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MUDAR – Uma das coisas que mais estraga a imagem de um político (e de um partido), é a sucessiva alteração de propostas, é a falta de uma linha clara. Modificações em relação ao que é inicialmente apresentado, confusão na explicação de ideias, atropelos e zigue-zagues na respectiva comunicação, são tudo factores que levam à desconfiança e, pior, ao descrédito. José Sócrates tem sido vítima disto mesmo – prometeu muito, fez pouco, todos os dias dá o dito por não dito e apregoa o contrário se necessário for. A simples análise do percurso do actual Primeiro Ministro devia levar futuros candidatos ao lugar a terem os maiores cuidados nestas questões. Como Confúcio dizia, «estudem o passado se querem saber definir o futuro» - eis um ensinamento que os aspirantes ao poder deviam ter sempre em conta.


Contrariamente às expectativas, a nova direcção do PSD tem tido, nesta matéria,  um percurso sinuoso e que tem prejudicado a sua imagem. Primeiro, na forma como acordou com o PS  o seu apoio ao plano de restrições económicas; depois, na questão da revisão constitucional – anunciando o que se pretendia fazer para depois ir recuando numa série de pontos; e agora no tema da viabilização do orçamento – entre o discurso do Pontal e os discursos da Universidade de Verão sobre esta matéria há diferenças sensíveis.


É sempre interessante fazer testes utilizando focus groups bem estruturados para avaliar a reacção a algumas propostas e, eventualmente, face aos resultados, afiná-las. Só que o jogo de utilizar a opinião pública e o eleitorado em geral para testes pode ser fatal. Ninguém gosta de indecisos e o PSD está perigosamente a repetir a indefinição, o ajuste,  a correcção.


O fundamental seria ter uma estratégia linear simples, feita de pontos fundamentais, claros e perceptíveis, com medidas claras e exequíveis, que não tivessem que ser demasiado explicadas nem alteradas conforme a situação. Assim dá ideia de que se está a disparar um bocado à toa em diversas direcções. Este não é certamente o caminho mais seguro para construir uma alternativa credível a um Governo que, desde o primeiro dia, fez da demagogia a sua forma de comunicar: O PS prometeu mais emprego e deu mais desemprego, prometeu menos impostos e aumentou a carga fiscal, prometeu reduzir a despesa pública e aumentou-a – tudo, sempre, com o argumento de se adequar à realidade e às circunstâncias. Quem quer ser Governo, como o PSD, não devia correr o risco de, em matéria de adequação às circunstâncias, se parecer com o PS na flutuação e variação de declarações e objectivos


 


REGIME – Armindo Monteiro, que tem trabalho feito no associativismo empresarial e que dirige a Compta, deu esta semana uma entrevista a este jornal onde disse uma das coisas mais importantes colocadas na praça pública desde há muitos meses: «Gostava que em Portugal não existissem empresas de regime». Por outras palavras Armindo Monteiro veio dizer que em Portugal há empresas que se vão encostando aos partidos, e depois aos Governos, para em troca de apoios e favores, terem facilidade nas adjudicações, nos contratos e nas encomendas. Todos sabemos as numerosas histórias que sobre esta matéria se têm passado em sucessivos Governos, mas com grande peso nestes últimos anos. Cada vez que o poder está em vias de mudar de mãos, como acontecerá a médio prazo, vê-se logo uma procissão de futuros apoiantes, que vão facilitando tudo na expectativa de que mais à frente possam fazer parte do círculo dos eleitos para os bons contratos. Estas são as empresa do regime de que fala Armindo Monteiro. São uma praga, favorecida pela forma como os partidos continuam a ser financiados, como as suas campanhas, estudos e actividades se desenrolam. Quando Armindo Monteiro diz que gostava que o Estado escolhesse em função da competitividade, e não dos apoios de regime, diz uma coisa mais importante que qualquer proposta de revisão constitucional. Estas são as mudanças que interessam.


 


INCÊNDIOS – Seguindo com alguma atenção o que se passou este ano em matéria de incêndios chega-se a uma conclusão quase cristalina: bombeiros, Protecção Civil e autarcas esforçaram-se em todas as circunstâncias, estiveram na primeira linha da acção e concentraram todos os meios que podiam. É justo reconhecer que o Ministro da Administração Interna se envolveu ele próprio nos casos mais complicados e desbloqueou meios e apoios. Mas também se nota como em todo este processo os Governos Civis são de uma total inutilidade, que culminou com a extraordinária reacção do Governador Civil de Vila Real aos protestos de autarcas sobre o que estava a acontecer no incêndio que esta semana consumiu a zona do Gardunho, Boticas e Ribeira da Pena. Alexandre Chaves, o Governador Civil de Vila Real, disse em declarações à rádio, que os autarcas não tinham razão porque haviam de compreender que à noite, não se conseguia fazer trabalho de coordenação – ou seja, que à noite era impossível trabalhar e cumprir a sua missão. Os Governadores Civis são hoje meros cargos honoríficos, que se limitam a cobrar umas taxas e a estar presentes em cerimónias oficiais. A sua utilidade é mais que discutível. Extingui-los, passar muitas das suas competências para as autarquias, era uma boa forma de contribuir para diminuir a despesa pública. E não me parece que seja preciso fazer uma revisão constitucional para isso – embora possa afectar a distribuição das benesses partidárias…


 


EXEMPLO – Num recente artigo Tyler Brulé, colunista do« Financial Times» e editor da revista «Monocle», disse mais ou menos isto: As empresas de energia e telecomunicações no Brasil podem ser o motor para a economia do país, mas são coisas como a música, a moda, a hotelaria e o design que fazem com que a marca Brasil seja cada vez mais apelativa e sexy, comparando com os outros países BRIC – China, Rússia e Índia. O resumo é simples: criatividade, criatividade, criatividade; ligação da indústria com os criadores; cultura contemporânea e popular – é  isto que faz a marca de um país. Brulé tem razão.  A imagem de um país hoje passa por estes pontos – a política cultural contemporânea é isto que deve estudar, é isto que deve procurar incentivar. Quem ficar nas rotinas e burocracias antigas acaba a morder o pó.


 


ARCO DA VELHA – O caso Queiroz é todo ele um bruxedo do princípio ao fim. Mas uma coisa é certa: Ricardo Araújo Pereira é quem melhor resumiu a situação, comentando que Carlos Queiroz só joga ao ataque em entrevistas e declarações a órgãos de comunicação.


 


LER – A edição de Setembro da «Monocle» tem como tema de capa o rebranding que a revista entende ser necessário fazer à Grã-Bretanha. Vale a pena ler porque muito do que lá está escrito se podia aplicar a outros locais, Portugal incluído. Só por curiosidade esta edição da revista tem artigos sobre o Brasil, Angola,  Moçambique e  Macau, mas a única referência a Portugal , meio lateral, vem do elogio ao novo disco dos Walkmen, intitulado «Lisbon».


 


OUVIR – A mais recente criação de Keith Jarrett com Charlie Haden é o CD «Jasmine», por acaso o primeiro disco de ambos que é exclusivamente para piano e baixo. O disco é também o primeiro registo de estúdio de Jarrett nos últimos 12 anos. O repertório para este duo piano/baixo é baseado em standards norte-americanos e baladas, de diferentes épocas. O entendimento entre os dois músicos, cuja ultima gravação em conjunto tinha sido há cerca de três décadas, é perfeito mas nada rotineiro – na realidade a improvisação joga um papel importante e há momentos em que se torna evidente o gôzo que os dois estavam a sentir com a música que estavam a tocar. (CD ECM, na FNAC).


 


BACK TO BASICS – O único encanto do passado é que já passou – Oscar Wilde


 

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publicado às 14:48


1 comentário

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