Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



PRESIDENCIAIS


Não havia necessidade nenhuma de se ter criado ruído em torno da marcação dos debates entre os candidatos às presidenciais. A candidatura de Cavaco Silva teria ficado bem melhor na fotografia se não se tivesse deixado posicionar como avessa a debates, usando pretextos um pouco desfocados e que ainda por cima só vieram chamar atenção para o seu próprio atraso em ter terminado a recolha das assinaturas de suporte à candidatura – um misto de inocência e de inexperiência política da máquina que está na candidatura do actual Presidente.


 


No fundo, a posição assumida em relação aos debates é a mesma lógica do tabú sobre a recandidatura: uma persistente atitude de auto-suficiência, de muita insensibilidade e, talvez, até de alguma dificuldade em conviver com os mecanismos comunicacionais das sociedades abertas e contemporâneas. Não basta estar nas redes sociais e ter sítios de internet bem feitos. O que interessa é o conteúdo – que se constrói dia-a-dia com acções e, também, com a forma como as decisões são tomadas. Os actos, como se sabe, falam mais que as palavras.


 


Dito isto, Cavaco Silva é, acho eu, o menor dos males, embora exista um tema central nestas eleições, que devia ser a prioridade do debate e do esclarecimento dos candidatos: o que fazer à seguir à eleição, quando a situação económica e política inevitavelmente se complicar ainda mais? Que pensa cada um dos candidatos sobre o Day After? Com os dados que temos, qual a probabilidade de dissolver o Parlamento ou de procurar outras soluções de Governo? A ideia é manter a crise em lume brando até o cozinhado apodrecer ou existe alguma ideia nova?


 


PARADOXO


Num país que inventa tantos mecanismos de regulação, que tantas vezes é intransigente em excesso em relação a normas e regulamentos, é paradoxal que uma situação que implica com a dignidade da vida humana, ainda por cima em situações de grande fragilidade física e psíquica, seja tão descurada e permita a manutenção em funcionamento - conhecendo-as – de instalações como o local onde se acumulavam idosos à espera da morte, na Charneca da Caparica, e que só por um infeliz acaso foi desmascarado.


 


Esta triste situação é o retrato de um Estado demasiado presente numas coisas e inexistente noutras. Para além dos responsáveis concretos pelo local, têm também de ser investigadas as entidades que deviam fiscalizar e evitar estas situações. Os nossos impostos, de todos, devem servir, em primeira linha, para evitar casos como este. Como sabemos não é isso que se passa.


 


 


PERGUNTA


O dinheirinho com que o Presidente Carlos César quer pagar compensações aos funcionários públicos açoreanos caíu do céu, foi pescado no mar, ou vem de todos os contribuintes?


 


 


ARCO DA VELHA


As preocupações governamentais sobre ecologia e sustentabilidade são esquecidas quando se operacionalizam sistemas como o dos novos recibos verdes electrónicos, que entraram em fase experimental no início de Dezembro. Não só, quando se imprimem, provocam um gasto mais alto de papel, como ainda por cima estão desenhados para inevitavelmente esvaziarem mais depressa os tinteiros das impressoras, provocando gastos suplementares e desperdícios acentuados. Aqui está um caso de uma medida que podia ter sido bem melhor pensada.


 


 


FOLHEAR


A edição do «The Economist» de 4 a 10 de Dezembro, traz uma série de artigos sérios e preocupantes sobre a Europa e sobre o Euro – analisando sem fantasmas nem pruridos a questão do desaparecimento do Euro, quer por dificuldades dos países do Sul, quer por falta de vontade da Alemanha. E na mesma edição está um belo dossier, sobre os perigos do aumento de poderio da China. Já agora, para os que têm iPad, é possível consultar alguns artigos escolhidos pelo editor de forma gratuita. E são boas escolhas, não é refugo.


 


 


VER


Cem anos depois do restauro dos painéis de S. Vicente de Fora, de Nuno Gonçalves, o Museu Nacional de Arte Antiga e a Faculdade de Belas Artes organizam uma série de colóquios e exposições, que, a propósito da efeméride, juntam artistas contemporâneos de várias gerações. Por exemplo na Galeria da Faculdade de Belas Artes estão até 7 de Janeiro obras de Ana Telhado, José Quaresma, Manuel San-Payo e Filipa Roque, entre outros. E, em vários locais do Museu Nacional de Arte Antiga, até 27 de Fevereiro, estão obras de Rui Chafes, Sara Bichão, Manuel Vieira, Manuel Botelho, Jorge Molder, Isabel Sabino e Pedro Cabrita Reis, entre outros.


 


LER


Confesso que de início pensei que a biografia de Keith Richards, «Life», seria um aborrecido relatório de ocorrências na vida dos Rolling Stones, nomeadamente os seus conflitos com Mick Jagger, pontuado por aspectos picantes da atribulada vida pessoal do guitarrista dos Rolling Stones. Acontece no entanto que logo nas primeiras páginas fiquei envolvido pela forma como a narrativa está construída por James Fox, o responsável pela forma final do livro. Ao longo de quase 550 páginas Keith conta a sua vida – desde as influências musicais da infância, até à forma como conheceu Jagger e os outros Stones.


 


Um dos aspectos curiosos é que ao longo do livro se percebe como desde cedo os elemntos dos Stones perceberam quepor mais divergências que tivessem tinham que manter o grupo em andamento – até porque o grupo era essencialmente a empresa que les haviam criado. Desse ponto de vista «Life» é um curioso relato de como manter um projecto no meio de todos os sobressaltos  - uma coisa que por exemplo os Beatles foram incapazes de fazer, divididos em primeiro lugar por disputas intensas em volta do quinhão de  pessoal cada um.


 


Keith Richards fala abertamente da forma como utilizou drogas e relata numerosos momentos da sua vida, na maior parte das vezes com o cuidado de procurar encontrar um ponto de contacto, no tempo, com a actividade da banda. E os relatos do processo de criatividade e de reinvenção que os Rolling Stones têm tido ao longo dos seus já quase 50 anos de vida – começaram em 1962 – são numerosos. De certa forma é também o relato destas décadas que passa por «Life», uma inesperada deliciosa leitura para estes dias.


 


 


OUVIR


Querem viajar no tempo e recuar até 1978? Fácil, ouçam o novo disco de Bruce Springsteen e vejam como gravações feitas nessa altura continuam actuais. «The Promise», assim se chama o novo duplo CD de Springsteen, agora editado, agrupa 21 temas que foram registados na altura das sessões de gravação do álbum «Darkness On The Edge Of Town» e que, na maioria, devido a um conflito legal entre o músico e o seu agente da época, ficaram bloqueadas para edição durante anos. Depois de convenientemente misturadas vêem agora a luz do dia, assim como alguns temas já conhecidos, como «Racing In The Street», que aliás abre o álbum. Há também as «versões Springsteen» de canções entretanto gravadas por outros artistas, como «Because The Night», um tema tornado popular por Patti Smith, e «Fire», que foi um tema que Springsteen escreveu para ser interpretado por Elvis Presley e cuja versão mais conhecida é das Pointer Sisters.


 


Ao longo destas duas décadas existem registos de algumas destas canções por Springsteen em gravações ao vivo, mas as gravações originais, de estúdio, eram desconhecidas. O que é mais curioso é que estas canções, escritas há mais de duas dezenas de anos, com uma das melhores formações de músicos da carreira de Springsteen ( Clarence Clemmons, Max Weinberg e Stevie Van Zandt nomeadamente) se mantêm particularmente actuais na conjuntura de crise e transformação em que vivemos.


 


 


PROVAR


Nada melhor para esta altura do ano que uma perdiz. Eu por mim gosto muito de as petiscar no Salsa & Coentros, quer a deliciosa perdiz com couve lombarda, quer a empada de perdiz. Rua Coronel Marques Leitão 12, Alvalade, telefone 218 410 990.


 


 


BACK TO BASICS


Muita da histórica social do Ocidente nas últimas três décadas pode resumir-se a ter substituído o que funcionava por aquilo que parecia poder funcionar (Thomas Sowell)


 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:17



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2007
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2006
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2005
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D
  222. 2004
  223. J
  224. F
  225. M
  226. A
  227. M
  228. J
  229. J
  230. A
  231. S
  232. O
  233. N
  234. D
  235. 2003
  236. J
  237. F
  238. M
  239. A
  240. M
  241. J
  242. J
  243. A
  244. S
  245. O
  246. N
  247. D