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PSD – Olho para a discussão entre os candidatos a líderes do PSD e fico um pouco perplexo. Eu, como muitos outros cidadãos sem partido, gostaria que houvesse um debate mais político e menos aparelhístico. Citando Marcelo Rebelo de Sousa, a última coisa que desejo é que a discussão entre os candidatos à liderança do PSD se transforme num concurso de tempos de aplausos no próximo congresso social-democrata.  Nestes dias, nestes debates, vejo surgirem muitas propostas, a maior parte delas sem serem acompanhadas de uma estratégia que permita concretizá-las, para além da vontade pessoal de cada um dos candidatos. Sinceramente gostaria que tivéssemos um governo reformista, liberal, capaz de começar a apagar o peso do Estado, capaz de defender as pessoas, capaz de combater o despesismo e capaz de fazer investimentos produtivos. Já percebemos que o caminho do Governo do PS não é este. Eu espero que possa ser encontrado um rumo para que num futuro próximo surjam condições políticas para criar uma nova forma de governar – com mais respeito pelas opiniões dos outros, com respeito pelas vozes críticas, com menos escândalos e trapalhadas.  

 


PS - Nas últimas semanas uma série de figuras do PS têm-se desdobrado em defesa de José Sócrates e o próprio tem vindo a terreiro defender-se do que entende serem ataques pessoais. Estas atitudes subvertem completamente o que está em jogo – o que se tem passado, numa série de casos recentes, não é uma perseguição pessoal a José Sócrates, é um ataque político a atitudes ligadas ao exercício do cargo de Primeiro Ministro. Na realidade, o carácter do Primeiro-Ministro é porto em causa não por outros, mas por ele próprio. 

 


ÉTICA – O teatro pode ser um bom palco para reflectir sobre a ética– foi o que pensei quando estava a assistir a «Édipo», no Teatro Nacional D. Maria II. Achou louvável que o Teatro Nacional leve à cena grandes textos clássicos e acho ainda mais louvável que escolha um encenador como Jorge Silva Melo, que fez um belo trabalho. Mas acho muito descabido que o Director de um Teatro Nacional aceite colocar-se no papel principal das peças que produz. Esta confusão de papéis – entre director artístico e actor - gera situações equívocas. Independentemente do fraco  resultado artístico da actuação de Diogo Infante como Édipo, a questão está na mistura de funções. Infelizmente estas coisas discutem-se pouco e existe uma espécie de pudor em dizer - «o Rei vai nu». Mas, neste caso, vai mesmo. Fica se na duvida se isto é programação em causa própria e, se o for, talvez lhe ficasse melhor fazer o papel de Narciso


Salva-se a encenação, a banda sonora e os pastores, sobretudo Cândido Ferreira. 

 


LER – A edição nº 31 da revista «Monocle», publicada em Março, tem dois especiais que são dignos de nota. O primeiro é sobre a cidade do Rio de Janeiro, considerada como uma cidade em alta depois do anúncio dos Jogos Olímpicos. O artigo é completo, tem dicas de locais, de hotéis e restaurantes a bares e lojas. Fala do renascimento urbano do Rio e cita o exemplo de uma instituição chamada Rio Filmes, que financia filmes que têm a cidade como palco – e que trabalha em estreita relação com a Film Commission local – um bom exemplo de trabalho nesta área de produção de cinema. O segundo especial é um suplemento de 36 páginas inteiramente dedicado a Espanha. Está editado com enorme cuidado, é objectivamente feito em parceria com as autoridades espanholas do turismo e quem o vir nem acredita que existe uma grave crise aqui no país vizinho. Editorialmente está focado em temas com a indústria, a energia, a cultura, turismo, moda e design, entre outros, sempre numa perspectiva de mostrar o que é novo e não apenas o que já é conhecido. Em termos das pessoas focadas nota-se o cuidado em mostrar talentos emergentes na área do cinema e da moda e não os nomes já consagrados. A imagem que resulta é a de uma sociedade criativa, viva e dinâmica, a responder às dificuldades. É um suplemento exemplar daquilo que pode ser a divulgação da imagem contemporânea de um país. Outro interessante artigo relata a guerra política que vai em torno dos grandes grupos de media turcos – muito interessante se tivermos em conta a nossa história recente por estas bandas. 

 


VER - «Sem Rede», a exposição retrospectiva de Joana Vasconcelos que esta semana inaugurou no Museu Berardo é verdadeiramente irresistível. A artista é polémica e eu descrevo assim o seu trabalho: excessivo, intensamente físico, delirante e fantástico. A montagem aproveita os grandes espaço do CCB e obras de referência da artista como «A Noiva» (o lustre feito de tampaxes), «Burka», «Contaminação» ou «Cinderela» são aqui novos motivos de surpresa. A exposição vai estar até 18 de Maio e garantidamente constituirá um êxito de público – o que é muito bom.


 

OUVIR – As coisas simples são frequentemente as melhores. «Home», um disco do norte-americano Peter Broderick datado de 2008, é o exemplo de como se podem fazer excelentes canções com parcos recursos – guitarras, alguma percussão, alguns instrumentos electrónicos, uma harmónica e um vibrafone aqui e ali. Arranjos elegantes, letras intimistas e inteligentes, uma voz quente. E aqui está um grande disco.
 

 


PETISCAR – Durante anos habituei-me a encontrar no restaurante «O Manel» do Parque Mayer um refúgio seguro a preço razoável. Por lá tive encontros de trabalho, almoços e jantares com amigos, sempre com serviço cuidado e boa qualidade. Quando o Parque Mayer fechou, no final do ano passado fiquei sem saber o que tinha acontecido a Júlio Calçada, o filho e herdeiro do fundador,  e à sua equipa.  Mudaram-se para o restaurante do Clube Municipal de Ténis de Monsanto, a Grelha Real. A lista do velho «O Manel» mantém-se e esta semana lá fui experimentar a primeira lampreia da época – arroz saborosíssimo, no ponto, belos bocados do bicho perfeitamente cozinhados. Enquanto a lampreia durar por lá estará às quartas; o cozido mantém-se às quintas e todos os dias há bom peixe fresco. E Júlio Calçada continua a saber o que é tratar bem os seus clientes. Está encerrado ao Domingo à noite e toda a Segunda-feira e nos outros dias serve almoços e jantares. Tem parque privativo, fica a dez minutos de carro das Amoreiras e o telefone é 213 646 302. 

 


 


BACK TO BASICS – Os partidos têm de ter vergonha e ter cuidado com quem colocam nos postos cimeiros - José Luis Saldanha Sanches  


             

 


 

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