que é o défice flutuante, que se inflaciona ao sabor do momento, para depois se dizer que desceu, é um dos exemplos maiores desse facto.

 

DENÚNCIA – Três dirigentes da bancada socialista da Assembleia da República anunciaram como principal proposta para combater a corrupção um projecto que pretende tornar públicos os rendimentos de todos os cidadãos. Um deles explicou numa rádio que a ideia era permitir que um vizinho achasse estranho que na casa ao lado existisse um Ferrari quando o seu dono tinha poucos rendimentos declarados – e que assim cada cidadão fosse um fiscal. Ou seja esse dirigente do PS acha salutar que cada um vigie o próximo e denuncie o que achar que foge à regra que o Estado impõe. A notícia foi manchete de um diário e a generalidade dos outros partidos parlamentares, da esquerda à direita, teve o bom senso de repudiar a ideia. A meio da tarde o líder parlamentar do PS, Francisco Assis, veio dizer que enquanto ele dirigisse a bancada, esse projecto não veria a luz do dia. No fim, o episódio serviu apenas para mostrar o estado interno do PS, quer em ideias, quer em organização.

 

CONVERSAS - A pior coisa que pode acontecer a um Primeiro-Ministro é ter falta de bom senso e, seja qual fôr a versão apresentada, uma coisa é certa: existiram, em local público, alto e bom som, declarações de José Sócrates sobre um jornalista, declarações que confirmam a tendência, já verificada em ocasiões anteriores, de um desejo de ingerência na forma como meios de comunicação se referem ao Governo. Ora, quem tem cargos públicos e ainda por cima exerce o Poder deve ser um exemplo de boas práticas. Pior ainda é que dois outros membros do Governo achem que classificar a actuação de um jornalista como um problema se resume a uma «calhandrice». Já agora, no início de tanta celebração republicana estimulada por este Governo era bom que o exemplo de tolerância e liberdade viesse de cima.

 

LISBOA - Em torno das obras no jardim do Princípe Real tem existido uma significativa e exemplar mobilização, com especialistas a pronunciarem-se sobre questões técnicas relevantes e a conseguirem desarmar os considerandos do vereador José Sá Fernandes sobre o assunto. Em torno de um outro caso, que está a deixar muita gente em Lisboa preocupada, o encerramento do Hospital de D. Estefânia, também se está a verificar considerável mobilização. Em ambos os casos o «Facebook» tem servido de plataforma de troca de opiniões e de organização. É óptimo que a sociedade civil se manifeste desta forma e se esteja a insurgir contra os abusos e dislates da Câmara Municipal. Mas não posso deixar de pensar que muito provavelmente muitos dos que hoje protestam votaram em António Costa em nome de uma unidade de esquerda cujos efeitos práticos agora estão à vista.




PERGUNTINHA – O que se passa com a reinstalação do Hot Clube, assunto de que já ninguém fala?

 

VER - O prémio BES Photo tem vivido entre a polémica e o equívoco, ao privilegiar o critério da fotografia como suporte técnico e não a linguagem fotográfica como expressão. O resultado é que ao longo dos anos se tem estabelecido a confusão. No seu blog, o crítico Alexandre Pomar afirma, e bem, que «os nomeados foram melhor antes, nas exposições por que foram escolhidos, do que na exposição/concurso. Em parte (outras razões são de produção e "comissariado"), porque lhes falta experiência para enfrentar a provação, o "efeito prémio", o tipo de "projecto" que o "meio curatorial" aprecia.». Mesmo assim quem melhor escapou ao duvidoso crivo do júri e apresenta o trabalho mais coerente é Patrícia Almeida, que mostra o seu olhar sobre o outro lado dos festivais de música. Na realidade é a única que consegue mostrar um olhar em vez de obedecer a um conceito.

  

OUVIR – A guitarra portuguesa é um instrumento traiçoeiro; tecnicamente difícil, a guitarra pode ser tocada de duas formas – conformista, a imitar os grandes nomes; ou arriscada, a procurar as sonoridades estranhas e envolventes que a caracterizam. No segundo caso (às vezes também no primeiro) , o risco é evitar que o resultado não seja uma sonoridade semelhante à que se obtém se se deixar cair o instrumento por umas escadas abaixo. Ricardo Rocha é dos poucos que consegue passar bem na prova mais arriscada. O seu novo disco, «Luminismo», mostra isso mesmo com as interpretações que faz de temas de Carlos Paredes, Artur Paredes e Pedro Caldeira Cabral, em contraponto às suas próprias composições, intricadas e misteriosas, tecnicamente exigentes. O resultado é o melhor disco de guitarra portuguesa dos últimos anos. «Luminismo», Ricardo Rocha, Duplo CD editado por MBari.

 

LER – A edição de Fevereiro da revista «Vanity Fair» tem um extraordinário portfolio de Tiger Woods fotografado por Annie Leibowitz, acompanhado por um artigo sobre os mistérios do golfista que mais se aproximou do estatuto de uma estrela pop. Na mesma edição vale a pena seguir a aposta em seis novas actrizes de Hollywood, um belo artigo sobre Patti Smith e outro sobre a história do disco-sound. A não perder.

 

DEVORAR – Se querem manter-se actualizados sobre novidades gastronómicas, desde restaurantes a produtos, passando por vinhos, não percam o blog Mesa Marcada ( http://mesamarcada.blogs.sapo.pt/ ). Os críticos gastronómicos Duarte Calvão e Miguel Pires e o crítico de vinhos Rui Falcão (não é da minha família) fazem uma bela abordagem do assunto e pelo meio revelam algumas boas curiosidades.

 

BACK TO BASICS –  Quem não quer dar nas vistas não fala alto em restaurantes – anónimo.

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publicado às 13:56


1 comentário

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De Duarte Calvão a 09.02.2010 às 23:01

Um abraço, Manuel. Obrigado pela preferência. Aparece por lá, que temos sempre mesa marcada para ti.

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