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ANIVERSÁRIO – O Tratado de Lisboa está a celebrar o seu primeiro aniversário. A Europa, segundo opinião mais ou menos generalizada dos especialistas, está desfeita. Entre a pirómana Merkel e o desbragado Sarkozy, a crise alastra por todos os países. Depois da Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha, já se fala de problemas em Itália, na Bélgica e na Holanda. Alguns mais atrevidos dizem que a França virá a seguir. Esta Europa é uma ilusão caríssima, que interessou aos grandes países só até certo ponto e que acabou por prejudicar de facto as economias mais pequenas. Os políticos que, nos pequenos países, se deixaram enredar pelo canto da sereia têm responsabilidades históricas no falhanço de uma comunidade que nunca foi verdadeiramente equalitária. A Comunidade Europeia é uma fantasia política cujo preço vamos pagar durante muitos anos. A verdade resume-se a isto: para nós, querer ser europeu é pior do que querer ser apenas português. Há uns anos a Restauração, que esta semana se assinalou, tinha percebido isso mesmo. Precisamos mais de uma Restauração do que de uma remodelação. E não precisamos ainda de um Presidente da República que olha para a ideia da Europa como para um Sol que nos ilumina – mesmo quando é evidente que nos apaga.


 


FEIRAR –  A Arte Lisboa tem o objectivo, programático, de divulgar a actividade de artistas e galeristas portugueses e de internacionalizar o mercado de arte em Portugal. Aos poucos tem deixado de fazer qualquer destas coisas. Este ano, por força da cimeira da NATO, mudou-se da Expo para a Junqueira, o que só por si podia ser uma boa coisa. A Junqueira é um espaço projectado por Keil do Amaral, mais aconchegado, mais central. O grande problema é que não foi feita comunicação suficiente para a mudança de local e muita gente foi ter à FIL Expo à procura de uma Feira que estava a uma dezena de quilómetros de distância.  Esta feira modificada teve um dia de duração a menos, a segunda feira, crucial para o público alvo que pode preferir não estar em Lisboa ao fim de semana. Não convidou jornalistas estrangeiros para divulgarem o evento, nem fez a mínima tentativa de internacionalizar o certame junto dos mercados de arte que nos são próximos. A lógica da FIL é apenas alugar os metros quadrados dos stands sem se preocupar em garantir notoriedade ou estimular a presença de visitantes. A campanha publicitária foi má e  quase inexistente. A comunicação foi ridículamente fraca. O lado profissional do marketing do evento foi desprezível. Comparando com o que a AEP faz a Norte, nas suas feiras, a FIL tem muito a aprender. E é uma pena, porque entre interesse dos artistas, vontade dos galeristas e até apoios do Estado, o que aqui falta é uma capacidade de organização e divulgação que justifique a sua existência.


 


MUDAR - A remodelação vai-se fazendo aos poucos. Na Justiça, entre Secretários de Estado e directores gerais, já começou. Nas Obras Públicas, Ministro e Secretário de Estado já lêem o mesmo discurso, portanto presume-se que um dos postos seja extinto, por óbvia sobreposição de competências. O Governo desfaz-se, em cada reprimenda europeia que leva, à média mínima de duas por semana. Um dia destes Sócrates é Primeiro Ministro de um Governo-sombra.


 


ARCO DA VELHA – O Governo anunciou esta semana outra medida de contenção: vai criar  mais uma empresa pública – a Agência para o Investimento Público e Parcerias. A empresa destina-se a acompanhar as grandes obras públicas e as parcerias público-privadas. Terá três admnistradores e um quadro técnico à medida das necessidades e servirá para retirar competências a várias Direcções Gerais do Estado e mesmo a alguns Ministérios.


 


PERGUNTA – O que é feito do Hot Clube? Porque é que já ninguém fala do assunto? As antigas instalações do Hot Clube, na Praça da Alegria, arderam em 22 de Dezembro do ano passado, está quase a fazer um ano. Em Abril soube-se que a Câmara Municipal disponibilizaria um outro espaço, também na Praça da Alegria, uma antiga loja nos números 47 e 49 e contribuiria com 200.000 euros para as obras. Entretanto não se sabe de mais nada. A Escola de Jazz Luis Vilas Boas lá vai tendo actividade, na Rua da Galé, a Alcântara, mas o site e a newsletter do Hot Clube são completamente omissos a respeito das novas instalações, do ponto de situação das obras, dos planos para o regresso à Praça da Alegria. Quem é que não está a cumprir?



 


LER Em 1987 Herberto Hélder pegou em alguns dos seus textos favoritos de outros autores e fez deles uma versão portuguesa. Assim nasce “As Magias”, que como o autor esclarece mais não são que “poemas mudados para português”. São poemas breves de autores como Blaise Cendars, D.H. Lawrence, Henri Michaux ou Marie Welch, para além de escritos tradicionais, anónimos, dos índios Cunas, dos pigmeus da África Equatorial, da Austrália, da Roma antiga, da Colômbia ou do México. A Assírio & Alvim reeditou agora o livro, na sua bela colecção O Gato Maltês. Uma pequena jóia para tardes outonais


 



FOLHEAR – A edição de Dezembro-Janeiro da revista “Monocle” parece ter sido inspirada num dos nossos queridos almanaques do Borda d’Água. Tem previsões para o ano que aí vem, receitas diversas para ultrapassar dificuldades, sugestões avulsas sobre as mais variadas áreas. E tem três especiais: um guia sobre novas ideias para pequenos negócios, um dossier sobre a Finlândia que faz  crescer a vontade de visitar o país e um especial sobre viagens com um top de 50 sugestões. Fiquem a saber que o melhor restaurante frente ao mar, Segundo a Monocle, é o Azenhas do Mar, aqui mesmo ao pé de Lisboa, no alto da falésia com o Atlântico pela frente.


 



VER– Até 22 de Janeiro pode ser vista na Plataforma Revólver a exposição “Pieces and Parts”, que numa selecção cuidada agrupa curiosas tendências e artistas, entre os quais Alexandra Mesquita, Ana Vidigal, Cristina Ataíde, Inês Nunes, Julião Sarmento, Rui Effe e Teresa Milheiro, entre outros. Será certamente uma opção individual, mas gostei especialmente do trabalho que Cristina Ataíde fez para esta exposição, e que serviu aliás de imagem para o evento. Rua da Boavista 84-1º, Lisboa.


 



OUVIR – Jane Monheit editou o seu primeiro disco há cerca de dez anos e tem feito uma carreira notável. “Home”, o seu novo disco, recolhe uma série de standards e é uma bela prova do seu amadurecimento artístico e da forma como a sua interpretação vocal  foi ficando cada vez mais segura. Neste disco existe um único tema original, “It’s Only Smoke”, um dos dois duetos vocais do album. Aqui, Monheit canta com Peter Eldrige e o resultado é arrebatador. Mas o ponto alto do disco vem no outro dueto, uma versão do clássico “Tonight You Belong To Me” onde se cruzam as vozes de Jane Monheit e de John Pizarelli, que é também quem toca, de forma superior, a sua guitarra eléctrica. Só por isto já valia a pena descobrir este “Home”.


 


PROVAR – Lisboa tem um novo restaurante nepalês, nas Avenidas Novas. Chama-se Casa Nepalesa e oferece uma boa escolha de pratos do dia, assim como à lista. Provei um frango cortado aos pedaços, cozinhado com espinafres e um molho temperado que estava excelente e uns filetes de linguado com molho de caril que foram uma bela surpresa. Como sobremesa comi um arroz doce à moda do Nepal, diferente do nosso, que me deixou a pensar de onde veio aquela ideia – se fomos nós que buscámos inspiração a oriente, se foram eles que tiveram algum visitante lusitano.  O ambiente é muito acolhedor, a decoração evoca uma casa nepalesa, o serviço é muito atento e simpático e o preço é comedido. Há vinho a copo e uma lista pequena mas razoável de vinhos. Casa Nepalesa, Avenida Elias Garcia 172 A, telefone 217979797.


 


BACK TO BASICS – Gosto de Teatro é muito mais real que a vida. Oscar Wilde.


 

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publicado às 15:10


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