Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



 


*PORTUGAL* - Quando António Guterres chegou ao Governo o peso da nossa
dívida pouco passava dos 10% do PIB. Agora anda nos 120%. 15 anos de
estímulo do consumo, de projectos megalómanos do Estado, de negócios de
interesse duvidoso para os contribuintes, ajudaram a chegar onde estamos.
Cavaco Silva deve saber bem estes números - era Primeiro Ministro até pouco
tempo antes de Guterres se sentar em S. Bento e, com a sua formação e
atenção, certamente não deixou de olhar para os números da nação. O seu
silêncio sobre o que se passa, a forma como se esquiva a tomar atitudes
neste contexto tão difícil, dão muito que pensar. Está ele mais interessado
em ser reeleito sem grandes ondas do que em encontrar uma solução para o
desgoverno, que agora é já bem visível? Era bom que em relação à situação do
país Cavaco exibisse a mesma determinação e energia de que deu mostras
quando resolveu atravessar a Europa de carro para contornar a paragem
forçada dos aviões por causa das cinzas vulcânicas. Nunca lhe terá passado
pela cabeça a necessidade de um Governo de Salvação Nacional?


*EUROPA* - A minha geração arrisca-se a sair de cena confrontada pela
falência política da ideia da União Europeia, que foi em boa parte a sua
causa central e que condicionou toda a acção política nos últimos 30 anos. O
Euro, como nos últimos dias se tornou patente, está a ser ameaçado e
Portugal tornou-se no elo mais fraco da cadeia que especuladores e o sistema
financeiro norte-americano, com a implícita concordância de Obama, estão a
querer romper para projectar de novo o dólar e voltar a posicionar os
Estados Unidos como a plataforma que permitirá servir e favorecer a nova
ordem que se desenha, entre a Índia, a China, o Brasil e, talvez, ainda, a
Rússia. Esta guerra dólar-euro pode liquidar a ideia política da Europa e
fazer entrar o nosso continente numa fase de decadência que, a acontecer, se
adivinha prolongada. O mundo da prosperidade europeia não vai voltar tão
cedo e os senhores da Europa bem podem meter no saco ideias peregrinas como
o subsídio às viagens de jovens e idosos, inacreditavelmente anunciado esta
semana. O que está para vir não vai ser bonito de se ver.


*MENTIRA* - É espantoso que nesta situação a mentira na política continue a
ser usada com desfaçatez total. Infelizmente a sucessão de casos surgidos
nos últimos tempos confirma que  cada vez mais corre-se o risco de a
política ser sinónimo de mentira; para pegar apenas em temas recentes isto é
válido no caso da TVI, é válido no caso do contrato de Figo com o Tagus
Park, é válido nas variações das contas de Lisboa apresentadas por António
Costa, nos números do deficit apresentados pelo Governo, nas negociatas de
financiamento de partidos. A mentira tornou-se habitual no dia-a-dia de um
sem número de gestos e declarações. Agentes políticos dos mais diversos
quadrantes mentem sem pudor como se mentir fosse o normal. A mentira
instalou-se na vida política, tornou-se banal. O problema é que quase já nem
gera indignação. E quando isto acontece a política apodrece e os cidadãos
afastam-se cada vez mais dela - abstêm-se deste jogo de mentiras e
conveniências. Será impossível fazer política sem fazer da mentira um
hábito?



*TELEVISÃO* - Anunciada ainda há dois anos como o remédio milagreiro para as
estações, a Televisão Digital Terrestre corre o risco de ser um grande e
caríssimo embuste. O progresso tecnológico não esteve à espera das demoradas
decisões de reguladores, das guerrinhas entre grupos de media nem de
concursos públicos várias vezes repetidos. A Anacom acaba por reconhecer
isto mesmo ao dizer, esta semana, que com 2,4 milhões de lares que já são
assinantes da tv paga (e o número vai ainda crescer um bom bocado...) apenas
1,5 milhões de lares deverão ser afectados pelo desligar do actual sistema
analógico dos canais abertos e pela passagem à TDT. Quando em meados de 2012
a TDT estiver pronta a ser instalada vai ser curioso ver quantos restam para
a utilizar. Eu aposto que menos de um milhão.


*ALQUEVA *- Esta Primavera o Alentejo promete ser uma deliciosa surpresa. As
terras estão cobertas de um tapete verde, as flores silvestres começam a
saltar e as primeiras papoilas já se vêem. A barragem do Alqueva transformou
toda a paisagem e agora do alto de Monsaraz vê-se como a planície alentejana
acolheu extensas manchas de água, numa paisagem completamente inesperada. O
meu último fim de semana foi passado ali perto, próximo de Portel,  na
Herdade do Sobroso, uma Casa de Campo instalada numa herdade perto do
Guadiana e no meio de uma vinha de 50 hectares que produz belos vinhos -
servidos nas refeições da casa - por mim destaco o rosé e o tinto de 2006. A
cozinheira, D. Josefa, tem mão sábia nos temperos e na confecção, e oferece
aos hóspedes uma sucessão de iguarias que tornam um fim de semana no Sobroso
uma experiência dos melhores petiscos da cozinha tradicional alentejana. A
Casa de Campo oferece dez quartos, fica perto da marina de Amieira, no
Alqueva, e tem à sua frente a Sofia e o Filipe, ela a comandar o acolhimento
e ele, enólogo, a organizar as vinhas. Todas as informações em
www.herdadedosobroso.pt .


 


*AGENDA* - Se puderem não percam Miguel Guilherme a ler textos de humor, de
autores portugueses, todas as terças e quartas, no Maxim, Praça da Alegria,
pelas 22h00. Fica até Junho. *Este fim de semana inauguram em Coimbra, no
âmbito do 30º aniversário dos Encontros de Fotografia, uma exposição de Jean
François Pisson, intitulada "Dessine Moi Une Voyage" e outra de Joana
Bastos, "A$T"; *Na Galeria Ratton, novas obras de Joana Rosa, sob o título
"A Bela Acordada";* No Algarve, em Estói, na casa rural da Villa Romana de
Milreu, a exposição "Pássaro Em Terra" de René Bertholo; *E finalmente em
Lisboa a  próxima semana é tempo do festival de cinema documental Indie ,
sigam a programação em www.indielisboa.com*.*


 


*OUVIR* - Este artigo foi feito ao som de "Orchestrion", a mais recente
experiência de Pat Metheny, que utilizou máquinas cuja origem remonta ao
século XVIII para criar a sua música, obviamente actualizadas e
complementadas com tecnologia digital contemporânea. Podem considerar que
Metheny toca a solo com uma orquestra de robôs, mas isto é simplificar a
coisa. O resultado é surpreendente, misturando a música popular com arranjos
sofisticados e desenhos rítmicos inesperados. Metheny no seu melhor. CD
Nonesuch, via Amazon UK.


 


*BACK TO BASICS -  A política tem a sua fonte na perversidade e não na
grandeza do espírito humano, Voltaire*

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:21



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2006
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2005
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2004
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2003
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D