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...

por falcao, em 19.11.10

A CASA DOS SEGREDOS


 


Se eu fosse estrangeiro e estivesse em Portugal na semana passada ficaria um pouco intrigado. Deputados europeus do PS pedem a cabeça de ministros, Ministros pedem a cabeça do Governo, eternos candidatos a líder apontam novos possíveis candidatos. É como se o programa «Casa dos Segredos» fosse agora ocupado por políticos que passam a vida a fazer revelações inesperadas. O Governo, o Primeiro-Ministro e o seu círculo de fiéis tornaram-se subitamente personagens de reality show.


 


Não deixa de ser curioso que as maiores investidas contra o Governo, nesta última semana, tenham vindo de dentro do PS. Críticas a ministros, pedidos de remodelação, insinuações sobre o efeito positivo que seria o afastamento de José Sócrates, de tudo vimos um pouco. É um sinal dos tempos, da constatação do falhanço, da descrença na resolução dos problemas e, sobretudo, um claro aviso que a contagem decrescente para a noite das facas longas no Largo do Rato já começou. A lavagem da roupa suja socialista na praça pública vai chegar mais longe e vai agudizar-se à medida que as lutas pelo poder interno crescerem – é inevitável, faz parte da história das conspirações.


 


É engraçado ver como, embora muitos critiquem, poucos são os que se chegam à frente, dispostos a assumirem responsabilidades, temerosos do caos em que o Governo deixou o país cair. É curioso ver como a conjuntura torna António Costa desinteressado do poder e o leva a vaticinar apoio a Francisco Assis, baralhando assim as contas a António José Seguro. Os políticos calculistas sabem bem os riscos de pegar agora neste caldeirão, e deixarão sempre que outros avancem para queimarem as mãos a tirarem o país do braseiro. Os próximos meses vão ser de confusão e seguramente que, como escreveu Fernando Sobral, o grande problema que nesta altura deve ocupar o pensamento de muitos dirigentes do PS é que solução hão-de arranjar para José Sócrates aceitar sair de cena em recato. 


 


DICIONÁRIO DE SINÓNIMOS


Descrença : Teixeira dos Santos


 


 


ARCO DA VELHA


 Era uma vez um funcionário do PS, de 26 anos, que rescindiu, por mútuo acordo, o contrato com o seu patronato, neste caso um partido político. Passou a receber o subsídio de desemprego e depois recebeu 41.000 euros de subsídios do Instituto de Emprego e Formação Profissional, para a criação de uma empresa e do seu posto de trabalho. Já depois disto foi contratado como assessor na Câmara Municipal de Lisboa por uma vereadora do PS, tendo passado a receber 3950 euros mensais. Falta dizer que pelo meio foi candidato, derrotado, a uma junta de freguesia de Lisboa, à qual estava ligada a vereadora que o contratou, pela lista patrocinada pelo seu anterior empregador. Confuso? Não, apenas um exemplo de alguém com bons relacionamentos.


 


FOLHEAR


A mais recente edição da revista «Monocle» é dedicada às empresas de origem familiar, como são geridas, o que funciona bem, quais os problemas que surgem. É um tema muito curioso e actual e a abordagem da revista é interessante. Por exemplo é engraçado ler a história do império editorial e mediático da família Bonnier na Suécia, tanto mais que Snu Abecassis tinha ligações a essa família. O tema das empresas familiares tem vindo a ganhar actualidade e a revista mostra como a presença de um dono, e não apenas de accionistas, às vezes pode fazer a diferença. Algumas empresas portuguesas bem podiam ler esta edição com atenção.


 


LER 


 Stephen Hawking tornou-se conhecido pela forma genial como consegue abordar as mais complexas questões da física, facilitando a sua compreensão. Agora, com Leonard Mlodinow,  publicou «The Grand Design – New Answers To The Ultimate Questions Of Life». Apetece dizer que este livro foi escrito para dar resposta às perguntas que surgem sempre quando se começa a falar das origens da vida e do universo. É um livro aliciante, das obras de ciência mas fascinantes que li. Não apetece largar – é como um bom romance. Em 200 páginas «The Grand Design» traça um panorama bastante completo do Universo e do que é o nosso lugar nesta imensidão. De forma precisa, mas acessível, Stephen Hawking e Leonard Mlodinow levam-nos a encontrar respostas para as nossas dúvidas, fazendo de cada capítulo do livro uma narrativa diferente que, no final se complementam. (Bantam Press, na Amazon)


 


VER


Já se conhecia o interesse de António Barreto pela fotografia – nomeadamente como coleccionador. Também já se sabia que ele próprio há muitos anos registava imagens do seu dia-a-dia, e quem as conhecia dizia que tinha um olhar surpreendente. Agora, finalmente dispôs-se a expô-las publicamente, de maneira dupla. Editou, na Relógio de água, um álbum que recolhe 227 fotografias suas, igualmente expostas na Galeria Corrente d’Arte, avenida D. Carlos I, nº 109, em Lisboa. São fotografias feitas em vários países e vários locais de Portugal, entre 1967 e 2010, todas a preto e branco, todas com enquadramentos rigorosos, muitas a apontarem os instantes decisivos de que Cartier-Bresson falava com frequência. António Barreto, já agora, é fundador e Presidente da Associação Portuguesa de Photographia. Excertos do  texto «Ler Fotografia»,  de Angela Camila-Castelo Branco, publicado no livro, e diversas fotografias feitas por António Barreto podem ser vistas em www.apphotographia.blogspot.com .


 


OUVIR


 Em 1962 o trio de Vince Guaraldi gravava um dos primeiros discos que fazia a fusão entre o jazz e o samba. O álbum chamava-se «Jazz Impressions Of Black Orpheus» e incluía um tema que rapidamente ganhou vida própria - «Cast Your Fate To The Wind», um caso raro de uma faixa instrumental, de jazz, editada em single, e que altura foi um grande êxito popular. Mais tarde foi usada como banda sonora da série de animação baseada na banda desenhada Charlie Brown. A Universal Music fez agora, na etiqueta Concord, uma edição remasterizada digitalmente do álbum original,  que inclui 5 faixas extras inéditas, provenientes da sessão de gravação original. Os temas brasileiros  escolhidos por Vince Guaraldi eram clássicos do samba que faziam parte da banda sonora do filme «Orfeu Negro», de 1959, baseado numa peça teatral de Vinicius de Moraes, banda sonora composta por António Carlos Jobim, aqui representada pelos temas «Samba de Orfeu», «Manhã de Carnaval» e «O Nosso Amor». As interpretações do trio de Vince Guaraldi são arrebatadoras e este é um daqueles discos que, mesmo ouvido a quase 50 anos de distância, continua a ser incontornável.


 


PROVAR  


No local onde anteriormente existia o restaurante Bachus, na esquina da Rua da Misericórdia com o Largo da Trindade, está agora o Bistro 100 Maneiras, uma nova área de actuação do chefe Ljubomir Stanisic, um bósnio que há uns anos está em Portugal e que é responsável pelo já clássico 100 Maneiras. Aqui as propostas são diferentes, há uma lista apelativa que inclui maravilhas de entradas como cascas de batata com ervas aromáticas e uma curiosa secção «para Corajosos» onde está um invulgar «Maranhos como tu gostas», na verdade um delicioso arroz de maranhos enrolado como uma torta e fatiado grosso, e ainda um curioso pica pau que na realidade é uma taça de túbaros, bem bons por sinal. Para coisas mais substanciais recomendo as  Bochechas e porco preto, puré de aipo, espargos e cogumelos shitakke. Nos doces o crumble de figo com gelado liquida os mais estóicos. O serviço é atencioso e vistoso, o apoio do escanção à escolha dos vinhos é muito bom (aquele rapaz ainda vai dar que falar), pena é que garças ao efeito pladur a sala fique um bocado barulhenta. Preço médio de 40 euros por pessoa sem devaneios demasiados.


 


BACK TO BASICS –  Só os superficiais são conhecidos e só os medíocres são populares - Oscar Wilde 

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publicado às 18:14


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