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IMPRENSA – Este jornal de papel que temos nas mãos é um bom modelo de segmentação. Não é por acaso que a imprensa económica conseguiu manter a sua circulação – é uma informação especializada, numa época em que a crise leva mais pessoas a quererem ter um conhecimento mais detalhado de todo o universos empresarial e económico. Portugal é um caso interessante deste ponto de vista, em termos de estudo dos comportamentos dos leitores. Olhamos à volta e vemos uma imprensa desportiva sólida, liderada pelo “Record”, porque trata em profundidade um tema específico que é o desporto; vemos uma imprensa económica que mantém e reforça audiências porque trata de uma area  bem segmentada; e na imprensa diária a liderança pertence a um jornal que publica informação sobre todas as áreas mas que é, curiosamente, o que mais atenção dedica a noticiário local de diversas regiões – para mim continua a ser essa a chave do sucesso do “Correio da Manhã” (nota – pertence ao mesmo grupo de media que, entre outros, edita este “Jornal de Negócios” e o “Record”). Ao mesmo tempo assistimos a um declínio dos jornais diários de referência, que não têm sido capazes de estudar e seguir o comportamento dos seus públicos-alvo, e à manutenção de um jornal semanal de referência (o “Expresso”), que tem até reforçado o seu papel institucional. Finalmente temos as duas principais revistas semanais de informação com números que há uns anos seriam considerados demasiado optimistas. Serve tudo isto para dizer que em Portugal o papel continua a ser um suporte de informação com peso e valor, mais acentuado quando a segmentação de cada produto está bem conseguida. Mas como será o futuro?


Um estudo publicado esta semana na Austrália considera que naquele país os jornais, na sua forma actual, estarão condenados na próxima década. Surgem cenários de e-readers, sucessores do actual ipad e dos tablet PC, à venda por dez euros daqui a uma dúzia de anos. Em todo o mundo, e não só na Austrália, em 2020 estarão a entrar na vida activa todos os que já nasceram num mundo digital – que sempre usaram computadores, que sempre procuraram programas de televisão for a das estações tradicionais, que procuram, usam e convivem desde sempre com a informação e os dispositivos digitais. A mudança geracional vai ter enormes consequências nos próximos dez anos e há especialistas que dizem que a partir de 2015 (quando os nascidos em 1990 tiverem 25 anos), a aceleração das alterações de padrões de consumo e comportamento sera brutal e com consequências ainda agora ignoradas. Seja como fôr é certo que a informação irá ser cada vez mais segmentada, procurando ir de encontro aos gostos individuais das pessoas, terá que ter cada vez mais um âmbito local para poder responder aos interesses práticos dos consumidores e será cada vez mais feita de forma interactiva com os leitores ou espectadores. Parece também seguro que a próprio modelo de negócio dos media reforçará nos próximos anos a importância dos conteúdos, da sua utilização em diversas plataformas e também a forma como utilizam as redes sociais. O futuro próximo na area dos media irá conhecer grandes transformações, mas a procura pela informação continuará. É uma questão de as empresas de media conseguirem alterar o seu modelo de negócio sabendo que no final da presente década o mundo terá mesmo mudado. E, por muito que isto custe, não é certo que o papel sobreviva nestes processos de mudança. A mudança de geração em idade activa e de consumo vai trazer esta mudança inevitável. Mais vale prepararmo-nos para ela.


 


PRESIDENCIAIS – Tudo indica que vamos ter uma presidenciais animadíssimas: entre quatro a seis candidatos à esquerda e um ou dois à direita. Se Cavaco fôr sózinho, à direita, pode bem acontecer que ganhe logo à primeira volta. Se houver outro candidato no seu terreno político é quase certo que teremos uma disputada segunda volta. Já aqui o escrevi uma vez – surgirem vários candidatos é natural, é positivo e é uma consequência da democracia. Da mesma forma que não gosto de um regime de partido único também não me apetece uma eleição de candidato único, seja de que lado fôr. O actual cenário politico desgasta quer Cavaco quer Alegre; Cavaco porque o seu imobilismo e a sua visão restritiva dos poderes presidenciais face à crise arrastada deixa dúvidas na sua base de apoio sobre a utilidade da sua reeleição; e Alegre porque terá pela frente uma governação do PS que em matéria orçamental e de reformas colide com as suas propostas políticas mais emblemáticas. Cavaco e Alegre estão prisioneiros da crise e dos compromissos do regime. Os outros candidatos não, e esse é um factor certo de perturbação na primeira volta  - que bem pode vir a ter efeitos na definição de quem fica apurado para a segunda volta das presidenciais.


 


ARCO DA VELHA – Primeiro surgiram as questões sobre o que devia ou não devia estar no Orçamento de Estado; depois retomou-se a polémica sobre a revisão constitucional. Pelo meio foram surgindo intrigas e, dos dois lados, o tom de voz foi subindo. A crise política existe e o único calmante que tem é o facto de o governo estar paralisado e inoperante o o PSD ainda não se sentir em condições para ir a votos. De modo que é uma crise sem resultado à vista. Ir-se-ão atacando até se acabar naquele final bem português: agarrem-me senão eu bato-lhe.


 


OUVIR – O mais recente disco do pianista Ahamad Jamal, “A Quiet Time”, é um exemplo de como a criatividade e a invenção se podem ir desenvolvendo ao longo da vida de um artista. Jamal tem agora 80 anos e a sua carreira de músico de jazz começou no início da década de 50 do século passado, há 60 anos. É impressionante ouvir este disco, maioritariamente de composições originais do próprio Ahmad Jamal, e observar a sua frescura e a intensidade com que continua a tocar piano, e sobretudo a integridade do seu estilo, sempre acompanhado por um trio. Os meus temas favoritos são “Paris After Dark”, “Poetry”, “My Inspiration”, “A Quiet Time” e a versao de “I Hear A Rapsody”, um tema popularizado por Jimmy Dorsey. CD Dreyfus Records, na FNAC


 


VER – O fotojornalista Alfredo Cunha apresenta no Arquivo Fotográfico de Lisboa uma exposição retrospectiva intitulada “Estamos no Mesmo Sítio 1970-2010”, que assinala os seus 40 anos de trabalho enquanto reporter fotográfico e a doação do seu espólio ao arquivo. Alfredo Cunha começou no Século, trabalhou em diversos jornais diários, passou pela agência noticiosa, e trabalhou para numerosos jornais e revistas, sempre acompanhando a actualidade com um olhar muito particular e próprio. As suas imagens são de um observador, não neutral, com capacidade de contar uma história numa imagem. A exposição está até 8 de Setembro e o Arquivo Fotográfico fica na Rua da Palma 246 com um horário pouco prático: de terça a sexta das 10 às 18h30 e dois sábados por mês até às 17h00


 


PETISCAR – O Xica Bia, em Setúbal, oferece petiscos de origem alentejana numa cidade onde o peixe costuma ser rei. Aqui também há peixe, mas o interesse está noutras coisas, como uma sopinha de beldruegas, uma açorda de bacalhau ou um muito simples e superiormente confeccionado cozido de grão. Ao comando das operações, há mais de uma década, está António Saião, natural de Serpa, que orienta a sala de forma atenta, procurando sempre ver se algum cliente precisa de mais alguma coisa. As entradas são muito boas, desde os enchidos fatiados até uma pasta de linguiça, passando por uma saladinha de orelha de porco. A garrafeira é sólida e a preços sensatos. A sala é confortável, espaçosa, bem recuperada para a função. Decididamente um sítio a manter em agenda. Avenida Luisa Todi 131 (junto ao Pingo Doce), telefone 265 522 559.


 


 


BACK TO BASICS – Estudem o passado se querem saber definir o futuro – Confúcio


 

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publicado às 17:41


1 comentário

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