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ROSSIO – António Costa decidiu fazer uma experiência piloto na Praça do Rossio, para combater o mau hábito de atirar pastilhas elásticas já mastigadas para o chão. A ideia é boa mas vê-se logo que Costa anda mais tempo com os olhos no chão do que com a atenção no ar: se no Rossio, sobretudo ao fim da tarde, olhasse não para o chão, mas para o que está à sua volta veria que tem muito com que se preocupar antes de chegar às pastilhas elásticas. Bastaria pensar no estado em que na maior parte dos dias se encontram as escadarias do Teatro Nacional, a sujidade dos passeios e da Praça, bastaria ver as actividades pouco recomendáveis que se processam em todos os cantos. Uma Praça que é o centro de uma cidade não pode ser um território no estado a que o Rossio chegou.
 
 
SUBMARINOS – Isto é um ping-pong: sai notícia incómoda para Sócrates, sai notícia incómoda para a oposição. Vivemos no reino dos criadores de suspeitas, um reino onde nada se esclarece, nada se apura, nenhuma responsabilidade é avaliada. Portugal é o país dos escândalos interrompidos, da culpa sem julgamento, do crime sem castigo. Até a Comissão de Ética da Assembleia da República dá triste imagem de si própria pela novela que tem alimentado. Já há personagens demais nesta história para o enredo ser credível. A Comissão está a desacreditar-se a si própria.
 
CONGRESSO – O convite de  Pedro Passos Coelho a Paulo Rangel para encabeçar a sua lista ao Conselho Nacional, e a Aguiar Branco para dirigir a revisão do programa do partido, propostas que serão votadas no Congresso do PSD no próximo fim de semana, é um sinal de que alguma coisa está a mudar. O facto de Paulo Rangel e Aguiar Branco terem aceite o convite é outro sinal, muito importante, de que assumir as diferenças é a melhor forma de construir uma unidade duradoura. Tudo indica agora que a próxima segunda-feira, depois do Congresso, marcará o regresso do PSD à luta política. Isto é bem mais interessante que outras distracções que têm ocupado o tempo dos analistas políticos. 
INVEJA – O pior que existe nos portugueses – o espreitar os outros,  a inveja, fazer a denúnciazita - voltou esta semana em grande força. No sempre indispensável blogue Albergue Espanhol, António Nogueira Leite resumiu a situação das críticas às remunerações dos gestores de diversas áreas numa frase lapidar:« If you pay peanuts, you get monkeys». No universos dos tweets nacionais cito aqui um, de João Villalobos, que me ficou na memória: « Vejo gente criticada por darem ganhos a ganhar; gostava de ver críticas aos que ganham, mesmo contribuindo para percas consecutivas». Por esta boa lógica devíamos começar a fazer um levantamento dos responsáveis a quem devemos pedir indemnização por perdas e danos ao país, não só nos resultados práticos dos números, como nos gastos devidos ás orientações que deram a gestores de empresas onde o Estado ainda está presente.
 
VER – Carlos Medeiros é um fotógrafo e actor dos Açores, com um percurso já longo. A sua exposição, que esta semana inaugurou na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa (na Rua Barata Salgueiro, à Avenida da Liberdade), foi feita em colaboração com o Cineteatro Micaelense e mostra imagens a preto e branco, com base em película e numa impressão exemplar, fabricadas pelo autor como se fossem instantes ocasionais de uma narrativa. Fazendo nalguns momentos evocar fragmentos da obra de Duane Michals (uma boa influência), esta exposição, «insomnia», joga com sequências de imagens e com um olhar por vezes quase surrealista - 32 imagens. realizadas durante uma noite num mesmo quarto. «insomnia» é uma ideia bem concretizada, estará na Cinemateca até 31 de Julho e merece uma visita.
 
LER – No final dos anos 60 Patti Smith chega a Nova Iorque para descobrir a grande cidade. Casualmente encontra Robert Mapplethorpe e os dois estabelecem uma ligação, cuja cumplicidade se manterá até à morte dele. Na altura eram ambos ilustres desconhecidos que queriam desesperadamente mostrar o talento que sentiam ter e afirmarem-se como artistas. «Just Kids», escrito por Patti Smith, é a história do amor entre ambos, da amizade que depois os uniria, das descobertas que foram fazendo, mas também do apoio que sempre deram um ao outro, a nível pessoal e criativo. É um livro tocante, pela ingenuidade da narrativa, mas também pela naturalidade como as coisas se passaram. É, também, um livro de história, porque nos ajuda a perceber a Nova Iorque de final dos anos 60 e início dos anos 70, porque nos faz descobrir o papel de locais como o Chelsea Hotel, onde a certa altura quase tudo se passave e onde Jimi Hendrix se podia cruzar com Janis Joplin, ou, ainda, o papel que diversas outras figuras tiveram na criação artística contemporânea. «Just Kids» é um livro apaixonante, uma das obras que maior prazer me deu ler nos últimos meses. Edição Bloomsbury, via Amazon UK.
 
OUVIR – O disco que me tem deliciado nos últimos dias é de um novo grupo português, Orelha Negra, que vive agarrado à ideia de divulgar o funk, criar ritmos, fazer agitar as águas e mostrar o trabalho de grandes músicos como Sam the Kid, Dj Cruzfader, Francisco Rebelo, Frederico Ferreira e João Gomes – que são os participantes no projecto. Ao longo dos 12 temas do álbum desenvolve-se um trabalho musical notável com canções verdadeiramente surpreendentes. Destaque ainda para todo o conceito gráfico de Pedro Cláudio que torna este CD num objecto visualmente invulgar e único.
 
PETISCAR – Um cozido à portuguesa é um somatório de petiscos – as couves, cada um dos enchidos, o caldinho. Não sei bem por qual razão instaurou-se a ideia de que o cozido tem dia obrigatório – a quarta-feira (deve ser para retemperar forças a meio da semana). Confesso o meu descuido por não ter ainda experimentado o cozido à moda do «Salsa & Coentros», feito com enchidos de porco preto e com as carnes mais magras, abundante nas couves e com caldo saboroso. Ainda para mais vem acompanhado de uma deliciosa sopinha quente do cozido, feita com pão, hortelã e caldinho. É claro que depois a tarde é algo penosa e o espírito tende a vaguear pelos campos primaveris. Mas um dia não são dias e vale mesmo a pena experimentar este cozido das quartas no «salsa & Coentros» - Rua Coronel Marques Leitão 12, junto aos Bombeiros e ao mercado de Alvalade, reserva recomendada pelo telefone 218410990.
 
BACK TO BASICS – Nada é permanente, salvo a mudança - Heráclito

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publicado às 13:19


1 comentário

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De João Villalobos a 12.04.2010 às 15:54

Caramba. Não me recordo se esse frase foi mesmo minha ou um RT. Não costumo escrever percas em lugar de perdas. Ups!

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