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A BILHETEIRA – O novo Director Geral das Artes, soube-se por estes dias, vai também coordenar a rede dos cineteatros sem que se saiba exactamente o que isto quer dizer, já que estas salas estão na dependência das autarquias onde estão situadas. Mas neste sector existe, em geral, uma  questão que se prende com a forma como a bilheteira destas salas é maioritariamente encarada. Um dos grandes problemas que existe vem da grande percentagem de bilhetes oferecidos, que as salas do Ministério da Cultura e  das autarquias, disponibilizam em muitas das suas actividades. A medida, que em si pode parecer bondosa, acaba por ser perversa – contratam-se espectáculos sem ter em conta o seu potencial de cativar públicos e sem os fazer passar pelo teste da bilheteira de forma real e efectiva. Na realidade a oferta de bilhetes não incentiva a formação de públicos – arranjar um bilhete à borla, para tudo e mais alguma coisa, é um desporto nacional. A consequência deste vício na borla é que, muitas vezes, é insuficientemente valorizado o acto de ir a um espectáculo e pagar por isso, percebendo que assim se está a contribuir para os custos da produção e do trabalho de todos os envolvidos, de actores e criativos a técnicos. Era curioso fazer um estudo sério, nas salas geridas pelo Estado ou pelas autarquias, que comparasse a percentagem dos bilhetes vendidos com a percentagem dos bilhetes oferecidos. Em Lisboa o caso é particularmente grave – valia a pena que no Maria Matos, no S. Luis e, de uma forma geral, nos espaços geridos pela Câmara ou a sua empresa EGEAC, se fizesse um estudo sério sobre esta matéria. Uma coisa é subsidiar os bilhetes, tentar atrair novos públicos, promover o trabalho de artistas e grupos, outra coisa é programar sem olhar à capacidade de atracção e criação de públicos. Por detrás de tudo isto ainda existe uma outra questão: o investimento e o esforço de divulgação, promoção e publicidade dos espectáculos é muitas vezes insuficiente, precisamente porque o critério billheteira é subvalorizado – a sala acaba por se encher, muitas vezes, à pressa, com recurso a bilhetes oferecidos, e o marketing cultural, na generalidade dos casos, é incipiente e frequentemente mal feito. Na realidade, é bom recordá-lo, não há bilhetes gratuitos – somos todos nós, contribuintes, que os pagamos. E a programação de todas estas salas, que deve viver do equilíbrio entre novos artistas e a manutenção de companhias e grupos existentes, e que deve ser uma das componentes de uma política de financiamento do Estado – mais que os subsídios sem contrapartidas – acaba por ser desvalorizada e secundarizada. Avançar sem conhecer a realidade da bilheteira é sempre de eficácia duvidosa. Em todas as áreas.


 


TV – Só para fazer notar que este foi o primeiro campeonato do Mundo de futebol cujas imagens puderam ser seguidas no telemóvel e em sites pelo computador e cujos resultados, protestos pelos erros de arbitragem e comentários puderam ser vistos no twitter e no facebook. Também foi o primeiro que teve transmissões mais ou menos generalizadas em alta definição e algumas em 3D e foi, ainda, aquele com maiores provas técnicas dos erros da arbitragem, com maior número de estatísticas do jogo (posse de bola, remates, etc) em tempo real. Há quatro anos quase nenhuma destas opções existia, mas agora elas tornaram-se vulgares. Muito provavelmente daqui a quatro anos, em 2014, olharemos para o que experimentámos em 2010 como agora olhamos para as nossas recordações de 2006. A televisão está a mudar e o desporto é o prato forte da mudança na lista dos conteúdos, como aqui se escrevia há umas semanas.


 


LER – É engraçado como um livro sobre o medo de voar se tornou numa atracção mediática nos últimos dias – é sinal que o problema afecta muita gente e que causa angústias variadas nos mais diversos meios. O engraçado de «Voar Sem Medo» é que está escrito quase como se fosse as instruções de um jogo, nas suas várias etapas. Às vezes um pouco técnico demais, aqui e ali a dirigir-se em simultâneo ao público em geral e a especialistas (o que não é uma boa ideia), é justo reconhecer que as indicações, sugestões, dicas e truques diversos apontados neste livro serão certamente da maior utilidade para aqueles que se sentem desconfortáveis quando entram num avião – e existe até um teste, fácil e rápido, para avaliar o grau de à vontade e desconforto de cada um face à perspectiva de um voo. Cristina Albuquerque, psicóloga de formação, tem-se especializado na área do tratamento de aerofóbicos e há duas décadas que se interessa por este problema. Quer-me parecer que este bem pode ser um inesperado best-seller. «Voar Sem Medo», de Cristina Albuquerque, edição Gradiva.


 


OUVIR -  Pensei um bom bocado antes de escrever sobre este disco – à partida tem tudo o que me desagrada (uma junção de estrelas, uma colectânea de canções óbvias, um ar de campanha «num esforço para mostrar o poder e a beleza da colaboração a nível global como um caminho radioso para a paz», citação das notas de capa). Mas no fim decidi dizer-vos que vale a pena conhecer a mais recente aventura de Herbie Hancock, que já vai nos seus 70 anos. O disco chama-se «Imagine Project» e conta com numerosas colaborações, de Seal a Jeff Beck, passando por Pink, Los Lobos, The Chieftains e Dave Matthews, entre outros. A minha escolha vai para algumas versões brilhantes, de que destaco «Space Captain», uma canção popularizada por de Joe Cocker, «Don’t Give Up», de Peter Gabriel, «Tempo de Amor», de Baden Powell e Vinicius, «The Times They Are A Changin» de Bob Dylan e «Exodus» de Bob Marley.  «Imagine Project», de Herbie Hancock, CD Sony Music, na FNAC.


 


VER – Já aqui falei uma vez da revista portuguesa «The Scope», um dos mais interessantes e arriscados projectos editoriais surgidos nos últimos tempos. É certo que é uma revista de segmento, que é um objecto quase de luxo, muito bem impresso e editado. Tem distribuição internacional, publicidade internacional e direcção de Tiago Machado. A revista sai quatro vezes por ano, a par com as estações, e este número de Verão oferece motivos de interesse que vão de textos de Brad Mehldau sobre os seus heróis na música até uma entrevista com o arquitecto Rem Koolhaas ou uma viagem pelo mundo do vinho tinto da região de Burgundy, pelo autor do filme «Mondovino», Jonathan Nossiter E, depois, claro, como pano de fundo há a paixão pela fotografia e pela imagem que é o DNA desta revista.


 


PROVAR – Esplanada da semana: em dias quentes provar uma Conchanata, na geladaria do mesmo nome, na Avenida da Igreja 28 A. Fecha às segundas.


 


ARCO DA VELHA – A senhora Ministra da Cultura emitiu um comunicado onde manifestou a sua grande satisfação pela demissão de um director geral. Depois disse que a satisfação era devida a não ter que lhe pagar indemnização. A seguir anunciou que o buraco orçamental que abriu na Cultura será resolvido pelo Ministro das Finanças como ele achar melhor.


 


BACK TO BASICS – As circunstâncias nunca devem alterar os princípios – Oscar Wilde


 

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publicado às 18:03



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