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INCERTEZAS – Neste país tudo parece incerto. Nada é dado por adquirido. Os políticos dizem uma coisa num dia e negam tudo no dia seguinte. A incoerência e a incerteza andam de mãos dadas na cartilha que os políticos aprenderam e que usam no dia a dia. A mentira tornou-se parte da relação entre políticos e cidadãos – o rol é imenso desde promessas eleitorais não cumpridas a anúncios de medidas que nunca se cumprem, passando por zigue zagues permanentes. A realidade portuguesa dos últimos anos podia sintetizar-se assim: tudo é incerto, a única coisa certa é que Sócrates, para mal dos nossos pecados, lá continua a piorar as nossas incertezas.


A nossa justiça é incerta – é tão demorada que quando termina qualquer coisa fica sempre uma desconfortável sensação de incerteza, de desconfiança. O Freeport demorou cinco anos a instruir porque teve pressões e foi manobrado, ou só porque a máquina judicial é uma porcaria? O julgamento da Casa Pia tinha mesmo que demorar cinco anos, ou foi assim para diluir as coisas no tempo?


Os nossos impostos são incertos – se a inflação fosse medida com base no aumento da carga fiscal estávamos a rebentar a escala.


A nossa produção de bens essenciais é incerta e estranha – vejam os dados estatísticos do que importamos e espantem-se em como de repente importamos tudo e mais alguma coisa em termos agrícolas – até alhos.


Aos poucos estamos a deixar de ser um país e estabelecemo-nos como mero entreposto. A incerteza não podia ser maior.


 


ESPANTO – Foi com total perplexidade que assisti ao empenho do Ministro Jorge Lacão no anúncio da criação de um canal de televisão lusófono, feito em parceria com o Brasil e com outros países, envolvendo os respectivos serviços públicos. O homem saberá do que está a falar? Imaginará a camisa de onze varas em que se coloca? Terá alguma noção do caldeirão esquizofrénico que esse hipotético canal será? No primeiro semestre deste ano a RTP recebeu a títulos diversos do Estado 142 milhões de euros, já para não falar do que cobrou nas contas da EDP aos cidadãos. O Ministro acha que isto é pouco e quer colocar ainda mais dinheiro neste sorvedouro? O Ministro achará normal colocar mais comunicação na dependência do Estado? Alguém pode explicar ao Ministro que, para defender a lusofonia, em matéria audiovisual, é mais importante promover e estimular conteúdos audiovisuais interessantes, na área do documentário e da ficção, do que financiar plataformas de distribuição de duvidosa eficácia e discutível oportunidade?


 


 


VER – A exposição retrospectiva de Ana Vidigal, no Centro de Arte Moderna da Gulbenkian, é absolutamente imperdível. Com uma montagem muito conseguida, que permite seguir a evolução do trabalho da artista ao longo do tempo, «menina Limpa, Menina Suja», assim se chama a exposição, é um bom exemplo daquilo que se deve fazer com os artistas portugueses, por forma a divulgar a sua obra. Isabel Carlos, que agora dirige o CAM, entrou com o pé direito e com um resultado de uma força invulgar. Cheia de referências pessoais, relacionadas com o contexto da história recente portuguesa, a obra de Ana Vidigal, percebe-se bem aqui, é um belo retrato das últimas quatro décadas portuguesas. NO CAM até 26 de Setembro


 


PERCORRER – Fazer uma exposição de veículos antigos pode não ter grande graça – ou pode ser um pretexto para um exercício criativo. Foi isto que a equipa do MUDE conseguiu de forma exemplar. A partir da colecção de scooters de um particular, João Seixas, que para o efeito a cedeu ao Museu, foi feita uma montagem exemplar. No primeiro andar do MUDE a exposição foi montada com base numa cenografia que evoca as estradas e o movimento. A colecção, mostra a evolução das scooters, por marca e nacionalidade, entre o fim da Segunda Guerra e os anos 70. Não pensem que isto é só Vespas: há de tudo, desde as históricas e potentes NSU e Heinkel, passando pelas Lambrettas ou pela muito portuguesa Carina. São dezenas de scooters, impecavelmente restauradas e todas em ordem de marcha. O MUDE teve o cuidado de fazer acompanhar a evolução das máquinas ao longo do tempo por uma série de manequins com roupa desses anos, proveniente da colecção de Moda do Museu. O comissariado é do coleccionador João Seixas e de Pedro Teotónio Pereira, da equipa do MUDE, e o título da exposição, que estará patente até 24 de Outubro, é, «Lá Vai Ela, Formosa e Segura». Termino com uma citação de um poema de António Gedeão, de 1961, evocado no catálogo da exposição:  «voando para a praia, na estrada preta/ vai na brasa, de lambreta».


 


LER – Neste momento em que se fala da necessidade de reformar o Estado Social é particularmente útil ler o ensaio da autoria do historiador Luciano Amaral, «Economia Portuguesa – As Últimas Décadas», publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. São cerca de cem páginas onde se faz o retrato da evolução da economia portuguesa dos anos 50 até agora e se analisa com algum detalhe o estado providência e os reflexos no mercado de trabalho e na educação da situação geral económica do país. «Nos últimos dez anos, em comparação com os países mais ricos, perdemos um terço do caminho que havíamos recuperado até ao ano 2000». O livro está escrito de forma acessível e a experiência de Luciano Amaral na investigação da história da economia proporciona enquadramentos fundamentais. Uma leitura absolutamente indispensável no contexto em que estamos.


 


OUVIR –Um dos melhores discos da carreira do saxofonista Art Pepper foi gravado numa sessão de estúdio inesperada, pouco depois de ter saído da prisão por consumo de droga, e num período muito conturbado da sua vida. A gravação decorreu em 19 de Janeiro de 1957 e Pepper foi acompanhado por Red Garland no piano, Paul Chambers no baixo e Philly Joe Jones na bateria, três músicos que na época tocavam regularmente com Miles Davis e que eram uma das melhores secções rítmicas da época – daí o nome do disco: «Art Pepper meets The Rhythm Section». Destaque para uma versão arrebatadora de um tema de Cole Porter, «You’d Be So Nice To Come Home To» e para os temas «Jazz Me Blues» e «Tin Tin Deo», onde se sente a extraordinária sintonia dos músicos. A reedição do disco está incluída na série «Original Jazz Classics Remasters» da Concord- Universal Music e aqui surge uma registo até agora inédito, feito na mesma sessão, do tema «The Man I Love». CD disponível na FNAC.


 


PETISCAR – É sempre um prazer regressar ao La Moneda, um restaurante que combina um ar «trendy», com uma cozinha e ambiente despretensioso e preços acessíveis. Desta vez optei pelo prato do dia, que eram filetes com molho de amêndoa, e que estavam  fantásticos de estaladiço e de sabor. A sobremesa foi um inusitado mas muito agradável gelado de manjericão e a acompanhar o vinho branco da casa, um belo arinto Casal D’Além. Tudo junto somou 12,75€. Rua da Moeda 1C, telefone 213 908 012.


 


ARCO DA VELHA – Apesar da contenção o troço Poceirão-Caia do TGV arranca afinal em Setembro, anunciou esta semana o Ministro das Obras Públicas, António Mendonça.


 


BACK TO BASICS – O mais importante é nunca deixarmos de nos interrogarmos – Albert Einstein


 

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publicado às 12:27


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