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MEMÓRIA - Há uns anos, em 1995, António Guterres venceu as eleições legislativas baseado num programa de promessas de mais apoios sociais – como o rendimento mínimo – e de tornar gratuito o que tinha um custo para os utilizadores – como alguns troços  de estrada, vias rápidas, e, anos mais tarde, a promessa de eterna gratuidade das SCUT. Criou-se a ilusão de que os direitos aumentavam e existiriam sempre, enquanto diminuiriam os deveres de cada um – uma dolorosa mentira, como hoje já se sabe. Tudo isto custava muito dinheiro ao Estado e o défice, que já existia, começou a funcionar numa espiral sempre crescente. É certo que uma das facturas pesadas que estamos a pagar teve a ver com o grande aumento da massa salarial da administração pública decidido por Cavaco Silva nos anos 90 – em 2005, num artigo publicado no «Expresso», Miguel Cadilhe acusava Cavaco de ser pai do "monstro" do défice precisamente devido a esses aumentos. O que é certo é que sucessivos Governos fizeram crescer o peso do Estado muito para além do razoável. As promessas eleitorais, sabemos agora, foram sempre pagas à custa do aumento da carga fiscal. Quem votou na ampliação do Estado Social e da utilização gratuita de recursos é também culpado da situação em que estamos e de estarmos a pagar mais impostos directos e indirectos.


A coisa não fica por aqui: temos uma Administração Pública pesada, pouco eficiente, um sistema educativo que está perto do caos, um sistema judicial que não funciona nem garante justiça em prazos razoáveis, e um sistema de saúde com problemas crescentes. Perdemos indústrias, perdemos quase totalmente a agricultura, perdemos muita da pesca – se, por cada dez rotundas feitas no país nos últimos 20 anos, existisse uma nova traineira com possibilidades de pescar na nossa zona económica exclusiva, não teríamos ficado de costas voltadas para o mar, sobretudo não teríamos ficado com uma frota pesqueira cada vez mais pequena e menos competitiva. Temos tido muito maus Governos. Temos esbanjado sem que se vejam bons resultados. Gastámos muito para além do que devíamos, recusámos todas as evidências e no último ciclo eleitoral, no ano passado, repetiram-se as promessas que já se sabiam não poderiam ser cumpridas. Não deixa de ser irónico que o PS esteja agora a retirar o que deu irresponsavelmente há 15 anos. E o pior é o que ainda está para vir.


 


APOIOS - A carreira política de Ricardo Rodrigues é curiosa. Foi secretário regional no Governo dos Açores presidido pelo socialista Carlos César, demitiu-se na sequência da publicação de uma reportagem do Expresso e SIC sobre abuso sexual de menores. Na altura, em declarações ao «Público», Carlos César afirmou sobre Ricardo Rodrigues, de quem se confessou amigo:  "Estou convencido da sua inocência. É isso que ele me diz. Conheço-o bem, sei que é uma pessoa de bem.». A expressão é coincidente com a de Francisco Assis, no caso do roubo efectuado por Ricardo Rodrigues dos gravadores a jornalistas da revista «Sábado» que o entrevistavam. Só que aí há uma filmagem do furto e não há maneira de o visado reclamar inocência. Mas, aparentemente, sendo considerado «uma pessoa de bem» pode fazer o que lhe apetece em cargos públicos. No Parlamento tem tido um comportamento arrogante e foi um dos que contribuiu para a inutilidade prática do trabalho da Comissão de Inquérito ao caso PT/TVI. Gaba-se de ter boa ligação com José Sócrates, de ser ainda influente nos Açores e de ter muitos apoios no PS. Esta semana o Parlamento fez o inevitável e levantou-lhe a imunidade – mas o deputado optou por responder por escrito - podia mostrar coragem e ir de viva voz, mas prefere usar as prerrogativas parlamentares até ao limite do possível.


 


LER – Paul Harden foi durante anos director criativo da agência de publicidade Saatchi & Saatchi, na época áurea da empresa, autor de numerosas campanhas, como as que deram novo alento à British Airways e a do lançamento do jornal The Independent, entre outras. Paul Arden, que morreu em 2008, escreveu vários livros e um deles tornou-se num clássico - «It’s Not How Good You Are, It’s How Good You Want To Be». O livro criou fama de ser uma espécie de manual infalível para obter sucesso, baseado no processo criativo utilizado na publicidade. A Phaidon fez uma nova edição, graficamente muito cuidada, disponível nas livrarias Bulhosa.


 


VER – «And Then Again»  é uma exposição colectiva de artistas portugueses e ingleses que abriu esta semana e que é feita com o apoio do Royal College of Arts e o Centro Português de Serigrafia – a gravura como suporte da criação artística é o tema central da exposição, que tem curadoria de Ana Fonseca e Liz Collini e está no Pavilhão Preto do Museu da Cidade até 5 de Setembro. Há várias iniciativas paralelas e complementares, informações em www.andthenagain.net .


 


DESCOBRIR –A edição nº 100, de Julho, da revista britânica MOJO, tem a particularidade de ser editada por Tom Waits – que escolheu também as faixas do CD que a publicação oferece. É uma selecção de blues e de country absolutamente fantástica e só por isso vale a pena comprar esta edição da MOJO. De Hank Williams a Ray Charles, passando por Howlin’ Wolf, ali está tudo o que Tom Waits considera serem as suas influências – e uma delas é Harry Belafonte, presente no disco e numa magnífica e reveladora entrevista nesta edição.


 


OUVIR – Robert Wyatt, o vocalista dos Soft Machine, tem uma longa carreira a solo marcada por grandes canções, a maior parte da sua autoria, mas também com algumas versões como duas que estão neste disco – de «I’m A Believer» dos Monkees e de «Shipbuilding», que Elvis Costello escreveu para ele. Wyatt vive numa cadeira de rodas desde um acidente no início da década de 70 mas isso não o tem impedido de trabalhar em música. Este disco é uma compilação de alguns dos seus temas famosos, ironicamente chamada «His Greatest Misses», e foi inicialmente pensada por um fã japonês em 2004. A reedição permite redescobrir todo o encanto e energia das interpretações de Wyatt e da sua composição, como em «Sea Song» ou «Solar Flares». CD «His Greatest Misses», Robert Wyatt, edição Rykodisc, na Amazon.


 


PROVAR – É uma pena mas são raros os restaurantes de Hotel em Lisboa que conseguem ter uma vida própria sobretudo ao jantar – mesmo quando têm excelente localização. O novo Altis Avenida, nos Restauradores, tem no seu último andar um restaurante, com um belo terraço e uma belíssima vista, o Brassereie Gourmet Rossio, mas infelizmente se lá for jantar arrisca-se a estar sozinho, ou quase. Deixemos de lado o facto de o nome ser um pouco pomposo demais - há que reconhecer que a cozinha está bem entregue, melhor que o serviço de sala. Nas duas ocasiões em que lá fui gostei de tudo o que foi servido – amouse bouche de migas de bacalhau com broa, umas vieiras com puré de ervilhas como  entrada, um salmão com flor de sal e tomilho acompanhado de risotto do mar, e um bacalhau fresco com legumes ao vapor. No final os sorbet são imprevistos – maçã com poejo, melancia com gengibre e baunilha com cardamono. Confesso que das duas vezes não gostei tanto do serviço – um pouco pretensioso, a falar mais do que aquilo que é preciso, com algumas falhas graves – o insistir numa coisa que o cliente já disse não querer, o esquecer do frappé no vinho branco e ser preciso chamar a atenção para resolver a questão, e sobretudo, à noite, o inqualificável gesto de começar a colocar as mesas do pequeno almoço do dia seguinte enquanto há ainda clientes a jantar.. Resumo: se quiserem experimentar prefiram o almoço. Brasserie Gourmet Rossio, Hotel Altis Avenida, Telefone 210440000


 


 


ARCO DA VELHA – A EMEL quadriplicou os resultados líquidos em 2009. À custa de quê e de quem, Dr. António Costa? E o estacionamento em dupla fila, acabou?


 


BACK TO BASICS – Todos nós estamos na lama, mas alguns sabem ver as estrelas – Oscar Wilde

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