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PRESIDENCIAIS- Cavaco Silva entreteve a última semana em que podia pôr o Governo na ordem com recados à oposição. Fez uma espécie de conselho político a Passos Coelho, em matéria de orçamento, e um conselho táctico ao relembrar que o desemprego é o tema que deve ser falado e combatido na acção política. Sugeriu, portanto, uma espécie de um manual de instruções ao PSD. Pelo caminho deixou cair a dúvida sobre a não redução dos valores salariais dos gabinetes do Primeiro Ministro e do Presidente da Assembleia da República, que não foram incluídos entre aqueles que iriam sofrer cortes; depressa os visados vieram aceder ao desejo Presidencial.


No entretanto vê-se de forma cada vez mais clara que a direita não tem candidato – e não me interessam nada os motivos de origem religiosa invocados por alguns. Cavaco, como os tempos, mesmo os mais recentes, têm mostrado, é o melhor Presidente da República para Sócrates, apesar das divergências pontuais e da alguma acrimónia pontual entre os dois . E Sócrates é o Primeiro Ministro que Cavaco estima, porque lhe dá oportunidade de tomar umas posições e o poupa a recomendações impopulares.


Cada vez mais se observa como Cavaco é, de facto, o candidato do regime. Por exemplo, se fosse Alegre a estar em Belém o Plano de Estabilidade e Crescimento seria mais difícil e Sócrates começaria rapidamente a arrancar cabelos. Na realidade, não havendo candidato de direita, Cavaco Silva parece ao senso comum da grande massa central do eleitorado como o menos mau – pelo menos tendo em conta o resto do folclore indígena. Manuel Alegre é um conservador com paleio social e um lunático em matéria prática, que na verdade é o candidato do Bloco de Esquerda levemente apoiado pelo PS. Fernando Nobre foi lançado às feras, não tem programa nem bases, apenas umas vagas promessas de notáveis que muito provavelmente não se cumprirão. Na realidade Fernando Nobre é o candidato soarista sem apoio do PS nem de nenhum partido e não se percebe porque não se retira enquanto é tempo. Neste cenário Cavaco Silva está perigosamente perto de ser o candidato  que Sócrates quererá suportar , mesmo que tenha o apoio do PSD e PP. Estas presidenciais vão ser um jogo de aparências e uma prova mais da falência do regime em matéria de clareza de opções. E, claro, com Cavaco eleito Sócrates espera que o eleitorado não vote nas próximas legislativas naqueles que o levaram a Belém.


 


FUTEBOL – O caso Queiroz é um mistério que dava para escrever um policial dos bons. A Selecção Nacional foi abatida na praça pública para servir os interesses e as guerrilhas de órgãos institucionais, apadrinhados pelo Governo, caso da Federação Portuguesa de Futebol. Em vez de tomarem decisões e serem frontais, escolheram o método da conspiração como forma de actuação. Quem manda no Futebol destruíu neste último mês o pouco que restava da Selecção. Tudo isto é um espectáculo triste de mentira, hipocrisia e cobardia – nada daquilo que se espera do desporto.


 


PUBLICIDADE – Neste momento existe uma elevada probabilidade de que, no final deste ano, os valores globais do investimento publicitário em meios digitais se aproximem muito dos valores do investimento na imprensa diária. As estimativas actuais apontam para que a publicidade em canais de cabo e na rádio já tenha ultrapassado o montante dos jornais diários e a internet está muito mais próxima do que na mesma altura do ano passado. O panorama geral dos estudos e estimativas actuais é este: as estações de televisão RTP, SIC e TVI captam ligeiramente acima de metade do total do investimento e não sofrem grande alteração, os canais de cabo sobem quase 30%, os meios digitais também andam num crescimento de 30% e a imprensa diária cai cerca de 15%, depois de já ter caído no ano passado cerca de 28% em relação a 2008. Vamos ver o que os números do último trimestre do ano trazem, mas tudo indica que a paisagem do investimento publicitário no final de 2010 será bastante diferente, na repartição de volume pelos vários media, que no ano passado.


 


ARCO DA VELHA – Invocando um grande apoio a boas práticas ecológicas, a EMEL colocou 12 bicicletas para alugar que, no entanto, só podem ser usadas pelos assinantes dos seus parques e mesmo assim mediante pagamento suplementar. Sá Fernandes já pode dizer que há 12 bicicletas de aluguer em Lisboa. O ridículo mata e a EMEL cada vez se assume mais como uma empresa de fretes ao executivo camarário, cuja missão é penalizar os lisboetas.


 


VER – A retrospectiva da obra do pintor  inglês Victor Willing inaugurou esta semana na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, em simultâneo com outra exposição da pintora, «Paula Rego Anos 70 – Contos Populares e outras histórias». Willing foi casado com Paula Rego e tem uma importante e curiosa obra. Morreu em 1988 e a sua pintura tem vindo a ganhar progressivo reconhecimento. Se ainda não conhecem a casa das Histórias não percam esta oportunidade – até porque ficarão surpreendidos pelo trabalho de Victor Willing – que ficará exposto até ao dia 2 de Janeiro.


 


LER – Fantástico o número de Setembro da edição americana da revista Wired (já disponível em Portugal e no site da revista). O título de capa é uma deliciosa provocação: «The Web Is Dead» - mas lá dentro explica-se em detalhe que isto quer dizer que a Internet está bem viva. Paradoxo? – nem por isso. Levanto uma ponta do véu – a vida da internet baseia-se na tendência para cada vez existirem mais aplicações e serem elas de facto que são utilizadas e geram movimento – a Web aberta está a ser trocada por serviços mais simples e direccionados que cumprem de forma eficaz o seu objectivo  e que aliciam milhões de utilizadores. Acessoriamente existe um excelente artigo sobre a evolução provável da televisão nos próximos anos – a questão não é tanto o que se pode ver, mas como os espectadores vão ver o que quiserem. E, aqui, a internet, aposta a Wired, vai ter um papel decisivo. São dois artigos imperdíveis.


 


OUVIR – Surpreendente e inesperado o novo disco de Lloyd Cole, «Broken Record», é cheio de influências norte-americanas já que é nos Estados Unidos que ele vive hoje em dia. Longe vão os tempos de «Rattlesnakes» o álbum que em 1984 colocou no mapa Lloyd Cole e os seus Commotions. Com forte inspiração da «country» americana, Broken Record assume de forma clara o lado pop que fez a fama e a fortuna de Cole. Boas canções, produção cuidada, uma voz inesperadamente fresca. Aqui está um bom momento discográfico.


 


PROVAR – No regresso à cidade um restaurante popular com uma qualidade inesperada e uma dimensão apreciável. Fica nas traseiras da Avenida de Roma, no Largo Machado de Assis, ao fundo da Conde de Sabugosa – o Dom Feijão localiza-se no pátio de uma série de prédios novos que ali foram construídos nos últimos anos. O destaque vai para a qualidade do peixe, que permite grelhados recomendáveis e algumas boas frituras. Nas carnes umas honestas iscas e um bom cabrito assado são opções recomendáveis. Ao sábado há cozido. O restaurante tem 100 lugares, o preço é comedido, a garrafeira é extensa. É bom local para juntar vários amigos numa mesa.


Dom Feijão, Largo Machado de Assis 7D, telefone 218464038, fecha aos domingos.


 


BACK TO BASICS – Aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo – Oscar Wilde

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publicado às 16:08



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